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  • Foto do escritorMaryana Leão

Crítica | Nimona

Uma menina que se transforma em outros seres? Não, ela é Nimona. Muito mais que isso

Foto: Divulgação


Anunciada em 2015 pelo Blue Sky, estúdio responsável por Rio e A Era do Gelo, mas que foi fechado em 2021 quando foi comprado pela Disney, Nimona foi um dos projetos que mesmo estando quase pronto foi esquecido e deixado de lado pelo estúdio do camundongo durante anos. Na época, a animação poderia ser a primeira do estúdio protagonizada por personagens LGBTQIA+, mas infelizmente o projeto não foi para a frente, para a surpresa - ou não - de muitos. E o motivo é que aparentemente os principais executivos não gostaram do que viram. Para a nossa felicidade, posteriormente foi resgatada e continuada pelo estúdio Annapurna Pictures, e recentemente lançada na Netflix.


Tudo muda na noite em que Ballister Coração Bravo será nomeado cavaleiro do reino. Ele que seria o primeiro plebeu a assumir o cargo que sempre fora ocupado por nobres se vê no meio de uma tragédia sem precedentes e passa a ser culpado por tudo que aconteceu. Para permanecer vivo e ter chance de provar sua inocência a única alternativa encontrada por Ballister é se juntar a Nimona, uma jovem transmorfa desconhecida que deseja ser sua aliada.


Assim que você der play saberá exatamente o motivo pelo qual a Disney abandonou o projeto. Diversidade étnica entre os personagens principais e figurantes, um casal gay como protagonista e Nimona como uma metáfora ao repúdio e ódio ao que é diferente. Isso e muito mais é o que está nas telas e no texto afiado repleto de críticas sociais da animação, além de um subtexto que vai muito além do que é mostrado e dito ali. Desde questionamentos sobre como os poderosos podem manipular e distorcer o pensamento de uma sociedade, a quem são os verdadeiros vilões e monstros pregado pelo sistema e pela sociedade.

Foto: Divulgação


A ambientação do longa é algo curioso e deveras criativo. Trata-se de um reino repleto de cavaleiros medievais, cheio de elementos futuristas e somado a diversos elementos de contos de fadas. Conta com personagens incrivelmente bem construídos, que fogem do genérico e daquilo que usualmente vemos nos filmes desse gênero. Carisma é o que não falta na dupla protagonista, mesmo sendo bastante diferente de Nimona, Ballister consegue entendê-la e aceitá-la na medida em que a história se desenvolve. O resultado disso é uma conexão que nos enche o coração.


O preconceito e o repúdio ao diferente é o tema central do longa. Durante o decorrer da história fica evidente que a trama quer transmitir uma mensagem sobre aceitação, sobre se agarrar ao que você é, e sobre deixar sempre transparecer a verdade existente dentro de cada um. Nimona é rebelde, caótica e fala com todas as letras que o sistema não presta, que a instituição precisa acabar e que tudo deve ser questionado, e é por isso que dificilmente ela seria a protagonista de um filme da Disney.


Por fim, só queria deixar meu apreço e agradecer por terem resgatado essa linda, divertida e importante animação que infelizmente teria sido engavetada pela Disney. A mensagem que fica é que vale a pena literalmente lutar pelo que se acredita e nunca abaixar a cabeça perante injustiças e preconceitos impostos por tudo e todos ao redor.


Nota: 4,5/5

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