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- Netflix divulga trailer e data de estreia de 'Dom de Iludir', novo melodrama com Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costta
Produção estreia em 28 de outubro com um enredo instigante, em que uma série de segredos e manipulações atravessam duas famílias no Rio de Janeiro. Imagem: Divulgação A Netflix divulgou nesta quarta-feira (30) o trailer de Dom de Iludir, sua nova série de melodrama, que estreia em 28 de outubro. Estrelada por Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costta, a produção tem direção de Mauro Mendonça Filho e se passa no Rio de Janeiro. Com 10 episódios, a série acompanha Lúcia Rossetti (Marieta Severo), uma colecionadora de obras de arte que busca desesperadamente uma cura para a doença desconhecida de sua filha, Maíra Rossetti (Alice Wegmann). Na tentativa de encontrar uma solução, Lúcia recorre a uma terapeuta espiritual, interpretada por Nanda Costta. Quando Lúcia percebe que foi vítima de um golpe, a situação acaba revelando uma rede de segredos que conecta duas famílias. A trama aborda relações marcadas por amor, controle, ressentimento e culpa, enquanto os personagens precisam lidar com as consequências das escolhas feitas ao longo da história. Além do trio protagonista, o elenco reúne José de Abreu, Felipe Camargo, Luciana Paes, Laila Garin, Rui Ricardo Diaz, Heloisa Jorge, Allan Souza Lima, Jonas Bloch, Giovanna de Jesus, José Mata, Thiago Justino, Hamilton Dias, Laura Vick, Yanna Lavigne e Rosanna Viegas. ‘Dom de Iludir’ é uma produção da Conspiração para a Netflix, com produção associada da Amaia. A série foi criada por Diane Maia e Mirna Nogueira, que também assina como roteirista-chefe. Os roteiros são divididos entre Mirna Nogueira, Carol Rodrigues, Felipe Sholl, Josefina Trotta e Pedro Riguetti. A produção é de Renata Brandão e Luísa Barbosa, com produção executiva de Diane Maia e Tania Pacheco. A direção episódica fica por conta de Gabriela Amaral Almeida e Daniela Carvalho. Dom de Iludir estreia em 28 de outubro na Netflix.
- Festival Fortaleza de Cinema recebe inscrições de curtas; evento acontece em dezembro na Caixa Cultural
Podem concorrer obras nacionais e internacionais de até 25 minutos; projeto também seleciona oito projetos locais para laboratório de desenvolvimento. Imagem: Divulgação A primeira edição do Festival Fortaleza de Cinema está com inscrições abertas para as mostras competitivas e será realizada de 8 a 13 de dezembro na CAIXA Cultural Fortaleza. O evento dedicado ao curta-metragem receberá gratuitamente obras brasileiras e estrangeiras até 3 de novembro. O resultado da seleção para as mostras competitivas será divulgado em 13 de novembro, e o do Laboratório de Desenvolvimento de Curtas-Metragens, em 20 de novembro. Com patrocínio da CAIXA e produção da Deberton Filmes, o festival está com chamada aberta em três seções: Mostra Competitiva Internacional de Curtas-Metragens (Mostra Jangada), dedicada a produções estrangeiras; Mostra Competitiva Nacional de Curtas-Metragens (Mostra Mar), destinada a filmes brasileiros; e Mostra Fortaleza 300 Anos, voltada a produções realizadas na capital cearense. Podem concorrer obras de ficção, documentário ou experimental, de diferentes gêneros, exceto vídeos publicitários e institucionais, finalizadas em 2025 ou 2026, e com duração máxima de 25 minutos, incluindo os créditos. Cada realizador(a) ou coletivo poderá inscrever até dois filmes por meio do formulário disponível no site https://fortalezadecinema.com/inscricoes/. As obras serão avaliadas pela equipe de curadoria e encaminhadas à mostra correspondente, de acordo com a origem, a linguagem e os requisitos artísticos e técnicos. As sessões terão júris da crítica e do público, e os vencedores receberão o Troféu Solaris. Os filmes internacionais selecionados deverão apresentar cópia de exibição com legendas em português brasileiro. As obras brasileiras escolhidas para a Mostra Mar e para a Mostra Fortaleza 300 Anos deverão disponibilizar versão com Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE), além de informar a autoclassificação indicativa prevista para exibições em festivais. O festival foi criado pelo cineasta cearense Allan Deberton, diretor, produtor e roteirista. Seus curtas-metragens foram exibidos em mais de 150 festivais e já conquistaram, ao todo 76 prêmios. Toda a programação do evento terá acesso gratuito. Laboratório de Desenvolvimento: Entre as ações formativas da programação, o Laboratório de Desenvolvimento de Curtas-Metragens selecionará oito projetos de ficção, documentário ou cinema experimental, ainda em desenvolvimento, com duração prevista de até 25 minutos. A iniciativa é destinada a realizadores residentes em Fortaleza, que participarão de consultorias presenciais nas áreas de roteiro, direção e produção, conduzidas por profissionais do audiovisual brasileiro. A convocatória do laboratório reserva 25% das vagas a pessoas negras, indígenas, quilombolas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência. Os encontros ocorrerão de 9 a 12 de dezembro, das 14h às 18h, e exigirão disponibilidade integral dos selecionados no período. A submissão dos projetos será feita por formulário próprio, também de forma gratuita.
- Emmy Awards será transmitido globalmente pelo Prime Video a partir de 2027
Acordo de seis anos encerra tradicional rodízio entre emissoras americanas; cerimônia continuará ao vivo e poderá ser assistida sem assinatura Divulgação: Kevin Mazur/Getty O Emmy Awards terá uma nova casa a partir de 2027. A Television Academy anunciou nesta terça-feira (6) um acordo de seis anos com o Prime Video, que se tornará a plataforma exclusiva de transmissão global da principal premiação da televisão norte-americana. A mudança representa uma das maiores alterações na história recente da cerimônia. Até agora, a transmissão do Emmy nos Estados Unidos seguia o chamado “Wheel Deal”, sistema de rodízio entre as emissoras ABC, CBS, FOX e NBC. O modelo foi encerrado com a edição de 2026, abrindo caminho para um contrato de longo prazo com uma única plataforma. Porém, antes que se preocupam com a necessidade de ter que assinar mais um streaming, a cerimônia não ficará restrita aos assinantes do serviço, o Emmy será disponibilizado gratuitamente e sem necessidade de assinatura do Prime Video em todos os países que a plataforma está disponível. “A televisão nunca foi tão global, e o Emmy deve ser uma celebração que o mundo inteiro possa compartilhar”, disse Cris Abrego , presidente da Academia de Televisão. “Agora, o público do Prime Video em mais de 200 países poderá assistir ao Emmy ao vivo, sem precisar de assinatura. Nossos parceiros de transmissão têm sido excelentes administradores do Emmy por muitos anos, ajudando a construí-lo e transformá-lo na instituição cultural que é hoje. Ter um espaço dedicado no Prime Video nos permite expandir esse legado com um alcance global sem precedentes e um compromisso ainda maior com a Academia de Televisão e nossa missão ao longo do ano. A Amazon compartilha nosso profundo respeito pela história do Emmy e traz o investimento, a inovação e a escala necessários para nos ajudar a moldar seu próximo capítulo.” A primeira transmissão dentro do novo acordo acontecerá com o Emmy 2027, que continuará sendo realizado e exibido ao vivo em setembro.
- Crítica | Hope – O Primeiro Impacto
Na Hong-jin honra e incorpora os códigos do cinema de ação e de monstro hollywoodiano em blockbuster frenético e alucinante. Divulgação Antropofagia cultural: o ato de “deglutir” influências estrangeiras e transformar em algo próprio e local, sem meramente copiar essas influências. O conceito, discutido pela primeira vez na Semana de Arte Moderna de 1922, parece se aplicar muito bem ao que o diretor coreano Na Hong-Jin faz em Hope – O Primeiro Impacto, seu primeiro longa em dez anos. Talvez uma das obras mais divisivas e comentadas em Cannes nesta última edição, é um filme que chega envolto de mistérios (muitos dos quais desnecessários), mas que surpreende em sua frontalidade. Tentarei honrar a divulgação elusiva do filme e contar o mínimo possível a seu respeito, mas basta dizer que ele começa com o delegado Ko Bum-seok (Hwang Jung-min) e seu primo, o caçador Ko Sung-ki (Zo In-sung), descobrindo o corpo dilacerado de uma vaca no meio de uma estrada na pequena cidade costeira que dá nome ao filme, localizada na fronteira entre as duas Coreias. A partir disso ele se bifurca em duas linhas narrativas: a primeira segue Bum-seok de volta à Hope para encarar junto à sua assistente Im Sung-ae (Jung Ho-yeon) e os moradores locais uma ameaça como jamais viram; e a segunda acompanha Sung-ki e seus colegas caçadores à espreita pela floresta em busca de pistas, mas se deparando com revelações chocantes. Não é nenhum spoiler dizer que as ameaças enfrentadas por estes personagens são monstros, pois Hope é, em essência, um filme filiado à tradição do cinema de monstro. E como os melhores filmes do gênero, ele entende que a(s) criatura(s) precisam ser reveladas o mínimo possível – e/ou terem a revelação delas adiada o máximo possível. Em seu livro O Campo Cego, o teórico Pascal Bonitzer nos diz que "se a visão é parcial, o inimigo está em todas as partes"; por isso, Hong-Jin protela a identidade e aparência do(s) monstro(s) o máximo possível, prolongando nossa expectativa (e ansiedade) tanto ao ocultá-los dos olhos de Bum-seok conforme ele vaga pela cidade à caça da criatura, ou ao nos dar seu ponto de vista subjetivo enquanto observa Sung-ki e os colegas. Até que essa revelação seja feita, porém, o filme se filia a outro gênero: a ação. E muito me surpreende a frontalidade com a qual Hong-jin filma as sequências desta primeira hora, conferindo-lhe um ritmo frenético e quase ininterrupto onde vemos uma sucessão de perseguições, tiroteios, mortes e destruição pela cidade. É nesse aspecto que o diretor passa a trabalhar sua antropofagia, sobretudo pelo viés da sátira, como se ora tratasse os códigos destes gêneros com absoluta seriedade e reverência, mas também brincasse com eles e os ridicularizasse (como na questão do arsenal infinito à disposição dos personagens ou as balas que nunca acabam conforme atiram em tudo e em todos). Nesse sentido, Hong-jin insere um subtexto político que pode passar despercebido, mas se faz presente: os cartazes admoestando a identificação de espiões norte-coreanos, as minas espalhadas pela fronteira, o belicismo dos personagens e, mais do que tudo, o uso do monstro como Outro. A tradição das artes (sobretudo no cinema e na literatura) muitas vezes discutiu hegemonicamente o monstro como algo que pode e deve ser temido – basta pensar em Drácula e Nosferatu como representações habitualmente antissemitas na Europa do começo do século passado –, mas aqui Hong-jin está mais interessado em conferir gradativas nuances aos monstros, especialmente quando entendemos o que motivou seus ataques em primeiro lugar. Divulgação Após a explosiva primeira hora, é inevitável que o longa dê uma desacelerada no ritmo que pode esfriar os ânimos acalorados após tanta ação incessante, mas essa “pausa” serve tanto para reposicionar os personagens quanto para ampliar o escopo da mitologia gradualmente trabalhada aqui. O filme não tarda a acelerar seu ritmo novamente e lançar seus protagonistas mais uma vez no conflito (agora com os monstros plenamente revelados), mas o faz incorporando tanto os códigos da ação e do horror como os do faroeste. Estes últimos, já introduzidos na fantástica introdução de Sung-ae na primeira hora, ganham ainda mais força à medida que o filme progride, embarcando em perseguições a cavalo e/ou de carro, numa reta final que certamente figurará entre as melhores sequências de ação do cinema recente. Ainda assim, o interesse de Hong-jin pelo escopo e pela mitologia permanece até o fim, com direito a um acontecimento nos minutos finais que parece um prenúncio de uma sequência que, talvez, jamais verá a luz do dia. Outra brincadeira com os códigos dos blockbusters hollywoodianos ou uma mera replicação destes códigos com um certo toque de deslumbramento? Difícil dizer, mas não deixa de ser um certo balde de água fria após a alucinante meia hora anterior. Vale lembrar que a Coreia do Sul é um dos países que mais incorporou o soft power estadunidense, e isso é perceptível no seu cinema comercial. Ainda assim, a antropofagia permanece; e se os comentários críticos ao Ocidente podem ser mais contidos do que em um filme como O Hospedeiro, de Bong Joon-Ho, a presença de atores europeus e estadunidenses como Michael Fassbender, Alicia Vikander, Taylor Russell e Cameron Britton (e não, não vou dizer quem eles interpretam) não deixa de ser em si um toque ácido que mostra o interesse de Na Hong-Jin em “deglutir” as convenções daquilo que já vimos aos montes no cinema comercial hollywoodiano. Hope – O Primeiro Impacto pode não fazer jus a todo o mistério construído em torno de sua trama, muito mais simples do que parece à primeira vista. Essa simplicidade, porém, não é um demérito, pois é um filme que confia na força da sua imagem e dos códigos com os quais trabalha. Mesmo que por vezes pareça enamorado demais destes códigos, é uma maravilha ver uma produção desse tipo no cinema contemporâneo que não se acanha em aproveitá-los, dispensando o cinismo, a vergonha e a metalinguagem para articular a todo vapor diferentes gêneros comumente tidos como “menores”, mas aqui apresentados com o respeito que merecem (e com um certo toque de brincadeira). Mesmo em suas imperfeições, o filme brilha como um dos melhores blockbusters do ano – e certamente o mais enérgico. Nota: 4/5
- 'Feito Pipa' e outro filmes brasileiros selecionados para o Festival de Berlim 2026
Dez longas nacionais foram confirmados como parte do maior festival de cinema de início de ano Divulgação O cinema brasileiro chega com força total ao Festival de Berlim 2026. Ao todo, dez longas nacionais foram selecionados para integrar a programação do maior festival de cinema do início do ano, em diversas mostras. Destaque para o filme de Grace Passô, que marca sua estreia na direção de longas-metragens e foi selecionado para a Mostra Perspectives, uma das mais prestigiadas do evento, dedicada a revelar novos realizadores. Confira todos os filmes selecionados para a Berlinale 2026: Divulgação • Nosso Segredo (Grace Passô) Uma família vaga pela própria casa em silêncio, tentando reconstruir a vida após uma perda recente. Cada um lida com o luto sozinho, até que o filho mais novo revela um segredo que os faz perceber que precisam se unir, com amor e coragem, para desafiar a dor do luto. Divulgação • Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha (Janaína Marques) No zumbido silencioso de uma ressonância magnética, Rosa (50) é orientada a evocar uma lembrança feliz. Em uma viagem pelo seu subconsciente, ela revisita o passado e reconstrói um episódio que nunca viveu: uma travessia com sua mãe, Dalva, mulher livre e irreverente que chegou a ser presa por matar um homem prestes a cometer um feminicídio. Crescida na ausência da mãe, Rosa carrega culpa e medo dessa história. Agora, suspensa entre a vida e uma memória inventada, ela imagina um reencontro que se transforma em tentativa de cura e reconciliação. Divulgação • Feito Pipa (Allan Deberton) Gugu é um menino de quase 12 anos, sonhador e apaixonado por futebol, que vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade. A relação do garoto com o pai Batista é difícil, feita de ausências, expectativas e afetos não ditos. Avó e neto moram sozinhos ao lado da barragem de Araújo Lima que, após anos de seca, começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa, trazendo à tona lembranças que mudaram a vida da família. Divulgação • Se Eu Fosse Vivo... Vivia (André Novais Oliveira) Gilberto (Norberto Novais Oliveira) e Jacira (Conceição Evaristo) prometeram envelhecer juntos – na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença. Até que a morte os separe. Divulgação • Isabel (Gabe Klinger) Isabel, uma sommelière em São Paulo, sonha em se livrar do chefe e abrir o próprio bar. Quando os planos não saem como esperado, ela precisa decidir se para tudo ou se dá passos ousados para desarrolhar o próprio destino, nos seus próprios termos. Divulgação • Quatro Meninas (Karen Suzane) Quatro meninas escravizadas sonham com a liberdade. Quando uma reviravolta coloca suas vidas em risco, elas decidem fugir. Para sua surpresa, suas senhoras descobrem o plano – e insistem em ir junto com elas. Divulgação • A Fabulosa Máquina do Tempo (Eliza Capai) No árido sertão brasileiro, meninas crescem suspensas entre os passados difíceis de suas mães e sonhos fantásticos de futuro. Em um lugar onde os homens ainda são vistos como gigantes em comparação às mulheres, elas atravessam o limiar da infância para a adolescência. Divulgação • Papaya (Priscilla Kellen) Papaya, uma pequena semente na floresta amazônica apaixonada por voar, precisa estar sempre em movimento para não criar raízes. Mas, ao descobrir o poder de suas próprias raízes, ela desencadeia uma revolução que transforma seu mundo e realiza seus sonhos de forma inesperada. Divulgação • Floresta do Fim do Mundo (Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa) No curta, Suely, uma mulher indígena que vive em uma grande cidade brasileira, passa seus dias em um pequeno apartamento. Em seus sonhos, ela se comunica com uma floresta e se conecta a segredos de um mundo que atravessa mudanças radicais. Dirigido por brasileiros, mas não é produção brasileira: Divulgação • Rosebush Pruning (Karim Aïnouz) 🇮🇹🇩🇪🇪🇸 Em uma vila espanhola, os irmãos americanos Jack, Ed, Anna e Robert vivem mergulhados no isolamento e na fortuna que herdaram. Quando Jack decide se mudar para morar com a namorada e Ed descobre a verdade sobre a morte da mãe, a estrutura da família começa a se desfazer. Divulgação • Josephine (Beth de Araújo) 🇺🇸 Depois que Josephine, de oito anos, testemunha acidentalmente um crime no Golden Gate Park, ela passa a agir de forma violenta para se proteger. Esse trauma emocional desencadeia conflitos entre seus pais, enquanto eles buscam justiça e uma maneira de fazê-la se sentir segura novamente. O 76º Festival de Berlim acontece entre os 12 a 22 de fevereiro.
- Crítica | Verity
Adaptação do best-seller de Colleen Hoover encontra boas soluções para levar sua narrativa às telas, mas perde força na construção da tensão. Imagem: Divulgação Adaptar um livro tão verborrágico quanto Verity, de Colleen Hoover, nunca seria uma tarefa simples. Grande parte da história está justamente na experiência de acompanhar uma escritora em primeira pessoa enquanto ela lê o manuscrito de outra personagem, mergulhando cada vez mais em uma narrativa em que não sabe exatamente no que acreditar. O filme consegue encontrar soluções interessantes para transportar essa estrutura para as telas, mas tropeça justamente onde a obra literária mais prende: na construção da tensão. Lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 1º de outubro, o filme acompanha Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma escritora contratada para terminar a série de livros da famosa Verity Crawford (Anne Hathaway), que está impossibilitada de continuar escrevendo após um acidente. Hospedada na casa da autora, Lowen encontra um manuscrito que revela acontecimentos perturbadores sobre a família e passa a questionar o quanto daquilo é ficção. O filme se sai bem ao preservar a principal dúvida da história e deixar em aberto a disputa entre manuscrito e carta. Em vez de entregar uma resposta definitiva, a adaptação permite que o público escolha em que acreditar, mantendo uma das características mais interessantes do livro. As mudanças feitas para o cinema também funcionam, especialmente na tentativa de transformar uma narrativa essencialmente interna em algo visual. O problema é que essa mesma história perde parte do impacto quando chega às telas. A tensão que funciona tão bem nas páginas nem sempre encontra o mesmo espaço no filme. A direção até cria momentos de suspense, mas não consegue sustentar a atmosfera de inquietação durante toda a trama. A fotografia ajuda a construir o clima, mas também evidencia alguns dos problemas da condução do suspense. Imagem: Divulgação Ainda assim, existe algo quase camp em Verity que torna difícil simplesmente desviar o olhar. A história é exagerada, cheia de situações absurdas e personagens que parecem sempre estar escondendo alguma coisa, e o filme abraça boa parte desse exagero. É justamente aí que a adaptação funciona melhor: nem tudo precisa ser tão profundo, e Verity sabe muito bem disso. Os atores também ajudam bastante. Dakota Johnson, Josh Hartnett e Anne Hathaway são envolventes e conseguem sustentar personagens que nunca são apresentados como figuras completamente morais. Ninguém ali parece interessado em ocupar o papel de “pessoa boa” da história, e todos carregam falhas, segredos e até um certo toque vilanesco. É justamente essa falta de uma divisão tão simples entre vítimas e culpados que mantém a dinâmica entre eles interessante. Talvez seja difícil imaginar uma adaptação de Verity que agrade completamente aos fãs mais fervorosos do livro. Além das mudanças inevitáveis, existe uma questão estrutural: boa parte da força da obra de Colleen Hoover está na maneira como ela conduz o leitor pela cabeça de Lowen e pelo manuscrito de Verity. O filme encontra caminhos para reproduzir essa experiência, mas não consegue transformar toda aquela verborragia em uma tensão cinematográfica equivalente. Isso não significa, porém, que o filme deixe de funcionar. Verity tem problemas claros, mas também entende exatamente o tipo de entretenimento que quer oferecer. Há reviravoltas, personagens questionáveis, uma história deliberadamente exagerada e uma dúvida que permanece até o final. Não é preciso procurar muito além disso para se divertir. No fim, Verity talvez não consiga reproduzir nas telas toda a tensão que existe nas páginas, mas entrega uma adaptação suficientemente envolvente e, acima de tudo, divertida. Entre seus acertos e tropeços, o filme sabe que nem toda história precisa ser levada tão a sério. Nota: 3/5
- MGM+ divulga trailer e artes da segunda temporada de 'O Instituto'
Nova temporada da série estreia em 8 de novembro no MGM+. Imagem: Divulgação O MGM+ divulga o trailer e as artes oficiais da segunda temporada de “O Instituto”, série baseada no best-seller homônimo de Stephen King. Na trama, após a fuga de Dennison, Luke e seus amigos buscam uma forma de destruir o Instituto de vez. Enquanto isso, o Diretor recruta um novo aliado, o bilionário da tecnologia Nolan Reeves, para ajudá-lo a reconstruir o local, ao mesmo tempo em que a vida de Sigsby como fugitiva a impulsiona a tentar encontrar um caminho de volta “para dentro”. “O Instituto” é estrelada por Joe Freeman como Luke Ellis, Ben Barnes como Tim Jamieson, Mary-Louise Parker como Sra. Sigsby, Alfie Allen como Nolan, Simone Miller como Kalisha, Fionn Laird como Nicky, Arlen So como George, Robert Joy como Dr. Hendricks e Hannah Galway como Wendy. A série conta com produção executiva de Stephen King, Jack Bender, Benjamin Cavell, Gary Barber, Sam Sheridan, Ed Redlich e Michael Mahoney. A direção é de Jack Bender e o roteiro é assinado por Benjamin Cavell. Sobre o MGM+ O MGM+ é um serviço de streaming sem anúncios que oferece uma ampla programação de séries e documentários originais exclusivos e aclamados, lançamentos de filmes atuais e franquias de filmes clássicos — disponível em 34 países nas Américas, Europa e Ásia-Pacífico. O MGM+ é um destino para conteúdos premium, com séries originais que incluem o thriller de terror “O Instituto”, a série de terror e ficção científica “FROM”, a série de aventura romântica “Robin Hood”, a série de drama “Donos do Oeste” e a futura série de suspense “American Hostage”.
- ‘Esconde-Esconde’, curta pernambucano sobre aborto, será exibido no Canal Brasil
Escrito, dirigido e protagonizado por Vitória Vasconcellos, filme foi realizado em 16mm e passou por festivais como Edinburgh International Film Festival, Palm Springs ShortFest e Locarno. Imagem: Divulgação O curta-metragem pernambucano ‘Esconde-Esconde’, escrito, dirigido e protagonizado pela atriz e realizadora Vitória Vasconcellos, será exibido nesta sexta-feira, às 21h, no Canal Brasil. A transmissão marca a primeira exibição em um canal pago do trabalho. Produzido de forma independente, o filme foi realizado em 16mm a partir de uma pesquisa sobre o aborto no Brasil. A produção é uma parceria entre a pernambucana Cinema Morto e a potiguar Casa da Praia Filmes, responsável também pela produção de Sideral, curta de Carlos Segundo. A trajetória de ‘Esconde-Esconde’ inclui passagens por festivais nacionais e internacionais. O filme integrou a programação do Edinburgh International Film Festival, do Palm Springs ShortFest e do KinoForum, além de ter recebido prêmios no Brasil em eventos como Cine PE, Kinoarte, Goiana Mostra Curtas e Mostra Tarrafa. Em agosto deste ano, o curta também foi exibido na programação da Locarno Filmmakers Academy, durante o Festival de Locarno, na Suíça. Na ocasião, Vitória Vasconcellos participou do programa representando o Brasil. A exibição de Esconde-Esconde acontece nesta sexta-feira, às 21h, no Canal Brasil.
- Entrevista | “Ser uma mãe travesti é revolucionário”: Isis Broken fala sobre ‘A Margem do Rio’
Atriz sergipana conversou com o Oxente Pipoca sobre o filme de Matheus Farias e Enock Carvalho, que estreia nesta terça-feira (6) no Festival do Rio, a presença do cinema nordestino no circuito internacional e a importância de ocupar espaços com histórias LGBTQIA+. Imagem: Divulgação Depois de passar por festivais nacionais e internacionais e conquistar reconhecimento no circuito, A Margem do Rio chega ao Festival do Rio nesta terça-feira (6). Dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho, o longa reúne uma equipe nordestina em uma produção que atravessa questões de pertencimento, comunidade e resistência LGBTQIA+. Em entrevista ao Oxente Pipoca, Isis fala sobre a importância de ocupar novamente o Festival do Rio, depois de ter participado da edição anterior com o documentário Apolo, vencedor de dois prêmios. A atriz também celebra a trajetória internacional de A Margem do Rio, incluindo o reconhecimento em Locarno, e defende a valorização do cinema nordestino, frequentemente reduzido a estereótipos sobre a região. Leia a entrevista completa abaixo: Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): 'A Margem do Rio' estreia nesta terça-feira (6) no Festival do Rio, um dos festivais mais importantes do cinema brasileiro. Como você se sente em voltar a ocupar esse espaço com um novo trabalho e, especialmente, com esse filme? Ísis Broken: Bom, ano passado eu estava no Festival do Rio com meu documentário, Apolo, que ganhou dois prêmios: Melhor Documentário e Melhor Trilha. Quando fui receber o prêmio de Melhor Documentário, falei que só 0,01% de todos os personagens da televisão e do cinema eram pessoas trans e que a gente precisava de oportunidade para contar as nossas histórias na tela. Aquele discurso também foi para mim, para eu internalizar que aquele é um espaço que a gente precisa ocupar. Esse espaço de um dos festivais mais importantes do Brasil e da América Latina, que é o Festival do Rio, também precisa ser ocupado por nós. Principalmente agora, nesse momento que a gente está vivendo politicamente, nesse retrocesso político. A gente sabe que, se Flávio Bolsonaro for eleito, o cinema brasileiro vai perder muito. E quem é que mais vai perder? É quem já estava à margem, quem já estava nesse 0,01%. Então, a gente está vivendo um momento em que o cinema brasileiro é muito importante para a democracia brasileira. E A Margem do Rio é esse filme. É um filme que contesta essa avalanche conservadora, protestantista, desses valores de “Deus, pátria, família”. Mas que Deus é esse? Que pátria é essa? Que família é essa? E isso acontece em contraponto ao ano passado, quando eu vim com um filme que fala sobre uma família trans, que está nesse lugar de disrupção. Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): O filme já passou por outros festivais e vem acumulando reconhecimentos e prêmios ao longo desse caminho. Como tem sido acompanhar essa trajetória e perceber que a história está chegando a públicos e espaços tão diferentes? Ísis Broken: Para mim, é extremamente gratificante. O cinema brasileiro, principalmente o cinema nordestino, merece mais público. Ele merece ser visto, merece ser divulgado, merece estar nos holofotes, não só no Brasil, mas no mundo. A gente cria coisas maravilhosas, belíssimas, lindíssimas, com uma qualidade que não perde para nada da gringa. Então, estar nesses lugares é só um reflexo do cinema incrível que a gente faz aqui no Brasil e, principalmente, dos diretores estreantes, o Matheus e o Enock, que são diretores que têm uma visão poética muito bonita. Então, estar ocupando esses lugares é só um direito nosso, sabe? Acho que é isso. Durante muitos anos, a gente foi apagado do mapa. Quando a gente falava de produção nordestina, as produções nordestinas só apareciam naquele lugar estereotipado de que o Nordeste é atrasado, tem retrocesso, que o Nordeste é só seca, é só cangaço. Mas o Nordeste é muito mais que isso, muito mais. Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): 'A Margem do Rio' é um filme nordestino, o que significa para você vê-lo ocupando esses espaços de destaque no circuito de festivais e sendo reconhecido por seu trabalho artístico? Ísis Broken: Para mim, é recompensador demais. Eu fico muito feliz em ver que o filme está ganhando notoriedade não só nacional, agora no Festival do Rio, mas também internacional. A gente acabou de ganhar um prêmio em Locarno. E isso, para mim, é um reflexo de um trabalho muito bem feito, de um trabalho duro que, enfim, tirou minhas noites de sono, e tenho certeza que tirou as noites de sono de muitas pessoas também da equipe. É um filme de cinema de guerrilha mesmo. A gente tem que lutar contra a falta de investimento. Se os filmes do Sudeste já não têm investimento, os filmes do Nordeste estão sempre naquele lugar de fazer malabarismo para pagar as contas sendo artista, sendo um artista nordestino. E aí, quando chegam as eleições, todo mundo espera que o Nordeste segure tudo nas costas. Mas, depois que passam as eleições, todo mundo esquece do Nordeste. Esquece que o Nordeste é potente, que o Nordeste é inteligente, que o Nordeste sabe votar, que o Nordeste é o Brasil, é a cara do Brasil. Imagem: Divulgação/Guilherme Odoro Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Como 'A Margem do Rio' surgiu na sua vida? O que te fez se aproximar desse projeto e dessa personagem? Ísis Broken: Quando apareceu a proposta para fazer esse filme, eu tinha uma outra proposta de um outro filme, mas falei para o meu agente: “Eu quero fazer cinema pernambucano, eu preciso fazer cinema nordestino”. Eu começo minha carreira como cantora trazendo Sergipe, a sergipanidade, para o radar nacional. A gente não conhecia, ninguém conhecia Sergipe, Sergipe não estava nesse radar nacional de cultura. Sendo que Sergipe é o estado que mais tem grupos folclóricos nordestinos, que mais tem grupos folclóricos no Brasil, no mundo. Então, Sergipe é muito rico culturalmente. E trazer minha sergipanidade, uma pitadinha ali da sergipanidade para esse filme, foi muito bonito. Essa personagem foi construída também a partir de muitas amigas minhas travestis, que são DJs, e desse lugar mesmo de criação, sabe? De um laboratório, assim, um laboratório travesti, um laboratório performático, um laboratório que transcende. Além de tudo, a personagem é uma mãe, né? Ela é uma mãe das travestis. Então, eu também sou mãe, e isso me possibilitou construir camadas a mais nessa personagem. Uma camada de realmente ser uma mãe da vida real ali, ser mãe na ficção. Então, ser uma mãe travesti hoje, no meu dia a dia, é muito revolucionário. Ser uma mãe travesti é revolucionário. E ser uma mãe travesti no cinema é mais revolucionário ainda. Porque a gente mostra que nós temos os nossos clãs, nós iremos nos fortalecer, iremos derrotar esse sistema. A gente está corroendo esse sistema por baixo. Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Para você, o que espera que fique com o público depois de assistir a 'A Margem do Rio'? Existe algo na história, nos personagens ou nas questões levantadas pelo filme que você gostaria especialmente que as pessoas levassem consigo? Ísis Broken: Falando pela minha personagem, ela é a mãe da casa, da house, e está sempre acolhendo. É realmente um lugar de proteção. Então, eu acho que nós, da comunidade LGBT, precisamos ter um senso de unidade, de pertencimento. E eu acho que essa personagem fala muito sobre isso, sobre pertencer. E eu acho que é exatamente isso que o público tem que levar do cinema: sair com força para a luta. A gente vê que a extrema direita está tendo um avanço significativo, não só aqui no Brasil, mas no mundo todo. E eu acho que a arte vai poder salvar a gente, sabe? Só a arte salva. Só o amor pode modificar as coisas. E eu acho que a comunidade LGBT ama muito. Então, eu quero que o público também saia amando, amando a gente, amando o mar e com mais entendimento de si, sabe? E entendimento de uma coisa muito maior, que é ser LGBT e, principalmente, ser uma pessoa trans no país que mais mata pessoas trans no mundo. Então, eu estou muito feliz com o que a gente construiu nesse filme e espero que toque o coração de muitas pessoas.
- ‘Feito Pipa’, de Allan Deberton, é escolhido para representar o Brasil no Oscar 2027
Premiado nos festivais de Berlim e Gramado, longa cearense estrelado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos disputará uma vaga em Melhor Filme Internacional Divulgação “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027 na categoria de Melhor Filme Internacional. A decisão foi tomada pela Comissão de Seleção da Academia Brasileira de Cinema. O longa superou outros 14 filmes inscritos no processo brasileiro. Além de “Feito Pipa”, chegaram à etapa final “100 Dias”, de Carlos Saldanha; “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai; “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo; “Nosso Segredo”, de Grace Passô; e “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins. Ambientado no sertão cearense, “Feito Pipa” acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino de 12 anos apaixonado por futebol e dança que vive com a avó Dilma (Teca Pereira), responsável por criá-lo de maneira livre e afetuosa. A relação entre os dois é colocada à prova quando Gugu precisa encarar a possibilidade de deixar a casa da avó para morar com o pai, Batista, interpretado por Lázaro Ramos. A história aborda temas como infância, família, afeto e finitude. “O filme ‘Feito Pipa’, de Allan Deberton, tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e, ao mesmo tempo, traz uma forte identidade brasileira a partir de uma cidade do interior do Ceará. É sobre a família, a cumplicidade entre avó e neto, infância, finitude e já foi premiado em festivais internacionais importantes”, disse Clélia Bessa, presidente da Comissão de Seleção. Com isso, pelo segundo ano consecutivo, um filme nordestino representa o Brasil na corrida do Oscar de Melhor Filme Internacional. 2026: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho (PE) 2027: Feito Pipa, de Allan Deberton (CE) Além disso, o filme de Deberton dá continuidade à tradição: pelo terceiro ano seguido, um ator de ‘Saneamento Básico, o Filme’ está no longa escolhido para representar o Brasil no Oscar: • 2025: Fernanda Torres (Ainda Estou Aqui) • 2026: Wagner Moura (O Agente Secreto) • 2027: Lázaro Ramos (Feito Pipa) “Feito Pipa” estreia nos cinemas brasileiros em 5 de novembro, com distribuição da Paris Filmes. A cerimônia do Oscar 2027 está marcada para 14 de março de 2027.
- Netflix divulga trailer de 'Vicentina Pede Desculpas', com atuação emocionante de Rejane Faria
Selecionado para representar o Brasil na disputa pelo Prêmio Goya 2027, o longa estreia no Festival do Rio nesta sexta-feira (9), chega a cinemas selecionados em 5 de novembro e à Netflix em 20 de novembro. Imagem: Divulgação A Netflix divulgou, nesta quarta-feira (7), o trailer oficial de Vicentina Pede Desculpas, novo filme de Gabriel Martins, protagonizado por Rejane Faria. O vídeo apresenta Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos que, após perder o filho em um trágico acidente de ônibus, decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas em seu nome. No trailer, Rejane dá vida a uma Vicentina atravessada pelo luto e pela busca por respostas. Depois que o acidente que tira a vida de Wesley, motorista do ônibus, ganha espaço nos noticiários e coloca em dúvida a responsabilidade de seu filho pela tragédia, ela decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas em seu nome. Ao longo desses encontros, Vicentina se depara com diferentes versões sobre o que aconteceu e com as marcas deixadas pela tragédia. Entre encontros e silêncios, ela tenta reconstruir os últimos momentos do filho enquanto busca uma maneira de lidar com a própria dor e seguir em frente. A obra, fruto de uma parceria entre a produtora Filmes de Plástico e a Netflix, reúne Rejane Faria, Flávio Bauraqui, Giovanna Heliodoro, Giovanni Venturini, Grace Passô, Karine Teles, Maíra Azevedo, Renato Novaes e Thalma de Freitas no elenco principal. Após sua première internacional na 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) e passagem pela competição oficial do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, Vicentina Pede Desculpas chega agora ao Brasil para integrar a mostra competitiva da 28ª edição do Festival do Rio. O longa foi também o escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa pelo Prêmio Goya 2027. Vicentina Pede Desculpas estreia no Festival do Rio nesta sexta-feira (9), chega a cinemas selecionados em 5 de novembro e estreia na Netflix em 20 de novembro.
- Crítica | A Leste do Éden (Minissérie)
Adaptação de Zoe Kazan explora o bem e o mal sem maniqueísmo em uma das melhores estreias do ano. Imagem: Divulgação Baseada no livro de John Steinbeck que já foi adaptado para o cinema por Elia Kazan - avô de Zoe - e estrelado por James Dean, a trama acompanha a vida dos irmãos Trask, Adam (Christopher Abbott) e Charles (Mike Faist), que muda drasticamente com a chegada de mulher machucada à sacada de sua fazenda. A mulher se chama Cathy (Florence Pugh) e ela tem um passado sombrio e intenções misteriosas, o que provoca uma ruptura entre os irmãos, desencadeando um enredo que atravessa gerações, seguindo os filhos de Adam e Cathy, Cal (Joseph Zada) e Aron (Joe Anders). Eu confesso que não li o livro, só assisti ao filme, sendo assim, não esperem um texto de comparação de fidelidade. Adaptação boa é aquela que se basta, felizmente é o caso desta excelente minissérie. Zoe Kazan escolhe contar sua história abordando a dualidade do ser humano, mas de uma maneira muito mais multifacetada. O foco na figura de Cathy não é à toa e é o que norteia os temas centrais desta releitura bíblica. Eva, na Bíblia, é quem faz Adão pecar. A figura desta mulher que cede às tentações e leva o homem ao pecado, aqui é substituída (ou representada) por uma mulher que precisou aprender a se virar muito cedo em um mundo que pouco lhe favorecia. Cathy usava as armas que tinha, ainda que por meios extremamente questionáveis. Florence Pugh incorpora a personagem de uma maneira avassaladora, ainda que sutil, em olhares desconfiados e ao mesmo tempo enigmáticos. Não é fácil de interpretá-la e a imprevisibilidade é um fator constante no que diz respeito à Cathy. De início, o que pode parecer um desenvolvimento de um triângulo amoroso, se mostra muito além, principalmente quando se trata de herança. A história bíblica de Caim e Abel, onde um é mau e o outro é bom, também ganha uma nova roupagem no Vale das Salinas, onde a trama se passa. Cal seria Caim, quando Aron seria Abel. Sem revelar detalhes do que acontece na minissérie, Cal acredita que herdou da mãe seu lado mais perverso e é neste sentido que entra um personagem que ganha mais destaque na adaptação. Lee (Hoon Lee) é um homem sino-americano que trabalha na fazenda de Adam e o ajuda a criar os filhos. É um personagem íntegro, inteligente e que tem muito mais a dizer do que aparenta de início. É ele que apresenta o conceito de Timshel, palavra hebraica que, em sua, significa "tu podes”. Ou seja, você pode escolher se vai seguir um caminho bom ou mau. Pecar ou não pecar. Imagem: Divulgação Nossas escolhas nos fazem quem somos e os sete episódios escritos por Zoe Kazan são o resultado disso, mas sem colocar aquelas pessoas em caixinhas de bons ou maus, embora Cathy e Lee pareçam ser exatos opostos. Poderia ser Adam, mas ele é bem menos interessante do que Lee, devo ressaltar. Há muito mais nuance em um ser humano e por mais terríveis que sejam algumas ações sejam, ninguém pode ser resumido somente aquilo. A cena final de Cathy é um reflexo de tudo isso e não deixa de ser trágica. Todo o capricho com o texto de Kazan é permeado por diálogos ricos e complexos e acompanhados por um design de produção que faz um retrato perfeito do final do século XIX e início do XX e uma fotografia detalhista. Em séries, nem sempre o mesmo diretor dirige todos os episódios e aqui, coube a Garth Davis e Laure de Clermont-Tonnerre acompanhar o tom do roteiro sóbrio de Kazan, sem medo de mostrar absolutamente nada, mas com elegância o suficiente para não ser meramente um choque gratuito em sequências mais difíceis, além de dar o espaço necessário para o elenco brilhar e explorar as camadas daqueles personagens. A Netflix todo ano vem lançando uma ou mais minisséries que se destacam entre público e crítica. Neste ano, A Leste do Éden cumpre com maestria este papel. Nota: 4,5/5












