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  • Foto do escritorGabriel Sousa

Crítica | Carvão (TIFF 22)

O surpreendente primeiro longa-metragem da paulista Carolina Markowicz.

Courtesy of TIFF


O que você faria para fornecer sustento para a sua família? Enquanto alguns têm em excesso, outros precisam de trabalhos múltiplos, e ainda assim não conseguem suprir as demandas das contas a pagar. Um dos principais dilemas de Carvão é a dinâmica que se forma após a matriarca da família tomar uma escolha que acaba colocando um traficante dentro de sua casa, fazendo com que ele durma com o seu filho e viva como parte de seus entes.


Creio que não tenha como acabar de assistir o filme sem se impressionar com os visuais magníficos, conseguindo capturar a essência de uma cidade do interior e contrastar com a casa da família onde uma carvoaria se encontra. Desde visuais mais lúcidos quando eles estão em ambientes públicos às mágicas cenas onde os tons alaranjados do fogo guiam a cena.


Courtesy of TIFF


Quando estamos falando das atuações, é realmente difícil destacar alguém, já que todos os atores fazem um trabalho excepcional. Rômulo Braga interpretando Jairo, o patriarca que esconde alguns segredos de seus familiares, César Bordón dando vida a Miguel, traficante que se sofre ao se encontrar longe de sua realidade enquanto tenta se esconder, e finalmente as duas estrelas do filme; o pequeno Jean de Almeida Costa, que interpreta o filho, uma criança curiosa, e Maeve Jinkings, a matriarca, a mulher que toma as decisões da casa, quem intriga o espectador, sendo apoiando suas resoluções ou ficando em choque com suas ações.


A roteirista Carolina Markowicz, desta vez também comanda a direção em seu primeiro longa-metragem, e usa de seu vasto talento e conhecimento com textos, para ajudar os atores a entregarem perfeitamente suas palavras, de forma que as usam ao potencial extremo, conseguindo fazer um filme dinâmico, com momentos de comédia, drama, apreensão e choque.


Courtesy of TIFF


Carvão mostra um cenário triste, mas realista no Brasil atual, com questões éticas e moralistas. Sendo um ótimo primeiro longa, o filme já cavou um lugar para Markowicz na cadeira de direção, e prova que devemos ficar de olho em seus futuros projetos. Além do elenco apaixonante, que nos convida a vivenciar um pouco da vida da família mostrada, e os visuais que continuamente maravilham o espectador.


Nota: 4/5

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