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Crítica | A Noiva! (2026)

  • Foto do escritor: Ávila Oliveira
    Ávila Oliveira
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Feminismo, grunge e ficção científica se unem em filme policial banhado de contracultura

Imagem: Divulgação
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Um Frankenstein (Christian Bale) solitário viaja para Chicago na década de 1930 para pedir ao cientista inovador Dr. Euphronious (Annette Bening) que crie uma companheira para ele. Os dois ressuscitam uma jovem assassinada e assim nasce A Noiva (Jessie Buckley). Mas o que se segue está além de tudo o que eles poderiam imaginar.


A década de 2010 viu uma remessa gigantesca de filmes hollywoodianos genéricos (boa parte deles adaptando romances também genéricos) em que as famosas criaturas da cultura pop se tornavam ideais de pares românticos para jovens românticos de gostos questionáveis. Vampiros, zumbis, bruxos, lobisomens… todos eles passaram pela safra piegas de desconstrução do monstro para a construção do mocinho-galã. A década de 2020 está vendo Hollywood requentar esses personagens, mas desta vez tentando dar mais camadas e subtextos às histórias originais, ou pelo menos deixá-los mais à vista de um público cada vez mais acostumado aos hiperestímulos visuais e cada vez menos à leitura.


Engatando o comentado Frankenstein (2025) de Guillermo del Toro, A Noiva! traz uma releitura da história A Noiva de Frankenstein (1935) dando ênfase à noiva em questão e inserindo vertentes que criam uma conexão física e alegórica à autora Mary Shelley. Este é o primeiro trunfo do filme, a personagem central é uma referência direta à criadora do romance Frankenstein; ou, O Prometeu Moderno e do gênero ficção científica. Elas compartilham a mesma mente, os mesmos ideais, os mesmos inconformismos e os mesmos anseios. A protagonista não é apenas uma figura ressuscitada para servir de acompanhante ao Adão recauchutado, ela ganha motivos, causas, ações próprias e desdobramentos que fazem todos os outros personagens orbitarem ao seu redor.

Imagem: Divulgação
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Inserido no contexto de um EUA dos anos 30 onde as ruas e boa parte dos negócios eram geridos pela máfia, o roteiro ganha um espaço ideal para lidar com contraversões políticas e sociais. A voz da mulher enquanto destaque eloquente desse meio reverbera não apenas na Noiva e em Mary Shelley, mas também na Dr. Euphronious, na detetive Myrna Mallow (Penélope Cruz), e até mesmo na assistente Greta (Jeannie Berlin), mulheres que estão atentas e participativas ao que está acontecendo em seus entornos. 


É um filme bem musicado e espirituoso que não evita piadas, trocadilhos e rimas para ilustrar a efervescência do seu texto. A personalidade distinta está impressa também na estética que mistura retrofuturismo, grunge e a elegância da Hollywood clássica e consegue fazer com que estes estilos essencialmente divergentes entre si dialoguem em harmonia.


Estamos em março de 2026, não há mais lacuna para duvidar da força que Jessie Buckley tem em cena. Aqui ela esquece qualquer pudor e dá vida a uma (ou umas) personagem acima de tudo livre, que não consegue ser contida, que não cabe em linhas, em palavras, ou estruturas, e ainda assim, ela se molda às rédeas da atriz num trabalho divertido, rico e potente. Christian Bale usa toda sua estranheza à seu favor e consegue responder à altura da atriz.


Não existe tanta sutileza aqui, tampouco é necessário. É um longa que chama atenção pelas suas escolhas narrativas especialmente no primeiro ato onde os personagens estão sendo apresentados, mas que não implora para ser interpretado usando de falsa modéstia ou de um arrogância intelectual passivo-agressiva. Cheio de referências atuais e colocando o dedo em feridas contemporâneas, A Noiva! é um filme que se posiciona e que não esconde suas mensagens em metáforas vagas, ele é preciso e imponente com o que tem a dizer.


Nota: 4/5


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