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  • Foto do escritorVinicius Oliveira

Crítica | Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes

Uma aventura descompromissada que honra o espírito de uma boa partida de RPG

Foto: Divulgação


Se você, como eu, é nerd confesso, então certamente já deve ter pelo menos ouvido falar de Dungeons & Dragons. Sendo o mais popular RPG do mundo, D&D é muito provavelmente a produção de fantasia mais relevante para o gênero, junto com O Senhor dos Anéis. Depois de tentativas malfadadas de adaptá-lo para o cinema (incluindo um filme com Jeremy Irons e Marlon Wayans que eu prefiro esquecer que existe), o jogo finalmente chama uma adaptação à sua altura.


Embora não adapte uma obra específica do universo de D&D, Honra Entre Rebeldes consegue habilmente nos transportar para o sentimento de fazer parte deste universo, definindo uma clássica equipe de protagonistas: o bardo Edgin (Chris Pine), a bárbara Holga (Michelle Rodriguez), o feiticeiro Simon (Justice Smith) e a druida Doric (Sophia Lillis). A sinergia e química desse quarteto principal — que busca se vingar de um ex-parceiro, o ladino Forge (Hugh Grant), que os traiu e se aliou à uma maligna feiticeira (Daisy Head) — se mostra o coração e a alma do filme, já que não apenas somos levados numa missão que poderia ter saído diretamente de uma partida de RPG, mas também há espaço para a exploração e desenvolvimento de suas jornadas e dramas pessoais.


Ao construir as diversas etapas desta missão, Honra Entre Rebeldes se revela uma obra dinâmica, mesmo na sua duração relativamente maior do que precisava. Cada setpiece, cada ambientação e pedaço deste mundo apresentado não são apenas deleites para os fãs de D&D, mas apresentam uma razão de ser, construindo e intensificando um senso de aventura constante que permeia toda a obra. Em particular, toda a sequência em um mundo subterrâneo, o Underdark, e o clímax na arena (este com direito a uma participação super especial) são os dois momentos nos quais o filme mais brilha, especialmente pela dinâmica do quarteto principal. No caso do Underdark, o filme cresce também pela presença de Regé-Jean Page como o paladino Xenk Yendar, com o ator roubando tanto a cena pela seriedade e gravidade que traz (e que contrapõe brilhantemente com os demais personagens) que é um pecado que sua participação seja tão curta.

Foto: Divulgação


Aliás, esse equilíbrio entre o humor e a seriedade é tanto uma força quanto uma fraqueza do filme. Levando em conta A Noite do Jogo, a produção anterior dos diretores Jonathan Goldstein e John Francis Daley, bem como a própria campanha de divulgação, eu esperava encontrar uma obra mais humorada e engraçada, mas há um tom surpreendentemente sério em determinados momentos (embora nunca demais). Parece até estranho pedir por mais humor para um blockbuster, sendo que já somos soterrados pelas piadas ruins dos filmes da Marvel, mas qualquer um que tenha assistido A Noite do Jogo sabe das habilidades de Goldstein e Daley para um timing cômico único e certeiro (e não é à toa este filme é uma das minhas comédias favoritas da década passada). Esse timing cômico é presente aqui — a sequência no cemitério é o ápice disso —, mas aquém do que a dupla pode entregar, sendo preterido em favor do já referido senso de aventura. Pode ser uma boa notícia para muitos, mas acaba tornando o filme um tanto “plano”, investido numa nota só do início ao fim — embora seja uma boa nota.


Mesmo que não chegue a cumprir o que prometeu (e peque em alguns elementos como os efeitos visuais em algumas sequências), Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes é uma obra leve, descompromissada e que resgata uma certa ingenuidade que dificilmente se encontra na fantasia contemporânea, após o sucesso de obras mais adultas como Game of Thrones. Para os não-fãs de D&D, é um frescor num cenário onde a “fórmula Marvel” dá cada vez mais indícios de se esgotar. Para os fãs, é como ver aquela partida nostálgica e divertida de RPG que você jogou com seus amigos ganhar vida nas telonas, ainda que aqui e ali pudesse ser mais memorável.


Nota: 3,5/5

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