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Crítica | A Última Casa

  • Foto do escritor: Ávila Oliveira
    Ávila Oliveira
  • há 14 horas
  • 3 min de leitura

O suspense combinado com ficção científica se cansa cedo demais.

Divulgação


Em uma situação inexplicável, uma família está confinada em sua casa, incapaz de sair. À medida que os suprimentos diminuem, eles precisam aprender a ser engenhosos para sobreviver e desvendar a força misteriosa que os aprisiona.


Há algo de particularmente frustrante em A Última Casa: ele parece saber exatamente quais referências quer evocar, mas nunca acha uma identidade própria para transformar todas elas em alguma coisa que realmente lhe pertença. O novo longa de Louis Leterrier, que chega à Netflix apostando em uma mistura de ficção científica e suspense, não sabe muito bem em qual desses terrenos quer ambientar sua criação. 


O texto é pouco interessado em se explicar, mas, ao mesmo tempo, parece ansioso demais para entregar respostas. Essa contradição entre ansiedade e letargia perpassa a primeira metade do roteiro. Leterrier é um diretor muito imediatista. Há sempre a impressão de que ele está com pressa para chegar à próxima revelação, ao próximo acontecimento ou à próxima grande ideia, sem permitir que o roteiro amadureça diante da câmera. As situações raramente têm tempo suficiente para ganhar densidade antes que o filme decida explicá-las, alterá-las ou abandoná-las em favor de outra coisa.


Greta Lee e Wagner Moura fazem o que podem com o material que recebem. Os dois entregam atuações competentes e, sobretudo, muito carisma, que acaba sustentando boa parte do longa. Quando o filme se concentra nos personagens e na intimidade daquela família, encontra uma força que desaparece quando tenta transformar sua premissa em algo maior, mais espetacular ou conceitualmente grandioso.


Divulgação


É justamente nesses momentos mais íntimos que A Última Casa constrói suas melhores situações. Existe uma aproximação bastante evidente com as experiências provocadas pela pandemia recente, especialmente na maneira como o isolamento, o medo e a necessidade de convivência forçada atravessam as relações familiares. É quando ele deixa de tentar ser uma grande ficção científica e passa a olhar para pessoas comuns diante de uma situação extraordinária que ele consegue criar alguma identificação com o público.


O problema é que esses momentos aparecem quase sempre como ilhas dentro de uma narrativa que parece não saber muito bem como conectá-los. Aqui e acolá, o filme produz boas cenas, algumas ideias interessantes e momentos genuinamente envolventes. Mas, quando observados em conjunto, eles parecem não ter solidez suficiente para sustentar o roteiro a longo prazo. Não há uma (ou mais) razão para acontecer tudo que acontece em cena.


A Última Casa também parece se cansar cedo demais. E, quando o próprio filme começa a demonstrar sinais de cansaço, o espectador inevitavelmente acompanha esse desgaste. A narrativa vai acumulando elementos, referências e possibilidades sem conseguir converter essa abundância em personalidade. Em determinados momentos, a sensação é de estar diante de uma colcha de retalhos construída a partir de outras produções que já contaram pedaços muito semelhantes dessa mesma história. E o público provavelmente será capaz de identificar, quase imediatamente, de onde vem cada um desses pedaços, o que não é necessariamente uma questão quando existe uma capacidade de reorganizar influências em uma linguagem que pareça particular.


No fim, o longa dá a triste (e esperada) impressão de ser apenas mais uma produção mecânica e seriada de streaming, perdida em meio às inúmeras obras que a plataforma lança ao longo do ano. Um trabalho feito para ocupar um espaço específico no catálogo, cumprir sua função de entretenimento e seguir adiante, sem muito barulho, positivo ou negativo. Uma produção que anseia chegar a um final bem consolidado antes mesmo de descobrir o que gostaria de dizer.


Nota: 2,5/5



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