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- Festival de Toronto divulga os filmes selecionados para a edição 2023
Next Goal Wins, Monster e Anatomy of a Fall são alguns dos títulos que estarão em exibição Foto: Divulgação Nesta segunda-feira (24), o Festival de Cinema de Toronto (TIFF) anunciou sua programação oficial das mostras Gala e Special Presentation, contando com estreias mundiais e também com grandes filmes que já estão trilhando o circuito de festivais. O evento, que é um dos principais termômetros para premiações como o Oscar, acontecerá na cidade canadense, entre os dias 7 e 17 de setembro. Vale destacar também que o sindicato dos atores (SAG-AFTRA) está em greve contra os estúdios vinculados à Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP), lutando por pagamentos justos e pela concessão de direitos trabalhistas. Então, ainda restam dúvidas sobre a presença de alguns atores e atrizes no TIFF, já que os membros do sindicato não irão promover séries e filmes desenvolvidos pelas corporações em questão. Dentre alguns dos diretores que levarão suas obras para o festival estão Taika Waititi, com Next Goal Wins, Richard Linklater com Hit Man, o japonês Hirokazu Kore-da, trazendo Monster, e a francesa Justine Triet, com o já premiado Anatomy of a Fall. Michael Keaton, Anna Kendrick e Chris Pine, mundialmente reconhecidos por seus trabalhos no ramo da atuação, são os respectivos diretores dos filmes Knox Goes Away, Woman of the Hour e Poolman. Os três longas serão apresentados no TIFF 2023. Foto: El Rapto (Daniela Goggi)/ Divulgação Confira abaixo os títulos que terão sua estreia mundial no Festival de Toronto e outros que também serão exibidos no evento, mas que já foram ou irão ser apresentados primeiramente em outras cerimônias. FILMES QUE TERÃO SUA ESTREIA MUNDIAL NO TIFF 2023: • Next Goal Wins (Taika Waititi) • Les Indésirables (Ladj Ly) • Seven Veils (Atom Egoyan) • Dumb Money (Craig Gillespie) • PUNJAB ‘95 (Honey Trehan) • Lee (Ellen Kuras) • Hate to Love: Nickelback (Leigh Brooks) • Solo (Sophie Dupuis) • The End We Start From (Mahalia Belo) • The Movie Emperor (Ning Hao) • A Normal Family (Hur Jin-ho) • American Fiction (Cord Jefferson) • Close to You (Dominic Savage) • Days of Happiness (Chloé Robichaud) • Ezra (Tony Goldwyn) • His Three Daughters (Azazel Jacobs) • In Restless Dreams: The Music of Paul Simon (Alex Gibney) • Knox Goes Away (Michael Keaton) • Mother Couch (Niclas Larsson) • North Star (Kristin Scott Thomas) • One Life (James Hawes) . • Pain Hustlers (David Yates) • Poolman (Chris Pine) • Reptile (Grant Singer) • Shoshana (Michael Winterbottom) • Sing Sing (Greg Kwedar) • Swan Song (Chelsea McMullan) • The Burial (Maggie Betts) • The Convert (Lee Tamahori) • The Critic (Anand Tucker) • The Dead Don’t Hurt (Viggo Mortensen) • The Peasants (DK Welchman, Hugh Welchman) • Together 99 (Lukas Moodysson) • Unicorns (Sally El Hosaini, James Krishna Floyd) • Uproar (Paul Middleditch, Hamish Bennett) • Wicked Little Letters (Thea Sharrock) • Woman of the Hour (Anna Kendrick) Foto: Rustin (George C. Wolfe) / Divulgação OUTROS FILMES QUE SERÃO EXIBIDOS NO TIFF 2023: • Concrete Utopia (Um Tae-Hwa) • Wildcat (Ethan Hawke) • The Zone of Interest (Jonathan Glazer) • The Holdovers (Alexander Payne) • The Beast (Bertrand Bonello) • Smugglers (Ryoo Seung-wan) • Rustin (George C. Wolfe) • Monster (Kore-eda Hirokazu) • Memory (Michel Franco) • Last Summer (Catherine Breillat) • La Chimera (Alice Rohrwacher) • Kidnapped (Marco Bellocchio) • Hit Man (Richard Linklater) • Four Daughters (Kaouther Ben Hania) • Fingernails (Christos Nikou) • El Rapto (Daniela Goggi) • Anatomy of a Fall (Justine Triet) • A Difficult Year (Éric Toledano, Olivier Nakache) • The New Boy (Warwick Thornton) • The Royal Hotel (Kitty Green) • NYAD (Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chin) • Flora and Son (John Carney) • Fair Play (Chloe Domont) Em breve, o Festival de Toronto 2023 anunciará os filmes selecionados para as outras mostras que também compõem o evento.
- O Oxente, Pipoca? estará cobrindo novamente o Festival de Cinema de Toronto
A edição de 2023 do evento acontecerá entre os dias 7 e 17 de setembro no Canadá O Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) já se encaminha para sua 48ª edição e continua a fazer história como um dos eventos mais significativos do mundo cinematográfico. A cerimônia acontecerá entre os dias 7 e 17 de setembro, na cidade de Toronto. O Oxente, Pipoca? estará presencialmente no Canadá, cobrindo o máximo de filmes possíveis. Até o momento, apenas dois filmes foram confirmados na seleção deste ano, Next Goal Wins, dirigido por Taika Waititi, e Les Indésirables, do cineasta francês Ladj Ly. Outras produções serão divulgadas durante o mês de julho. Next Goal Wins, com Michael Fassbender, Oscar Kightley e Kaimana no elenco, conta a história de uma infame equipe de futebol de Samoa Americana, que ficou famosa por uma terrível derrota de 31 a 0 em um jogo decisivo pelas Eliminatórias da Copa de 2002. Foto: Divulgação Após o sucesso de Les Misérables (2019), o diretor Ladj Ly retornará aos cinemas com a continuação Les Indésirables. A trama do novo filme gira em torno de Pierre, um jovem médico idealista, que é nomeado para substituir o presidente da câmara, recentemente falecido. Ele pretende dar continuidade à política do seu antecessor, que sonhava em reabilitar os bairros sociais. Porém, Haby, uma jovem de origem maliana que vive numa das torres dilapidadas, recusa-se a ver a sua família expulsa do bairro onde cresceu. Dentre os cinemas confirmados para o evento estão: TIFF Bell Lightbox, Roy Thomson Hall, Visa Screening Room no Princess of Wales Theatre, Cineplex’s Scotiabank Theatre Toronto, Glenn Gould Studio no Canadian Broadcast Centre e o Royal Alexandra Theatre. Outra informação divulgada até então é que o Festival de Toronto trocou o nome da seleção Contemporary World Cinema (CWC) para Centerpiece, o que em tradução livre pode significar um item importante à mostra. O festival afirma que a mudança de nome foi realizada para melhor refletir e ampliar todo o espectro do título em questão. “Centrepiece é uma vitrine para títulos aclamados de festivais ao redor do mundo, estreias altamente esperadas de talentos canadenses e internacionais e o trabalho mais recente de luminares influentes do cinema”, conta Robyn Citizen, diretor de programação e líder da plataforma. O TIFF é conhecido por ser um dos principais termômetros para o Oscar e outras premiações de grande valor na indústria. Nesse sentido, O Oxente, Pipoca?, aprovado como imprensa pelo Festival de Toronto 2023 pelo segundo ano seguido, estará na cidade canadense para realizar a cobertura do evento, além de comentar sobre os títulos exibidos e quais os possíveis destaques da temporada de premiações.
- Crítica | The Beanie Bubble - O Fenômeno das Pelúcias
Apesar de não ser inassistível, é um cansativo mais do mesmo Foto: Divulgação Ty (Zach Galifianakis) era um vendedor de brinquedos frustrado até que sua parceria com três mulheres transformou seus bichos de pelúcia, os Beanie Babies, em uma das maiores tendências dos anos 90. Essas mulheres eram Robbie (Elizabeth Banks), que trouxe diversas novas ideias para a empresa, Sheila (Sarah Snook), uma mãe solo de duas meninas com quem Ty se casou, e Maya (Geraldine Viswanathan), uma estagiária que alavancou o marketing do negócio. É mais uma história de ascensão e queda de uma empresa como temos visto tanto ultimamente. O diferencial aqui é que a narrativa é não linear, o quê na verdade só deixa a trama desnecessariamente confusa. Talvez seja uma tentativa de disfarçar a obviedade do enredo, onde cada virada é extremamente previsível e torna o filme ainda mais enfadonho, fazendo parecer que ele tem muito mais do que suas 1h50. Foto: Divulgação Os quatro personagens principais ficam presos no que se espera deles. Ty é, praticamente, o vilão. Galifianakis está bem no papel, mas o roteiro não dá uma maior dimensionalidade ao personagem. Desse mesmo mal sofre e Sheila de Snook, que sendo mãe de duas filhas e que têm uma determinada importância no final, poderia ser mais do que a esposa traída. A atriz, que é excelente em Succession, repete muitos trejeitos e expressões faciais de Shiv, e a todo momento nos remete à ela, o que não me agradou tanto no seu trabalho. Viswanathan tem bastante carisma e é a pessoa mais “gostável”, e faz o que pode com o texto que tem. Banks, no entanto, tem em mãos a personagem mais interessante, que tem ambição, mas que reage à atitudes de Ty e isso é bacana de ver. Acho que Banks exagera na performance em alguns pontos, mas no geral está ok e dá pra aproveitar algo ali. Não é um desperdício completo de tempo assistir ao filme, mas é inegável que ele também tem um problema de tom. Tenta ter uma leveza com uma pegada mais cômica, mas o humor nem sempre funciona. Arrisca notas mais sóbrias, porém é tudo tão raso que eu não poderia me importar menos, quanto mais esboçar uma emoção. Imagino que a intenção era que fosse uma comédia dramática, só que falta equilíbrio entre os gêneros em uma trama mais do mesmo onde sua principal falha é ser maçante. Nota: 2/5
- Emmy 2023 divulga sua lista de indicados
A ilustre premiação da TV anuncia os seus indicados e documentário brasileiro se destaca com três nomeações Foto: Succession/HBO Nesta quarta-feira (12), foram revelados os indicados ao Emmy 2023, o prêmio mais importante da televisão norte-americana. Os concorrentes em cada categoria foram divulgados através de uma live nas redes sociais da premiação, apresentada pela atriz e produtora Yvette Nicole Brown e pelo presidente da Academia de Televisão Frank Scherma. Já se encaminhando para sua 75ª edição, o Emmy 2023 acontecerá no dia 18 de setembro em Los Angeles, às 21h. A cerimônia será transmitida oficialmente pelo canal TNT e pelo streaming HBO Max. Dentre os nomeados, Succession se destaca com 27 indicações, The Last of Us com 24 e The White Lotus com 23. Outros títulos já familiares ao evento como Ted Lasso, Abbott Elementary, Barry e Better Call Saul também fazem presença na lista do Emmy 2023. Com muito mérito, o documentário brasileiro O Território, co-produzido internacionalmente, recebeu 3 indicações ao Emmy 2023, incluindo as categorias de Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção (Alex Pritz e Tangãi Uru-eu-wau-wa), melhor direção em Documentário (Pritz) e mérito Excepcional em Documentário. Foto: O Território/National Geographic Channel A trama de O Território traz um olhar imersivo sobre a luta incansável do povo indígena Uru-eu-wau-wau contra o desmatamento trazido por posseiros, grileiros, garimpeiros e outros invasores de terras na Amazônia brasileira. Confira abaixo a lista dos indicados ao Emmy 2023: MELHOR SÉRIE DE DRAMA Andor (Disney+) Better Call Saul (AMC) The Crown (Netflix) House of the Dragon (HBO) The Last of Us (HBO) Succession (HBO) The White Lotus (HBO) Yellowjackets (Showtime) MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA Sharon Horgan (Bad Sisters) Melanie Lynskey (Yellowjackets) Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale) Bella Ramsey (The Last of Us) Keri Russell (The Diplomat) Sarah Snook (Succession) MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA Jeff Bridges (The Old Man) Brian Cox (Succession) Kieran Culkin (Succession) Bob Odenkirk (Better Call Saul) Pedro Pascal (The Last of Us) Jeremy Strong (Succession) MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE DRAMA Benjamin Caron, Andor (“Rix Road”) Peter Hoar, The Last of Us (“Long Long Time”) Mark Mylod, Succession (“Connor’s Wedding”) Andrij Parekh, Succession (“America Decides”) Lorene Scafaria, Succession (“Living+”) Dearbhla Walsh, Bad Sisters (“The Prick”) Mike White, The White Lotus (“Arrivederci”) MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE DRAMA Beau Willimon, Andor (“One Way Out”) Jesse Armstrong, Succession (“Connor’s Wedding”) Gordon Smith, Better Call Saul (“Point and Shoot”) Peter Gould, Better Call Saul (“Saul Gone”) Sharon Horgan, Dave Finkel e Brett Baer, Bad Sisters (“The Prick”) Craig Mazin, The Last of Us (“Long, Long Time”) Mike White, The White Lotus (“Arrivederci”) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA J. Smith-Cameron (Succession) Jennifer Coolidge (The White Lotus) Elizabeth Debicki (The Crown) Meghann Fahy (The White Lotus) Sabrina Impacciatore (The White Lotus) Aubrey Plaza (The White Lotus) Rhea Seehorn, (Better Call Saul) Simona Tabasco (The White Lotus) MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA F. Murray Abraham (The White Lotus) Nicholas Braun (Succession) Michael Imperioli (The White Lotus) Theo James (The White Lotus) Matthew Macfadyen (Succession) Alan Ruck (Succession) Will Sharpe (The White Lotus) Alexander Skarsgård (Succession) MELHOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE ATOR EM SÉRIE DE DRAMA Murray Bartlett (The Last of Us) James Cromwell (Succession) Lamar Johnson (The Last of Us) Arian Moayed (Succession) Nick Offerman (The Last of Us) Keivonn Montreal Woodard (The Last of Us) MELHOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA Hiam Abbass (Succession) Cherry Jones (Succession) Melanie Lynskey (The Last of Us) Storm Reid (The Last of Us) Anna Torv (The Last of Us) Harriet Walter (Succession) Foto: Better Call Saul/AMC MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA Barry The Bear Jury Duty The Marvelous Mrs. Maisel Only Murders In The Building Ted Lasso Wednesday MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA Christina Applegate (Dead to Me) Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel) Quinta Brunson ( Abbott Elementary) Natasha Lyonne (Poker Face) Jenna Ortega (Wednesday) MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA Bill Hader (Barry) Jason Segel (Shrinking) Martin Short (Only Murders in the Building) Jason Sudeikis (Ted Lasso) Jeremy Allen White (The Bear) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel) Ayo Edebiri (The Bear) Janelle James (Abbott Elementary) Sheryl Lee Ralph (Abbott Elementary) Juno Temple (Ted Lasso) Hannah Waddingham (Ted Lasso) Jessica Williams (Shrinking) MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA Anthony Carrigan (Barry) Phil Dunster (Ted Lasso) Brett Goldstein (Ted Lasso) James Marsden (Jury Duty) Ebon Moss-Bachrach (The Bear) Tyler James Williams (Abbott Elementary) Henry Winkler (Barry) MELHOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA Becky Ann Baker (Ted Lasso) Quinta Brunson (Saturday Night Live) Taraji P. Henson (Abbott Elementary) Judith Light (Poker Face) Sarah Niles (Ted Lasso) Harriet Walter (Ted Lasso) MELHOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA Jon Bernthal (The Bear) Luke Kirby (The Marvelous Mrs. Maisel) Nathan Lane (Only Murders in the Building) Pedro Pascal (Saturday Night Live) Oliver Platt (The Bear) Sam Richardson (Ted Lasso) MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE COMÉDIA Bill Hader, Barry (“wow”) John Hoffman, Matteo Borghese & Rob Turbovsky, Only Murders in the Building (“I Know Who Did It”) Brendan Hunt, Joe Kelly & Jason Sudeikis, Ted Lasso (“So Long, Farewell”) Christopher Storer, The Bear (“System”) Mekki Leeper, Jury Duty (“Ineffective Assistance”) Chris Kelly e Sarah Schneider, The Other Two (“Cary & Brooke Go to an AIDS Play”) MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA Tim Burton, Wednesday (“Wednesday’s Child Is Full of Woe”) Bill Hader, Barry (“wow”) Declan Lowney, Ted Lasso (“So Long, Farewell”) Amy Sherman-Palladino, The Marvelous Mrs. Maisel (“Four Minutes”) Christopher Storer, The Bear (“Review”) Mary Lou Belli, The Ms. Pat Show (“Don’t Touch My Hair”) Foto: Barry/HBO MELHOR MINISSÉRIE OU ANTOLOGIA Beef Dahmer—Monster: The Jeffrey Dahmer Story Daisy Jones and The Six Fleishman Is in Trouble Obi-Wan Kenobi MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV Lizzy Caplan (Fleishman Is in Trouble) Jessica Chastain, (George & Tammy) Dominique Fishback (Swarm) Kathryn Hahn (Tiny Beautiful Things) Riley Keough (Daisy Jones and the Six) Ali Wong (Beef) MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV Taron Egerton (Black Bird) Kumail Nanjiani (Welcome the Chippendales) Evan Peters (Dahmer—Monster: The Jeffrey Dahmer Story) Daniel Radcliffe (Weird: The Al Yankovic Story) Michael Shannon (George & Tammy) Steven Yeun (Beef) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV Annaleigh Ashford (Welcome to Chippendales) Maria Bello (Beef) Claire Danes (Fleishman Is in Trouble) Juliette Lewis (Welcome to Chippendales) Camila Morrone (Daisy Jones and The Six) Nicey Nash-Betts (Dahmer—Monster: The Jeffrey Dahmer Story) Merritt Wever (Tiny Beautiful Things) MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV Murray Bartlett (Welcome to Chippendales) Paul Walter Hauser (Black Bird) Richard Jenkins (Dahmer—Monster: The Jeffrey Dahmer Story) Joseph Lee (Beef) Ray Liotta (Black Bird) Young Mazino (Beef) Jesse Plemons (Love & Death) MELHOR DIREÇÃO EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV Paris Barclay, Dahmer—Monster: The Jeffrey Dahmer Story (“Silenced”) Carl Franklin, Dahmer—Monster: The Jeffrey Dahmer Story (“Bad Meat”) Dan Trachtenberg, Prey Valerie Faris e Jonathan Dayton, Fleishman Is in trouble (“Me-Time”) Jake Schreier, Beef (“The Great Fabricator”) Lee Sung Jin, Beef (“Figures of Light”) MELHOR ROTEIRO EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV Lee Sung Jin, Beef (“The Birds Don’t Sing, They Screech in Pain”) Joel Kim Booster, Fire Island Taffy Brodesser-Akner, Fleishman is in Trouble (“Me-Time”) Patrick Aison e Dan Trachtenberg, Prey Janine Nabers e Donald Glover, Swarm (“Stung”) Eric Appel e “Weird Al” Yankovic, Weird: The Al Yankovic Story Foto: A Nova Vida de Toby/FX on Hulu MELHOR TALK SHOW The Daily Show with Trevor Noah Jimmy Kimmel Live! Late Night with Seth Meyers The Late Show with Stephen Colbert The Problem With Jon Stewart REALITIES DE COMPETIÇÃO The Amazing Race RuPaul's Drag Race Survivor Top Chef The Voice MELHOR APRESENTADOR DE REALITY Nicole Byer (Nailed It!) Amy Poehler e Maya Rudolph (Baking It) Padma Lakshmi (Top Chef) RuPaul (RuPaul’s Drag Race) Bobby Berk, Karamo Brown, Tan France, Antoni Porowski e Jonathan Van Ness (Queer Eye) MELHOR ESPECIAL DE VARIEDADES AO VIVO Show de Rihanna no intervalo do Super Bowl Chris Rock: Selective Outrage Elton John Live: Farewell From Dodger Stadium The Oscars 75th Annual Tony Awards
- Crítica | A Superfantástica História do Balão
(... ou a super traumática história do balão) Foto: Divulgação “Se tem bigodes de foca, nariz de tamanduá (parece meio estranho, hein?)”. É Tão Lindo (It’s no Easy), canção de abertura do disco de 84 d’A Turma do Balão Mágico é a primeira memória que me vem à mente quando o grupo é citado. Aí você pode se perguntar, “poxa, mas como assim não lembra primeiro de ‘Superfantástico’”? Calma, que tem um motivo. Quando nasci, A Turma do Balão Mágico original já havia se desfeito fazia um tempo, e o programa já nem existia mais, contudo, histórias marcantes não se apagam e acabam transpassando gerações, e esse disco de 1984 foi o primeiro com o qual tive contato, e por ser o único em casa que me interessava, eu o ouvia incessantemente todos os dias, até que com o passar do tempo e por alguma razão acabou sumindo, mas a lembrança da música continuou e permanece. Minha história com o Balão, apesar de não ser da época de sua ascensão, acabou se moldando um pouco à minha infância, e a partir dali fui conhecendo os outros sucessos e tudo mais. No entanto, só depois de adolescente é que comecei a conhecer de fato os integrantes por programas de televisão, quando reviviam suas histórias incansavelmente, trazendo polêmicas, etc. Claro que quando somos crianças não vemos nenhum tipo de problema em um programa ou grupo musical cujos integrantes também são crianças, então eu apenas curtia as músicas e cantava alegremente mais uma canção. Assim como eles, hoje sou um adulto (menos traumatizado, com certeza), mas que compreende como funcionava todo aquele processo, e quando você cresce nos anos 90/2000 em que tudo que fazia sucesso era advindo da televisão da forma como queriam mostrar e de maneira exaustiva, aquelas figuras acabam lhe acompanhando no decorrer da vida mesmo que o interesse sobre seus trabalhos se perca. Todavia, quando surge uma série documental prometendo os bastidores caóticos de um dos maiores grupos musicais da história da música no Brasil, é óbvio que vai chamar a sua atenção, e A Superfantástica História do Balão chegou fazendo exatamente isso. Com foco em seus integrantes iniciais, os mais conhecidos e ligados à imagem do Balão, o Star+ desenvolveu essa série de apenas três episódios em que sua divulgação se baseou em “menina, nem te conto, vou mostrar todas as polêmicas do balão mágico e se eu fosse vocês não perderia”, e eu como telespectador, e ex-fã mirim do grupo mirim não deixaria de conferir, mas, é bom deixar claro que: o documentário decepciona. O primeiro questionamento que gera é: como algo tão histórico e conhecido, e com tanta sujeira pelos bastidores rendeu somente três míseros capítulos com menos de uma hora cada? Renderia mais? Claro. Porém, pareceu haver alguma pressa, por alguma razão, em lançar o produto, mesmo não conseguindo obter as respostas para várias perguntas que eles mesmos jogaram ali. A sensação de nostalgia é o que predomina, e é a melhor parte do documentário. Rever e reviver aqueles momentos em que a TV era o que ditava a moda, é de certo modo reconfortante, mesmo que eu não tenha vivido tudo aquilo (deixo aqui claro que sou completamente fascinado pela televisão brasileira dos anos 80 e 90, e tudo que fizerem sobre isso estarei assistindo). A produção reúne Simony, Tob e Mike, o trio que começou toda a história, e Jairzinho, que chegou ao grupo dois anos depois, e que na época já era uma figura conhecida, sendo filho de Jair Rodrigues. Juntos eles reavivam as memórias sobre aquele período que passaram e vão contando cada um a sua versão de como foi experienciar todo aquele caos sendo ainda crianças. Além deles, há também a participação com comentários de integrantes de outras formações e de alguns cantores que fizeram parte da história do Balão, como Fábio Jr, que participou da música Amigos do Peito (também presente no disco de 84), e algumas outras participações de famosos que parece não ter muito sentido para o quadro geral do que tentam propor. Foto: A Turma do Balão Mágico/Discos CBS I.C.L Durante os três episódios a história do Balão é explorada quase que como um resumo, com comentários de figuras importantes na TV e música da época entre uma informação e outra, relatos de produtores e empresários que vão casando aos poucos com o que os ex-membros vão contando, e alguns outros comentários que não corroboram com nada, mas que traz aquela sensação de um quadro feito por um programa de auditório, e que acaba até sendo legal, mesmo que nada informativo. É contada também sobre o período em que, com tanto sucesso, eles fizeram também um programa de televisão, e trazem um personagem conhecidíssimo (e amedrontador em alguns casos), que foi o Fofão, que eu até hoje não faço ideia do que ele deveria ser, mas sempre adorei acompanhar as lendas urbanas envoltas dele, tinha a faca ou não? Segundo a Simony, não. A história do programa é contada de maneira muito rápida, sem muito aprofundamento, e em alguns momentos tudo se mistura. Os comentários dos quatro integrantes principais são o que geram mais curiosidade, aliás, foram eles que participaram ativamente daquilo tudo, e quanto a isso fica muito perceptível como tudo aquilo afetou cada um de forma diferente, e de certo modo atrapalhou o crescimento e o futuro de alguns deles. A crueldade com que eles eram tratados apenas como produtos de mercado fica bastante clara com os comentários de empresários e produtores da época, e uma das falas que mais pesou foi “Eu só lembro dos meus sucessos e não dos meus fracassos”, em referência a quando Tob tentou se lançar musicalmente após a saída do grupo, aliás, ele parece ter sido o que mais sofreu com toda a história, sendo praticamente expulso do balão por na época já estar entrando na adolescência. O telespectador consegue sentir a dor em suas falas, e a tristeza que ele transparece no olhar ao relembrar tudo aquilo. É interessante ver, pela perspectiva deles, como tudo aquilo afetava suas vidas na época, as cargas exaustivas de trabalho (o ECA ainda não existia, rs), como a vida escolar sofreu e até mesmo bullying que sofriam por algum motivo atrelado ao Balão. Deixam claro que a vida adulta e as escolhas profissionais se moldaram em torno de tudo que viveram durante os anos sendo A Turma do Balão Mágico. Apesar da boa sensação e de reviver boas lembranças, a série documental não faz jus ao seu propósito prometido, apenas requenta velhas histórias conhecidas sem trazer as respostas que seriam necessárias para encerrar vários assuntos. Parece apenas um quadro tentando homenagear aquelas 4 pessoas com uma dose fortíssima de nostalgia e sentimentalismo. Tem uma boa produção, mas fica evidente que se trata de um produto cru e que precisava ser moldado mais corretamente antes de ser lançado, o sentimento de estar vendo algo incompleto é o que impera os pensamentos quando chega aos créditos finais. Nota: 3/5
- Cannes 2023 – Análise Final
Terceira diretora a vencer a Palma de Ouro e retorno de veteranos foram os grandes destaques do maior festival internacional de cinema na França Justine Triet com a Palma de Ouro - Divulgação: Loic Venance / AFP Entre os dias 16 e 27 de maio alguns dos maiores nomes do entretenimento mundial se concentraram na litorânea cidade francesa de Cannes e fizeram com que os olhos da mídia se voltassem para o 76º Festival Anual de Cinema de Cannes. Pessoas que trabalham com produção audiovisual, seja cinema ou propaganda, modelos, designers de moda, digital influencers e jornalistas convergiram para o evento que molda uma perspectiva para distribuição e comercialização de títulos dos mais diversos países e – para quem gosta de acompanhar premiações de língua inglesa – dita tendência para os prêmios da temporada de ouro no final do ano. O Festival de Cannes foi criado, entre outras motivações, como uma maneira de se opor ao Festival de Veneza, cidade italiana que à época (1939) estava sob o regime fascista da Alemanha e Itália. A primeira edição que deveria acontecer em 1939 foi adiada devido a invasão na Polônia pelas tropas alemãs. Foi então em setembro de 1946, um ano após o final da segunda grande guerra, que aconteceu o primeiro Festival Internacional du Film, nome oficial da mostra até 2002 quando virou oficialmente Festival de Cannes (nome que fora adotado muito antes extraoficialmente). Júri de Cannes 2023 na cerimônia de encerramento - Divulgação: Daniele Venturelli / Getty Images De lá pra cá muita coisa mudou, estruturalmente, logisticamente e organizacionalmente, mas pouca coisa mudou politicamente e sociologicamente, por assim dizer. Em 76 anos de festival essa foi a edição onde mais diretoras mulheres concorreram ao prêmio da Competição Oficial, a Palma de Ouro. 21 filmes disputavam a Palma, 14 dirigidos por homens, 7 por mulheres. O Festival esse ano tentou usar isso como um grande chamariz para sua representatividade – mesmo com a disparidade 2:1 – mas logo de cara foi visto com certa hesitação por anunciar como filme de abertura um longa que ia de encontro ao que eles estavam tentando pregar. Anatomy of a Fall, da diretora francesa Justine Triet, foi o vencedor da Palma de Ouro. A produção foi quase que uma unanimidade entre os críticos e conquistou o júri presidido pelo cineasta ganhador da Palma de Ouro do ano passado Ruben Östlund. A escolha encerrou, então, o ciclo que Cannes 2023 tão orgulhosamente sustentou e quase foi quebrado pelo próprio tiro no pé. Dito isto, essa é apenas a terceira vez que uma diretora vence o prêmio. A neozelandesa ganhadora do Oscar Jane Campion foi a primeira a vencer, em 1993, por O Piano; e em 2021, a cineasta francesa Julia Ducournau venceu por Titane (ela também compunha o júri de 2023). Cena de Anatomy of a Fall - Divulgação O finlandês Aki Kaurismäki, que desde 2017 não dirigia um longa-metragem, retornou a Cannes com Fallen Leaves, um dos mais (se não o mais) elogiado pela crítica internacional. Mas é importante ver até onde a crítica influencia em premiações feitas por um determinado grupo. Algumas horas antes da premiação um perfil no twitter relembrou de uma entrevista dada a um jornal espanhol em 2017, onde o presidente do júri Ruben Östlund cita Kaurismäki como exemplo contrário ao seu modo de pensar. “A diferença entre ricos e pobre, a luta por uma sociedade mais justa. Quando um mendigo se aproxima de você na rua, o que você faz? Nunca dou dinheiro a um mendigo. Na Escandinávia isso é um problema, uma responsabilidade do Estado, do sistema, não é problema meu. Quando vejo os filmes de Kaurismaki, penso que é um completo idealista. É uma postura que me parece inútil.” Então com isso mente já se sabia que as chances do finlandês vencer esse ano estavam baixas apesar da aclamação do público e da crítica. O que colocava a disputa – aparentemente – entre Anatomy of a Fall e The Zone of Interest, de Jonathan Glazer. Quando foi anunciado que The Zone of Interest havia vencido o Grande Prêmio do Júri – a menos que uma grande zebra acontecesse – todos esperavam que o filme de Justine Triet levasse o prêmio principal. Nas outras categorias, Tran Anh Hung venceu o prêmio de Melhor Direção por The Pot Au Feu. Merve Dizdar venceu o prêmio de Melhor Atriz por About Dry Grasses, de Nuri Bilge Ceyla e Koji Yakusho foi eleito o Melhor Ator por Perfect Days, de Wim Wenders. Entre os brasileiros que marcaram presença no festival francês estava o pernambucano Kleber Mendonça Filho, que exibiu seu documentário Retratos Fantasmas. Depois de Bacurau, vencedor do Prêmio do Júri em 2019, Kleber Mendonça Filho revisita sua cidade natal pelo prisma histórico dos cinemas que já frequentou. Baseado, em parte, em imagens de seu arquivo pessoal, o documentarista lembra aos espectadores que esses lugares idílicos, agora fechados, constituíram um importante marcador de tempo na evolução do tecido moral da sociedade brasileira. Equipe de A Flor do Buriti em Cannes 2023 - Divulgação: Pascal le Segretain / Getty Images Na mostra Um Certo Olhar o filme A Flor do Buriti venceu o prêmio de Melhor Equipe. A direção é da brasileira Renée Nader Messora e do português João Salaviza. O longa reconstitui as últimas oito décadas do povo Krahô, do norte do Tocantins. Com elenco formado por povos indígenas, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, também está no filme. A dupla de diretores já foi premiada em Cannes, em 2018, com o filme Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, também rodado em aldeias dos Krahô, e que venceu o prêmio especial do júri na mostra. Grande destaque também para o cearense Karim Aïnouz que disputou a Competição principal com seu filme de estreia em língua inglesa, Firebrand. O drama que reconta a história de Henrique VIII e Katherine Parr sob o ponto de vista dela recebeu críticas variadas, mas foi um importante showcase para Karim que já anunciou sua nova produção internacional chamada Rosebushpruning, com Kristen Stewart e Elle Fanning no elenco e roteiro de Efthimis Filippou (O Lagosta), adaptado do clássico italiano De Punhos Cerrados (1965), de Marco Bellocchio. E falando no diretor italiano, ele também esteve na 76ª edição do Festival concorrendo à Palma de Ouro com seu novo filme Rapito, que conta a história verdadeira de um menino judeu que fora sequestrado por autoridades papais a fim de se tornar um padre no Vaticano. Aplaudido por 13 minutos o filme emocionou muitas pessoas. Outro figurão que concorreu ao prêmio principal foi o inglês Ken Loach, que depois de anunciar aposentadoria e cancelar a aposentadoria algumas vezes esteve presente, aos 86 anos, com seu novo filme The Old Oak. Martin Scorsese e equipe de Killers of the Flower Moon em Cannes - Divulgação Fora da Competição, Cannes presenciou as primeiras exibições de aguardados filmes de 2023. Indiana Jones e o Chamado do Destino, de James Mangold, não foi tão bem recebido pela crítica, mas independente disso Harrison Ford foi homenageado com uma Palma de Ouro Honorária. O espanhol Pedro Almodóvar exibiu seu curta Extraña Forma de Vida e arrancou bons elogios do público e dos jornalistas. O novo épico de Martin Scorsese, Killers of the Flower Moon, também teve sua première em Cannes em sessão única e bastante disputada. Se não por tudo isso, o Festival é ainda relevante por manter a chama acesa para os apaixonados por cinema que anseiam por ver os novos trabalhos de seus autores preferidos e pelo buzz que gera duas semanas com filmes novos estreando diariamente; e também por apresentar novas diretoras e novos diretores (ou mesmo não tão novas e novos assim) para quem não os conhecia, seja para o público ou seja para o mercado (que no fim das contas se resume ao público). COMPETIÇÃO Palma de Ouro Anatomy of a Fall, de Justine Triet Grande Prêmio do Júri The Zone of Interest, de Jonathan Glazer Melhor Diretor Tran Anh Hung, por The Pot Au Feu Melhor Atriz Merve Dizdar, por About Dry Grasses, de Nuri Bilge Ceylan Melhor Ator Koji Yakusho, por Perfect Days, de Wim Wenders Melhor Roteiro Sakamoto Yuji por Monster, de Kore-Eda Hirokazu Prêmio do Júri Fallen Leaves, de Aki Kaurismaki Palma de Ouro de Melhor Curta-metragem 27, de Flóra Anna Buda Prêmio Camera D'Or da Quinzena dos Cineastas Inside the Yellow Cocoon Shell, de Thien An Pham Menção Honrosa Curta-Metragens Fár, de Gunnur Martinsdóttir Schlüter Palma Queer Monster, de Kore-Eda Hirokazu UM CERTO OLHAR / UN CERTAIN REGARD Un Certain Regard Award How to Have Sex, de Molly Manning Walker Prêmio do Júri Hounds, de Kamal Lazraq Best Director Prize The Mother of All Lies, de Asmae El Moudir Freedom Prize Goodbye Julia, de Mohamed Kordofani Ensemble Prize Elenco e equipe de A Flor do Buriti, de João Salaviza e Renée Nader Messora New Voice Prize Omen, de Baloji DIRECTORS’ FORTNIGHT Europa Cinemas Label: Creatura, de Elena Martín Society of Dramatic Authors and Composers Prize A Prince, de Pierre Creton SEMANA DOS CRÍTICOS Grand Prize Tiger Stripes, de Amanda Nell Eu French Touch Prize It’s Raining in the House, de Paloma Sermon-Daï GAN Foundation Award for Distribution Pyramide Films, Inshallah a Boy Louis Roederer Foundation Rising Star Award Jovan Ginić, Lost Country
- Cobertura Festival de Cannes 2023 - Dia 4
Exibições de documentários brasileiros fizeram parte da programação do quarto dia (19/05) Divulgação: Antonin Thuillier / AFP O quarto dia do Festival de Cannes 2023 se iniciou com a segunda exibição de Indiana Jones e o Chamado do Destino, que estreou ontem (18). Além disso houve novas exibições do curta Extraña Forma de Vida de Pedro Almodóvar. O filme turco About Dry Grasses, do diretor Nuri Bilge Ceylan – que venceu a Palma de Ouro em 2014 pelo filme Sono de Inverno –, e que disputa a Competição Oficial esse ano foi classificada por Guy Lodge, da Variety, como um longa que “pinta as minúcias da misantropia em uma tela vasta e arrebatadora”. O jornalista Lee Marshal, do ScreenDaily, deixou o veredito do filme nas mãos do público, “o destino do filme dependerá de o público achar isso exasperante, intrigante ou mesmo brilhantemente pós-moderno.” Outro filme da Competição que foi teve sua primeira exibição hoje e arrancou elogios dos críticos foi o drama The Zone of Interest. O novo drama do diretor Jonathan Glazer foi descrito como um “retrato dramático profundamente arrepiante de uma família nazista vivendo ao lado de Auschwitz.” Enquanto David Rooney, do The Hollywood Reporter, citou que "[...] esses vislumbres de burocracia e infraestrutura padrão sendo aplicados sem um pingo de emoção ao extermínio genocida fazem seu sangue gelar." Aconteceu também a exibição do documentário Retratos Fantasmas, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho. Depois de Bacurau, vencedor do Prêmio do Júri em 2019, Kleber Mendonça Filho revisita sua cidade natal pelo prisma histórico dos cinemas que já frequentou. Baseado, em parte, em imagens de seu arquivo pessoal, o documentarista lembra aos espectadores que esses lugares idílicos, agora fechados, constituíram um importante marcador de tempo na evolução do tecido moral da sociedade brasileira. Divulgação Em entrevista o cineasta disse que começou a agrupar imagens há sete anos, “enquanto assistia a vídeos antigos que guardo em casa e no meu escritório, em fitas VHS, Betacam e Hi8 ou em MiniDV. Sempre pensei que um dia usaria esses arquivos e registros pessoais, que também contêm fotografias e gravações de áudio. Comecei a desenvolver algumas ideias e disse a mim mesmo que também poderia gravar novos vídeos com equipamentos mais modernos. Comecei a filmar com minha equipe em 2017 antes das filmagens de Bacurau. Iniciei Retratos Fantasmas como um projeto paralelo, com prazo próprio.” Foi exibido também na mostra Cannes Classic o documentário Nelson Pereira dos Santos – Vida de Cinema. Dirigido por Aída Marques e Ivelise Ferreira, viúva do cineasta que morreu em 2018, o filme vai ser lançado no Brasil apenas no segundo semestre. Produzido pela MP2 Produções, em parceria com a GloboNews, Globo Filmes e Canal Brasil, o filme concorre ao prêmio L'Œil d'or na categoria destinada a produções que falem sobre o setor. Ainda na Competição Oficial, aconteceu ao final do dia a primeira exibição de Four Daughters, da diretora tunisiana Kaouther Ben Hania que integrou o Júri do Cinef e dos Curtas-metragens em 2021. Em seu novo filme a diretora confunde as fronteiras entre o documentário e a ficção, entre o estar no telão e o fora do telão, entre a dor e a alegria. Wendy Ide, do Screen International, disse "Four Daughters destaca-se por si só como um trabalho distinto, ousado e original." Enquanto para Lovia Gyarkye, do Hollywood Reporter, "Raramente o filme de Ben Hania parece explorador ou manipulador. Na verdade, mais do que tudo, Four Daughters é radical em sua honestidade e coragem." Divulgação: Reuters Na Mostra Um Certo Olhar os destaques foram o marroquino Hounds, do diretor Kamal Lazraq, How to Have Sex, filme de estreia da cineasta britânica Molly Manning Walker e o australiano The New Boy, do diretor Warwick Thornton e que conta com Cate Blanchett no elenco.
- Crítica | Missão: Impossível - Acerto de Contas Parte 1
O inimigo agora é outro Foto: Divulgação Tom Cruise é um exibido. E a essa altura, depois de seis filmes da bem-sucedida franquia Missão: Impossível, já não há quem não esteja completamente ciente do que aquele homem, em total plenitude das faculdades mentais — e eu imagino sim que é difícil acreditar nesta última parte, já que voluntariamente o homem se lançou do topo de uma montanha abrindo o paraquedas tardiamente e chamou de a maior acrobacia da história do cinema — pode fazer diante de uma câmera. E ele fará, sem hesitação. É neste limite difuso da teimosia obstinada que se entrelaçam as personalidades do ator e do personagem, Ethan Hunt, já conhecido pela qualidade de herói contemporâneo: elegantemente altruísta, distraidamente sedutor e abnegadamente convicto. Quem não deseja um companheiro-de-absolutamente-qualquer-coisa assim? Nesta primeira parcela do sétimo filme da franquia, com ares de fechamento ou soft reboot, temos uma IMF restituída, um personagem de antiquíssima data que retorna à centralidade do enredo pela importância no lore cinematográfico da obra (Kittridge), os parceiros inseparáveis e cheios de carisma e ai de alguém que toque na vida deles (Benji e Luther), a figura da femme fatale (Ilsa Faust) que, diferentemente de 007 [não é um shade] não está aqui unicamente para servir aos desejos do personagem principal, e é sim, parte importante da trama, mesmo que receba um tratamento um tanto… traumático; há também o surgimento de outra figura feminina levemente maliciosa, safa, irônica, cobra-criada, ultrajante e que carrega consigo um frescor diferente, e claro, o vilão. Não há Missão: Impossível sem 1) a bendita missão que muito frequentemente não será feita por ninguém a não ser por este homem e sua equipe minguada, e 2) a figura vilanesca. E aqui o salto foi dado. Foto: Divulgação Na história do cinema e da literatura, e essas trajetórias se interseccionam repetidas vezes, muito se especula a respeito de inteligências artificiais e seus avanços diante de uma humanidade que avança a passos largos à sua própria extinção. É normal, também, que as obras tensionem a relação humanidade x IA partindo da ideia da subjugação: nós as criamos - elas nos sobrepõem - somos dominados. Há o bônus em que acabamos por fazer alguma espécie de trabalho braçal forçado, numa eterna vassalagem pós-contemporânea. Mas este não é mais o tempo de disputar força braçal. Este é o tempo dos deepfakes (que estabelece uma relação interessante com as máscaras vívidas de disfarce que são marca nos filmes da saga), da chamada era da pós-verdade onde nenhuma imagem ou vozes de políticos, ou até mesmo de cantores está à salvo da manipulação. A grande vilã, autodidata, senciente e incapturável chama-se A Entidade, e só pode ser controlada através da união de duas chaves perdidas num submarino (sim, você pensou, e eu pensei também) russo no fundo do oceano. Ao que vencer, e vencer quer dizer necessariamente conquistar a chave, será concedido o acesso ao código-fonte da IA, permitindo o total controle do deus composto de zeros e ums. Foi dada à largada à corrida internacional pela coleira da IA, e Gabriel (Esai Morales), figura que foi inserida no passado de Ethan Hunt para que tivéssemos a sensação de que ele sempre esteve lá, foi escolhido pela Entidade para ser seu cavaleiro pessoal do apocalipse. É neste cenário de urgência que as 2h 43min passam num susto, e a experiência IMAX acrescenta densidade à catarse, provocando cãibras nos dedos dos pés pela tensão e suor nas palmas das mãos, dentro deste ritmo fílmico que por si só funciona como um sacudir convulsivante para cardíacos, ansiosas, e que, honestamente, tiraria do eixo personalidades semelhantes às de monges tibetanos. Tom Cruise é realmente um exibido, e ele conseguiu. De novo. Nota: 4,5/5
- Análise | The Idol
Porque a pior série dos últimos anos deveria passar nas aulas de teoria feminista do cinema Foto: Divulgação Uma das aulas que mais me marcou na graduação em Imagem e Som foi o dia em que, na disciplina de Teorias do Audiovisual, discutimos “Prazer Visual e Cinema Narrativo”, da crítica e cineasta britânica Laura Mulvey, primeiro publicado em 1973. Trata-se de um dos textos mais difundidos da área, basilar em qualquer estudo de cinema e que abriu portas, no mundo e em mim, para o amadurecimento da teoria feminista do cinema. Depois dessa aula, nunca mais assisti nada do mesmo jeito. Não ousarei aqui resumir o ensaio – que é de fácil acesso e cuja leitura deixo (com ressalvas*) como forte sugestão para todos que se interessarem por audiovisual –, mas destaco alguns pontos que se fazem cruciais para a análise que é o cerne deste post. Já no primeiro parágrafo, Mulvey avisa tratar sobre como “a fascinação do cinema é reforçada por padrões pré-existentes de fascinação que já funcionam dentro do sujeito individual e as formações sociais que o moldaram”, especialmente “a forma como o cinema reflete, revela e até brinca com as interpretações concretas e socialmente estabelecidas das diferenças sexuais que controlam a imagem, as formas eróticas de se enxergar e o espetáculo”. Ou seja, para ela, o cinema, especificamente o de ficção comercial hollywoodiano, é um retrato da cultura patriarcal em que se insere e a forma como a personagem feminina é apresentada transparece isso. Faça um breve exercício de imaginação: visualizem uma cena de ação de conflito físico entre vários homens até que uma mulher, que viria a ser o interesse amoroso do herói protagonista, entra no local e a vemos pela primeira vez. Como é a cena dirigida pelo seu imaginário? Câmera lenta? Take que vai do seu sapato até um close bem iluminado focando no olhar sensual dela? Fundo desfocado? A trilha sonora muda abruptamente? Se pensou em um ou mais um desses, não estranhem. Cinema é linguagem e nela somos alfabetizados desde bebês em frente à tela da tv. O que pode parecer “clichê” é, para Mulvey, um padrão estabelecido pelo patriarcado para projetar suas próprias fantasias na tela. Mesmo que esta cena rompa com o ritmo de ação que acontecia no nosso filme, fomos ensinados a nos adaptar a esta reprodução da protagonista feminina: sua feminilidade (que, nessa representação, é quase sinônimo de sensualidade) merece um simbolismo próprio, que não se mistura com os outros simbolismos “masculinos”. E quem criou esse simbolismo? A quem pertence esse olhar retratado na tela? Nas palavras de Mulvey, “o homem controla a fantasia do cinema e também surge como o representante do poder num sentido maior: como o dono do olhar do espectador”. Seja esse homem o dono do estúdio, o produtor, o diretor, o personagem ou nós, a audiência (sim, porque, segundo a autora, da mesma forma que o “eles” representa eles e elas, mesmo que você não seja homem, quando estamos de frente à tela nos colocamos no ponto de vista dominante, isto é, masculino). Existem muitas formas de transpor a fantasia masculina a uma obra audiovisual, mas me limitarei a duas trazidas pela autora. A primeira é através da escopofilia, nome dado ao prazer sexual derivado unicamente do olhar. É aqui que ela traz o termo “male gaze”, hoje bastante popularizado, que diz respeito à mulher como objeto erótico do olhar masculino. Além disso, no cinema de ficção clássico, os acontecimentos ocorrem sem a ciência de ter uma câmera presente, de modo que os personagens acreditam estar em relativa privacidade e nós, espectadores “sigilosos” ou “ocultos”, nos colocamos na posição de voyeur. Então, quando uma mulher sedutora de vestido vermelho e cigarro na boca faz uma entrada estarrecedora num cassino, além de toda a cena milimetricamente desenhada para refletir a obsessão masculina pelo feminino, ainda temos a sensação de ver algo que não é (diegeticamente) performado para nós, como crianças vendo cenas de sexo escondidas dos pais. Para os homens, é tudo muito estimulante. Para que haja a identificação com o personagem masculino, também precisamos vê-lo como objeto de interesse. Sua aparição também deve ser diferenciada de um coadjuvante qualquer, e, de fato, esse destaque simbólico também ocorre. A diferença é suas cenas não carregam a simbologia erótica, o olhar fixo e de desejo, uma vez que“a figura masculina não pode suportar o peso da objetificação sexual. O homem hesita em olhar para o seu semelhante exibicionista”. O vemos com a aspiração de ser, e não ter. Outra característica que ecoa a fantasia masculina nas telas é a construção das personagens mulheres como portadoras e não criadoras de significado. Por mais importante que a personagem possa parecer, narrativa e figurativamente elas existem para satisfazer, complementar a hegemonia do homem, por quem é dominada e quem domina suas ações. Ela não importa, o que importa é o sentimento que desperta nos outros. Se você assistiu The Idol, minissérie exibida em 5 episódios nas noites de domingo da HBO (conhecido como slot de maior qualidade na TV mundial), acredito que já tenha feito as associações necessárias. No entanto, permitam-me um breve resumo para aqueles (felizes) leitores que ainda não conhecem a obra. Jocelyn (Lilly-Rose Depp) é uma cantora pop que experiencia a fama descomunal desde sua infância. Recentemente, após a perda da mãe, passou por uma série de questões psicológicas que levaram ao cancelamento de sua turnê e uma pausa na carreira, deixando o mundo questionar se ela ainda tinha o star power para sobreviver na indústria. Jocelyn se prepara para seu retorno, tendo que provar, para seus produtores e seu público, que está melhor que nunca. Para isso, apela para uma nova imagem mais provocante, afinal, “sex sells” (sexo vende), como ironiza um dos membros de sua equipe. Em meio à preparação do novo álbum e da nova turnê, conhece Tedros (Abel Tesfaye/The Weeknd), um enigmático produtor musical e dono de uma boate em Los Angeles. Encantada, Jocelyn o convida para sua mansão, onde ele a ensina a explorar ainda mais sua sexualidade e aplicá-la na música, criando um estilo inovador. Jocelyn e Tedros começam um relacionamento picante e rapidamente o produtor passa a comandar a mansão e a carreira da namorada, aproveitando para levar todos os seus artistas/seguidores para morar com eles, numa eterna house party regada a drogas e pegação todos os dias, o dia todo. Se Abel fosse um ator minimamente convincente, seria como uma seita musical hollywoodiana, em que Jocelyn parece cair como um patinho, para a preocupação de seus empresários. Mas aí, plot twist: descobrimos que Jocelyn, interessada no talento de Tedros e seu time, que usou e manipulou o produtor, que agora é refém dela. Fim. Quero começar com a contradição do chavão “sex sells” ser dito em tom irônico ao menos três vezes ao longo da série que explora exatamente… o sexo. Lilly raramente é vista com uma roupa que cubra sua bunda inteira e qualquer cena em que ela esteja, mesmo que seja sua personagem andando de um cômodo a outro, tem um teor de erotismo. Isso sem falar das longas, explícitas e, muitas vezes, narrativamente desnecessárias cenas de sexo. O ego de Levinson e Tesfaye, produtores e idealizadores da série, é tão monumental que não permitiu que eles percebessem que The Idol é objeto da própria crítica que tentam construir. Outro exemplo é como, na história, é posto como absurdo o fato de Jocelyn não ter poder de escolha sobre sua própria carreira, precisando sempre se submeter às vontades dos grandes magnatas da indústria. O quão incongruente é que, para fazer essa denúncia, criaram uma personagem que não tem qualquer significado próprio, cuja única função é de ser objeto de desejo e dominação de terceiros? É claro que Hollywood avançou um tanto (mas nem tanto) desde os anos 70 e hoje temos diversas exceções às teorias de Mulvey. Mas The Idol é tão perfeitamente aplicável que, enquanto assistia, me perguntei se estavam tentando ilustrar página a página o que a autora escreve. Se não estou equivocada (e não retornarei à série para me certificar), The Weekend aparece apenas uma vez sem camisa, sem qualquer enfoque em seu físico. Apesar de participar da maioria de cenas de sexo, ele nunca é sexualizado. Ele é o alfa, o dominante, o que olha, que comanda. Já Jocelyn e as demais artistas femininas, coitadas, são vistas por ele e por todos. E o melhor: elas gostam disso. São exibicionistas, submissas. Nas várias cenas em que a protagonista se apresenta para uma plateia de pessoas da indústria, ela assume exatamente o papel de “mulher enquanto ícone, oferecida para o deleite e o olhar fixo dos homens, controladores ativos do olhar” previsto por Mulvey. Ela tem todo o dinheiro e fama, mas ainda é mulher, e como tal, atende o papel de boa garota que deve ser. A tosca e apressada reviravolta nos últimos 5 minutos da série tenta alternar esse quadro, mas já é tarde demais. Por favor, não me interpretem como puritana. Não tenho nada contra erotismo no audiovisual – pelo contrário, acredito que, quando bem feitas, resultam em algumas das mais instigantes cenas de qualquer filme. Mas o sexo aqui não tem nenhum elemeto artistico incorporado. É fetiche pelo fetiche, fantasia pela fantasia. Na verdade, é tão exagerado que diria até tem efeito oposto: vemos tanto mamilo que a certa altura eles se tornam tão excitantes quanto um cotovelo. As cenas de Jocelyn/Lilly sendo subjugada são de tamanho mal gosto que ficam verdadeiramente constrangedoras de assistir. À César o que é de César, Sam Levinson tem sim seus méritos enquanto diretor. Sua assinatura, registrada e incomparável desde Euphoria, está presente e melhor que nunca no ritmo delicioso – que assemelha cada episódio a um belo clipe de uma hora – e na fotografia belíssima. Talvez ele também seja um excelente diretor de atores, visto que, em geral, o elenco está afiadíssimo, com todo destaque para Lilly-Rose Depp, que entrega uma performance madura, conseguindo até emitir complexidade na personagem que lhe foi dada. Mas, se Levinson for um bom diretor de atores, isso significa que Abel/The Weeknd é tão ruim, mas tão ruim, que nem um diretor competente consegue dirigi-lo. Pelo sim, pelo não, deixarei aqui o benefício da dúvida. A certeza que fica, no entanto, é que nenhum dos dois deveria tocar novamente num roteiro na vida. A melhor cena de toda a série é a que Jocelyn tenta gravar seu novo clipe e sucumbe às pressões físicas e emocionais. Não coincidentemente, Tedros sequer aparece ou é mencionado nessa sequência, e a sexualidade se resume à persona artística de Jocelyn, e não à personagem em si. E, se a série seria melhor sem um de seus protagonistas e com uma nova personalidade para a outra, tem algo de muito errado na concepção dessa história. A mim, não restam dúvidas de que The Idol utilizou da gorda verba da HBO para satisfazer fantasias machistas pessoais. Os inúmeros problemas nos bastidores da série só comprovam isso. A boa notícia é que, se Mulvey acreditava que o male gaze, além de produzido por machistas, era aceito por uma sociedade que refletia esse mesmo pensamento, o fato da minissérie ser massacrada pela crítica e pela audiência, ao menos deve significar algo positivo. Nota: 1/5 * “Prazer Visual e Cinema Narrativo” retrata o entendimento e as interpretações de gênero e sexualidade da época de sua publicação, se limitando ao binarismo cisgênero e heterossexual. Além disso, possui um debate psicoanalítico que considero discutível.
- Cobertura Festival de Cannes 2023 - Dia 2
Segundo dia (17/05) teve a primeira exibição de Monster, de Hirokazu Kore-eda, e do curta Extraña Forma de Vida, de Almodóvar Divulgação: GettyImages Na sala Buñuel Theatre aconteceu um bate-papo com o ator Michael Douglas dando continuidade às homenagens ao artista que ontem recebeu uma Palma de Ouro Honorária. Douglas falou sobre momentos importantes da carreira, sobre a superação do câncer de garganta e sobre o atual momento de sua carreira. “Estou de folga. Estou ansioso para fazer uma boa pausa”, disse. “No momento, quero me concentrar em minhas questões de serviço público.” Ao comentar das vezes em que esteve presente em Cannes anteriormente, o ator comentou sobre a produção Minha Vida com Liberace (Behind the Candelabra), de 2013, onde deu vida ao icônico pianista Liberace e fez par romântico com Matt Damon. O ator disse que sua atuação foi tida como favorita para os prêmios de cinema, mas por ser uma produção feita para televisão não foi tratado como filme na época. “Houve um desacordo sobre se era realmente um filme ou não. [...] Entendo as regras de lançamento em uma sala de cinema por pelo menos uma semana. Mas a realidade agora é o streaming: eles estão fazendo filmes”, disse ele. “Se você tiver sorte, pode fazer com que eles [os streamers] lancem o filme em um cinema por uma semana. Mas você não pode subestimar o streaming e tratá-lo como se fosse apenas televisão.” Divulgação: El Deseo, photo by Iglesias Más A première do aguardado curta-metragem Extraña Forma de Vida, de Pedro Almodóvar foi outro destaque desta quarta-feira. O romance-queer-western do diretor espanhol arrancou elogios de quem esteve presente. As escolhas estéticas do cineasta, as referências a grandes filmes do gênero e as atuações dos protagonistas Ethan Hawke e Pedro Pascal foram alguns dos pontos mais aclamados. Estão também no elenco os espanhóis Jason Fernández e Manu Ríos e o português José Condessa. Monster, o sétimo filme do diretor japonês Hirokazu Kore-eda a disputar Palma de Ouro, também teve sua primeira exibição no segundo de festival. A produção marca a reunião do diretor com a atriz Sakura Ando, estrela de Assunto de Família, filme que venceu a Palma de Ouro em 2018. O drama conta a história de Minato (Soya Kurokawa), um menino, está exibindo um comportamento cada vez mais preocupante na escola e em casa. Sua mãe, Saori (Sakura Ando), decide discutir o assunto com os professores de sua escola. Logo fica claro que seu professor, Hori (Eita Nagayama), é a fonte de todos os problemas. Mas à medida que o mistério se desenrola, a verdade se revela mais complexa do que o esperado. Divulgação: Daniele Venturelli / GettyImages A nova produção também marca o retorno do diretor ao Japão. Seu último filme, Broker, que esteve na Competição de Cannes do ano passado foi inteiramente filmado na Coreia do Sul. O retorno às suas raízes também deu ao diretor a oportunidade de se juntar com lendário compositor Ryuichi Sakamoto que desenvolveu a trilha sonora do filme. O talento por trás das trilhas sonoras de Furyo: Em Nome da Honra (1983), Tabu (1999) e Hara-Kiri: Morte de um Samurai (2011) era um nome conhecido e recorrente do festival. Sakamoto faleceu em março desse ano e Monster foi seu último trabalho. Competindo com o ainda inédito Perfect Days, o veterano diretor Wim Wenders levou também para o festival o documentário Anselm, que fala sobre a vida do pintor e escultor alemão Anselm Kiefer. Wender é conhecido por transitar entre gêneros e linguagens com facilidade. O cineasta tem um belo histórico de participações (e vitórias) em Cannes. Venceu a Palma de Ouro em 1984 pelo filme Paris, Texas; ganhou o prêmio de Melhor Diretor em 1987 pelo filme Asas do Desejo; ganhou o Grande Prêmio do Júri em 1993 por Tão Longe, Tão Perto e venceu dois prêmios da Mostra Um Certo Olhar em 2014 pelo documentário Sal da Terra, sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado (pelo qual também recebeu uma indicação ao Oscar). O novo documentário foi descrito pelo site Filmland Empire como um “retrato do artista alemão Anselm Kiefer que explorou as feridas abertas da sociedade alemã. Parte documentário experimental, parte cinebiografia elíptica: austera, lírica, fascinante.” Divulgação Outro documentário que também estreou hoje no festival foi Occupied City, do diretor ganhador do Oscar Steve McQueen. O passado colide com o presente nesta escavação da ocupação nazista de Amsterdã: uma jornada da Segunda Guerra Mundial aos últimos anos de pandemia e protesto e uma reflexão provocativa e afirmativa sobre a memória, o tempo e o que está por vir. Matt Neglia do site Next Best Picture afirmou que o documentário é “uma visão extensa, sombria e perspicaz da Amsterdã moderna, enquanto reconta as atrocidades cometidas pelos nazistas na cidade durante a Segunda Guerra Mundial. Uma carta de amor e um aviso assustador do que pode acontecer de novo, mas muito longo”. Divulgação: Emmylou Mai - CHAZ Productions Le Retour (Homecoming), da diretora Catherine Corsini, foi mais uma estreia do dia entre os filmes da Competição. No roteiro, Khédidja trabalha para uma rica família parisiense que pediu para ela cuidar de seus filhos durante um verão na Córsega. Levando consigo suas duas filhas adolescentes, Jessica e Farah, essa é uma oportunidade para elas voltarem para a ilha que deixaram 15 anos antes, em circunstâncias trágicas. Enquanto sua mãe lida com suas memórias, as duas garotas se entregam a todas as tentações do verão: encontros inesperados, travessuras e experiências do primeiro amor. E durante esse tempo, surgem perguntas sobre o passado distante da mãe na ilha, levando-as a se aprofundar na versão de sua mãe sobre a história da família.
- Cobertura Festival de Cannes 2023 - Dia 3
O novo filme do icônico personagem Indiana Jones e primeira exibição do documentário chinês Youth (Spring) foram destaques do terceiro dia (18/05) Divulgação: Mike Coppola / Getty Images O terceiro dia do Festival de Cannes 2023 trouxe a primeira exibição do documentário Youth (Spring), do diretor chinês Wang Bing. É a primeira vez em quase 20 anos que um documentário concorre na Competição Oficial (o último documentário que disputou – e venceu – a Palma de Ouro foi Fahrenheit 11 de Setembro, de Michael Moore, em 2004). É também a primeira vez que o diretor concorre ao prêmio, 5 anos depois de ter exibido Dead Souls (2018) em sessão especial e quatro dias antes da apresentação de seu outro filme Man in Black, em sessão especial. Durante cinco anos, de 2014 a 2019, Wang Bing pegou sua câmera e filmou trabalhadores têxteis de perto e intimamente. Na verdade, ele usou três câmeras para acompanhar os vários protagonistas deste documentário. Youth (Spring) não se contenta em apenas mostrar uma vida de trabalho duro, o filme também abre espaço para maravilhosos momentos de solidariedade, amor e amizade. Divulgação: Joachim Tournebize / FDC Peter Bradshaw, do The Guardian, deu 4 estrelas para o filme e disse que "É possível ficar um pouco impressionado com a escala e o pormenor realista social do filme, que foi rodado durante um período de cinco anos, de 2014 a 2019, mas a esperança e o idealismo dos jovens trabalhadores são comoventes." Fora da competição aconteceu a estreia do aguardado Indiana Jones e a Relíquia do Destino. O quinto filme da icônica franquia de aventura contou com o retorno do seu astro, Harrison Ford, e foi dirigido por James Mangold. O ator foi inesperadamente homenageado com a Palma de Ouro Honorária. Entregue pela nova presidente do festival, Iris Knobloch, a distinção não havia sido anunciada anteriormente diferente da recebida por Michael Doulgas ontem. O filme não foi unanimidade pela crítica. Maurício Ribeiro do portal brasileiro Spoiler Movies disse: "Naturalmente, tal como se fazia, é um cinema que ficou no passado, então James Mangold se esforça para recriar um sentimento em tom de videogame. Esse quinto filme é um frenesi, um balé caótico de perseguições, tiroteios, tuk-tuks, aviões, galês romanas e trens ensandecidos, pausa para revisitar personagens queridos e novamente corre corre em CGI." Peter Bradshaw, do The Guardian, afirmou: "No entanto, o final é extremamente bobo e divertido, e esse Chamado do Destino é usado de maneira audaciosa, o que torna leve toda a questão de desafiar o envelhecimento e a atração gravitacional do tempo. Indiana Jones ainda tem uma certa classe da velha escola. Divulgação Na Mostra Um Certo Olhar aconteceu a primeira exibição da comédia romântica The Nature of Love, da diretora e roteirista canadense Monia Chokri. A sinopse diz: Sophia é professora de filosofia em Montreal e mora com Xavier há 10 anos. Sylvain é carpinteiro em Laurentians e precisa reformar sua casa de campo. Quando Sophia conhece Sylvain pela primeira vez, é amor à primeira vista. Os opostos se atraem, mas isso pode durar? Divulgação: Fred Gervais Wendy Ide do Screen Daily classificou o filme como "uma comédia romântica canadense divertida, afiada e sexy", e Catherine Bray, da Variety, disse: "um deleite sexy e engraçado, o terceiro longa de Chokri comunica algumas verdades caseiras sobre desejo e familiaridade, mas não às custas da comédia.” O bate-papo especial do dia foi com Pedro Alomodóvar, que estava acompanhando de Ethan Hawke e falou sobre seu curta-metragem Extraña Forma de Vida, que estreou ontem (17/05) no festival. Ao final do dia aconteceu a primeira exibição de Black Flies, do diretor Jean-Stéphane Sauvaire. O suspense disputa a Palma de Ouro e é estrelado por Sean Penn e Tye Sheridan. Leonardo Sanchez da Folha de São Paulo disse sobre o longa: "Há ótimas atuações de Penn e Sheridan, por exemplo, além de discussões sociais que vão do consumo de drogas ilegais ao negacionismo ou da desigualdade social à xenofobia. Também há uma parcela consideravel de nudez e de um sexo melancólico, que serve para o protagonista extravasar a angústia ou pôs os pensamentos em ordem." A Variety disse: "Cérebros espalhados, cachorros mortos, uma viciada dando à luz com uma agulha pendurada em seu braço - esses e uma ladainha de outros horrores confrontam Penn e Sheridan, que interpretam um paramédico veterano e um novato, respectivamente, no Corpo de Bombeiros de Nova York. Curiosamente, a exibição de gala no Grand Palais gostou da dose de realidade, dando ao filme uma ovação de pé de cinco minutos." Divulgação: Andreas Rentz / GettyImages
- Crítica | Perdida
Conto de fadas brasileiro exagera nos clichês em versão atualizada da obra literária Foto: Divulgação Com estreia oficial marcada para o dia 13 de julho, o longa brasileiro Perdida chega aos cinemas depois de uma longa espera pelos fãs da obra. O livro de Carina Rissi foi lançado em 2011 e teve os direitos da adaptação do primeiro volume adquiridos em 2013. Posteriormente, eles foram renegociados para a Filmland International, que desenvolveu o filme em parceria com a Star Original, do grupo Disney. Perdida é o primeiro de uma série de seis livros com mais de 700 mil cópias vendidas somente no Brasil e tem a proposta de ser um conto de fadas moderno, com inspirações em famosas obras como Bridgerton e Outlander. Na história, conhecemos Sofia Alonzo (interpretada por Giovanna Grigio), uma garota moderna e independente, que quando o assunto é amor, os únicos romances da sua vida são aqueles do universo literário de Jane Austen. Porém, após utilizar um celular emprestado, algo misterioso acontece e ela é transportada para um mundo diferente, que se assemelha ao século XIX. Sofia é acolhida pela família de Ian Clarke (Bruno Montaleone) e enquanto tenta desesperadamente encontrar uma forma de retornar a sua vida, ela se apaixona por Ian e vê sua vida mudar completamente. Foto: Divulgação Sob direção de Katherine Chediak Putnam (Inferno), Dean Law (O Ritual do Livro Vermelho) e Luiza Shelling Tubaldini (Divórcio), Perdida enfrenta bem a parte mística da história, criando uma boa justificativa para sua protagonista e também explicando a falta de veracidade histórica que a obra não cria com o Brasil da época. Afinal, bebendo muito do proposto por outros conteúdos do gênero, a produção traz diversidade para um período histórico sempre representado por uma branquitude desnecessária. A primeira parte do filme, da Sofia do presente, amarra bem a narrativa, mas, não é tão bem dirigida quanto na sua segunda parte. Fica muito claro que o filme é quase dividido nessas duas etapas, de passado e de presente, e que não conversam muito entre si (esteticamente falando). A chegada ao século XIX traz um frescor para a história, além de uma fotografia muito bonita e uma direção de atores muito mais apurada. Com ótimas participações como Hélio de la Peña e Luciana Paes, Perdida tem um ótimo mérito de possuir um elenco brasileiro muito eficiente, mesmo que o roteiro pareça um pouco travado pela formalidade do texto, é possível notar a qualidade dos atores. Giovanna é incrível, muito talentosa e cativante em cena, é impossível não gostar dessa versão da Sofia criada pela atriz. Já Bruno teve a difícil missão de interpretar um daqueles personagens adorados e extremamente idealizados para o público leitor do livro, e, acredito que eles devem ficar satisfeitos com a versão do Ian Clarke das telas. Também vale ressaltar a química dos dois em cena, sendo determinante em momentos-chave do filme. Mas, para quem vai esperando uma história inovadora, devo orientar que Perdida não deve ser a sua escolha. O longa é divertido, cumpre o seu papel e deve satisfazer os fãs do livro. Na história, caímos em vários clichês que se misturam em diversos filmes, séries e obras literárias do gênero que já cansamos de assistir e acompanhar. O diferencial de Perdida seria, por exemplo, trazer esses clichês para a realidade brasileira. Porém, o longa cai na pasteurização da história para atingir um público mais abrangente que o do nosso país. Não é um problema. Só peca na falta de originalidade. Nota: 3,5/5












