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  • Foto do escritorMatheus Gomes

Crítica | Hunters - A Caçada (2ª temporada)

Após um primeiro ano conturbado, a série encerra tropeçando em erros antigos

Divulgação: Amazon Studios


Desde que foi anunciada pelo Prime Video em 2019, a série ‘Hunters’ (A Caçada, no português) foi alvo de grande repercussão. Não só pela inusitada presença do lendário Al Pacino em uma obra em formato seriado, mas principalmente por sua temática forte, acompanhando um grupo de judeus dos anos 70 que se une com o objetivo de caçar os nazistas responsáveis pelos horrores do holocausto. Seguindo uma primeira temporada recheada de altos e baixos, a produção retorna ao catálogo do streaming para sua segunda e última leva de episódios, trazendo os caçadores em 1979 em uma última missão: caçar Adolf Hitler.


De início, percebe-se que a trama constrói um escopo muito mais sério do que foi feito em sua temporada de estreia. Se antes o ar satírico e jocoso tomava conta de grande parte das sequências, aqui é evidente o foco em manter a sobriedade das interações e discussões morais no decorrer dos episódios – uma tentativa forçada de “elevar a narrativa”. Na verdade, o que funcionou na temporada anterior é quase que abandonado nesse novo ano, motivo pelo qual permanece a sensação de que estamos vendo uma série diferente da que assistimos em 2020.


Os novos episódios mostram os caçadores três anos após os eventos do final da primeira temporada, que contou com a morte de Meyer. De cara, é notório que tal decisão, embora ousada, reverbera de maneira bastante controversa nesses novos episódios. Isso porque, ao matar o personagem de Al Pacino, o criador David Weil cria um vácuo muito grande em um dos maiores sustentáculos da série. E pior: como tentativa de contornar isso, recorre a flashbacks à la “O Poderoso Chefão: Parte II” (1974), alternando entre o presente da série e o ano de 1976, em que conta a história de origem do grupo e cava mais a fundo as motivações do personagem de Meyer.

Divulgação: Amazon Studios


Com um quê de desespero para não perder a magnitude da presença de Pacino, a série mergulha em uma sucessão de eventos nesses flashbacks que dificilmente agregam à mitologia do personagem. O ator está ótimo como Meyer, é verdade, mas é inegável que a tentativa de dar complexidade ao ex-nazista se perde em seu próprio fim, entregando um desenvolvimento contraditório e carente de substância.


Aliás, essa falta de substância parece ser um problema que afeta boa parte desse novo ano. Embora tenha evoluído no quesito linearidade, já que aqui temos um objetivo claro em mente desde o início, a condução da temporada se sustenta em momentos excessivamente expositivos e, em partes, desconexos do todo. Poucos são os momentos em que conseguimos, de fato, nos prender ao que está sendo mostrado sem sermos bombardeados com uma série de explicações e motivos. Encargo esse que não fica só na conta dos inúmeros monólogos que o personagem de Pacino tem, mas também pela necessidade de Weil de explicar cada detalhe que aparece na tela – por vezes, o suficiente é deixar à imaginação do espectador.


Apesar disso, a série tem seus momentos de glória. A inserção de Chava (Jennifer Jason Leigh) se mostrou muito bem-vinda para dar uma guinada na história. As atuações também continuam muito boas; além de Pacino, temos um ótimo trabalho de Carol Kane, Lena Olin, Udo Kier e Logan Lerman, na pele do incorrigível Jonah, que aqui surge muito mais maduro. Somado a isso, a direção de fotografia e trilha sonora, seguindo o ano anterior, continuam de alta qualidade e condizentes com o restante dos aspectos técnicos. As cenas de ação, que aqui se maximizam, também constituem uma ótima direção que proporciona sequências satisfatórias.

Divulgação: Amazon Studios


Porém, o problema com essa temporada ultrapassa a primazia de seus aspectos técnicos. Isso porque, propor-se a contar uma história que tem o holocausto e o nazismo como cerne narrativo exige nada menos do que uma exímia responsabilidade. Em 'Hunters', entretanto, isso não se materializa: após uma primeira temporada rodeada de polêmicas envolvendo a romantização dos eventos e fetichização da violência, a série eleva o risco ao trazer para as telas a representação mais simbólica de todos esses horrores.


Não só a tentativa de “explicar” as motivações de Meyer Offerman enquanto indivíduo que pensa apenas em seus próprios caprichos, mas principalmente o retrato do próprio Hitler pesam bastante na responsabilidade que a série deve ter com tais temas. O episódio final, muito embora tenha sido bem dirigido, traduz uma atmosfera dissociada de todo ideal pregado pela série desde o início; expor uma figura tão execrável ao grande público é realmente uma boa ideia?


Com um conceito interessante e grandes nomes na produção e elenco, 'Hunters' tinha tudo para despontar como um carro chefe do streaming da Amazon. Contudo, após algumas más escolhas e desvios no percurso, a série termina deixando uma grande interrogação em que assiste. Afinal, qual a história que 'Hunters' queria contar? Sei que parece reducionista demais resumir a série a esses erros; afinal, tiveram sim bons momentos, mas ainda parece pouco perto do potencial que ela possuía.


Nota: 2,5/5

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