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  • Foto do escritorGabriella Ferreira

Crítica | Perdida

Conto de fadas brasileiro exagera nos clichês em versão atualizada da obra literária

Foto: Divulgação


Com estreia oficial marcada para o dia 13 de julho, o longa brasileiro Perdida chega aos cinemas depois de uma longa espera pelos fãs da obra. O livro de Carina Rissi foi lançado em 2011 e teve os direitos da adaptação do primeiro volume adquiridos em 2013. Posteriormente, eles foram renegociados para a Filmland International, que desenvolveu o filme em parceria com a Star Original, do grupo Disney.


Perdida é o primeiro de uma série de seis livros com mais de 700 mil cópias vendidas somente no Brasil e tem a proposta de ser um conto de fadas moderno, com inspirações em famosas obras como Bridgerton e Outlander. Na história, conhecemos Sofia Alonzo (interpretada por Giovanna Grigio), uma garota moderna e independente, que quando o assunto é amor, os únicos romances da sua vida são aqueles do universo literário de Jane Austen.


Porém, após utilizar um celular emprestado, algo misterioso acontece e ela é transportada para um mundo diferente, que se assemelha ao século XIX. Sofia é acolhida pela família de Ian Clarke (Bruno Montaleone) e enquanto tenta desesperadamente encontrar uma forma de retornar a sua vida, ela se apaixona por Ian e vê sua vida mudar completamente.

Foto: Divulgação


Sob direção de Katherine Chediak Putnam (Inferno), Dean Law (O Ritual do Livro Vermelho) e Luiza Shelling Tubaldini (Divórcio), Perdida enfrenta bem a parte mística da história, criando uma boa justificativa para sua protagonista e também explicando a falta de veracidade histórica que a obra não cria com o Brasil da época. Afinal, bebendo muito do proposto por outros conteúdos do gênero, a produção traz diversidade para um período histórico sempre representado por uma branquitude desnecessária.


A primeira parte do filme, da Sofia do presente, amarra bem a narrativa, mas, não é tão bem dirigida quanto na sua segunda parte. Fica muito claro que o filme é quase dividido nessas duas etapas, de passado e de presente, e que não conversam muito entre si (esteticamente falando). A chegada ao século XIX traz um frescor para a história, além de uma fotografia muito bonita e uma direção de atores muito mais apurada.


Com ótimas participações como Hélio de la Peña e Luciana Paes, Perdida tem um ótimo mérito de possuir um elenco brasileiro muito eficiente, mesmo que o roteiro pareça um pouco travado pela formalidade do texto, é possível notar a qualidade dos atores. Giovanna é incrível, muito talentosa e cativante em cena, é impossível não gostar dessa versão da Sofia criada pela atriz. Já Bruno teve a difícil missão de interpretar um daqueles personagens adorados e extremamente idealizados para o público leitor do livro, e, acredito que eles devem ficar satisfeitos com a versão do Ian Clarke das telas. Também vale ressaltar a química dos dois em cena, sendo determinante em momentos-chave do filme.


Mas, para quem vai esperando uma história inovadora, devo orientar que Perdida não deve ser a sua escolha. O longa é divertido, cumpre o seu papel e deve satisfazer os fãs do livro. Na história, caímos em vários clichês que se misturam em diversos filmes, séries e obras literárias do gênero que já cansamos de assistir e acompanhar. O diferencial de Perdida seria, por exemplo, trazer esses clichês para a realidade brasileira. Porém, o longa cai na pasteurização da história para atingir um público mais abrangente que o do nosso país. Não é um problema. Só peca na falta de originalidade.


Nota: 3,5/5

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