top of page
Background.png
Header_Site3.png
  • Foto do escritorFilipe Chaves

Crítica | Querido Edward (1ª temporada)

A série tem boas intenções, mas peca pelo excesso

Foto: Divulgação


Baseada no livro homônimo de Ann Napolitano, a série conta a história de Edward (Colin O’Brien), um menino de 12 anos que é o único sobrevivente de um acidente de avião. Enquanto ele e outras pessoas afetadas pela tragédia tentam entender o que aconteceu, amizades, romances e conexões são formadas pelo grupo de enlutados que passa a se reunir para que tentem superar o trauma. Edward passa a morar com sua tia Lacey (Taylor Schling) e o marido dela, John (Carter Hudson). Os dois tentam esconder dele as inúmeras cartas que ele vem recebendo de toda parte dos Estados Unidos para que ele não se sinta ainda mais pressionado com o fardo.


A série começa muito bem, eu diria. Os dois primeiros episódios são bem dramáticos, mas diante da situação, imagino que não teria como ser diferente. Ambos escritos por Jason Katims, que atua como showrunner e foi o primeiro nome que me chamou atenção na produção por ter sido um dos principais roteiristas da espetacular ‘Friday Night Lights’ e o criador da ótima ‘Parenthood’. Katims sabe emocionar, ainda que use artifícios conhecidos, como os flashbacks das vítimas que conseguem despertar empatia em quem assiste. Seguindo essa narrativa não linear de início, a série não tem vergonha de se assumir um dramalhão e algumas cenas, ainda que apelativas – como a da queda do avião – emocionam, bem como a descoberta dos familiares sobre o que aconteceu. Então, pelo menos durante esses momentos iniciais, você assiste ciente que vai se comover, afinal é uma história sobre luto e perdas irreparáveis e é isso que ela te entrega.


No entanto, a partir do terceiro episódio, os maiores problemas da série começam a tomar forma. São dez episódios no total, dos quais, uns quatro não precisavam existir. Mas existem porque são DEZESSEIS atores no elenco principal para o roteiro dar conta. Quem se destaca desde o início é Connie Britton, que faz fútil Dee Dee. Foi outro nome que me chamou atenção e ela é, de fato, a personagem mais interessante. Britton interpretando uma mulher supérflua não é novidade, assim como sua trama, mas o talento da atriz é tanto, que ela caminha com facilidade pelo humor e pelo drama. Talvez seja por isso que sua história empolgue mais do que tantas outras que somos obrigados a acompanhar. O núcleo central vai se tornando cada vez mais enfadonho à medida que Edward vai se rebelando. É compreensível pelo trauma que ele passou e pela idade que ele tem, mas com o passar dos episódios os desdobramentos vão se tornando cada vez mais repetitivos, e outros, que poderiam significar algo ficam perdidos, como por exemplo, Edward lembra do pai apenas no episódio 8 e pouco o menciona anteriormente, enquanto conversa sempre com o irmão e constantemente pergunta da mãe à tia.

Foto: Divulgação


Como eu já disse, são vários personagens, e eles vão tomando conta da tela com seus enredos chatíssimos. Não vou citar todos especificamente, porque realmente são vários e não valem a pena. Tem uma trama política, tem duas traições, tem gravidez inesperada... E só de citar essas tramas, você já sabe exatamente o que esperar delas. Falta carisma nos nossos “heróis”, os quais o roteiro luta para dar alguma profundidade, mas falha bastante com um desenrolar pra lá de previsível, o que faz com que eu pouco me importe com eles. Os personagens contracenam bastante, mas nunca estabelecem conexões realmente fortes. A série quer passar essa impressão, mas também deixa a desejar. Não há a sensação de que aquele grupo que se reúne naquela igreja realmente precise um do outro, a não ser em alguns casos particulares, mas não como um grupo de fato. A impressão que fica, é que eles se gostam, mas nada além, ainda que eles se refiram como “família” no último episódio. Palavras são poderosas, mas há certas coisas que precisam serem mostradas para serem críveis.


No penúltimo episódio, Edward acha as cartas e foge desnorteado. Mais uma vez parece algo que já vimos. As tais cartas que o título faz referência, servem principalmente para deixar um gancho para uma possível 2ª temporada e é por isso que eu tenho me referido à produção como série, e não minissérie como eu achei que seria. Caso seja renovada, provavelmente não estarei assistindo. Sabe aquele sentimento de “essa reunião poderia ter sido um e-mail?”, ou sendo mais específico, essa série poderia ter sido um filme. Eu sei que o intuito é mostrar uma grande tragédia e a extensão da vida durante o luto e após, mas é necessário que haja histórias e personagens que sustentem isso por dez episódios e nem todos conseguem. Há excesso de personagens, há excesso de episódios, há excesso de tramas paralelas, há excesso de melodrama. Enfim, excesso não falta, o que falta é um filtro para que o que há de bom na série seja espremido. É um diamante muito bruto, que precisa de muita lapidação para que justifique sua existência e não seja só mais uma no mar de opções que temos para assistir hoje em dia.


Nota: 2,5/5

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Comments


bottom of page