Crítica | Supergirl (2026)
- Ávila Oliveira

- há 2 horas
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Adaptação não vai muito além do mínimo que um filme de herói deve ser: bobo e divertido.

Kara Zor-El, a Supergirl, vive uma fase de desilusão e busca por propósito. Durante uma viagem pela galáxia ao lado de seu cão Krypto, ela conhece a jovem Ruthye, uma garota que teve sua família destruída por um criminoso implacável. Movida pela dor da nova companheira, Supergirl embarca em uma jornada interestelar de vingança e justiça, enfrentando perigos, dilemas morais e inimigos poderosos pelo caminho.
Supergirl adapta a celebrada HQ Mulher do Amanhã sem a mesma ambição que tornou o material original tão marcante. A escolha, no entanto, não é necessariamente um problema. Ao suavizar aspectos mais densos da trama e simplificar parte de sua construção dramática, o longa encontra um ritmo mais acessível e até mais fluido para o cinema. A jornada de Kara Zor El ao lado da jovem Ruthye preserva o cerne emocional da história, especialmente quando a narrativa revisita Krypton em um flashback que se integra de maneira eficiente ao enredo. O problema é que, ao longo do caminho, o roteiro acumula inconsistências difíceis de ignorar.
Boa parte dessas fragilidades aparece na forma como a protagonista evolui. Há momentos em que suas limitações e capacidades físicas mudam conforme a conveniência da cena, sem que a trama estabeleça adequadamente as razões para isso. A relação de causa e consequência se mostra frequentemente confusa, enfraquecendo o impacto de acontecimentos que deveriam moldar a personagem. Mesmo dentro de um universo assumidamente fantástico, certas soluções parecem pouco sustentáveis e revelam uma elaboração apressada de elementos fundamentais da narrativa.
Se o texto escorrega, Milly Alcock ajuda a manter o filme de pé. A atriz constrói uma Kara carismática, vulnerável quando necessário e determinada nos momentos decisivos. Sua interpretação oferece camadas suficientes para que a heroína tenha identidade própria, evitando que se torne apenas uma versão feminina de figuras já conhecidas do universo da DC. Jason Momoa também se destaca como Lobo, abraçando o exagero do personagem com entusiasmo contagiante. A sensação geral é de um elenco que compreendeu exatamente o tipo de diversão que a produção pretendia oferecer, e que, honestamente, todo filme do gênero deveria focar.

Visualmente, no entanto, a produção deixa uma impressão menos positiva. A fotografia adota uma paleta dessaturada que remete ao padrão visual popularizado por diversos dos filmes de herói do estúdio vizinho. O resultado é uma estética excessivamente uniforme, que reduz o impacto de cenários grandiosos e impede que momentos visualmente mais elaborados ganhem a força que mereciam. Em vez de potencializar a escala da aventura, a imagem frequentemente a torna mais comum do que deveria. E imprime até um certo desleixo quanto ao refinamento estético.
Ainda assim, Supergirl funciona dentro de suas próprias limitações. É um filme que compreende sua natureza de entretenimento leve e sabe que não precisa inserir uma alegoria política rasa e cheia de contradições para pagar de descolado, em vez disso, deixa toda a diegese por conta da fantasia pura e “simples". Da mesma forma que Superman havia encontrado um caminho próprio ao apresentar seu protagonista, esta nova adaptação consegue introduzir Kara de maneira inventiva e simpática.
Nota: 3/5



















