Lista | Os melhores episódios do ano (até agora)
- Filipe Chaves

- há 1 dia
- 10 min de leitura
2026 está sendo um bom ano para a televisão, mas conseguiu ser excelente aqui nestes episódios.

Pessoalmente, eu adoro exaltar a força episódica da desta mídia. E principalmente pelo fato de que em até temporadas que não são um tanto irregulares, algum episódio pode se destacar – como é o caso de alguns presentes na lista – e, às vezes, a temporada pode manter uma qualidade alta e se sobressair no geral, mas não tem aquele episódio que seja melhor do que os outros pois manteve uma regularidade, o que pode explicar algumas ausências na lista.
Escolhi dezesseis opções, um por série, que, na minha humilde opinião, merecem o devido destaque. Mas antes, algumas menções honrosas:
Menções Honrosas: “Search and Recovery” (História de Amor: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette, Temporada 1, Episódio 9); “6:00 P.M.” (The Pitt, Temporada 2, Episódio 12); “Dereks Don’t Die” (Falando a Real, Temporada 3, Episódio 6); “Litlle Thanksgiving” (As Quatro Estações do Ano, Temporada 2, Episódio 6); “La Hora de la Verdad” (A Casa dos Espíritos, Minissérie, Episódio 8); “Eran Más de Tres Mil” (Cem Anos de Solidão, Parte 2, Episódio 6).
16. “The Mailman” (Temporada 2, Episódio 5), Paradise

Xavier (Sterling K. Brown) encontra Gary (Cameron Britton) e descobre o que acontece com Teri (Enuka Okuma) no dia do evento. Pessoalmente, tenho problemas com Paradise, mas acho a 2ª temporada realmente melhor do que a 1ª em tantos pontos, principalmente no arco da personagem de Shailene Woodley. E apesar dela não estar presente neste episódio, ele condensa muito bem o lado dramático que a série sempre teve o potencial para explorar ao ser contado da perspectiva de um personagem novo como Gary. E claro, com aquela reviravolta no final se não, não seria Paradise. O bom é que desta vez ela realmente fez sentido.
Poderia estar na lista: “Graceland” (Temporada 2, Episódio 1)
15. “Queen’s Landing” (Temporada 3, Episódio 2), A Casa do Dragão

Enquanto Alicent (Olivia Cooke) arrisca tudo para cumprir sua parte do acordo, Rhaenyra (Emma D’Arcy) deve decidir se o preço do Trono de Ferro é alto demais. O episódio que, provavelmente, seria o final da 2ª temporada, se tornou o meu favorito de todos. Apesar da série ter problemas basilares em como constrói seus personagens, é inegável que Rhaenyra e Alicent são as mais interessantes, ou pelo menos, o roteiro investe mais nuances. Aqui, Rhaenyra finalmente vive o luto de uma forma mais palpável e um plano - um tanto estapafúrdio - dá certo. O Trono é dela, mas não sem antes tomar decisões difíceis, para ambos os lados. O jogo dos tronos ganha mais forma, força e substância, mostrando já de início que reinar jamais será um mar de rosas. A temporada pode não ter mantido o nível o tempo todo, mas ainda assim conseguiu ser bem mais consistente do que o ano anterior.
14. “For Everything Else, There Was Bowling” (Temporada 2, Episódio 6), Seus Amigos e Vizinhos

Coop (Jon Hamm) e a família enfrentam um velório e um funeral carregados de tensão e temos mais um belo episódio sobre o luto. Sem deixar de lado os toques de humor da série, aqui há um equilíbrio muito bem dosado com o peso de uma perda, seja em momentos mais sutis ou não. Umas das questões que eu mais gosto em Seus Amigos e Vizinhos, é como eles abordam a questão da idade e do tempo e esse episódio traduz muito bem isso, não só através do texto sensível de Danielle DiPaolo e Cara Pomanti, mas pela direção inebriante de Stephanie Laing, que te deixa tão atordoado quanto os personagens. É uma experiência imersiva e reflexiva que mostra o real potencial que eu sempre enxerguei na série.
13. “Lariat Takedown” (Temporada 1, Episódio 7), Margo Está em Apuros

Margo (Elle Fanning) enfrenta finalmente Mark (Michael Angarano), enquanto Jinx (Nick Offerman) tem um dos piores dias da sua vida. Sabe aquele episódio onde as séries atingem o clímax? Pois é, isso costuma acontecer nos penúltimos das temporadas, principalmente quando elas são adaptadas de livros, como é o caso aqui. Neste ano de estreia, Margo Está em Apuros se mostrou uma série leve e gostosa de se assistir, mesmo abordando temas pesados e o fazendo com seriedade, mas é aqui que ela atinge essa dosagem perfeita. Enquanto temos uma cena hilária de Michelle Pfeiffer socando Marcia Gay Harden, há outra sequência pesadíssima envolvendo Elle Fanning e Nick Offerman. O elenco é um primor neste passeio entre o drama e a comédia e atinge todas as notas, assim como a direção que consegue dar o tom exato que a série pedia em um episódio cheio de acontecimentos importantíssimos para a trama.
12. “Rise of Apocalypse, Part 2” (Temporada 2, Episódio 4), X-Men ´97

Uma aliança entre os X-Men e En Sabah Nur começa a ruir quando Rama-Tut busca o poder supremo. Definitivamente, a temporada atinge seu ápice aqui, o que não é uma coisa exatamente positiva para o plano geral porque ainda faltavam mais cinco episódios e ficou notório que os rumos estavam, no mínimo, estranhos. No entanto, com este episódio focando no surgimento de Apocalypse, os riscos estavam tão elevados quanto a carga dramática, e era justamente esse equilíbrio que fez tanto sucesso no impecável primeiro ano da animação. O sacrifício feito aqui tem peso e comove, é uma pena que a temporada não seguiu no mesmo nível.
11. Episode 4 (Minissérie, Episódio 4), Pela Metade

Em 2008, após um colapso nervoso, Niall (Jamie Bell) descobre que Ruben (Richard Gadd) retornou. A obsessão toma conta dele, e um confronto força os irmãos a encararem seu passado conturbado. A intensa minissérie constrói sua narrativa ao redor da relação conturbada entre os meio-irmãos e é aqui que o estopim de todo o conflito. Não bastando Niall atingir o fundo do poço como consequência de tudo, a cena do hospital em que os dois se enfrentam é de uma visceralidade absurda e onde a série assume a história que quer contar e como quer abordá-la. Durante os seis episódios, há um certo desequilíbrio no exagero, mas aqui, até o excesso de violência foi crucial para impactar, e não somente chocar.
10. “They Make a Noise Like Feathers” (Minissérie, Episódio 6), Fúria

Alice (Emmy Rossum) e Catherine (Lola Petticrew) se encontram e a gente tem uma hora para ganhar a confiança da assassina. O episódio mais recente da lista, é uma aula de roteiro, onde as duas personagens de lados opostos da lei percebem que têm mais em comum do que imaginam. A complexidade e as nuances são muitas naquelas mulheres e na trama no geral, sem falar na construção da tensão que se instaura, enquanto todos os núcleos se movimentam. A minissérie aborda temas sérios e sabe equilibrar com um humor pontual sem se perder. É uma das surpresas do ano e só melhora.
Poderia estar na lista: “Memory Distortion” (Episódio 3)
9. “Valerie Cherish” (Temporada 3, Episódio 8), The Comeback

Enquanto a NuNet se apressa para fazer o anúncio sobre o uso da inteligência artificial, Valerie repensa seu futuro… com ou sem How’s That. Em seu último episódio – a não ser que Valerie volte daqui a 10 anos de novo, rs – , a série de Lisa Kudrow e Michael Patrick King traz sua veia tragicômica à tona na melhor forma e honrando sua protagonista tão rica. Ter a inteligência artificial como tema norteador aqui e não poderia ser mais relevante e modo como Valerie lida com isso ressalta todo o crescimento da personagem durante estas três temporadas. A cena final é brilhante e emocionante, carregada com todas as emoções que Valerie desperta, seja do choro ao riso.
Poderia estar na lista: “Valerie Does It All” (Temporada 3, Episódio 4), “Valerie Has a Secret” (Temporada 3, Episódio 2)
8. “Awl in a Sack” (Temporada 1, Episódio 6), Cidade das Estrelas

As consequências chegam na Cidade das Estrelas e tudo desmorona. É o tipo de episódio onde o clímax é construído há tempos e aqui vários são atingidos. Reviravoltas fomentam a tensão latente e os personagens são colocados no limite, onde basicamente todos são afetados. O valor de uma boa base de desenvolvimento no roteiro é mostrado aqui, principalmente na tomada das decisões drásticas, que são impactantes e emocionam. A série derivada de For All Mankind foi uma das melhores surpresas do ano e este episódio mostra justamente o porquê.
Poderia estar na lista: “Bite Your Elbow” (Temporada 1, Episódio 5)
7. “Caramel” (Temporada 5, Episódio 7), The Bear

A temporada toda leva a este momento e finalmente é a hora do serviço, com o caos que estamos habituados na série. No penúltimo episódio de sua história, Carmy (Jaremy Allen White) está a pouco tempo de deixar o restaurante de vez, enquanto Syd (Ayo Edebiri) precisa aprender a liberar. Os limites são testados em meio a uma tempestade que não cessa e os clientes não param de chegar, a tensão é latente e tudo parece que vai dar errado, mas como sempre, a união faz a força e a equipe se sobressai, com cada personagem tendo seu espaço para brilhar e mostrando o quanto se desenvolveu. É o tipo de episódio que faz a gente lembrar o porquê amamos a série um dia, mesmo com seus altos e baixos ao longo das temporadas.
6. “In the Name of the Mother” (Temporada 1, Episódio 5), O Cavaleiro dos Sete Reinos

A coragem de Dunk (Peter Claffey) é posta à prova no brutal julgamento dos sete. Por meio de flashbacks, vemos a vida sofrida do rapaz. O episódio tem absolutamente tudo que fez a gente se encantar pelo mundo de Game of Thrones. Dividir este momento da batalha com uma história do passado, me causou certa desconfiança de início, mas o roteiro e a direção souberam equilibrar de maneira fantástica e emocionante o drama e ação, sem deixar de lado o desenvolvimento dos personagens. O que a direção faz para disfarçar o orçamento menor nas cenas de batalha é absolutamente impressionante e não deixa em nada a desejar, bem como manter a carga dramática elevadíssima.
Poderia estar na lista: “Seven” (Temporada 1, Episódio 4)
5. “Montecito” (Temporada 5, Episódio 7), Hacks

Depois de escolher seu figurino para o show no Madison Square Garden, Deborah (Jean Smart) descobre que ele pertence a uma ex-amiga e para conseguí-lo, precisa fingir ser um casal junto com Ava (Hannah Einbinder) em um fim de semana em Montecito. O que poderia parecer apenas um mero fanservice, abre brecha para que a relação de Ava e Deborah seja ainda melhor explorada, de uma forma tão hilária quanto emocionante, assim como as personagens individualmente. Há tantas camadas ali e o texto é brilhante em desenvolvê-las com aquela dosagem perfeita entre a comédia e o drama que a série faz tão bem. A participação de Cherry Jones e Leslie Bibb coroa o episódio como um dos melhores episódios da série.
Poderia estar na lista: “The Garden” (Temporada 5, Episódio 9), “D’Amazing” (Temporada 5, Episódio 5), “Hacks” (Temporada 5, Episódio 10)
4. “Quem Não Reage, Rasteja” (Temporada 2, Episódio 7), Cangaço Novo

O destino dos Vaqueiros é selado em uma batalha sangrenta pela defesa do arraial e uma perda irreparável fará todas as certezas estremecerem. Se Cangaço Novo fosse uma série internacional, tenho absoluta convicção que este episódio seria comentado por todos, daqueles que realmente marcam a televisão. Por isso, acho importante reconhecer um produto que é tão nosso e merece todos os louros. Surpreendente, devastador, violento, sombrio e com – mais uma vez – uma atuação visceral da genial Alice Carvalho e sua fantástica Dinorah, que para mim, é facilmente uma das melhores anti-heroínas da TV. Toda a equipe de produção estava comprometida em entregar seu melhor, e eu digo que conseguiram se sobressair.
Poderia estar na lista: “O Maior Assalto de Todos os Tempos” (Temporada 2, Episódio 6)
3. “Both, And” (Temporada 4, Episódio 8), Industry

Depois de Whitney (Max Minghella) ser descoberto e fugir, enquanto Yasmin (Marisa Abela), Henry (Kit Harrington) e Harper (Myha´la) precisam lidar com as consequências. Não à toa, Industry apresentou uma temporada madura e que se tornou minha série favorita do ano. É impressionante como a série evoluiu a cada ano e este episódio é o exato reflexo disto. A relação complexa entre Yasmin e Harper é uma das mais fascinantes da TV atualmente e a construção das personagens individualmente fica cada vez mais rica. O que os roteiristas fazem com Yasmin aqui é de uma ousadia louvável e que poucas séries têm coragem de fazer hoje em dia: desafiar sua audiência. Mesmo que a personagem já fosse um tanto amoral, ela cruza uma linha indefensável, mas toda a sua construção levou àquilo. A cena em que Harper tenta “salvar” a amiga é de partir o coração e nos deixa aflitos sobre os rumos que a 5ª e última temporada tomará.
Poderia estar na lista: “Dear Henry” (Temporada 4, Episódio 6), “The Commander and the Grey Lady” (Temporada 4, Episódio 2), “1000 Yoots, 1 Marilyn” (Temporada 4, Episódio 4)
2. “Montreal” (Temporada 3, Episódio 6), The Vampire Lestat

Lestat (Sam Reid) e Louis (Jacob Anderson) encontram alguém que revela dolorosas verdades aos dois e Louis acaba descobrindo o maior segredo de Lestat. Ambos os personagens são brilhantes e mesmo a temporada sendo focada em Lestat, Louis não é deixado de lado. Esse episódio com foco quase exclusivo nos dois, se mostrou extremamente necessário para que os pingos fossem colocados nos is. Há muita bagagem entre os dois e aquele relacionamento intenso e por mais tóxico que seja, não deixa de existir amor. “Montreal” faz praticamente um estudo deles ao enfrentarem coisas que não queriam enxergar e nos reafirmando quão multifacetados são aqueles personagens. E o final chocante é a cereja do bolo em um episódio que entra para a história.
Poderia estar na lista: “Toronto” (Temporada 3, Episódio 3), “New York” (Temporada 3, Episódio 5), “The Failures” (Temporada 3, Episódio 7)
1.“Beach Reads” (Temporada 1, Episódio 4), O Segredo de Widow’s Bay

Quando Patricia (Kate O’Flynn) descobre um livro de autoajuda, ela resolve dar uma festa e convidar todo mundo da ilha, mas as coisas não são exatamente como parecem ser. A natureza episódica da série permite que os episódios sejam centrados em determinados personagens e em arcos mais pessoais – sem deixar de lado a trama central – e aqui é a hora e vez da espetacular Patricia. Interpretada brilhantemente por O’Flynn, a moça ainda não tinha aparecido tanto, mas sua acidez já tinha mostrado potencial. Em “Beach Reads”, a série consegue atingir seu alcance completo de equilibrar a comédia e o horror de uma forma genial, surpreendendo na reviravolta, enquanto desenvolve uma personagem tão fascinante e trágica como Patricia. Não deixa de ser hilário, ao mesmo tempo que é assustador, na mesma medida que é comovente. Aula de televisão.
Poderia estar na lista: “Your Baggage” (Temporada 1, Episódio 8), “Seasickness” (Temporada 1, Episódio 7), “What to Expect on Your Trip” (Temporada 1, Episódio 5)



















