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  • Foto do escritorÁvila Oliveira

Crítica | Meu Amigo Lutcha

Com execução tímida, a aventura fica apenas nas boas intenções

Foto: Divulgação


Alex é um garoto introvertido que por ser descendente de mexicanos sofre bullying na escola. A pedido do seu falecido pai, o garoto deixa Kansas City, onde mora nos EUA e viaja para um México para passar um tempo com sua família do lado paterno, com quem nunca teve contato. Lá conhece o seu avô e ex-campeão Lucha libre; Chava, o efusivo primo obcecado por luta livre, Memo, e a corajosa prima, Luna. Sua chegada ao novo país coincide com a chegada de um grupo de pesquisadores e cientistas que estão perto de encontrar a lendária criatura chupa-cabra, e o caminho do jovem Alex vai se cruzar com o do ser até então desconhecido.


O enredo de um garoto que descobre a existência de um “animal” nunca visto e faz de tudo para protegê-lo não é exatamente nova no cinema americano, assim como também não é nova a metáfora por trás do garoto ser um azarão e a da criatura ser um bicho misterioso e assustador que na verdade só é incompreendido. Então quando o espectador começa um filme nesse rumo ele já sabe precisamente o que esperar, e fica a cargo da execução fazer com a história se vista como algo novo ou como a mesma coisa de sempre.


No caso de Meu Amigo Lutcha o diferencial fica por conta do contexto social do protagonista. O fator underdog de sua latinidade – que ele recusa aceitar – será refletida quando ele encontrar o assustado chupa-cabra tido como um monstro até então (não sei se isso mereça ser considerado spoiler porque é uma fórmula usada há décadas no cinema infanto-juvenil).

Foto: Divulgação


E dá pra ver que o diretor Jonás Cuáron deixou muito de si e de sua vivência nesse contexto. Dá pra ver que tem muito sentimento nos detalhes do cenário mexicano. Não num nível antropológico e quase científico de Roma (2018) dirigido brilhantemente por seu pai Alfonso Cuarón, mas com uma nostalgia mais carregada de lirismo e graciosidade.


Mas infelizmente o diretor não explorou com afinco a fantasia e preferiu deixar o mais próximo possível do real, quando umas mentirinhas aventurescas infringindo várias leis da física e da biologia fariam muito bem para a desenvoltura do projeto. Faltou mesmo – no melhor sentido da palavra – apelar pro irreal, pro metafórico e pro metafísico, e com isso o filme deixa de gozar vários benefícios visuais e narrativos que o tornariam mais atraente e memorável.


Ao final a aventura consegue convencer apesar dos limitantes, mas não vai muito além do que se espera, e certamente se perde no meio de grandes outras produções semelhantes. De qualquer forma me arranca um risinho saber que o mundo inteiro agora terá a oportunidade de conhecer uma das lendas que mais nos define como latino-americanos.


Nota: 3/5

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