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  • Foto do escritorGabriella Ferreira

Crítica | Filho da Mãe

A prova de que Paulo Gustavo sempre será uma das maiores referências do humor brasileiro

Divulgação: Amazon Prime Video


No dia 4 de maio de 2021, o Brasil perdia uma de suas maiores estrelas após uma dura batalha contra as sequelas da Covid-19. O falecimento do ator e humorista Paulo Gustavo deixava um vazio dentro dos milhares de brasileiros que acompanhavam fielmente sua trajetória nos palcos e nas telas. Antes de sua partida precoce, Paulo havia assinado um contrato de exclusividade com a Prime Video, possuía diversos projetos em andamento e mirava expandir sua carreira por meio da plataforma de streaming. Agora, mais de um ano após o seu falecimento, o documentário “Filho da Mãe”, lançado na última quinta-feira, veio para celebrar sua história e firmar a grandeza dos seus 42 anos vividos como um dos maiores humoristas da história do Brasil.


Dirigido por Susana Garcia, amiga de longa data e parceira de projetos, o documentário reúne depoimentos de amigos, colegas de trabalho e familiares, acervo pessoal e um material exclusivo gravado durante a turnê da peça “O Filho da Mãe”, que rodou várias cidades do país em 2019. Nessa peça, Paulo divide o palco com sua mãe, Déa Lúcia, e homenageia a inspiração que deu origem ao seu personagem de maior sucesso: Dona Hermínia.


É por meio desses bastidores que o público se sente cada vez mais próximo de Paulo e entende perfeitamente como ele era uma pessoa fora do comum para o público e para todos que conviviam com ele. Sempre muito engraçado e enérgico, assistir a “Filho da Mãe” é como se reunir com o velho amigo e rir das melhores histórias que ele resolve dividir com a gente. Além disso, o documentário também aproveita para apresentar a trajetória de Paulo para aqueles que não conheciam como o jovem de Niterói se tornou um fenômeno nos quatro cantos do Brasil.

Divulgação: Amazon Prime Video


Foi com a peça teatral e a trilogia de filmes de “Minha Mãe é uma Peça” que o humorista gravou o seu nome no grande hall de personalidades brasileiras. Paulo foi responsável, por exemplo, de levar a temática LGBTQIA+ de uma maneira mais humanizada para as salas de cinema e para o cerne das famílias brasileiras. Seu humor era unanimidade e seu talento era inquestionável. No documentário, também conhecemos sua história de amor com o marido Thales Bretas e o nascimento dos seus dois filhos gêmeos, onde pudemos perceber que mesmo em momentos difíceis da vida, Paulo Gustavo buscava ressignificar as coisas mantendo sempre o bom humor quando lidava com seus próprios medos e preocupações.


Porém, é no seu ato final que nos damos conta de que a presença física de Paulo não está mais conosco. A montagem feita por Susana Garcia demonstra esse ponto de virada com a pandemia. As gravações de bastidores dão lugar a vídeos caseiros, posts de redes sociais e entrevistas falando sobre a situação da Covid-19 no Brasil e na vida de Paulo. Sem ter tido a oportunidade de tomar a vacina, ele foi uma das 600 mil vítimas do vírus e da irresponsabilidade governamental durante este período.


A homenagem à mãe se torna uma homenagem dos seus amigos e familiares a Paulo e, se torna também, uma homenagem de todo Brasil a uma figura que permanecerá viva dentro do imaginário popular e da cultura brasileira. A história de Paulo pode ter sido precocemente interrompida pela Covid-19, mas, ele fez sua passagem pela terra ser como uma verdadeira supernova explodindo no espaço, marcando para sempre a vida de todos que, de alguma forma, foram tocados pela sua genialidade.


Nota: 4,5/5

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