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  • Foto do escritorMatheus Gomes

Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 3

Atualizado: 11 de mai. de 2023

A despedida dos Guardiões e um abraço apertado para quem fica.

Foto: Divulgação


“Quem iria querer ver um filme sobre uma árvore falante e um guaxinim?”. A pergunta genuína de Amanda Seyfried sobre a ainda embrionária ideia do filme Guardiões da Galáxia (2014) parecia externar o que todos estavam se questionando na época. Adaptando uma das histórias menos conhecidas dos quadrinhos, o longa dirigido por James Gunn nos apresentou um grupo disfuncional com um espírito quase contrário ao que éramos acostumados a ver com os Vingadores: mercenários egoístas que, ao acaso, se unem para defender a galáxia. Daí, para a surpresa de muitos – inclusive de Seyfried – a aposta se mostrou certeira, dando origem a um dos segmentos mais populares da Marvel Studios atualmente.


Nove anos após o lançamento do primeiro filme, Guardiões da Galáxia Vol. 3 chega para fechar a trilogia de Gunn. Mais do que o fim da formação que conhecemos, o longa também marca a despedida do diretor no estúdio – da forma mais simbólica que poderia acontecer. Com um esforço louvável para sair da sombra deixada por Vingadores: Ultimato, o roteiro, que também fica por conta de Gunn, abraça a solidez de um filme único sem se escorar nas pretensões faraônicas de um universo compartilhado, algo que só tem atrapalhado as produções da Marvel nos últimos anos.


Com transições entre passado e presente muito bem executadas, a história tem Rocket (Bradley Cooper) como o fio condutor de toda a narrativa. Se antes o personagem era relegado a mero alívio cômico em quase todas as suas aparições, aqui a profundidade de sua história, bem como a do restante dos Guardiões, ganha novos contornos. A faceta emocional do volume 3 é gritante e nos apresenta algumas das cenas mais comoventes do estúdio até então, uma tentativa muito bem sucedida de dar aquela cara de despedida ao filme.


Nesse sentido, é notório que a (raríssima) liberdade criativa concedida ao diretor teve um grande impacto sobre a produção. Extravagância é o que não falta nesse Volume; indo de uma belíssima cena em plano sequência até o primeiro palavrão já dito em uma produção no estúdio, a marca do diretor estampa as telas e brinca na margem de sua classificação indicativa – afinal este é, com certeza, o filme mais sangrento da Marvel. Ainda, honrando inclusive o trocadilho com o nome do filme, as inserções musicais continuam no ponto certo, servindo como um belo adicional naquela dramaticidade que só um acústico de “Creep”, do Radiohead, pode dar.

Foto: Divulgação


No entanto, os excessos também trazem alguns problemas. Chega a ser desconfortável a facilidade com a qual subtramas são descartadas em favor de conveniências postas apenas para fazer a história principal andar. Aqui, quem mais sofre é o personagem de Will Poulter, Adam Warlock, que, apesar das grandes expectativas em torno de sua aparição desde a cena pós-créditos do Volume 2 (2017), teve apenas a função de dar início aos eventos do longa, sendo reduzido a mero personagem secundário em questão de minutos.


Ainda assim, quando falamos em quesitos técnicos, o longa entrega com louvor o que se propõe. Trazendo uma formidável direção de cena e efeitos visuais muito satisfatórios, a composição visual é com certeza um dos pontos altos da produção. Além disso, temos com uma bela variedade de nomes competentes no elenco, com merecido destaque ao Alto Revolucionário (Chukwudi Iwuji), vilão da trama, cuja sádica expressão traz uma densidade quase palpável e correspondente a muitos exemplos reais.


Aliás, é justamente na capacidade de ser palpável que o filme se supera. Isso porque, muito embora os outros volumes já tratassem da natureza peculiar dos laços familiares formados entre os personagens, aqui isso se torna muito mais evidente. É nas entrelinhas dos diálogos que as relações entre os membros do grupo vão correspondendo às próprias experiências do espectador. Não é um grupo perfeito, é verdade, mas talvez seja essa a grande sacada que tornou uma árvore falante e um guaxinim tão satisfatórios de acompanhar (tô errado, Amanda?)


Acima de seus problemas, não podemos descaracterizar o bom trabalho feito aqui. Com atuações eficientes e uma direção formidável, Guardiões Vol. 3 encarna a posição de um filme muito mais maduro que seus antecessores, trazendo uma história cativante e honesta, a qual dá um desfecho condizente com tudo que foi mostrado até aqui. Assim, apesar de ainda ser cedo para dizer que os dias de cão realmente acabaram, o que fica é um lembrete de como um bom filme da Marvel se parece.


Nota: 4,5/5


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