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Crítica | The Paper (1ª temporada)

  • Foto do escritor: Rafael Carvalho
    Rafael Carvalho
  • 21 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de fev.

Sempre bom voltar para o universo de The Office


Divulgação


As versões dos Estados Unidos e do Reino Unido de The Office já ocupam um lugar quase mítico entre as grandes comédias da televisão. O desgaste do tempo, que costuma atingir produções longevas, principalmente as cômicas, curiosamente nunca parece ter alcançado a série, mesmo após mais de 20 anos desde a estreia da versão original. Talvez alguns elementos hoje soem datados e fora do tom, mas nada realmente sério a ponto de impedir que, ano após ano, novas gerações a descubram e que diferentes países tentem replicar sua fórmula.


The Paper é uma tentativa de Greg Daniels e Michael Koman de dar continuidade a esse legado. Tratada como um spinoff da versão americana de The Office, a série chegou cercada de grandes expectativas e da inevitável pressão de corresponder ao legado de seu antecessor. Após alguns anos em desenvolvimento, foi oficialmente lançada no fim de 2025, já com uma segunda temporada garantida, uma escolha interessante considerando que a primeira temporada da versão americana original é, de longe, a mais fraca da série. Se ambientar nesse mundo de personagens complicados, porém carismáticos, nunca foi tarefa simples, e os criadores claramente têm consciência disso.


Apostando em um elenco sólido, que emula levemente a química de sua referência original, The Paper se mostra sincera ao ponto de admitir que ainda precisa se encontrar. Alguns episódios, especialmente na segunda metade da temporada de estreia, evidenciam esse crescimento e sugerem que a série pode, aos poucos, conquistar sua própria identidade dentro do universo de The Office, equilibrando a nostalgia com um olhar refrescante e inédito.


Continuando no formato de falso documentário, a trama acompanha a equipe de um jornal em decadência que está sendo seguida pela equipe de documentaristas que, 20 anos atrás, acompanhou os trabalhadores da filial da Dunder Mifflin em Scranton. Domhnall Gleeson vive o novo editor-chefe do jornal, que chega com o gás que todo o restante da equipe não tem. Sua presença define o tom satírico da série, funcionando de maneira natural dentro de um gênero que depende do equilíbrio entre todos os elementos para fluir como o esperado. A atuação de Gleeson é carismática, engraçada e envolvente, fazendo com que o público torça genuinamente para que ele consiga colocar a redação nos trilhos.


Divulgação


Seu personagem tem uma ligação mais direta, de formas diferentes, com outras duas figuras centrais. Chelsea Frei interpreta a empolgada Mare, diagramadora e repórter do jornal, que cumpre o papel de elo “Jim e Pam” desta adaptação. A dupla tenta replicar a química clássica da série original e, apesar de alguns tropeços, demonstra estar no caminho certo para construir um relacionamento que, mesmo sem atingir a força do original, consegue envolver, fazer o público se importar e trazer tópicos mais maduros com esse futuro (?) casal.


Sabrina Impacciatore vive a antiga editora-chefe, determinada a impedir que Ned alcance seus objetivos. Difícil, astuta e engraçada, ela forma o equilíbrio perfeito para o personagem de Gleeson, garantindo que a química entre eles acrescente um tempero diferente à comédia e ofereça o contraponto necessário de uma suposta vilã, mesmo que, lá no fundo, ambos compartilhem o mesmo objetivo. Destaco especialmente sua performance no episódio "Churnalism", que explora suas inseguranças e acrescenta camadas importantes à construção de sua personagem.


No fim das contas, The Paper entrega uma primeira temporada interessante, mesmo que segura, ao nos estabelecer novamente nesse universo antes liderado pelo Michael Scott, de Steve Carell. Domhnall Gleeson e o restante do elenco demonstraram o domínio necessário, enquanto o roteiro tenta amadurecer e revelar aos poucos o seu potencial, para fazer com que essa ideia funcione. Pelo menos é o que esperamos.


Nota: 3,5/5

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