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1329 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Nosso Lar 2: Os Mensageiros

    Filme derrapa nas escolhas narrativas para passar sua mensagem Foto: Divulgação Nesta quinta-feira, 25, o longa brasileiro Nosso Lar 2: Os Mensageiros chega aos cinemas de todo o país. Sendo uma sequência direta do filme lançado em 2010, as histórias de ambos são baseadas nos escritos de Chico Xavier, ditados pelo espírito de André Luiz que contam justamente a história do mesmo após a sua morte. Nessa continuação, vemos André Luiz entrar para um grupo de espíritos liderado por Ancieto com a missão de ser um mensageiro. Os mensageiros partem para a Terra para acompanhar uma missão que possui um alto risco de fracassar e onde o seu principal propósito é ligar o mundo espiritual e a Terra com a expansão da doutrina espírita pelo planeta. Juntos, o grupo se dedica a cuidar de três pessoas que fazem parte dessa missão, sem saber que são os escolhidos para tal. Otávio, um jovem médium que se desvirtuou totalmente do seu caminho, Isidoro, um líder de casa espírita e Fernando, um empresário. Dirigido por Wagner de Assis, que comandou a produção de 2010 e outras do subgênero espírita, como Kardec e Chico para Sempre, Nosso Lar 2: Os Mensageiros tenta repetir o sucesso de catorze anos atrás quando alcançou a quinta posição na lista de maiores bilheterias nacionais do ano e levou mais de quatro milhões de telespectadores para os cinemas. Porém, é claro, o Brasil passou por mudanças significativas nesse período e viveu um declínio, não só da popularidade da doutrina, mas também das produções dentro dessa temática. Desde novelas globais até aos filmes que chegam aos cinemas, o espiritismo perdeu espaço e viu crescer a presença da representação evangélica nas telas. Foto: Divulgação Mas, dentro de um cenário promissor de produções audiovisuais brasileiras, o longa tenta retomar o público que outrora já foi conquistado pelo seu filme anterior e por produções de folhetins como A Viagem e Além do Tempo. E se o primeiro filme buscava explicar a vida após a morte, e como as escolhas de cada um podem levar ao umbral ou à evolução numa cidade espiritual. Nosso Lar 2: Os Mensageiros trata do livre arbítrio pelo bem coletivo, onde os mensageiros precisam resgatar três emissários que, encarnados e perdidos nas limitações terrenas, não conseguem finalizar a missão proposta. Assim como o primeiro filme, tecnicamente falando, o CGI não é o seu maior ponto forte, e, nessa sequência a finalização das cenas que utilizam efeitos especiais é visivelmente bem ruim. Não sei se a minha percepção ficou diferente ou se realmente os efeitos do primeiro filme eram melhores, mas, Nosso Lar 2: Os Mensageiros sofre bastante com uma visualidade bem precária em efeitos técnicos. Já pensando na parte do roteiro, o filme tem um texto um pouco menos rebuscado e menos robótico que o primeiro Nosso Lar, mas esta sequência tem um grande problema causada pela falta de linearidade na obra, deixando-o confuso em alguns momentos, atrapalhando o entendimento da mensagem do filme de uma forma geral. Outro ponto que pode ser crucial na aceitação do longa perante o público é que ele passa a impressão de ter sido produzido apenas para a bolha que consome ou que conhece a doutrina espírita. Muitos dos preceitos citados no filme não são explicados de forma clara, algo que para quem não é familiarizado com o espiritismo pode ser um fator definitivo na hora de absorver o que de fato a projeção pretende passar. Mas, de forma geral, Nosso Lar 2: Os Mensageiros possui um elenco muito competente que funciona bem em conjunto, deixando a obra mais rebuscada. Sua história não-linear, mesmo que não tão bem executada, também ajuda a prender o telespectador até o fim. Nosso Lar 2: Os Mensageiros não é tão bom quanto o seu predecessor ou melhor que alguns outros filmes brasileiros do gênero, mas, tem tudo para agradar aqueles já familiarizados com histórias baseadas no espiritismo. E é sempre bom ver longas brasileiros ocupando as telas. Nota: 2,5/5

  • Crítica | A Grande Ilusão (Minissérie)

    Lançada na primeira semana de 2024, a minissérie A Grande Ilusão está figurando entre os lançamentos

  • Crítica | A Small Light (minissérie)

    Uma das melhores produções do ano nos relembra as atrocidades do nazismo e o poder das palavras de uma jovem que mudou o mundo Foto: Divulgação É um fato que a história de Anne Frank é conhecida mundialmente. Do meu irmão à minha avó, todos sabem o que aconteceu com a jovem alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Mais do que apenas conhecer, Anne Frank virou um símbolo por ter escrito um dos documentos históricos mais significativos no período nazista. Seu legado persiste até hoje com seu livro sendo reimpresso quase todos anos com versões além do material original, filmes que adaptam o livro, longas que imaginam sua amiga imaginária, documentários, museus, peças de teatro, estátuas em praças públicas. Anne Frank é a representação das vítimas do nazismo que mais está presente na cultura popular até os dias de hoje. Mas não é só Anne Frank que tem sua história reproduzida. Filmes, séries e documentários sobre guerras, especialmente com a temática do holocausto, viraram um nicho específico de gênero em Hollywood. Filmes como O Pianista, Jojo Rabbit, A Lista de Schindler e Bastardos Inglórios fazem parte de um hall dedicado a colocar o holofote, seja reescrevendo uma história real ou reimaginando uma situação, um tempo tão nefasto da nossa sociedade. No universo das séries, um dos maiores destaques é Band of Brothers, minissérie da HBO. O que a maioria dessas obras possuem em comum, sem dúvidas, é o uso do shock value com cenas extremamente violentas que mostram ao telespectador os horrores da guerra em seu pior aspecto: com muito sangue, tiros, bombas explodindo e cenas com muitas pessoas mortas. É seguindo um rumo diferente dessas boas obras, que a minissérie A Small Light se destaca como um dos principais lançamentos do ano. Produzida pelo National Geographic e distribuída no Brasil pelo Disney+ e pelo Star, sua história foca em Miep Gies, mulher que era secretária de Otto Frank e que que desempenhou um papel importante quando escondeu Anne Frank e sua família durante a ocupação nazista em Amsterdã. Quando lemos o diário de Anne, temos alguns vislumbres de Miep pela ótica de uma jovem presa dentro de um anexo secreto, porém, durante os oito episódios da série entendemos quem é Miep e o quanto ela, seu marido e seus colegas se sacrificaram para manter diversos judeus a salvo em plena guerra. Aqui, não vemos a perspectiva de alguém que está presa em um esconderijo se escondendo e sendo perseguida por nazistas. Acompanhamos pessoas que não compactuavam com as atrocidades de Hitler e que arriscaram suas vidas porque era a coisa certa a fazer. Foto: Divulgação Mesclando um pouco do passado de Miep com a evolução dos efeitos da guerra em Amsterdã, temos uma produção impecável no sentido completo da palavra. Além da ambientação fenomenal, A Small Light traz uma fidelidade histórica impressionante nas mãos de um elenco extremamente competente. Liev Schreiber é uma das melhores interpretações de Otto Frank, assim como a carismática Billie Boullet como Anne Frank, que mesmo com um tempo mais reduzido de tela comparado a outras produções, entrega uma Anne com muita personalidade e muito parecida com a que conhecemos das páginas do seu diário. Destaque também para Bel Powley como Miep, que segura o protagonismo em uma série repleta de figuras já conhecidas pelo público. Assistir sobre o holocausto não é fácil e mesmo sem cenas explícitas de violência, A Small Light te sufoca ao conseguir passar a angústia dos personagens em tela em todos os episódios. Seja na busca por comida, por um encontro com um nazista, por uma tentativa de salvar um bebê indefeso ou de esconder alguém ilegalmente. Você sente tudo aquilo, crescendo cada vez mais o inevitável nó na garganta quando nos aproximamos dos seus episódios finais. Todos sabemos que o final dessa história não foi feliz. Mas A Small Light destaca o poder das palavras e de como a morte de Anne não foi em vão. Relembrar o nazismo e suas atrocidades serve para que a nossa mente nunca se esqueça do que aconteceu entre os anos de 1939 à 1945. Reverberar a história de Anne e dos judeus perseguidos por Hitler é a nossa obrigação. Para que isso não se repita, para que não volte a acontecer nunca mais. “Mas até uma simples secretária, dona de casa ou uma adolescente podem, nas suas pequenas formas, acender uma luz em um quarto tomado por escuridão” - Miep Gilles. Nota: 5/5

  • Crítica | A Diplomata (1ª temporada)

    Uma carta de amor a Keri Russell Foto: Divulgação Fico feliz em afirmar que temos mais uma série boa da Netflix. Primeiro O Agente Noturno, que não inova muito, mas entretém bastante. Depois Treta, que elevou ainda mais o nível e é uma das melhores do ano até então. Agora temos A Diplomata, que é um meio-termo entre essas duas. Na produção que estreou quinta-feira, dia 20, Keri Russell é Kate Wyler, uma diplomata americana que assume o cargo de embaixadora dos Estados Unidos no Reino Unido depois que um navio britânico sofre um ataque, colocando suas habilidades e seu casamento à prova. Criada por Debora Cahn, que foi uma das roteiristas de The West Wing, já percebemos algumas semelhanças de início com a criação de Aaron Sorkin, como pessoas andando rapidamente por corredores tratando de assuntos importantes enquanto despejam toneladas de informação no telespectador. Pode parecer que não, mas é proposital e não há com o que se preocupar, já que em algum momento outro personagem vai explicar de uma forma mais didática o que está acontecendo e nos familiarizar com a situação. Eu, por exemplo, não entendo todas as negociações empresariais de Succession ou os altos e baixos do mercado financeiro em Industry, mas consigo aproveitar muito bem as duas porque o que importa mesmo é como aquilo vai afetar os personagens, como eles vão agir em torno daquele fato. No caso aqui, a personagem é Kate. Interpretada com maestria por Keri Russell, eu não diria que Kate se diferencia de outras mulheres fortes da TV que rejeitam aspectos mais femininos como usar saias ou salto alto, coisas que ela detesta e agora se fazem mais necessárias pelo cargo que ocupa. Citando apenas como exemplo porque já vimos isso em outras produções, mas essas outras produções não tinham Keri Russell, que é o fator crucial aqui. O talento dela não é segredo pra ninguém desde Felicity e pudemos comprová-lo em The Americans. Como Elizabeth Jennings, Keri fez História na TV. Aqui ela tem um bom material, mas consegue elevá-lo com seu desempenho. O texto da série tem fortes tons cômicos e Keri passeia por eles com um sarcasmo único, com expressões faciais e vocais sutis que mostram a grande atriz que ela é. Em alguns casos, o humor entra até em uma cena mais sóbria ou dramática, e Russell tira de letra. O carisma natural dela faz com que simpatizemos com Kate desde o primeiro momento, assim como o modo que ela compõe a personagem em conjunto com os roteiristas, trazendo novas nuances em graus de maior complexidade. Foto: Divulgação Muito do desenvolvimento dela está intrínseco em seu relacionamento com o marido Hal, defendido muito bem por Rufus Sewell. Essa dinâmica disfuncional dos dois, no meu ponto de vista, é um dos pontos altos da série. Eles estão a ponto de um divórcio, mas por inúmeras razões não se deixam. Precisam um do outro na política, são parceiros. Há muita mágoa envolvida, egos feridos, porém é inegável que existe um certo tipo de amor ali. É por conta dessa incerteza com Hal, que Kate começa a se atrair por Dennison (David Gyasi), o Secretário de Relações Exteriores com quem trabalha diretamente. Desenhando esse triângulo amoroso, percebemos que o melodrama é uma das vertentes da série e isso não ofende a ninguém. Têm destaque também Stuart (Ato Essandoh), assessor de Kate, com quem vai formando uma amizade, Eidra (Ali Ahn), chefe da CIA em Londres, que tem um caso secreto com Stuart (eu já falei do melodrama, certo?), e Trowbridge (Rory Kinnear), o Primeiro Ministro britânico que, digamos, dificulta bastante o trabalho de Kate. Celia Imrie e Michael McKeann, de Better Things e Better Call Saul, respectivamente, são dois atores que admiro muito e têm participações pequenas, mas fundamentais: ela é uma conselheira política e ele o Presidente dos EUA. Este que vos fala estava com muita saudade de uma trama política e A Diplomata preencheu bem esse vazio. Gosto como se desenrola, porque parece mais uma vez que a Rússia será a grande vilã – impossível não se lembrar de The Americans – e não é bem assim que a banda toca. São oito episódios de pouco menos de uma hora cada. É direta na narrativa mostrada, sem encher lingüiça e sem tempo a perder. Equilibra bem as relações pessoais com o jogo político e toques de comédia, na maioria das vezes com delicadeza. Não é tudo que funciona, acho que alguns diálogos e cenas soam bobos e exagerados. Felizmente, são exceções e acontecem em poucos casos. Na maior parte, o texto é bastante afiado. Tem um ótimo ritmo e sempre que termina um episódio, a vontade é de engatar no próximo. Claramente foi estruturada como uma série e não minissérie. É notório não só pelo grande gancho deixado pelo fim da temporada, mas pelo real motivo de Kate ser escolhida como embaixadora. Há um plano e espero que haja uma nova temporada para que ele possa ser colocado em prática e que a qualidade se mantenha. Nota: 4/5

  • Crítica | Garota do Século 20

    que ‘Garota do Século 20’ faz um malabarismo interessante entre duas linhas temporais: a Na Bo-Ra de 2022

  • Crítica | Elite (6ª temporada)

    A temporada mais densa e menos histérica desde a primeira Divulgação: Netflix Os números não deixam negar que Elite é um dos maiores sucessos da Netflix desde seu lançamento. A série espanhola surgiu como um suspense adolescente em 2018 e de lá pra cá cresceu em audiência, elenco e alcance internacional. Mas à medida que novas temporadas iam surgindo foi ficando claro que, por vezes, os roteiristas e produtores não sabiam bem como administrar uma série com elenco fixo que se passa num colégio, afinal, por mais que demore, um dia todo mundo sai da escola. Foi então que os espectadores viram uma sólida primeira temporada aos poucos se desfazendo em trama rasas, personagens secundários desinteressantes e mudanças de elenco com motivações fracas nas temporadas seguintes. Eis que os criadores, Carlos Montero Castiñeira e Darío Madrona, assumiram a mesma ideia que a novela/série Malhação teve nos anos 90 de dar continuidade ao seu conteúdo tendo como plano de fundo o mesmo colégio, porém mudando o elenco e as tramas a cada novo ano. A quinta temporada foi claramente uma temporada de transição, onde os últimos nomes do elenco original deram espaço para os personagens secundários de temporadas anteriores assumirem o protagonismo. E aqui eu vou começar citando o que para mim foi a maior decepção com a sexta temporada, a falta de um fim simbólico para personagens que por anos seguiram carregando a série como Rebeka (Claudia Salas) e Cayetana (Georgina Amorós). O personagem Phillipe (Pol Granch) também deixou a série da temporada passada para essa, mas pelo menos teve um desfecho citado. Com o personagem Omar (Omar Ayuso) retornando na sétima temporada depois de também “sumir” na sexta, fica a expectativa de que em algum momento no futuro outros nomes também deem o ar da graça. Divulgação: Netflix Com as “vagas” de protagonistas em aberto, os personagens Isadora, interpretada pela argentina Valentina Zenere, e Iván, interpretado pelo brasileiro André Lamoglia, ganharam mais tempo em cena nesta temporada. Valentina já havia mostrado na quinta temporada o alcance do seu talento nas mais variadas situações que Isadora passou, porém André Lamoglia mostrou a que veio nessa temporada uma vez que seu personagem ganhou mais textura e mais profundidade, coisa que o ator soube entregar com sensibilidade e força projetadas em olhares sempre bem expressivos. Mas a bênção de Elite é também sua maldição mais uma vez. Antes mesmo da estreia da sexta temporada, a sétima já havia sido confirmada e dessa vez com uma gama nova de nomes que irão compor o elenco principal (inclusive o retorno de Omar como já citado). E isso preocupa uma vez que novos personagens da sexta temporada já não tiveram tanto espaço no texto dos oito episódios, como a carismática Rocío (Ana Bokesa) e o introspectivo Bilal (Adam Nourou). Os novos nomes que mais se projetaram na temporada foram o problemático casal de influencers Sara (Carmen Arrufat) e Raul (Alex Pastrana) e Nico (Ander Puig) que rouba a cena sempre que aparece. Então mais uma vez a série tem conteúdo demais para equilibrar em pouco tempo, e ainda assim parece que temos tramas que não saem do lugar. Ainda assim o roteiro traz temas socialmente relevantes como a homofobia no futebol, racismo, e transfobia abordados com clareza e precisão. Essa é a temporada mais densa, mais “sóbria” e menos festiva desde a primeira temporada. Existe um pessimismo no drama em todos os arcos que não permite uma leveza que se via aqui e acolá nas temporadas passadas. Isso não quer dizer que não tenha sexo, drogas, morte e todos os outros elementos hiperbólicos que configuram o estilo de Elite, porém houve uma preocupação maior com o que está sendo dito do que com o que está sendo mostrado por assim dizer. Se você chegou até a sexta temporada de Elite você já conhece a série, sabe do que ela se trata e como ela aborda suas problemáticas. Tem muitas consequências que às vezes tem poucas causas e vários furos no roteiro que a gente engole no calor do momento e isso tudo já virou marca. E se você chegou até a sexta temporada de Elite você também sabe exatamente o que esperar, então eu sinceramente não consigo compreender quem continue por aqui e espere que ela vire algo que não está no seu DNA. Mesmo tendo uma cena final digna da mais dramática das novelas mexicanas, esse foi um bom ano em Las Encinas onde ninguém se resolve por mais de dois dias, todo ano morre alguém e onde é proibido ter final feliz. Nota: 3/5

  • Crítica | Predador: Terras Selvagens

    As aventuras do Predador boa praça Imagem: Divulgação Em Predador: Terras Selvagens, um jovem predador banido de seu clã embarca em uma perigosa jornada em busca de um adversário final em um planeta remoto e futurista. Lá, ele encontra uma aliada improvável em Thia (Elle Fanning), uma sobrevivente andróide, e juntos enfrentam perigos em um cenário inóspito. Como toda boa franquia hollywoodiana que foi requentada por mais de 4 décadas, Predador já viu diferentes apresentações e abordagens ao longo dos anos. O que de início começou como um másculo filme de ação estruturado no complexo do homem branco salvador contra um alienígena assassino, hoje traz uma perspectiva diferente ao ser extraterrestre dotando ele de sentimentos e motivações que o farão cair na graça do público, no sentido mais compassivo da expressão. O filme abraça uma estrutura de ação que lembra fortemente jogos de videogame. Cada ambiente do planeta funciona como uma espécie de fase, cheia de obstáculos naturais e criaturas hostis que atrasam o avanço dos protagonistas. O enredo filmado se move de maneira quase interativa, com desafios que se sucedem em ritmo crescente, dando ao espectador a sensação de estar acompanhando uma longa e perigosa missão em um cenário virtual. Essa escolha estética e narrativa reforça o caráter lúdico da produção e mantém a tensão sempre presente. Imagem: Divulgação Elle Fanning entrega uma atuação bem competente em um papel duplo que exige muito mais do que a expressividade facial. A atriz consegue alternar sutis diferenças de postura e movimento, transmitindo humanidade e frieza em doses sistemáticas, além de muito carisma. Além disso, seu trabalho de corpo bem ensaiado e executado ficam bem perceptíveis numa personagem que passa mais da metade do filme existindo apenas como metade superior. É uma performance que sustenta boa parte da empatia que o público sente durante a jornada. Não é todo dia que se vê a atriz em produções comerciais desse tamanho, tipo de trabalho ela parece desempenhar com facilidade. Por vezes, no entanto, os efeitos visuais parecem apressados, especialmente em cenas de maior escala, nas quais a integração entre personagens e ambiente digital perde um pouco de naturalidade. Há momentos em que o filme se aproxima mais de uma animação hiper-realista do que de uma produção em live action. Ainda assim, a ação é empolgante, com sequências de combate e exploração que fisgam a atenção e que funcionam como catalisadores da narrativa. Como aventura, Predador: Terras Selvagens se sai muito bem, abraçando sem vergonha o espírito de camaradagem e a mensagem sobre “o poder da amizade”. É um longa que entende sua própria simplicidade quanto a estrutura do texto, e a transforma em ímpeto, seguindo até o fim com um entusiasmo, mesmo nem sempre conseguindo resultados tão positivos nos fechamento dos arcos menores. Nota: 3/5

  • Crítica | POV: Presença Oculta

    Um found footage promissor que se perde no próprio caos. Imagem: Divulgação Lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5), POV: Presença Oculta aposta em um conceito bastante promissor dentro do terror contemporâneo. Dirigido por Brandon Christensen, que também assina o roteiro ao lado do irmão Ryan Christensen, o longa tenta renovar a estética do found footage ao narrar toda a história a partir das câmeras corporais de dois policiais. A trama acompanha Bryce, interpretado por Sean Rogerson, que após um acidente fatal decide, junto com seu parceiro, apagar qualquer registro que possa comprometer suas carreiras. O que parecia ser apenas uma tentativa desesperada de encobrir um erro rapidamente se transforma em algo muito mais sinistro quando eles percebem que não estavam sozinhos naquela noite. Algo sobrenatural parece ter acompanhado cada movimento registrado pelas câmeras. O principal trunfo do filme é justamente sua premissa. A ideia de construir um terror a partir das bodycams policiais funciona como uma evolução natural do found footage. Diferente de muitos filmes do subgênero, aqui não existe a pergunta incômoda sobre por que alguém continuaria filmando durante uma situação de perigo. As câmeras estão ali por obrigação profissional e não podem simplesmente ser desligadas, o que dá uma justificativa diegética convincente para a gravação contínua. Nos primeiros minutos, porém, esse recurso acaba sendo mal explorado. A montagem abusa de cortes sucessivos entre as câmeras dos dois policiais, mesmo quando ambos estão no mesmo ambiente, o que cria certa confusão visual e quebra o potencial imersivo do dispositivo narrativo. Felizmente, à medida que a história avança, o filme encontra um ritmo melhor e passa a utilizar o ponto de vista das câmeras de forma mais eficaz. Outro ponto positivo está na escolha das locações. O longa aproveita espaços abandonados e deteriorados, que conferem uma atmosfera suja e opressiva à narrativa sobrenatural. Essa sensação de decadência ajuda a construir um ambiente plausível e aumenta a tensão em algumas sequências mais claustrofóbicas. Imagem: Divulgação O problema é que a execução não acompanha o potencial da ideia. O ritmo caótico garante que o filme raramente fique entediante, mas também revela a fragilidade do roteiro. Muitos acontecimentos surgem sem qualquer contextualização e praticamente nada recebe uma explicação clara. A falta de mitologia ou de qualquer construção narrativa mais sólida deixa a sensação de que estamos vendo apenas fragmentos de ideias, como se o filme fosse um primeiro rascunho ainda não totalmente desenvolvido. Mesmo com apenas 75 minutos de duração, o longa acaba parecendo mais longo do que realmente é. A narrativa se torna repetitiva em alguns momentos, especialmente no trecho central, que se perde em um caos desnecessário sem avançar significativamente na história. Além disso, a própria estrutura do filme dificulta a criação de vínculo com os protagonistas. Como tudo acontece em estado constante de crise, não existe espaço para momentos de respiro ou desenvolvimento emocional dos personagens. Em certos momentos, essa sensação de confinamento funciona bem e reforça o desespero da situação. Em outros, porém, faz com que o espectador se sinta preso a uma dinâmica narrativa que se repete sem grandes variações. POV: Presença Oculta é, portanto, um terror com uma premissa bastante interessante e até inovadora dentro do found footage, mas que sofre com problemas de execução. Para fãs do subgênero, a experiência ainda pode ser curiosa e envolvente em alguns trechos. No entanto, a falta de explicações e a dificuldade de criar conexão com os personagens impedem que o filme alcance todo o potencial que sua ideia inicial prometia. Nota: 2/5

  • Crítica | Lanternas (1ª temporada)

    Série equilibra (ou ao menos tenta equilibrar) mistério investigativo, desenvolvimento de personagens e mitologia cósmica. Divulgação É uma escolha deveras interessante a de pegar o Lanterna Verde, um dos heróis dos quadrinhos com a mitologia mais vasta (e maluca), e adaptá-lo numa pegada mais “pé no chão” como proposto nesta primeira temporada de Lanternas. À primeira vista pode se pensar numa escolha deliberada para distanciar a figura do herói da sua única tentativa de adaptação em live-action, o tenebroso filme de 2011. Mas a própria escolha da trinca de criadores – Chris Mundy (que trabalhou em True Detective e Ozark e assina como showrunner aqui), Damon Lindelof (Lost, The Leftovers e Watchmen) e Tom King (que escreveu HQs como The Vision, Batman e Supergirl: Woman of Tomorrow) – já é um indicativo das diferentes fontes das quais Lanternas bebe, as quais podem ser agrupadas em três: mistério investigativo, drama de estudo de personagem e sci-fi cósmico. Em essência, a série acompanha o consagrado Lanterna Verde Hal Jordan (Kyle Chandler) e seu aprendiz John Stewart (Aaron Pierre), que partem para investigar um massacre numa cidadezinha do interior do Nebraska. A relação entre os dois, porém, está longe de ser amistosa: primeiro Lanterna terráqueo e humano da história, Hal não está nada disposto a dividir espaço com John, tampouco lhe passar o bastão. O próprio John, treinado incansavelmente desde a infância para ser um Lanterna, tem suas próprias motivações nessa parceria com Hal. Mas à medida que o mistério que investigam progride e revela novas facetas – sobretudo na forma de ameaças extraterrestres –, ambos são forçados a tomarem decisões difíceis que reverberam através do tempo. Desde seu primeiro episódio, é perceptível que a dinâmica de Hal e John (e por extensão de seus intérpretes) é o coração da série e sua maior força. Parceiros policiais que não se bicam, mas que eventualmente desenvolvem algum tipo de respeito um pelo outro, estão longe de ser uma novidade no subgênero do buddy cop, mas aqui é uma decisão revigorante que também possibilita o desenvolvimento de ambos os personagens. Eles são aproximados pelas questões que envolvem suas masculinidades, mas também contrastados por elas – bem como pelo componente racial, como evidente no terceiro episódio. Onde Kyle Chandler brilha com esse tipo arrogante, debochado e insubmisso (mas com diversas fragilidades e nuances sendo reveladas aos poucos, sobretudo no ótimo penúltimo episódio), Aaron Pierre tem um papel mais difícil de entregar um personagem que está constantemente se controlando e policiando para não transparecer suas vulnerabilidades e se provar, mas eventualmente pode se abrir e encontrar seu próprio caminho. Apesar disso, diria que o maior destaque da série seja Kelly McDonald como a xerife Kerry, que entre apoiar os dois Lanternas e precisar se opor pelos vínculos com seus misteriosos sogros, Will (Garret Dillahunt) e Zoe (Poorna Jagannathan), revela-se a personagem mais interessante e rica da temporada. O mistério investigativo, se não exatamente revolucionário ou disruptivo, também ajuda a trazer um certo frescor dentro das narrativas de super-herói. Há inevitáveis semelhanças com True Detective e Watchmen, que certamente advêm dos envolvimentos de Mundy e Lindelof, sobretudo na dinâmica de detetives e o desdobramento do mistério em camadas, bem como a ambientação numa cidade do Meio-Oeste estadunidense, que ajuda a tornar o escopo mais acessível e a explorar mais do desenvolvimento dos personagens. Isso, porém, não vem sem um certo preço. Divulgação Mesmo em seus melhores momentos, é inegável a tensão que Lanternas enfrenta ao priorizar o aspecto mais “mundano” da sua narrativa com a vastidão da mitologia que está adaptando. Não que a série tivesse a obrigação de adaptar ao pé da letra os elementos cósmicos e espaciais que envolvem o universo dos Lanternas para ser boa, mas é perceptível como em diversos momentos a série apela para os recursos mais simples possíveis, como, por exemplo, os diversos diálogos expositivos que tentam transmitir um pouco da estranheza que permeia tal universo, relegando a momentos pontuais (como no quinto e sétimo episódios) soluções visuais que parecem mais em consonância com a mitologia do personagem. A superabundância destes diálogos ao longo da temporada é perceptível demais para ser ignorada, e ainda que funcionem para os momentos voltados à psique e desenvolvimento dos personagens, não deixam de se apresentar como uma estratégia um tanto preguiçosa e conveniente quando se trata da apresentação desta mitologia. É como se a série ainda estivesse presa àquela lógica que domina as adaptações de super-heróis nos últimos 20 anos, que precisam traduzir tudo para o “realista” de forma a ser palatável para o público médio, reagindo com um certo cinismo e até vergonha ao que é mais cartunesco (por exemplo, nas piadinhas com o fato de se ter esquilos ou até um planeta nas fileiras dos Lanternas). Essa decisão até faria sentido uns 10 anos atrás, mas em meio à saturação do gênero na atualidade são justamente obras como Superman, que inaugurou este novo universo da DC do qual a série faz parte, que apresentam possibilidades de se traduzir o material-fonte para o audiovisual sem renegar seu lado mais lúdico e fantástico. Pode até ser que isso se dê por questões orçamentárias – afinal de contas, uma série raramente dispõe do orçamento de um filme – mas, como apontei no primeiro parágrafo, parece uma forma de evitar que o público reaja da forma como reagiu ao filme de 2011 e sua overdose de CGI. Mas talvez essa questão pudesse até ser relevada não fosse a mudança de ritmo e tom que a série imprime entre seu quinto e sexto episódios. Sem dar maiores spoilers, basta dizer que no quinto episódio vemos um grande clímax para aquilo que vinha se desenrolando, e a partir do episódio seguinte temos uma outra linha narrativa que já havia prenunciada num foreshadowing ao final do primeiro episódio e que, embora em tese seja uma continuidade do que vimos na primeira metade da temporada, é basicamente um recomeço. A abertura dessa linha narrativa não é o que me incomoda – me fez pensar inclusive na saudosa primeira temporada de True Detective e como ela mostrou os mistérios por baixo da superfície após resolver seu “caso principal” também no quinto episódio –, mas a sensação é que três episódios se mostram bem pouco para dar conta de tudo que a série quer mostrar nessa segunda metade da temporada, e com isso vê-se resoluções convenientes, um ritmo atropelado e um uso mais esquemático e protocolar dos personagens. Mais uma vez, é nítido como a redução do tamanho das temporadas de séries na era dos streamings prejudica a estrutura delas; consigo visualizar perfeitamente uma temporada de 10 episódios conseguindo solucionar boa parte desses problemas. Apesar desses percalços, Lanternas oferece um renovo para um herói pelo qual sempre tive grande simpatia. Talvez ainda precise de mais coragem para abraçar certas estranhezas inerentes à sua mitologia, mas mesmo nessa abordagem mais realista (e com as limitações que a acompanham) consegue trazer os holofotes para os Lanternas e nos animar para seu futuro no audiovisual. Se for com mais cores e sem vergonha de um certo ridículo – e numa temporada com mais episódios e um maior orçamento –, melhor ainda. Nota: 3.5/5

  • Crítica | Shaolin do Sertão 2

    Li, interpretado por Edmilson Filho, precisa lidar com novos desafios enquanto sua trajetória como mestre primeiro filme e coloca os personagens diante de novos obstáculos, incluindo questões familiares e uma crítica Imagem: Divulgação O longa também apresenta uma crítica bastante evidente às apostas.

  • Crítica | Eu Não te Ouço (Festival do Rio 2025)

    A obra parte de um episódio real que sintetiza o surrealismo do pós-eleições de 2022: o caso do “patriota a passagem de transportes em uma rodovia bloqueada por manifestantes pós-resultado das eleições de 2022 ainda não tem previsão de lançamento em circuito comercial — uma perda considerável, aos olhos desta crítica

  • Crítica | Duna: Parte Dois

    Se a habitual esterilidade e frieza do diretor foram alvos de algumas críticas, certamente não impediram Aqui, Villeneuve intensifica ainda mais sua crítica, trabalhando habilmente a ambiguidade que cerca o especial a relação de Paul com Chani (Zendaya) – e até as aprofundando em certos pontos, o diretor nos mostra perigo de um messias fabricado que, mesmo que até chegue a lutar contra esse papel, inevitavelmente se mostra Com um final que pode parecer triunfante, mas possui grandes contornos de tragédia, o diretor mostra

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