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  • Foto do escritorGabriella Ferreira

Crítica | Rota 66: A Polícia Que Mata

Uma das minisséries mais necessárias do ano.

Divulgação: Globoplay


Genivaldo Santos. Kathlen Romeu. Ágatha Vitória Félix. Três pessoas cujas vidas foram interrompidas precocemente por conta da violência policial no Brasil. Além de serem moradores de áreas periféricas, os três também eram pretos e morreram entre 2019 e 2022. Genivaldo, Kathlen e Ágatha são apenas três dos milhares já assassinados covardemente pela polícia. São histórias como essas que a série do Globoplay, Rota 66, conta durante seus oito episódios.


“Rota 66” é baseada no livro reportagem de Caco Barcellos, jornalista da TV Globo, publicado originalmente em 1992. Em “Rota 66: A História da Polícia que Mata”, Caco investiga e denuncia a atuação irregular da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota) como um verdadeiro aparelho estatal de extermínio em São Paulo entre 1970 a 1990. Na Rota, policiais forjaram confrontos para justificar a morte de dezenas de milhares de cidadãos, em sua maioria pretos e pobres, apenas por puro sadismo, punitivismo e satisfação pessoal.


O trabalho de Caco é revolucionário e se tornou um dos maiores exemplos de jornalismo investigativo para qualquer aspirante da profissão. Na adaptação do streaming, Maria Camargo e Teodoro Poppovic ficaram responsáveis pela remodelação do conteúdo do livro, que também tem direção artística de Philippe Barcinski.


Adaptar “Rota 66” não era uma tarefa fácil, mas, a série do Globoplay aproveita tudo de mais impressionante da obra e não se preocupa em fazer uma adaptação literal. Caco, interpretado por Humberto Carrão, ganha mais nuances aqui e nós conhecemos o homem por trás do repórter e entende como a profissão era importante na vida dele, afetando até suas relações amorosas e familiares.


Ficcionalizando alguns dos crimes citados por Caco e dando vida aos números existentes no livro com personagens palpáveis, a adaptação também acerta mostrando o contexto vivido por milhares de brasileiros que moravam em locais considerados de “alta criminalidade”. “Rota” aproveita o embalo e faz uma breve, mas extremamente pontual, crítica aos programas policiais sensacionalistas que perduram na televisão brasileira até hoje e endossam o discurso de que “bandido bom é bandido morto”.


Divulgação: Globoplay


Tecnicamente “Rota 66” também é incrível e não abusa de muitas cenas gráficas para demonstrar a violência, nós conseguimos enxergá-la por meio dos detalhes e especialmente pela dor no olhar dos familiares e da indignação do jornalista. Vale destacar a atuação fenomenal de Humberto Carrão e de Ailton Graça, mas, todo elenco está em perfeita sintonia.


É preciso fôlego para chegar até o final de “Rota 66”, que inclusive vai além do contado no livro e mostra outras situações que tiveram o envolvimento dos policiais da Rota (como o massacre de Carandiru) e da reação da corporação ao lançamento do livro. Porém, esta é uma série extremamente necessária para a sociedade brasileira, pois, mais de 30 anos depois, a polícia continua matando de forma indiscriminada, sem punições e os alvos quase sempre são os mesmos.


Espero muito que “Rota 66” venha a ser exibida em TV aberta para que mais brasileiros conheçam mais profundamente a figura excepcional de Caco Barcellos e, principalmente, para que entendam o quanto é necessário que toda a instituição da polícia seja repensada pelos governantes e que essa matança precisa terminar. Não podemos admitir que mais Genivaldos, Ághatas e Kathlens percam a vida precocemente nas mãos de uma polícia covarde, preconceituosa e violenta.


Nota: 5/5

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