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  • Foto do escritorHosanna Almeida

Crítica | O Urso Do Pó Branco

A lisérgica comédia-slasher de Elizabeth Banks diverte mais do que assusta

Foto: Divulgação


Imagine como seria trabalhoso seguir todos os passos de um grande narcotraficante nos anos 80 sem dispor dos mecanismos tecnológicos que hoje são parte do nosso dia a dia. Nada de nanochips, ou geolocalização simultânea, nem pensar em triangulação de sinais e esqueça os números de IP, ou IMEI, nada disto. Então você também consegue imaginar o tamanho do êxito que seria interceptar uma grande carga de cocaína nestes termos, correto? Exceto que, especificamente, esta interceptação se deu de modo mais… digestivo. E, não, você não entendeu errado. Pareceu absurdo ou fictício demais? Mas não é. O urso do pó branco existiu, só foi menos lisérgico e sangrento.


Enquanto o urso da história real teve seu fim trágico horas ou dias, vai saber?, depois de ter se empanturrado de cocaína, a mamífero-protagonista de Elizabeth Banks — “Ela. A vagina dela está no meu ombro! — começa sua jornada partindo do mesmo marco zero: A queda real do helicóptero em que o contrabandista Andrew Thornton morre, não ironicamente (valeu, twitter!) por ter tropeçado antes de abrir o paraquedas e batido com a cabeça. Já aterrissou em outro plano espiritual. Um casal super simpático com nome de personagem da Disney (Elsa e Olaf/Kristoff) é o primeiro alvo que a nossa macro-querida enxerga, numa cena inicial que arranca umas risadinhas até de quem ainda não está muito convencido pelo absurdo da ursa-cheiradora-de-pó.

Foto: Divulgação


O longa apresenta, progressivamente, os outros personagens como peças de um quebra-cabeças simples e que garantem uma boa diversão. Não são muitas as pessoas envolvidas, e o plano de fundo de suas histórias são compreensíveis, suas motivações são claras. Alguns têm subtemas maiores, como o filho do traficante Syd White, Eddie, interpretado por Alden Ehrenreich, cuja angústia cômica de não querer mais pertencer à vida criminosa, em meio ao luto de sua companheira, Joan, se envolve ao fio principal da trama: recuperar os 14 milhões de dólares em cocaína perdidos na floresta. Syd White este, que é fictício e interpretado pelo saudoso Ray Liotta em um de seus últimos trabalhos.


Elizabeth Banks sempre traz em seus filmes figuras femininas fortes, e neste filme temos a mãe-herói Keri Russell que vai em busca de sua filha Dee Dee e encontra com o garotinho Henry (Christian Convery, o Gus de Sweet Tooth da Netflix), que, me permitam todos os clichês, roubam a cena com um carisma enorme e tom cômico como a gente gosta de ver: a autenticidade da criança sendo criança, achando que sabe de tudo e fazendo merda: 10/10. Uma participação bem-vinda foi a de Scott Seiss, que de nome você talvez não se lembre, mas o reconheça dos tik-toks do “Angry Retail Guy” que viralizaram.

Foto: Divulgação


A comédia-slasher-mais-comédia-do-que-slasher tem seus momentos sangrentos que acabam arrancando risadas também. Quando a história caminha para o ato final, que conclui a narrativa (aquele, no ponto central da cachoeira), pareceu uma resolução um tanto desconjuntada, mas que se recupera ao finalizar de modo afetuoso, deixando a dádiva da segunda chance para os personagens que permaneceram após o massacre.


Desde antes da pandemia de COVID, minhas idas ao cinema rarearam por diversos fatores: a praticidade do streaming no conforto de casa, o valor acessível que faz frente aos preços impraticáveis dos ingressos, às vezes os filmes em cartaz não empolgam… A gama de — aviso que vale a redundância — justas justificativas é imensa. Sou adepta do streaming pelos motivos que listei. Mas é compreensível que se escute por aí que filmes foram feitos para serem experienciados no cinema. Há essa curiosa sensação de comunidade que se faz quando se compartilham risadas, silêncios e comentários. O urso do pó branco é um destes filmes que não são obra-prima, mas que garante a experiência da comunhão despretensiosa do cinema. E que bom que se pode ser assim.


Nota: 3,5/5

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