Crítica | Shaolin do Sertão 2
- Gabriella Ferreira

- há 4 horas
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Sequência aposta em uma narrativa mais consistente sem abandonar o humor e a identidade nordestina do original.

Quase dez anos depois do primeiro filme, Shaolin do Sertão 2 chega aos cinemas nesta quinta-feira (13) mostrando que aprendeu com os erros de seu antecessor. O novo longa, dirigido por Halder Gomes, é uma produção cearense que reúne novamente boa parte do elenco do estado e aposta em uma aventura que mantém o humor característico da franquia, mas apresenta uma história mais organizada.
Na sequência, Aluízio Li, interpretado por Edmilson Filho, precisa lidar com novos desafios enquanto sua trajetória como mestre de artes marciais ganha novos contornos. Em meio a conflitos, treinamentos e situações absurdas, ele acaba assumindo também o papel de mentor de um jovem aprendiz, vivido por João Pedro Frota, que passa a integrar sua jornada. A história amplia o universo apresentado no primeiro filme e coloca os personagens diante de novos obstáculos, incluindo questões familiares e uma crítica ao universo das apostas.
O primeiro longa, em alguns momentos, parecia mais preocupado em contar piadas e provocar risadas no público do que propriamente em desenvolver uma história. O excesso de situações cômicas fazia com que a trama principal acabasse ficando em segundo plano e, por vezes, era fácil até esquecer para onde aquela narrativa estava caminhando.
Isso não acontece aqui. Shaolin do Sertão 2 parece entender bem o que funcionou no original e, principalmente, quais eram seus principais problemas. O resultado é uma continuação que consegue se reinventar sem abandonar a identidade construída pelo primeiro filme.
A sequência utiliza melhor os arcos da chamada jornada do herói dentro de sua própria trama. Há uma evolução mais clara dos personagens e uma preocupação maior em fazer com que os acontecimentos tenham consequência dentro da narrativa. O filme deixa de parecer apenas uma sucessão de esquetes e passa a funcionar melhor como uma aventura propriamente dita.
A direção de Halder Gomes também demonstra evolução. O longa é bem editado, possui uma boa trilha sonora e apresenta um ritmo mais equilibrado, evidenciando não apenas o amadurecimento em relação ao primeiro filme, mas também uma evolução do cinema do diretor como um todo.
Entre as boas adições ao elenco está o jovem João Pedro Frota, que interpreta o novo aprendiz do protagonista e estabelece uma dinâmica interessante com o personagem principal. Marcelo Serrado também se destaca e entrega uma atuação bastante eficiente, acrescentando novas camadas à narrativa.
Outro ponto interessante está no arco envolvendo a mãe do protagonista. A relação familiar ganha espaço dentro da trama e ajuda a ampliar sua dimensão emocional, evitando que o filme fique restrito às lutas e às situações cômicas.

O longa também apresenta uma crítica bastante evidente às apostas. Embora não aprofunde o tema como poderia, é interessante que uma produção com potencial para alcançar um público amplo utilize sua própria popularidade para abordar um problema social que já está extremamente perpetuado na sociedade brasileira. A discussão poderia ser mais desenvolvida, mas sua presença ainda funciona como um elemento relevante dentro da narrativa.
Por outro lado, o filme ainda pesa a mão em alguns momentos no timing das piadas. Nem todas funcionam e algumas situações se prolongam mais do que deveriam, prejudicando pontualmente o ritmo. É justamente quando a produção tenta reproduzir o humor do primeiro longa que algumas de suas limitações ficam mais evidentes.
Ainda assim, não há dúvida de que Shaolin do Sertão 2 é uma continuação muito superior ao seu antecessor. Quase uma década depois, Halder Gomes demonstra entender o que deu certo no primeiro filme e quais eram seus principais problemas. O resultado é uma obra mais madura, bem construída e que encontra um equilíbrio melhor entre comédia, aventura e emoção, sem perder a identidade cearense que ajudou a tornar o original tão popular.
Nota: 2.5/5



















