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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1329 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Oeste Outra Vez

    Em seu primeiro longa-metragem, Comeback (2016), o cineasta Erico Rassi já havia mostrado sua afeição Oeste Outra Vez também deixa à mostra o papel da mulher naquela realidade, como um acessório, seja de

  • Crítica | A Roda do Tempo (2ª temporada)

    A Roda gira e certos problemas continuam no mesmo lugar Foto: Divulgação Lançada em 2021, a série A Roda Foto: Divulgação Devo confessar que um dos motivos que me fez ser bastante crítico da primeira temporada

  • Crítica | Paradise (1ª temporada)

    o valor de uma série episódica, porque enquanto outros podem não agradar tanto, vem um episódio que mostra

  • Crítica | Guerra Civil

    Imagina querer fazer um filme de guerra neutro? Foto: Divulgação Guerra Civil é uma jornada através de um futuro distópico nos Estados Unidos, acompanhando uma equipe de jornalistas militares enquanto eles correm contra o tempo para chegar a Washington DC e conseguir exclusiva com o presidente antes que facções rebeldes cheguem à Casa Branca. Esse é sem sombra de dúvidas um dos filmes mais em cima do muro que já vi. Em parte – e essa é a parte até compreensível – isso se dá pelos protagonistas serem fotojornalistas que passam por cima de suas morais, crenças e éticas para conseguirem os melhores cliques. É uma tentativa de querer pregar o utópico “jornalismo imparcial” e sem consequências, e acredite quem quiser. Quando o roteiro tenta (e infelizmente consegue) ser neutro em relação à política é que a coisa desanda. Em momento nenhum do argumento fica claro precisamente o quê está acontecendo nos EUA, o que se sabe é que o país está em conflito interno por visões políticas e sociais diferente e que um desses grupos está querendo chegar na Casa Branca para matar o presidente. O texto de Garland evita a qualquer custo tomar uma posição sobre o evento. É uma guerra-analogia para uma nação dividida que não consegue se justificar (e vamos combinar que sutilezas e analogias não são o forte do diretor/roteirista). E o pior de tudo a falta de vontade de se justificar, é querer dizer que toda guerra é ruim e ponto, o espectador que lide com essa máxima e com o vago campo de interpretações e suposições que isso implica. Já pensou se existissem guerra de verdade no mundo (ainda mais com os EUA envolvidos) para ter que ensinar o quão prejudicial essas batalhas são? Não que eu esteja pedindo um documentário estilo Cidade Alerta como 20 Dias em Mariupol, era apenas um embasamento entre seus longos minutos de duração para tornar tudo mais palpável e menos vitrine. Foto: Divulgação O esforçado elenco tenta a todo custo dar alguma alma, alguma verdade ao enredo, mas está além da capacidade de Kirsten Dunst, Wagner Moura e companhia tornar todo o barulho e quebradeira importante. Os personagens também não apresentam estímulos ou objetivos, as falas e até mesmo os flashbacks se encontram numa zona cinzenta de emoções limitadas que não define nenhum traço marcante para eles. Na ação pela ação o filme se sal muito bem. As sequências de combate são de grande escala e muito bem coordenadas. O design de som é refinadíssimo e impulsiona tanto as cenas mais intensas quanto as mais introspectivas. Visualmente Garland sempre se resolve muito bem e mais uma vez ele monta belas imagens com a ajuda da fotografia limpa de Rob Hardy. Apesar dos bons momentos de tensão o longa não consegue impressionar com a narrativa neutra. Talvez Garland quisesse passar a impressão do vazio que se instaurou no país no cenário pintado por ele, vazio nas pessoas, nos lugares, nas atitudes. Talvez quisesse fazer um alerta para os estadunidenses sobre os perigos de um futuro iminente. Talvez quisesse mesmo só focar nos jornalistas e na sua missão questionável de cobrir a morte alheia. Talvez. Muitos talvez. Nenhuma certeza, e pior, nenhuma questão também. Só vazio. Um vazio covarde e apolítico. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Matador de Aluguel

    Um remake que aposta em diversas ideias estilísticas mas que falta paixão Foto: Divulgação Se na versão original de 1989 temos James Dalton como um homem formado em filosofia se tornando o segurança de um bar de beira de estrada do Missouri, neste remake temos um ex-lutador de UFC que acaba tendo a mesma ocupação, dessa vez em um clima tropical. Não há como negar que a fórmula é atualizada e segue a onda de filmes de ação pós-John Wick com suas lutas coreografadas, ainda que nesse caso esses elementos não sejam tão bem aproveitados por se tratar de um remake que não consegue compreender a fórmula do filme B e porque ela funcionou na época. No escopo geral, temos alguns elementos interessantes no modo que o filme apresenta um forasteiro chegando no vilarejo para proteger pessoas indefesas, como um bom western. Ao mesmo tempo que o filme não me parece tão interessado nessa postura, já que os personagens de modo geral parecem desinteressantes, e as sucessivas cenas de luta que acontecem no bar são filmadas e montadas de forma frenética de maneira que a câmera trêmula e que chicoteia o espectador a cada 2 segundos, além dos planos fechados que me parecem totalmente sem paixão. Não tenho problema nenhum em assistir cenas que mais parecem emular um videogame, o problema é quando os efeitos visuais são usados de forma excessiva e artificialidade acaba minando a imersão da ação. O que acaba indo no caminho contrário da forma que o personagem do Jake Gyllenhaal é inserido na trama, que tem que enfrentar seus demônios ao ter que encarar o seu passado traumático. Talvez se o filme adotasse de fato essa postura de artificialidade do videogame no filme como um todo, me agradaria um pouco mais, pois o Conor McGregor acaba entregando uma performance que estranhamente perpassa pelo divertido e pelo assustador, como um genérico chefão de um jogo de luta. Embora McGregor retrate uma versão exagerada de si mesmo na vida real, ele representa a maior ameaça física para o personagem de Gyllenhaal e uma fonte de energia para o filme. É tão exagerado e ridículo, como um personagem irlandês dos Looney Tunes que o filme imediatamente ganha uma energia diferente sempre que ele aparece. No entanto, mais uma vez as cenas de luta entre ele e Gyllenhaal são prejudicadas pela coreografia brutal, movimentos de câmeras e pelos efeitos visuais, reduzindo todo o seu potencial em mera plasticidade. Foto: Divulgação Para um filme que deveria apresentar algumas sequências de combate corpo a corpo memoráveis, elas acabam sendo estranhamente as partes menos memoráveis do filme, e parece engessar durante a segunda metade do filme, assumindo que todo o potencial será descarregado no confronto final, mas que também não acaba convencendo quando chega o momento. O principal interesse da direção de Doug Liman parece seguir ideias estilísticas de diretores como Michael Mann e Michael Bay, sem nunca se aproximar da substância emocional e existencial que esses diretores apresentam. Onde a versão original acerta justamente por trazer o calor, o tesão e todos os demais elementos que tornam o filme vivo e pungente. Por sua vez, um filme que por sua vez poderia ser visto na tela grande acaba se transformando em um exemplo claro do estilo de cinema de streaming e da abordagem mainstream dos filmes de ação. De modo que apresenta imagens ativas e com direção frenética, narrativas familiares que se concentram exclusivamente na trama e apenas ela, diálogos divertidos que não conseguem realmente arrancar risadas, no final das contas, não oferece muito mais do que uma ênfase exagerada na coragem e da virilidade de Dalton em comparação com a fraqueza de seus inimigos. Nota: 2/5

  • Crítica | Tijolo por Tijolo

    Documentário sensível registra os sonhos, lutas e laços de uma família periférica. Divulgação O sonho de Cris Martins e sua família é o mesmo de tantos milhões de brasileiros: construir sua casa própria. Nos primeiros minutos de Tijolo por Tijolo, a vemos em lágrimas diante da perspectiva de perder sua casa devido às rachaduras, além do fato dela e o marido estarem sem empregos formais. Junte-se a isso a descoberta de uma quarta gravidez – tudo isso em meio à pandemia da COVID-19 –, e tem-se um palco pronto para uma narrativa de muitas adversidades e que periga ser bastante exploratória e dessensibilizante. Mas ao comporem os créditos com uma sequência de fotografias que contam a história desta família, os diretores Victória Alves e Quentin Delaroche mostram que estão interessados em um outro tipo de abordagem. Sim, Tijolo por Tijolo não se furta a mostrar os muitos obstáculos no caminho de Cris, marido, filhos e as pessoas que os cercam. Mas o documentário está muito mais interessado em acompanhar o cotidiano desta família, pontuar as alegrias, a intimidade, os laços que os estreitam. A câmera de Alves e Delaroche filma, mas não tece comentários a partir de si própria: não há narração em voice over, ou registros das interações dos diretores com o elenco. Na medida do possível, estes personagens narram sua própria história, se apresentam para a câmera e nos tomam pela mão para que sejamos guiados pelo seu dia a dia. Essa escolha se revela o grande acerto da obra, já que traz uma naturalidade a esse cotidiano que nos torna íntimos de Cris e sua família. Há um calor palpável que permeia a obra, explorando também um outro lado do Recife, a sua parte periférica que nem sempre vemos em outras produções ambientadas na cidade. Divulgação No entanto, há também alguns ônus, em particular a ausência de um eixo narrativo mais central. Embora a construção da casa seja o mote principal até certo ponto, ele gradualmente passa a dividir espaço com outros tópicos (como a busca de Cris por uma laqueadura, suas relações familiares e de amizade, seu trabalho como uma influenciadora digital periférica, etc), e nisto é perceptível que algumas abordagens são menos desenvolvidas do que outras, ainda que a ideia é que elas partam da observação orgânica das vivências dos personagens. Além disso, há um certo contentamento com um nível mais superficial daquilo que é exposto em tela: em especial, o filme tem a possibilidade de discutir as ações de Cris como influenciadora como uma forma de se sobressair em meio à recessão econômica, bem como os efeitos de um pensamento neoliberal e meritocrático em populações periféricas, mas nunca vai além nesse ponto. Talvez isso se dê por uma escolha de não tecer comentários próprios e dar ao espectador a possibilidade de tirar suas próprias conclusões, mas fica evidente uma falta de profundidade nesse e em alguns outros pontos da obra. Apesar disso, mesmo nesses instantes mais irregulares, Tijolo por Tijolo se sobressai por sua sensibilidade, pela humanidade que encontra em seus personagens ao transformá-los em agentes ativos de suas próprias histórias. É impossível não torcer e vibrar junto com Cris a cada uma de suas vitórias, se angustiar diante de quaisquer dos seus reveses e não se emocionar com os instantes mais íntimos, na força da coletividade expressa no filme. Como canta a imortal Alcione nos minutos finais, na música que dá nome ao filme: Mesmo que o mundo desabe na minha cabeça Deixando em destroços minha construção Enxugo meus olhos, recolho meus cacos Me entrego de fato à minha oração Pois de tudo posso em quem me fortalece Há sempre um alguém pra lhe estender a mão, oi Nota: 3.5/5

  • Crítica | O Mago do Kremlin

    ele se dá melhor com perspectivas intimistas e focadas em um personagem, como em Personal Shopper (2016

  • Crítica | Ponto Sem Retorno

    Filme sofre com um ritmo irregular e com uma história que parece grande demais para caber em um longa-metragem. Imagem: Divulgação Em um mundo devastado por uma pandemia que praticamente dizimou a humanidade, os poucos sobreviventes precisam encontrar maneiras de continuar vivos em meio ao isolamento, à violência e à escassez. É nesse cenário que acompanhamos Hig (Jacob Elordi), um piloto que vive em um aeroporto abandonado ao lado de seu cachorro e de Bangley (Josh Brolin), um ex-militar que se torna seu parceiro de sobrevivência. Quando Hig capta uma misteriosa transmissão de rádio, decide seguir o sinal e descobrir se ainda existe algo além daquele mundo destruído. Baseado no livro The Dog Stars, de Peter Heller, Ponto Sem Retorno estreia nesta quinta-feira (27), é dirigido por Ridley Scott e conta com Jacob Elordi, Margaret Qualley, Josh Brolin, Guy Pearce, Allison Janney e Benedict Wong no elenco. E é justamente na construção desse universo pós-apocalíptico que o filme encontra um de seus maiores acertos. Ridley Scott cria muito bem a atmosfera de um mundo depois do fim. O isolamento, os espaços abandonados e a sensação constante de perigo ajudam a estabelecer uma ambientação convincente, fazendo com que seja fácil acreditar nas regras daquele universo. O filme também sabe aproveitar visualmente esse cenário e demonstra, mais uma vez, a segurança de Scott na direção. O problema é que toda essa construção não é acompanhada por um ritmo tão eficiente. Ponto Sem Retorno tem dificuldade em encontrar uma cadência constante e alterna momentos bastante interessantes com outros que acabam se arrastando. Isso pesa principalmente porque a história possui elementos suficientes para sustentar uma narrativa muito mais envolvente. Imagem: Divulgação O elenco, felizmente, ajuda a manter o interesse. Jacob Elordi funciona muito bem como Hig, principalmente ao transmitir a solidão e o desgaste emocional de alguém que vive em um mundo praticamente vazio. Margaret Qualley também se destaca e consegue trazer uma dinâmica interessante para a história. Além deles, o filme conta com ótimos atores em participações mais pontuais, que mesmo aparecendo pouco conseguem deixar sua marca. As cenas de ação são outro ponto positivo. Elas funcionam bem dentro da proposta do longa e são conduzidas com segurança, sem deixar de lado a atmosfera de tensão. Quando Ponto Sem Retorno acelera e coloca seus personagens em situações de perigo, o filme encontra uma energia que nem sempre consegue manter nos momentos mais contemplativos. E talvez seja justamente aí que esteja sua maior fragilidade. O longa apresenta diversas questões que poderiam ser melhor exploradas, principalmente sobre sobrevivência, relações humanas, solidão e o que significa tentar reconstruir uma vida depois de uma catástrofe. Porém, muitas delas acabam sendo apenas apresentadas, sem receber o desenvolvimento necessário. Algumas soluções também parecem fáceis demais diante dos problemas estabelecidos anteriormente. Como não li o livro de Peter Heller, não dá para avaliar se a adaptação consegue traduzir bem a obra original ou se parte dessa sensação vem justamente do processo de condensar a história. Mas, assistindo apenas ao filme, fica a impressão de que esse universo teria muito mais a ganhar com uma série. O tempo adicional permitiria desenvolver melhor os personagens, explorar as regras daquele mundo e trabalhar com mais profundidade algumas das questões que aqui acabam passando rapidamente. De maneira geral, Ponto Sem Retorno está longe de ser um filme ruim. Ele tem méritos claros, especialmente na direção, na ambientação, nas cenas de ação e em seu elenco. Mas também está longe de ser tudo aquilo que poderia. É uma história com potencial, bons personagens e um universo interessante, mas que parece ter precisado correr para colocar muita coisa dentro de um tempo limitado. O resultado é um filme que funciona em alguns momentos, mas deixa a sensação de que poderia ter encontrado um caminho muito mais interessante. Nota: 3/5

  • Crítica | A Última Casa

    O suspense combinado com ficção científica se cansa cedo demais. Divulgação Em uma situação inexplicável, uma família está confinada em sua casa, incapaz de sair. À medida que os suprimentos diminuem, eles precisam aprender a ser engenhosos para sobreviver e desvendar a força misteriosa que os aprisiona. Há algo de particularmente frustrante em A Última Casa: ele parece saber exatamente quais referências quer evocar, mas nunca acha uma identidade própria para transformar todas elas em alguma coisa que realmente lhe pertença. O novo longa de Louis Leterrier, que chega à Netflix apostando em uma mistura de ficção científica e suspense, não sabe muito bem em qual desses terrenos quer ambientar sua criação. O texto é pouco interessado em se explicar, mas, ao mesmo tempo, parece ansioso demais para entregar respostas. Essa contradição entre ansiedade e letargia perpassa a primeira metade do roteiro. Leterrier é um diretor muito imediatista. Há sempre a impressão de que ele está com pressa para chegar à próxima revelação, ao próximo acontecimento ou à próxima grande ideia, sem permitir que o roteiro amadureça diante da câmera. As situações raramente têm tempo suficiente para ganhar densidade antes que o filme decida explicá-las, alterá-las ou abandoná-las em favor de outra coisa. Greta Lee e Wagner Moura fazem o que podem com o material que recebem. Os dois entregam atuações competentes e, sobretudo, muito carisma, que acaba sustentando boa parte do longa. Quando o filme se concentra nos personagens e na intimidade daquela família, encontra uma força que desaparece quando tenta transformar sua premissa em algo maior, mais espetacular ou conceitualmente grandioso. Divulgação É justamente nesses momentos mais íntimos que A Última Casa constrói suas melhores situações. Existe uma aproximação bastante evidente com as experiências provocadas pela pandemia recente, especialmente na maneira como o isolamento, o medo e a necessidade de convivência forçada atravessam as relações familiares. É quando ele deixa de tentar ser uma grande ficção científica e passa a olhar para pessoas comuns diante de uma situação extraordinária que ele consegue criar alguma identificação com o público. O problema é que esses momentos aparecem quase sempre como ilhas dentro de uma narrativa que parece não saber muito bem como conectá-los. Aqui e acolá, o filme produz boas cenas, algumas ideias interessantes e momentos genuinamente envolventes. Mas, quando observados em conjunto, eles parecem não ter solidez suficiente para sustentar o roteiro a longo prazo. Não há uma (ou mais) razão para acontecer tudo que acontece em cena. A Última Casa também parece se cansar cedo demais. E, quando o próprio filme começa a demonstrar sinais de cansaço, o espectador inevitavelmente acompanha esse desgaste. A narrativa vai acumulando elementos, referências e possibilidades sem conseguir converter essa abundância em personalidade. Em determinados momentos, a sensação é de estar diante de uma colcha de retalhos construída a partir de outras produções que já contaram pedaços muito semelhantes dessa mesma história. E o público provavelmente será capaz de identificar, quase imediatamente, de onde vem cada um desses pedaços, o que não é necessariamente uma questão quando existe uma capacidade de reorganizar influências em uma linguagem que pareça particular. No fim, o longa dá a triste (e esperada) impressão de ser apenas mais uma produção mecânica e seriada de streaming, perdida em meio às inúmeras obras que a plataforma lança ao longo do ano. Um trabalho feito para ocupar um espaço específico no catálogo, cumprir sua função de entretenimento e seguir adiante, sem muito barulho, positivo ou negativo. Uma produção que anseia chegar a um final bem consolidado antes mesmo de descobrir o que gostaria de dizer. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Retratos Fantasmas (Representante do Brasil no Oscar 2024)

    memória num tributo (nada ortodoxo) ao cinema Foto: Divulgação Numa determinada cena de Babilônia, a crítica

  • Crítica | O Beijo no Asfalto (1981)

    Divulgação Homofobia, machismo, fake news, violência policial... poderia estar falando do Brasil de 2025 dos nossos maiores dramaturgos, mas por (lamentavelmente) dialogar tão com o Brasil de 1961, 1981 ou 2025

  • Crítica | Adultos (1ª temporada)

    Contemporânea e diversa, nova série de comédia do FX sabe usar isso a seu favor de forma hilária. Divulgação A premissa é simples e você já viu/ouviu/leu milhares de vezes: cinco amigos de vinte e poucos anos morando juntos em Nova York. Seinfeld, Friends, Living Single, How I Met Your Mother e eu poderia passar horas citando casos de sucesso e até alguns fracassos, mas vou focar em Adultos, porque para ter sucesso tem que ter identidade própria e felizmente é o caso aqui, como é notório desde a fantástica primeira cena. Samir (Malik Elassal) vive com Issa (Amita Rao), Billie (Lucy Freyer) e Anton (Owen Thiele) na casa onde cresceu no Queens e logo menos Paul Baker (Jack Innanen), namorado de Issa, se junta ao grupo na residência. O quinteto é um poço de carisma, e por mais que tentem ser corretos, têm sempre as piores ideias de como ser um adulto funcional, mas pelo menos estão sempre lá para apoiar uns aos outros. Eu já estava bem ansioso para conferir a série desde que ela foi anunciada por adorar esta premissa que já quase um “subgênero” da comédia e a produção conseguiu me surpreender. É escrachada sem pedir desculpas por isso, doa a quem doer e o texto é uma metralhadora de piadas cheias de referências, em que, algumas vezes, eu tive que voltar para não perder nada. É um humor satírico e muito afiado do que é ser um jovem de vinte e poucos na sociedade atual, com toda a tecnologia a nossa disposição e ao mesmo tempo aborda algumas situações que são universais de qualquer época e como os personagens não sabem lidar com aquilo, seja com hospitais ou tentar dar um jantar em casa, por exemplo. O que não me agrada tanto, também devo dizer, é que em determinadas cenas, o roteiro parece emburrecer os personagens. Claro que a meta é que seja uma piada, mas comigo não funciona e soa desnecessário no desenvolvimento individual deles. É uma coisa mínima e que não faz tanta diferença no panorama geral, mas nas vezes que aconteceu, me incomodou. Ainda bem que logo em seguida outra piada já surgia e eu estava gargalhando de novo. Divulgação Falando nos personagens, temos cinco protagonistas que dividem uma química gigantesca – o que é essencial em séries assim. Todos têm personalidades bem definidas, mas não caem puramente em estereótipos, ainda que não fujam totalmente deles. O elenco é diverso e talentoso e todos têm suas chances de brilhar, principalmente no timing cômico, com a diversidade de gênero, orientação sexual ou raça se fazendo presente, mas desde sempre inseridas organicamente, como é o mundo em que vivemos. Tenho que destacar a excelente Amita Rao na pele da deliciosamente egocêntrica Issa, que é engajada em diversas causas sociais e jura que isso a faz ser uma boa pessoa, como se ela não o fizesse apenas para satisfazer o próprio ego. É tanto absurdo que sai da boca dela, mas a minha risada era certa. A noção passa longe, mas de todos eles, por mais que as intenções sejam decentes, eles definitivamente não são as melhores pessoas. Mas também não são as piores e a série sabe trabalhar isso no laço de amizade que os une e em como realmente são uma família disfuncional. A intriga entre o grupo talvez fique para a próxima temporada com um possível triângulo amoroso que foi sendo muito bem construído debaixo do nosso nariz, que é inclusive o gancho do último episódio – porém, sem spoilers por aqui. Um outro ponto que muito me agradou é que realmente é uma série episódica. Onde há um desenvolvimento do todo, mas cada episódio tem sua história central com começo, meio e fim. Temos o episódio do esfaqueador à solta, que é o terceiro e é um dos melhores do ano. São 20 minutos de chorar de rir em que o roteiro brinca com o exagero, mas que não deixa de ser plausível. Como boa parte desta temporada inaugural, que também ganha destaque no sexto episódio, que tem participação de Charlie Cox, onde há uma festa de jantar – ou tentativa pelo menos. São oito episódios e passam voando com os amigos navegando por diversos causos da vida adulta e sem ter a menor ideia de se encarregar deles, o que não deixa de ser identificável para qualquer um. E por mais que eles passem dos limites no humor, a primeira cena do piloto já te deixa esperto e você não segue desavisado, porque a sequência seguinte já dá uma quebra de expectativa e dita o tom que se seguirá adiante. A 2ª temporada ainda não foi confirmada, mas espero não ficar muito tempo sem esta galera porque ainda há muito para se ver e viver ali. Nota: 4/5

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