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Crítica | As Ovelhas Detetives

  • Foto do escritor: Filipe Chaves
    Filipe Chaves
  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

Surpreendentemente engraçado, cativante e comovente.

imagem: Divulgação
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Sim, eu sei que você provavelmente só está ouvindo falar desse filme agora e talvez até custe a acreditar que ele realmente exista. Eu mesmo só soube dele há algumas semanas e brinquei que parecia ter saído de uma piada de 30 Rock – uma das melhores séries de comédia da história e que acabou de chegar na Netflix, então já fica a dica. Bom, a trama acompanha George (Hugh Jackman), um pastor que lê histórias de detetive para suas amadas ovelhas toda noite, presumindo que elas não conseguem entender nada. Mas quando misterioso incidente desordena a vida pacífica no pasto, as ovelhas percebem que precisam investigar o ocorrido, juntando pistas e seguindo os suspeitos humanos, provando que até ovelhas podem ser brilhantes detetives. Esta é a sinopse oficial adaptada e sem qualquer spoiler, justamente porque minha experiência foi quase inteiramente às cegas e eu só sabia do elenco estelar, diretor e roteirista.


Além de Jackman, temos Emma Thompson, Nicholas Braun (Succession), Nicholas Galitzine (Uma Ideia de Você), Molly Gordon (The Bear), Hong Chau (A Baleia), Conleth Hill (Game of Thrones), Tosin Cole (Doctor Who), Kobna Holdbrook-Smith (Paddington 2) e dublando as ovelhas nomes como Bryan Cranston, Bella Ramsey, Regina Hall, Patrick Stewart, Chris O’Dowd e Julia Louis-Dreyfus, estes dispensam apresentação, mas eu não posso julgar o trabalho deles porque assisti ao filme dublado em português, por falta de sessões legendadas no único cinema da cidade, mas isto é um debate mais longo que eu vou deixar para outro texto e os dubladores brasileiros fizeram um belo trabalho, devo dizer. Quanto aos suspeitos humanos, todos estão muito bem, principalmente Braun, que tem um conhecido timing cômico impecável desde o Greg de Succession. Emma Thompson, claro, um destaque em tudo que se propõe, rouba a cena quando aparece, o que, infelizmente, não é tanto, mas é o suficiente para marcar. 


imagem: Divulgação
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A direção é de Kyle Balda, que tem uma bagagem de animações como os filmes dos Minions e Meu Malvado Favorito 3 e é principalmente aí que está a força do que ele faz com as ovelhas, que são de CGI, e são, basicamente, as protagonistas, já que com os humanos é algo mais engessado, ainda que não seja nada que comprometa. Porém, a mescla do animal e do humano se equilibra muito bem através do roteiro de Craig Mazin que adapta a história do livro Três Sacos Cheios: Uma História de Ovelhas Detetives (2005), da escritora Leonie Swann. Mazin foi uma escolha certeira, porque além de ter a experiência de dramas mais densos na televisão como Chernobyl e The Last of Us, e no cinema tem filmes de comédia mais escrachados no currículo como alguns das franquias Se Beber Não Case e Todo Mundo em Pânico. No entanto, aqui há uma sutileza maior tanto no peso mais dramático quanto no lado do humor mais escrachado, e o fato de ser ambientado em um pequeno vilarejo inglês.


Ser capaz de acessar o emocional das ovelhas, juntando isso ao mistério e a comédia é realmente um trunfo. Nem tudo precisa ser inovador e revolucionário e é comum em animações com animais falantes que eles ajam como humanos, mas não deixa de ser bonito e aqui é genuinamente comovente. Os figurinos, cenários e a fotografia adotam um tom cartunesco mesmo, o que deixa tudo muito divertido e colorido, mas sabendo trabalhar as sombras quando necessário. Fazer uma abordagem de um “quem matou?”, com as figuras habituais das histórias de mistério, seguindo a estrutura narrativa do gênero é algo que todos já vimos, porém quando o filme se propõe a mesclar todos estes elementos e ser eficaz em cada um deles, ele merece sua atenção. A resposta para o crime ou motivações não são exatamente imprevisíveis, mas o modo como a resolução acontece sim, fazendo sentido naquele universo e sem perder a piada. E mesmo que não fosse, são quase duas horas deliciosas que passam voando, onde você vai rir, chorar e se questionar e refletir, não só sobre o mistério, mas sobre a vida em si, seja você criança ou adulto, para nunca esquecer quem somos e quem está ao nosso lado. Esta frase final, você só vai entender quando assistir, e não vai se arrepender quando fizer isso.


Nota: 4/5


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