Crítica | Ponto Sem Retorno
- Gabriella Ferreira

- há 2 horas
- 3 min de leitura
Filme sofre com um ritmo irregular e com uma história que parece grande demais para caber em um longa-metragem.

Em um mundo devastado por uma pandemia que praticamente dizimou a humanidade, os poucos sobreviventes precisam encontrar maneiras de continuar vivos em meio ao isolamento, à violência e à escassez. É nesse cenário que acompanhamos Hig (Jacob Elordi), um piloto que vive em um aeroporto abandonado ao lado de seu cachorro e de Bangley (Josh Brolin), um ex-militar que se torna seu parceiro de sobrevivência. Quando Hig capta uma misteriosa transmissão de rádio, decide seguir o sinal e descobrir se ainda existe algo além daquele mundo destruído.
Baseado no livro The Dog Stars, de Peter Heller, Ponto Sem Retorno estreia nesta quinta-feira (27), é dirigido por Ridley Scott e conta com Jacob Elordi, Margaret Qualley, Josh Brolin, Guy Pearce, Allison Janney e Benedict Wong no elenco. E é justamente na construção desse universo pós-apocalíptico que o filme encontra um de seus maiores acertos.
Ridley Scott cria muito bem a atmosfera de um mundo depois do fim. O isolamento, os espaços abandonados e a sensação constante de perigo ajudam a estabelecer uma ambientação convincente, fazendo com que seja fácil acreditar nas regras daquele universo. O filme também sabe aproveitar visualmente esse cenário e demonstra, mais uma vez, a segurança de Scott na direção.
O problema é que toda essa construção não é acompanhada por um ritmo tão eficiente. Ponto Sem Retorno tem dificuldade em encontrar uma cadência constante e alterna momentos bastante interessantes com outros que acabam se arrastando. Isso pesa principalmente porque a história possui elementos suficientes para sustentar uma narrativa muito mais envolvente.

O elenco, felizmente, ajuda a manter o interesse. Jacob Elordi funciona muito bem como Hig, principalmente ao transmitir a solidão e o desgaste emocional de alguém que vive em um mundo praticamente vazio. Margaret Qualley também se destaca e consegue trazer uma dinâmica interessante para a história. Além deles, o filme conta com ótimos atores em participações mais pontuais, que mesmo aparecendo pouco conseguem deixar sua marca.
As cenas de ação são outro ponto positivo. Elas funcionam bem dentro da proposta do longa e são conduzidas com segurança, sem deixar de lado a atmosfera de tensão. Quando Ponto Sem Retorno acelera e coloca seus personagens em situações de perigo, o filme encontra uma energia que nem sempre consegue manter nos momentos mais contemplativos.
E talvez seja justamente aí que esteja sua maior fragilidade. O longa apresenta diversas questões que poderiam ser melhor exploradas, principalmente sobre sobrevivência, relações humanas, solidão e o que significa tentar reconstruir uma vida depois de uma catástrofe. Porém, muitas delas acabam sendo apenas apresentadas, sem receber o desenvolvimento necessário. Algumas soluções também parecem fáceis demais diante dos problemas estabelecidos anteriormente.
Como não li o livro de Peter Heller, não dá para avaliar se a adaptação consegue traduzir bem a obra original ou se parte dessa sensação vem justamente do processo de condensar a história. Mas, assistindo apenas ao filme, fica a impressão de que esse universo teria muito mais a ganhar com uma série. O tempo adicional permitiria desenvolver melhor os personagens, explorar as regras daquele mundo e trabalhar com mais profundidade algumas das questões que aqui acabam passando rapidamente.
De maneira geral, Ponto Sem Retorno está longe de ser um filme ruim. Ele tem méritos claros, especialmente na direção, na ambientação, nas cenas de ação e em seu elenco. Mas também está longe de ser tudo aquilo que poderia. É uma história com potencial, bons personagens e um universo interessante, mas que parece ter precisado correr para colocar muita coisa dentro de um tempo limitado. O resultado é um filme que funciona em alguns momentos, mas deixa a sensação de que poderia ter encontrado um caminho muito mais interessante.
Nota: 3/5



















