top of page

Resultados de busca

Buscar neste site

1417 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Cobertura Festival de Cannes 2023 - Dia 4

    Exibições de documentários brasileiros fizeram parte da programação do quarto dia (19/05) Divulgação: Antonin Thuillier / AFP O quarto dia do Festival de Cannes 2023 se iniciou com a segunda exibição de Indiana Jones e o Chamado do Destino, que estreou ontem (18). Além disso houve novas exibições do curta Extraña Forma de Vida de Pedro Almodóvar. O filme turco About Dry Grasses, do diretor Nuri Bilge Ceylan – que venceu a Palma de Ouro em 2014 pelo filme Sono de Inverno –, e que disputa a Competição Oficial esse ano foi classificada por Guy Lodge, da Variety, como um longa que “pinta as minúcias da misantropia em uma tela vasta e arrebatadora”. O jornalista Lee Marshal, do ScreenDaily, deixou o veredito do filme nas mãos do público, “o destino do filme dependerá de o público achar isso exasperante, intrigante ou mesmo brilhantemente pós-moderno.” Outro filme da Competição que foi teve sua primeira exibição hoje e arrancou elogios dos críticos foi o drama The Zone of Interest. O novo drama do diretor Jonathan Glazer foi descrito como um “retrato dramático profundamente arrepiante de uma família nazista vivendo ao lado de Auschwitz.” Enquanto David Rooney, do The Hollywood Reporter, citou que "[...] esses vislumbres de burocracia e infraestrutura padrão sendo aplicados sem um pingo de emoção ao extermínio genocida fazem seu sangue gelar." Aconteceu também a exibição do documentário Retratos Fantasmas, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho. Depois de Bacurau, vencedor do Prêmio do Júri em 2019, Kleber Mendonça Filho revisita sua cidade natal pelo prisma histórico dos cinemas que já frequentou. Baseado, em parte, em imagens de seu arquivo pessoal, o documentarista lembra aos espectadores que esses lugares idílicos, agora fechados, constituíram um importante marcador de tempo na evolução do tecido moral da sociedade brasileira. Divulgação Em entrevista o cineasta disse que começou a agrupar imagens há sete anos, “enquanto assistia a vídeos antigos que guardo em casa e no meu escritório, em fitas VHS, Betacam e Hi8 ou em MiniDV. Sempre pensei que um dia usaria esses arquivos e registros pessoais, que também contêm fotografias e gravações de áudio. Comecei a desenvolver algumas ideias e disse a mim mesmo que também poderia gravar novos vídeos com equipamentos mais modernos. Comecei a filmar com minha equipe em 2017 antes das filmagens de Bacurau. Iniciei Retratos Fantasmas como um projeto paralelo, com prazo próprio.” Foi exibido também na mostra Cannes Classic o documentário Nelson Pereira dos Santos – Vida de Cinema. Dirigido por Aída Marques e Ivelise Ferreira, viúva do cineasta que morreu em 2018, o filme vai ser lançado no Brasil apenas no segundo semestre. Produzido pela MP2 Produções, em parceria com a GloboNews, Globo Filmes e Canal Brasil, o filme concorre ao prêmio L'Œil d'or na categoria destinada a produções que falem sobre o setor. Ainda na Competição Oficial, aconteceu ao final do dia a primeira exibição de Four Daughters, da diretora tunisiana Kaouther Ben Hania que integrou o Júri do Cinef e dos Curtas-metragens em 2021. Em seu novo filme a diretora confunde as fronteiras entre o documentário e a ficção, entre o estar no telão e o fora do telão, entre a dor e a alegria. Wendy Ide, do Screen International, disse "Four Daughters destaca-se por si só como um trabalho distinto, ousado e original." Enquanto para Lovia Gyarkye, do Hollywood Reporter, "Raramente o filme de Ben Hania parece explorador ou manipulador. Na verdade, mais do que tudo, Four Daughters é radical em sua honestidade e coragem." Divulgação: Reuters Na Mostra Um Certo Olhar os destaques foram o marroquino Hounds, do diretor Kamal Lazraq, How to Have Sex, filme de estreia da cineasta britânica Molly Manning Walker e o australiano The New Boy, do diretor Warwick Thornton e que conta com Cate Blanchett no elenco.

  • Cobertura Festival de Cannes 2023 - Dia 3

    O novo filme do icônico personagem Indiana Jones e primeira exibição do documentário chinês Youth (Spring) foram destaques do terceiro dia (18/05) Divulgação: Mike Coppola / Getty Images O terceiro dia do Festival de Cannes 2023 trouxe a primeira exibição do documentário Youth (Spring), do diretor chinês Wang Bing. É a primeira vez em quase 20 anos que um documentário concorre na Competição Oficial (o último documentário que disputou – e venceu – a Palma de Ouro foi Fahrenheit 11 de Setembro, de Michael Moore, em 2004). É também a primeira vez que o diretor concorre ao prêmio, 5 anos depois de ter exibido Dead Souls (2018) em sessão especial e quatro dias antes da apresentação de seu outro filme Man in Black, em sessão especial. Durante cinco anos, de 2014 a 2019, Wang Bing pegou sua câmera e filmou trabalhadores têxteis de perto e intimamente. Na verdade, ele usou três câmeras para acompanhar os vários protagonistas deste documentário. Youth (Spring) não se contenta em apenas mostrar uma vida de trabalho duro, o filme também abre espaço para maravilhosos momentos de solidariedade, amor e amizade. Divulgação: Joachim Tournebize / FDC Peter Bradshaw, do The Guardian, deu 4 estrelas para o filme e disse que "É possível ficar um pouco impressionado com a escala e o pormenor realista social do filme, que foi rodado durante um período de cinco anos, de 2014 a 2019, mas a esperança e o idealismo dos jovens trabalhadores são comoventes." Fora da competição aconteceu a estreia do aguardado Indiana Jones e a Relíquia do Destino. O quinto filme da icônica franquia de aventura contou com o retorno do seu astro, Harrison Ford, e foi dirigido por James Mangold. O ator foi inesperadamente homenageado com a Palma de Ouro Honorária. Entregue pela nova presidente do festival, Iris Knobloch, a distinção não havia sido anunciada anteriormente diferente da recebida por Michael Doulgas ontem. O filme não foi unanimidade pela crítica. Maurício Ribeiro do portal brasileiro Spoiler Movies disse: "Naturalmente, tal como se fazia, é um cinema que ficou no passado, então James Mangold se esforça para recriar um sentimento em tom de videogame. Esse quinto filme é um frenesi, um balé caótico de perseguições, tiroteios, tuk-tuks, aviões, galês romanas e trens ensandecidos, pausa para revisitar personagens queridos e novamente corre corre em CGI." Peter Bradshaw, do The Guardian, afirmou: "No entanto, o final é extremamente bobo e divertido, e esse Chamado do Destino é usado de maneira audaciosa, o que torna leve toda a questão de desafiar o envelhecimento e a atração gravitacional do tempo. Indiana Jones ainda tem uma certa classe da velha escola. Divulgação Na Mostra Um Certo Olhar aconteceu a primeira exibição da comédia romântica The Nature of Love, da diretora e roteirista canadense Monia Chokri. A sinopse diz: Sophia é professora de filosofia em Montreal e mora com Xavier há 10 anos. Sylvain é carpinteiro em Laurentians e precisa reformar sua casa de campo. Quando Sophia conhece Sylvain pela primeira vez, é amor à primeira vista. Os opostos se atraem, mas isso pode durar? Divulgação: Fred Gervais Wendy Ide do Screen Daily classificou o filme como "uma comédia romântica canadense divertida, afiada e sexy", e Catherine Bray, da Variety, disse: "um deleite sexy e engraçado, o terceiro longa de Chokri comunica algumas verdades caseiras sobre desejo e familiaridade, mas não às custas da comédia.” O bate-papo especial do dia foi com Pedro Alomodóvar, que estava acompanhando de Ethan Hawke e falou sobre seu curta-metragem Extraña Forma de Vida, que estreou ontem (17/05) no festival. Ao final do dia aconteceu a primeira exibição de Black Flies, do diretor Jean-Stéphane Sauvaire. O suspense disputa a Palma de Ouro e é estrelado por Sean Penn e Tye Sheridan. Leonardo Sanchez da Folha de São Paulo disse sobre o longa: "Há ótimas atuações de Penn e Sheridan, por exemplo, além de discussões sociais que vão do consumo de drogas ilegais ao negacionismo ou da desigualdade social à xenofobia. Também há uma parcela consideravel de nudez e de um sexo melancólico, que serve para o protagonista extravasar a angústia ou pôs os pensamentos em ordem." A Variety disse: "Cérebros espalhados, cachorros mortos, uma viciada dando à luz com uma agulha pendurada em seu braço - esses e uma ladainha de outros horrores confrontam Penn e Sheridan, que interpretam um paramédico veterano e um novato, respectivamente, no Corpo de Bombeiros de Nova York. Curiosamente, a exibição de gala no Grand Palais gostou da dose de realidade, dando ao filme uma ovação de pé de cinco minutos." Divulgação: Andreas Rentz / GettyImages

  • Crítica | Missão: Impossível - Acerto de Contas Parte 1

    O inimigo agora é outro Foto: Divulgação Tom Cruise é um exibido. E a essa altura, depois de seis filmes da bem-sucedida franquia Missão: Impossível, já não há quem não esteja completamente ciente do que aquele homem, em total plenitude das faculdades mentais — e eu imagino sim que é difícil acreditar nesta última parte, já que voluntariamente o homem se lançou do topo de uma montanha abrindo o paraquedas tardiamente e chamou de a maior acrobacia da história do cinema — pode fazer diante de uma câmera. E ele fará, sem hesitação. É neste limite difuso da teimosia obstinada que se entrelaçam as personalidades do ator e do personagem, Ethan Hunt, já conhecido pela qualidade de herói contemporâneo: elegantemente altruísta, distraidamente sedutor e abnegadamente convicto. Quem não deseja um companheiro-de-absolutamente-qualquer-coisa assim? Nesta primeira parcela do sétimo filme da franquia, com ares de fechamento ou soft reboot, temos uma IMF restituída, um personagem de antiquíssima data que retorna à centralidade do enredo pela importância no lore cinematográfico da obra (Kittridge), os parceiros inseparáveis e cheios de carisma e ai de alguém que toque na vida deles (Benji e Luther), a figura da femme fatale (Ilsa Faust) que, diferentemente de 007 [não é um shade] não está aqui unicamente para servir aos desejos do personagem principal, e é sim, parte importante da trama, mesmo que receba um tratamento um tanto… traumático; há também o surgimento de outra figura feminina levemente maliciosa, safa, irônica, cobra-criada, ultrajante e que carrega consigo um frescor diferente, e claro, o vilão. Não há Missão: Impossível sem 1) a bendita missão que muito frequentemente não será feita por ninguém a não ser por este homem e sua equipe minguada, e 2) a figura vilanesca. E aqui o salto foi dado. Foto: Divulgação Na história do cinema e da literatura, e essas trajetórias se interseccionam repetidas vezes, muito se especula a respeito de inteligências artificiais e seus avanços diante de uma humanidade que avança a passos largos à sua própria extinção. É normal, também, que as obras tensionem a relação humanidade x IA partindo da ideia da subjugação: nós as criamos - elas nos sobrepõem - somos dominados. Há o bônus em que acabamos por fazer alguma espécie de trabalho braçal forçado, numa eterna vassalagem pós-contemporânea. Mas este não é mais o tempo de disputar força braçal. Este é o tempo dos deepfakes (que estabelece uma relação interessante com as máscaras vívidas de disfarce que são marca nos filmes da saga), da chamada era da pós-verdade onde nenhuma imagem ou vozes de políticos, ou até mesmo de cantores está à salvo da manipulação. A grande vilã, autodidata, senciente e incapturável chama-se A Entidade, e só pode ser controlada através da união de duas chaves perdidas num submarino (sim, você pensou, e eu pensei também) russo no fundo do oceano. Ao que vencer, e vencer quer dizer necessariamente conquistar a chave, será concedido o acesso ao código-fonte da IA, permitindo o total controle do deus composto de zeros e ums. Foi dada à largada à corrida internacional pela coleira da IA, e Gabriel (Esai Morales), figura que foi inserida no passado de Ethan Hunt para que tivéssemos a sensação de que ele sempre esteve lá, foi escolhido pela Entidade para ser seu cavaleiro pessoal do apocalipse. É neste cenário de urgência que as 2h 43min passam num susto, e a experiência IMAX acrescenta densidade à catarse, provocando cãibras nos dedos dos pés pela tensão e suor nas palmas das mãos, dentro deste ritmo fílmico que por si só funciona como um sacudir convulsivante para cardíacos, ansiosas, e que, honestamente, tiraria do eixo personalidades semelhantes às de monges tibetanos. Tom Cruise é realmente um exibido, e ele conseguiu. De novo. Nota: 4,5/5

  • Festival de Cinema de Gramado 2023 divulga os seus primeiros filmes selecionados

    A 51ª edição do evento conta com Mais Pesado é o Céu e Cangaço Novo entre os títulos escolhidos Foto: Divulgação Nesta terça-feira (4), foram anunciados os títulos escolhidos para o Festival de Cinema de Gramado, que acontecerá entre os dias 11 e 19 de agosto. Os títulos serão exibidos no tradicional Palácio dos Festivais, na cidade de Gramado, na serra gaúcha. Dentre os escolhidos pela curadoria do evento estão seis longas-metragens brasileiros, cinco longas-metragens documentais, cinco longas-metragens gaúchos e 23 curtas gaúchos. Ainda na próxima semana, serão anunciados os curtas-metragens brasileiros e também as homenageadas com os troféus Eduardo Abelin e Cidade de Gramado. O curador do festival, Marcos Santuario, falou sobre o processo seletivo do evento e como a estima pela pluralidade foi importante entre os filmes inscritos. “Essa é uma das seleções mais potentes dos últimos anos, e também uma das mais difíceis. Foram muitos filmes inscritos, e muitos filmes bons. Nossa busca foi por manter a qualidade, sempre com um olhar para produções criativas e que contemplem elementos inovadores. Observar a diversidade geográfica e narrativa, dando espaço para consagrados realizadores e novos talentos que surgem nas produções nacionais, também foram questões às quais nos atemos”, conta. Com grande apreço pela diversidade do audiovisual brasileiro, a lista de selecionados conta com produções do Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste do país. Vale enfatizar também a grande variedade de gêneros dos projetos escolhidos, englobando thriller, drama, ficção, biografia e documentário. Nesse sentido, a região Nordeste está sendo representada pelo longa-metragem cearense Mais Pesado é o Céu, do diretor Petrus Cariry. O filme conta a história de Teresa que, após acolher uma criança abandonada, conhece Antônio e os dois iniciam uma jornada pelas estradas. O passado em comum, para eles, são as memórias de uma cidade submersa no fundo de uma represa. Matheus Nachtergaele, Ana Luiza Rios, Sílvia Buarque, Danny Barbosa, Marcos Duarte e Buda Lira são alguns dos nomes que integram o elenco. Foto: Divulgação Vale destacar também que, pela primeira vez, o Festival de Gramado terá uma série entre suas atrações. Estamos falando de Cangaço Novo, original Amazon, de oito episódios, que estará disponível no Prime Video a partir do dia 18 de agosto. A obra conta a história de Ubaldo, interpretado por Allan Souza Lima. O personagem é um bancário infeliz da zona urbana de São Paulo sem nenhuma lembrança de sua infância. Ubaldo descobre, então, que tem uma herança e duas irmãs no sertão cearense, Dilvânia, que lidera um grupo que adora seu famoso pai falecido, e Dinorah, a única mulher em uma gangue de ladrões de banco. Confira a lista dos primeiros títulos anunciados para o Festival de Cinema de Gramado 2023: LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS Angela, de Hugo Prata (SP) Mais Pesado é o Céu, de Petrus Cariry (CE) Mussum, o Filmis, de Silvio Guindane (RJ) O Barulho da Noite, de Eva Pereira (TO) Tia Virgínia, de Fabio Meira (RJ) Uma Família Feliz, de José Eduardo Belmonte (PR) LONGAS-METRAGENS DOCUMENTAIS Anhangabaú, de Lufe Bollini (SP) Da Porta pra Fora, de Thiago Foresti (DF) Luis Fernando Verissimo: O Filme, de Luzimar Stricher (RS) Memórias da Chuva, de Wolney Oliveira (CE) Roberto Farias: Memórias de um Cineasta, de Marise Farias (RJ) LONGAS-METRAGENS GAÚCHOS Céu Aberto, de Elisa Pessoa (Dom Pedrito) Hamlet, de Zeca Brito (Porto Alegre) O Acidente, de Bruno Carboni (Porto Alegre) Sobreviventes do Pampa, de Rogério Rodrigues (Porto Alegre) Um Certo Cinema Gaúcho de Porto Alegre, de Boca Migotto (Porto Alegre) CURTAS-METRAGENS GAÚCHOS As Ondas, de Leandro Engelke e Richard Tavares (Porto Alegre) Aurora, de Bruna Ueno (Pelotas) Carcinização, de Denis Souza (Pelotas) Centenário da Minha Bisa, de Cristyelen Ambrozio (Alvorada) Colapso Terra em Chamas, de Lucas Tergolina e Matheus Melchionna (Porto Alegre) Combustão Espontânea, de João Werlang e Pedro Bournoukian (Pelotas) Concha de Água Doce, de Lau Azevedo e João Pires (Porto Alegre) Concorso Internazionale, de Bruno de Oliveira (Porto Alegre) Eu Tibano, de Diego Tafarel e Zé Corrêa (Santa Cruz do Sul) Fiar o Vento, de Mari Moraga (Porto Alegre) Fitoterapia, de Eduardo Piotroski (Porto Alegre) Flora, de Ana Moura (Porto Alegre) Glênio, de Luiz Alberto Cassol (Santa Maria) Livra-me, de Felipe da Fonseca Peroni (Santa Cruz do Sul) Messi, de Henrique Lahude e Camila Acosta (Encantado) Meu Nome é Leco, de Diana Mesquita e Marina Falkembach (Porto Alegre) Nau, de Renata de Lélis (Porto Alegre) O Tempo, de Ellen Correa (Porto Alegre) Os Féders Vão Dormir, de Eder Ramos (Esteio) Rasgão, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (Porto Alegre) Restaurante, de Leonardo da Rosa (Taquari) Sabão Líquido, de Fernanda Reis e Gabriel Faccini (Porto Alegre) Tremendo Trovão, de Rubens Fabricio Anzolin (Porto Alegre)

  • Crítica | The Witcher (3ª temporada, parte 1)

    Um começo morno para a despedida de Henry Cavill Foto: Divulgação A série baseada na saga literária do escritor Andrzej Sapkowski acaba de ganhar mais uma temporada na Netflix. O novo ano da produção marca a despedida de Henry Cavill no papel do bruxo Geralt de Rivia. Embora essa nova temporada tenha seus momentos empolgantes, também apresenta alguns pontos baixos, o que impede que a produção apresente todo o seu potencial. Uma das maiores conquistas da terceira temporada é a interação do trio de protagonistas, que é carismático e divertido de acompanhar, embora em alguns momentos tomem decisões que desconstroem as lições aprendidas nas temporadas passadas. O destaque maior, como nas duas outras temporadas, é Cavill no papel do bruxo, que continua a cativar o público com sua presença. Dessa vez, o personagem abraçou o lado paterno e mais humano, indo além de simples respostas. Sua jornada também é uma das mais interessantes de acompanhar, permitindo que os espectadores mergulhem em suas motivações e conheçam um pouco mais do passado do bruxo. Além do protagonista, outro personagem que parece ter evoluído é Yennefer (Anya Chalotra). Não só a atriz entrega uma melhor performance, como também o personagem começa a ser mais convincente. Já Ciri é um caso à parte no trio. Embora seja bastante divertido ver os três juntos como uma família, muitas decisões tomadas pelo personagem deram a impressão de que os acontecimentos das duas primeiras temporadas não ocorreram. Muitas vezes, Ciri volta a ser a princesa fugindo, como no início do primeiro ano da produção. Foto: Divulgação O ritmo da trama é equilibrado, com a produção finalmente acertando ao alternar entre a ação, intrigas políticas e o romance. Embora tenha despertado o incômodo de alguns fãs por se distanciar um pouco dos acontecimentos do livro, a série finalmente consegue expressar o tom melodramático presente na obra de Sapkowski. No entanto, a produção ainda falha em determinados momentos. Um exemplo disso é a terrível ameaça que Nilfgaard representa. Em certo momento, parece que os exércitos do imperador Emhyr estão prestes a afundar o mundo em uma guerra, mas nunca vemos essa ameaça se concretizar, pelo menos não nesses cinco episódios. Já por parte dos magos e dos reis, vemos uma busca infrutífera para capturar Ciri e seu poder ancestral, nunca ficando exatamente claro o que eles fariam com as habilidades únicas da garota. Diferente de Game of Thrones, onde as intrigas políticas tornam a série mais interessante, aqui vemos que a falta de clareza na exposição dos eventos torna esse recurso um pouco desinteressante. Porém, é nesse momento que o personagem Dijkstra (Graham McTavish) brilha. O espião da Redânia é um dos personagens mais perigosos do universo de The Witcher, lembrando muito Mindinho e Varys, com planos escusos e tendo chegado ao poder apenas com o uso de sua inteligência, pois, como o próprio afirma, tem uma origem humilde. Apesar do desenvolvimento emocional para os personagens e momentos de ação eletrizantes, é prejudicada essencialmente por algumas tramas desinteressantes que, se não fosse pela adição de certos personagens, seria totalmente desestimulante. No entanto, para os fãs leais da série e dos livros originais, essa temporada certamente irá proporcionar horas de entretenimento, mesmo com seus deslizes. a direção de arte consegue usar as paisagens naturais em conjunto com o CGI para tornar o mundo mais realista e proporcionar uma experiência visualmente gratificante para os fãs. Em resumo, a terceira temporada de The Witcher é uma montanha-russa de altos e baixos. Apesar do desenvolvimento emocional para os personagens e momentos de ação eletrizantes, é prejudicada essencialmente por algumas tramas desinteressantes que, se não fosse pela adição de certos personagens, seria totalmente desestimulante. No entanto, para os fãs leais da série e dos livros originais, essa temporada certamente irá proporcionar horas de entretenimento, mesmo com seus deslizes. Apesar do desenvolvimento emocional para os personagens e momentos de ação eletrizantes, é prejudicada essencialmente por algumas tramas desinteressantes que, se não fosse pela adição de certos personagens, seria totalmente desestimulante. Nota: 3/5

  • Crítica | De Volta Aos 15 (2ª temporada)

    Série mantém qualidade do primeiro ano e entrega uma nostalgia sentimentalista bem-feita dos anos 2000 Foto: Divulgação Pouco mais de um ano depois da estreia da sua primeira temporada, a série brasileira De Volta aos Quinze lançou a segunda leva de episódios nesta semana. Baseada em no livro da escritora Bruna Vieira, a série conta a história de Anita que aos 30 anos, é uma jovem infeliz com os rumos da sua própria vida. Quando encontra o primeiro blog que criou, aos 15 anos de idade, a jovem acaba voltando no tempo e tentando consertar a vida das pessoas que ama, Anita acaba alterando o futuro dos seus entes queridos. Assim como na primeira temporada, a série caiu na mão de roteiristas, produtores e diretores que se preocuparam em modernizar o conteúdo do livro e elevaram o nível de uma história adolescente que parece bobinha à primeira vista. Na trama, lidamos com conteúdos maduros e necessários para jovens de uma forma onde eles são tratados com inteligência. De Volta aos Quinze me lembra um pouco ‘Eu…Nunca’ nesse sentido, mas com menos piadas e mais idas e vindas no tempo. Seguindo do mesmo ponto onde a primeira temporada foi finalizada, vemos uma protagonista agora mais madura depois dos acontecimentos anteriores. Agora, Anitta não viaja no tempo sozinha e divide essa responsabilidade em alterar o futuro com o amigo (às vezes namorado) Joel. Essa dinâmica entre os dois ficou extremamente divertida e trouxe uma camada a mais à essa aventura vivida por eles. Por falar no romance, é incrível também como a trama amarra bem os seus protagonistas e pretendentes de Anita, assim como ela, é difícil escolher quem combina mais com ela. Foto: Divulgação Outra coisa positiva da série é o seu elenco. Tanto suas versões jovens, quanto as versões adultas são muito cativantes e se complementam bem. Elogiei na primeira temporada e volto a elogiar Maísa e Camila Queiroz que se transformam nessa protagonista de forma que conseguimos até notar semelhanças físicas entre elas. As duas, que por si só, já entregam uma boa performance, juntas abrilhantam De Volta aos Quinze. Mas elas não são as únicas. Klara Castanho, Amanda Azevedo e Nila também são ótimas, assim como todo o resto do elenco e se destacam em cenas pontuais durante a temporada. Destaco, em especial, um dos episódios mais bonitos que assisti recentemente. Na trama, a jovem sempre acabava perdendo seu pai e mesmo que tentasse modificar o futuro, esse evento era o que se repetia. Em uma linda despedida entre os dois, ao som de Titãs, De Volta aos Quinze proporciona um momento muito genuíno e bonito, com uma belíssima atuação de Maísa e Camila, mais uma vez. Com uma trilha sonora que trabalha muito bem essa sensação de nostalgia dos anos 2000, seis episódios passam rápido demais para uma produção tão legal e divertida de assistir. Como é bom ter séries nacionais como essa sendo produzidas. Leves, importantes, que funcionam para adolescentes e adultos na mesma medida e que nos encantam enquanto estamos assistindo. Espero não ter me despedido de Anita ainda. Nota: 4/5

  • Crítica | O Crime é Meu (Mon Crime)

    Nova comédia de François Ozon é a mistura perfeita entre o doce e o maquiavélico Foto: Divulgação Imagine que você esteve na casa de um famoso produtor e, horas depois da sua partida, esse mesmo homem é encontrado morto, com uma bala em seu crânio. Logo mais, a investigação pelo assassino começa e você é apontado como um dos suspeitos. A decisão mais lógica em uma situação como essa seria dar um depoimento para a polícia e esclarecer que a sua ida ao local do crime não teve qualquer ligação com o que aconteceu. Porém, com os motivos certos, talvez a decisão mais proveitosa seja simplesmente assumir a culpa pelo delito. Esse é o contexto em que o filme O Crime é Meu, dirigido pelo francês François Ozon, está inserido. A trama segue as duas amigas Madeleine Verdier (Nadia Tereszkiewicz) e Pauline Mauléon (Rebecca Marder), ambas sem dinheiro ou prosperidade em suas respectivas carreiras de atriz e advogada. Sendo assim, quando uma oportunidade de conquistar visibilidade e fama acaba caindo em suas mãos, Madeleine e Pauline precisarão de um crime para chamar de seu. Além de um roteiro esperto, divertido e caricato na medida certa, o longa nunca deixa o entusiasmo cessar. Conforme os minutos, o seu enredo vai ganhando forma e nos prendendo ainda mais na história de Madeleine e Pauline, intercalando o humor sarcástico com os vestígios do sexismo contemporâneo. Embora a história se passe nos anos 30, época em que as mulheres eram submetidas a modelos ainda mais transgressores de dominação masculina, sua narrativa consegue se manter atual e, acima de tudo, consciente de seus próprios excessos. Foto: Divulgação E por falar em excessos, uma marca palpável de ‘O Crime é Meu’ é a sua teatralidade, o que faz total sentido, já que o filme é baseado na peça homônima Mon Crime, de Louis Verneuil e Georges Berr. Por diversas vezes, o longa adota a postura de rebobinar acontecimentos passados, acompanhados de uma locução ao seu fundo, fazendo com que os próprios atores, enquanto personagens, estejam atuando também. É válido destacar que o charme e o encanto dessa comédia não se dá exclusivamente pelas personagens principais. Aqui, os coadjuvantes elevam o carisma da trama ao quadrado com as performances de alguns veteranos do cinema francês. Nomes como Fabrice Luchini, André Dussolier e a ilustre Isabelle Huppert, que simplesmente rouba a cena com a carismática Odette Chaumette, são peças fundamentais para garantir o que o espectador seja fisgado e conquistado. No mais, O Crime é Meu é uma comédia que está perfeitamente pronta para te divertir, ao passo que explora as grandes bizarrices do comportamento misógino e de uma sociedade obcecada pelo espetáculo. De fato, quando as mulheres são submetidas a circunstâncias discriminatórias, em um habitat em que os homens são obviamente menos inteligentes, a solução para um problema pode ser a mais excêntrica possível. Nota: 4,5/5

  • Crítica | Silo (1ª temporada)

    Drama distópico se ancora (eficazmente) no poder do mistério e da atuação de Rebecca Ferguson Foto: Divulgação Desde que Platão concebeu o Mito da Caverna, seus pressupostos têm sido (re)interpretados e aplicados nos mais diversos contextos e culturas. Pensando mais especificamente na cultura pop, podemos citar obras literárias como A Ilha e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e obras cinematográficas como O Show de Truman e Matrix – narrativas sobre personagens que questionam a realidade ao seu redor e percebem que ela não passa de uma “sombra” daquilo que é verdadeiro, precisando combater aqueles que desejam que essas sombras permaneçam como a única realidade possível e os que ainda não estão prontos para ver a luz. Silo, série do Apple TV+ baseada na saga literária homônima de Hugh Howey, vem para se juntar a esse filão. Criada por Graham Yost (showrunner de uma das minhas séries favoritas, Justified), ela acompanha o Silo homônimo, que parece o último refúgio da humanidade num futuro pós-apocalíptico. O lugar é marcado por uma estrita hierarquia e controle social, mas tal controle começa a falhar quando diversos personagens – em especial Juliette Nichols (Rebecca Ferguson), uma engenheira que trabalha nos níveis mais baixos do silo – começam a desconfiar de que o mundo lá fora não é como eles pensam. Apesar de Juliette ser claramente a protagonista da série, Silo toma uma decisão ousada de não mostrá-la até os minutos finais do primeiro episódio. É como se este fosse um grande prólogo para a temporada, enfocando em Holston Becker (David Oyelowo), xerife do silo, e sua esposa Allison (Rashida Jones), que trabalha no departamento de TI. Ao nos introduzir (e nos afeiçoar) primeiramente a esses personagens, a série nos introduz aos elementos básicos da vasta mitologia aqui adotada, mas também exibe uma imprevisibilidade que se estende firmemente ao longo da temporada, mas especialmente em seus primeiros episódios, conforme personagens caem e outros emergem e ninguém está a salvo. Foto: Divulgação Na verdade, Silo toma tantas direções no decorrer da temporada que é fácil se perder – especialmente porque, sendo uma primeira temporada, as perguntas são mais comuns que suas respostas. Se isso não acontece, é porque o elenco consegue nos causar um devido impacto mesmo quando aparece pouco. Jones, uma atriz que eu estava mais habituado a ver em papéis cômicos, traz uma faceta trágica no primeiro episódio que acaba se provando a catalisadora de todos os eventos subsequentes, enquanto Will Patton, como o xerife-assistente Will Marnes, e Geraldine James, como a prefeita Ruth Jahns, fornecem uma base humana à protagonista. Já Tim Robbins e Common, exercendo os papéis mais antagônicos, provêm uma dimensão substancial aos mistérios e intrigas que permeiam o Silo. Mas é Rebecca Ferguson, na condição de heroína relutante, quem toma a série para si a partir da sua primeira aparição. O termo “protagonista feminina forte” soa quase pejorativo de tão vazio que é, mas Ferguson imprime uma força física e emocional que garante que ela domine cada cena em que aparece, criando um arco crível para Juliette, que cresce mais e mais a cada episódio mesmo quando perde seus (poucos) aliados e se vê lutando contra o mundo. Essa construção dos personagens, mesmo dos secundários, dá um toque próprio a Silo. Sim, ela passa longe de ser inovadora: diversas outras obras distópicas/pós-apocalípticas seguiram premissas parecidas que remontam ao já referido Mito da Caverna. De fato, a construção do silo me lembra por demais a cidade de Zion nos filmes de Matrix, ainda que há de se elogiar o trabalho soberbo da direção de arte e da fotografia na construção e ambientação deste universo. Mas é ao investir no drama humano e dar espaço a esses personagens em sua narrativa (mesmo que às vezes à custa do ritmo) que a série se sobressai. A primeira temporada de Silo não oferece as respostas de todas as perguntas que levanta e nem sempre acerta no seu ritmo. Contudo, poucas séries recentes foram tão eficientes em apresentar mistérios que instiguem seu público, sem esquecer dos personagens que são afetados por esses mistérios. Com uma segunda temporada já confirmada (e precisamos dela, depois daquele final), a série tem tudo para ser um novo sucesso do Apple TV+. Goste você de um bom drama ou de um mistério, há de ambos em boa dose aqui para lhe proporcionar uma das experiências televisivas mais intrigantes do ano. Nota: 4/5

  • Crítica | A Small Light (minissérie)

    Uma das melhores produções do ano nos relembra as atrocidades do nazismo e o poder das palavras de uma jovem que mudou o mundo Foto: Divulgação É um fato que a história de Anne Frank é conhecida mundialmente. Do meu irmão à minha avó, todos sabem o que aconteceu com a jovem alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Mais do que apenas conhecer, Anne Frank virou um símbolo por ter escrito um dos documentos históricos mais significativos no período nazista. Seu legado persiste até hoje com seu livro sendo reimpresso quase todos anos com versões além do material original, filmes que adaptam o livro, longas que imaginam sua amiga imaginária, documentários, museus, peças de teatro, estátuas em praças públicas. Anne Frank é a representação das vítimas do nazismo que mais está presente na cultura popular até os dias de hoje. Mas não é só Anne Frank que tem sua história reproduzida. Filmes, séries e documentários sobre guerras, especialmente com a temática do holocausto, viraram um nicho específico de gênero em Hollywood. Filmes como O Pianista, Jojo Rabbit, A Lista de Schindler e Bastardos Inglórios fazem parte de um hall dedicado a colocar o holofote, seja reescrevendo uma história real ou reimaginando uma situação, um tempo tão nefasto da nossa sociedade. No universo das séries, um dos maiores destaques é Band of Brothers, minissérie da HBO. O que a maioria dessas obras possuem em comum, sem dúvidas, é o uso do shock value com cenas extremamente violentas que mostram ao telespectador os horrores da guerra em seu pior aspecto: com muito sangue, tiros, bombas explodindo e cenas com muitas pessoas mortas. É seguindo um rumo diferente dessas boas obras, que a minissérie A Small Light se destaca como um dos principais lançamentos do ano. Produzida pelo National Geographic e distribuída no Brasil pelo Disney+ e pelo Star, sua história foca em Miep Gies, mulher que era secretária de Otto Frank e que que desempenhou um papel importante quando escondeu Anne Frank e sua família durante a ocupação nazista em Amsterdã. Quando lemos o diário de Anne, temos alguns vislumbres de Miep pela ótica de uma jovem presa dentro de um anexo secreto, porém, durante os oito episódios da série entendemos quem é Miep e o quanto ela, seu marido e seus colegas se sacrificaram para manter diversos judeus a salvo em plena guerra. Aqui, não vemos a perspectiva de alguém que está presa em um esconderijo se escondendo e sendo perseguida por nazistas. Acompanhamos pessoas que não compactuavam com as atrocidades de Hitler e que arriscaram suas vidas porque era a coisa certa a fazer. Foto: Divulgação Mesclando um pouco do passado de Miep com a evolução dos efeitos da guerra em Amsterdã, temos uma produção impecável no sentido completo da palavra. Além da ambientação fenomenal, A Small Light traz uma fidelidade histórica impressionante nas mãos de um elenco extremamente competente. Liev Schreiber é uma das melhores interpretações de Otto Frank, assim como a carismática Billie Boullet como Anne Frank, que mesmo com um tempo mais reduzido de tela comparado a outras produções, entrega uma Anne com muita personalidade e muito parecida com a que conhecemos das páginas do seu diário. Destaque também para Bel Powley como Miep, que segura o protagonismo em uma série repleta de figuras já conhecidas pelo público. Assistir sobre o holocausto não é fácil e mesmo sem cenas explícitas de violência, A Small Light te sufoca ao conseguir passar a angústia dos personagens em tela em todos os episódios. Seja na busca por comida, por um encontro com um nazista, por uma tentativa de salvar um bebê indefeso ou de esconder alguém ilegalmente. Você sente tudo aquilo, crescendo cada vez mais o inevitável nó na garganta quando nos aproximamos dos seus episódios finais. Todos sabemos que o final dessa história não foi feliz. Mas A Small Light destaca o poder das palavras e de como a morte de Anne não foi em vão. Relembrar o nazismo e suas atrocidades serve para que a nossa mente nunca se esqueça do que aconteceu entre os anos de 1939 à 1945. Reverberar a história de Anne e dos judeus perseguidos por Hitler é a nossa obrigação. Para que isso não se repita, para que não volte a acontecer nunca mais. “Mas até uma simples secretária, dona de casa ou uma adolescente podem, nas suas pequenas formas, acender uma luz em um quarto tomado por escuridão” - Miep Gilles. Nota: 5/5

  • Crítica | Um Ano Inesquecível: Primavera

    Fechando a saga brasileira, longa é o mais juvenil, mas, entrega história simples e funcional Foto: Divulgação Finalizando a quadrilogia brasileira, o longa Um Ano Inesquecível: Primavera chegou no Prime Video na última semana. Lançados durante o mês de junho, cada filme possui de fundo uma estação do ano para reproduzir uma história voltada para o público juvenil. Dessa vez, a adaptação contemplou a história da escritora Bruna Vieira e utiliza-se das belas paisagens do interior de Minas Gerais para contar o seu enredo. Dirigido por Bruno Garotti, o filme retrata Jasmine, uma adolescente que está prestes a concluir o Ensino Médio, que é apaixonada por arte e desenho e tem grandes dificuldades com exatas, especialmente matemática. Precisando tirar um dez na sua última avaliação, Jasmine é colocada em aulas extras com Davi, estudante mais velho e pupilo do seu professor. Durante a convivência, Jasmine e Davi vão compartilhar suas diferentes visões e viver o desabrochar de um amor enquanto encontram seu lugar no mundo. Esse quarto longa, sem dúvidas, tem o roteiro mais simples e juvenil dentre os quatro filmes. Aqui a protagonista encontra-se dividida entre seu interesse pelas artes e a vontade dos pais de que ela se forme em administração, para cuidar do negócio da família e no meio disso precisa lidar com a necessidade de tirar uma nota dez em sua pior matéria na escola. O roteiro foca bem nessas angústias e nesse percalço da vida da jovem, sem se aprofundar muito em outros temas e em histórias paralelas aos dois principais. Foto: Divulgação É mérito de Um Ano Inesquecível: Primavera conseguir entregar uma história identificável para quem assiste com uma proposta coesa e funcional. Além disso, trazer esse filme, por mais clichê que seja, para o interior do país e utilizando-se bem dessa locação a favor da história também é um dos seus pontos altos. É familiar e reflete a pluralidade existente no nosso Brasil para as produções adolescentes do país (que geralmente concentram-se em Rio e São Paulo). O elenco de Primavera é o mais imaturo entre os filmes, mas nada que estrague a experiência de assisti-lo. Um dos problemas que mais incomoda, porém, é a artificialidade de alguns diálogos que não parecem convergir com os modos que os adolescentes se comunicam atualmente. Mas, mesmo assim, assistir ao longa causa uma boa nostalgia da juventude e da época do ensino médio, especialmente por meio de uma história que é brasileira. A saga Um Ano Inesquecível teve seus altos e baixos, mas se tornou uma produção, no geral, necessária quando enaltece nossa brasilidade e traz para cena talentos do nosso país para contar histórias sobre ser jovem e crescer nos tempos atuais. É a prova de que temos condições de produzir e consumir em nossos próprios termos, sentindo identificação pelos locais e tramas vividas pelos personagens. Nota: 3,5/5

  • Entrevista | Elenco e criador de ‘Swagger’ revelam os bastidores da nova temporada

    O Oxente, Pipoca? teve uma entrevista exclusiva com Reggie Rock Bythewood, criador da série, e com o elenco sobre a nova temporada Foto: Divulgação Estreou na última sexta-feira (23), a segunda temporada da tão aguardada Swagger, série vagamente inspirada na vida do jogador de basquete Kevin Durant, grande astro da NBA. Com salto temporal de onde a primeira encerrou, agora, os jovens que conhecemos, estão em seu último ano na escola e na busca de uma faculdade que apoie seus sonhos, sejam eles esportivos ou não. O Oxente, Pipoca? entrevistou com exclusividade o elenco e criador da série. Isaiah Hill, que interpreta Jace, falou um pouco sobre como foi sua preparação para as cenas dramáticas que foram feitas ao longo desta temporada: “Foi um pouco difícil, mas estas pessoas que trabalham comigo são realmente minha família na vida real. Eu também tenho uma treinadora de atuação que me ajudou muito e todos estavam dispostos a se apoiar. Toda vez que estava inseguro, eu poderia chegar a um deles e conversar, e isto me ajudou bastante a lidar”, explicou. Crystal, que é interpretada por Quvenzhané Wallis, tem um arco muito importante nesta temporada. Ela explicou que se conecta demais com a personagem e que são bastante parecidas: “Eu não sei colocar em palavras, vem muito facilmente para mim canalizá-la e trazê-la a vida em frente das câmeras. São mais de quatro anos e, nesta temporada, eu também cresci muito como atriz”, ela revela. Foto: Divulgação Nesta temporada, Swagger também traz muito da perspectiva dos pais e adultos que estão na trama. Personagens como Jenna, interpretada por Shinelle Azoroh, mãe de Jace, teve seu arco de importância: “Jenna agora está namorando, sua empresa está bem-sucedida, então foi bem tranquilo voltar para esta temporada e contracenar com Isaiah”. E por falar em adultos, Orlando Jones foi um dos nomes que entrou para o elenco regular nesta temporada. Em entrevista, ele explicou que foi uma honra receber o convite: “Como você mesmo falou, sou um fã da série. Mas a forma como os escritores da série criaram estes personagens foi muito bonita, então foi incrível trazer um personagem tão complexo como Dr. Emory Price”. Uma série como esta é mais do que necessária para a TV e streaming atualmente, por conta de toda a representatividade que o elenco carrega e, não só por estar com pessoas de cor, mas sim por dar vozes e narrativas complexas para eles. Reggie Rock Bythewood, criador do seriado, explicou o quão importante isto é para ele: “A série fala muito sobre o trabalho da minha vida e é muito importante ter a oportunidade de fazer isto. Além disso, me sinto honrado em poder explorar estes personagens e tem um elenco predominante de negros e poder mostrar isso”. Com uma temporada três vezes maior e melhor que a anterior, Swagger se reinventa com suas narrativas e entrega mais um ano incrível. Não é apenas uma série de esporte, é sobre nossas vidas. Os episódios estreiam todas as sextas-feiras, no Apple TV+.

  • Crítica | Nimona

    Uma menina que se transforma em outros seres? Não, ela é Nimona. Muito mais que isso Foto: Divulgação Anunciada em 2015 pelo Blue Sky, estúdio responsável por Rio e A Era do Gelo, mas que foi fechado em 2021 quando foi comprado pela Disney, Nimona foi um dos projetos que mesmo estando quase pronto foi esquecido e deixado de lado pelo estúdio do camundongo durante anos. Na época, a animação poderia ser a primeira do estúdio protagonizada por personagens LGBTQIA+, mas infelizmente o projeto não foi para a frente, para a surpresa - ou não - de muitos. E o motivo é que aparentemente os principais executivos não gostaram do que viram. Para a nossa felicidade, posteriormente foi resgatada e continuada pelo estúdio Annapurna Pictures, e recentemente lançada na Netflix. Tudo muda na noite em que Ballister Coração Bravo será nomeado cavaleiro do reino. Ele que seria o primeiro plebeu a assumir o cargo que sempre fora ocupado por nobres se vê no meio de uma tragédia sem precedentes e passa a ser culpado por tudo que aconteceu. Para permanecer vivo e ter chance de provar sua inocência a única alternativa encontrada por Ballister é se juntar a Nimona, uma jovem transmorfa desconhecida que deseja ser sua aliada. Assim que você der play saberá exatamente o motivo pelo qual a Disney abandonou o projeto. Diversidade étnica entre os personagens principais e figurantes, um casal gay como protagonista e Nimona como uma metáfora ao repúdio e ódio ao que é diferente. Isso e muito mais é o que está nas telas e no texto afiado repleto de críticas sociais da animação, além de um subtexto que vai muito além do que é mostrado e dito ali. Desde questionamentos sobre como os poderosos podem manipular e distorcer o pensamento de uma sociedade, a quem são os verdadeiros vilões e monstros pregado pelo sistema e pela sociedade. Foto: Divulgação A ambientação do longa é algo curioso e deveras criativo. Trata-se de um reino repleto de cavaleiros medievais, cheio de elementos futuristas e somado a diversos elementos de contos de fadas. Conta com personagens incrivelmente bem construídos, que fogem do genérico e daquilo que usualmente vemos nos filmes desse gênero. Carisma é o que não falta na dupla protagonista, mesmo sendo bastante diferente de Nimona, Ballister consegue entendê-la e aceitá-la na medida em que a história se desenvolve. O resultado disso é uma conexão que nos enche o coração. O preconceito e o repúdio ao diferente é o tema central do longa. Durante o decorrer da história fica evidente que a trama quer transmitir uma mensagem sobre aceitação, sobre se agarrar ao que você é, e sobre deixar sempre transparecer a verdade existente dentro de cada um. Nimona é rebelde, caótica e fala com todas as letras que o sistema não presta, que a instituição precisa acabar e que tudo deve ser questionado, e é por isso que dificilmente ela seria a protagonista de um filme da Disney. Por fim, só queria deixar meu apreço e agradecer por terem resgatado essa linda, divertida e importante animação que infelizmente teria sido engavetada pela Disney. A mensagem que fica é que vale a pena literalmente lutar pelo que se acredita e nunca abaixar a cabeça perante injustiças e preconceitos impostos por tudo e todos ao redor. Nota: 4,5/5

bottom of page