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Entrevista | Scott Schultz, Christian Jacobs e Kamryn Smith sobre nova temporada de “Yo Gabba Gabbalândia!”: “É sobre a essência de estarmos juntos”

  • Foto do escritor: Oxente Pipoca
    Oxente Pipoca
  • há 2 dias
  • 9 min de leitura

Os produtores executivos e a apresentadora da série do Apple TV falam sobre memória, criação e os desafios da segunda temporada


Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

No Brasil, a televisão aberta foi, durante décadas, uma verdadeira porta de entrada para o universo dos desenhos animados e dos programas infantis. Para quem cresceu nos anos 1990 ou 2000, é quase inevitável associar a infância à experiência de organizar a rotina em função dos horários das animações seriadas.


Mesmo para quem tinha TV a cabo em casa, o cenário não era tão distinto assim. Embora a programação dos canais infantis fosse menos restrita em termos de horário e marcada por constantes reprises, o gesto de escolher, esperar e acompanhar episódios específicos seguia fazendo parte do dia a dia da criançada.


Quem tinha entre três e cinco anos em 2007 ou 2008 provavelmente reconhece o universo de “Yo Gabba Gabba!”. Criada e escrita por Scott Schultz e Christian Jacobs, a série acompanhava cinco amigos-monstrinhos em fantasias coloridas, reunindo música, humor e uma pedagogia lúdica.


Após a quarta e última temporada, exibida em 2011, o projeto ganhou, treze anos depois, uma nova reimaginação: “Yo Gabba Gabbalândia!” (Yo Gabba Gabbaland!), já disponível no Apple TV.


Agora, com a chegada da nova apresentadora Kammy Kam (Kamryn Smith), histórias inéditas, novas canções e uma lista renovada de convidados especiais, a produção alcança sua segunda temporada, que estreia em 30 de janeiro de 2026.


O Oxente Pipoca conversou com os criadores Schultz e Jacobs sobre o processo criativo por trás da série, os desafios de pensar a atenção infantil em um cenário marcado pela multiplicação de telas e pelo consumo acelerado de conteúdo, e as expectativas em torno da nova fase do programa.


Além disso, ouvimos também a atriz e dançarina Kamryn Smith, que fala sobre o processo de dar vida à personagem Kammy Kam e sobre como uma obra pensada para crianças pode, ao mesmo tempo, dialogar com públicos de diferentes gerações.


Confira a entrevista completa abaixo:


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Oi, gente. Tudo bem? Obrigada por me receberem hoje. Parabéns pela segunda temporada da série!


Christian Jacobs: Oi, Ana. Tudo bem? Seu nome se pronuncia “Âna” ou “Êna”?

Ana Beatriz Andrade: Como sou do Brasil, a pronúncia é “Âna”. Mas do outro jeito também está ótimo.

Christian Jacobs: Ah, ok! Somos grandes fãs do Brasil aqui em casa.

Scott Schultz: É algo parecido com “Gabba”, há duas formas de pronunciar dependendo de onde você mora [risos].


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): É verdade! Para começar, quando vocês olham para o início de “Yo Gabba Gabba!” e agora para a segunda temporada de “Yo Gabba Gabbalândia!”, o que mudou no processo criativo ao longo desse tempo?


Scott Schultz: Primeiramente… quando começamos “Yo Gabba Gabba!”, nós éramos pais muito jovens. Não sabíamos exatamente o que queríamos; apenas que buscávamos algo mais próprio para nós e para nossos filhos. Não pensamos em dinheiro ou em criar uma série com vários episódios. Queríamos apenas apresentar algo novo para as nossas crianças.

E agora veio a idade, eu já tenho cabelos grisalhos… Foi um momento de perceber o impacto da série na vida das crianças. Aquelas crianças que assistiram ao primeiro programa cresceram, hoje são adultas. Ver a trajetória delas, poder fazer parte de algo tão importante em seus anos de formação, é algo sagrado. Abordamos isso com muita reverência. E fazemos o possível para viver nossas vidas e criar o programa fora das câmeras da mesma forma que queremos vê-lo diante delas e compartilhá-lo com nossos filhos.

Christian Jacobs: Sim, e desta vez, como o entretenimento está sempre nas mãos das crianças e elas são constantemente bombardeadas por conteúdo, publicidade e estímulos, queríamos criar algo que dialogasse com esse novo mundo. Usamos tecnologia de tela volumétrica e uma paisagem mais em 3D para tornar o universo do programa maior e mais amplo, dando às crianças uma perspectiva mais abrangente e estimulando ainda mais a imaginação.

Assim, elas olham para o horizonte e veem uma montanha, um lago ao fundo, uma floresta… e pensam: “Nossa, isso é um lugar real”. Elas veem a apresentadora em um pequeno mundo em miniatura que se estende até o horizonte. A ideia era expandir a imaginação das crianças para que percebessem que existe mais do que ficar sentadas no sofá olhando para o celular ou o iPad. Há um mundo lá fora para explorar, investigar e aprender, e essa é uma parte essencial do programa.

Criar essa dimensão tecnológica exigiu muito aprendizado, e ainda estamos aprendendo.

Scott Schultz: E foi bem difícil também [risos].

Christian Jacobs: Sim… mas é algo que esperamos que ajude as crianças a continuarem desenvolvendo sua imaginação e, quem sabe, se tornarem as criadoras da próxima grande novidade para o mundo.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Isso serve de gancho para a minha próxima pergunta. “Yo Gabba Gabbalândia!” sempre foi um programa muito sensorial, com muita cor, dança e música. Como vocês pensam hoje o processo de capturar a atenção das crianças em um mundo tão cheio de telas e conteúdos acelerados?


Scott Schultz: Acho que algo que o Christian disse em outra entrevista é muito verdadeiro. Todos nós estamos tentando reencontrar nossa imaginação, certo? E todos estamos tentando ser melhores. Essa oportunidade de voltar nos ensinou muito sobre como podemos estar mais unidos.

Para mim, individualmente, estar com o Christian e fazer isso de novo depois de tantos anos significou tudo. Mais do que capturar atenção, estamos tentando criar uma experiência verdadeira.

Christian Jacobs: Concordando com o Scott, a parte da conexão – com sinos, apitos, música, luzes e cores – é clinicamente comprovada para manter o interesse das crianças. Mas fazemos isso de uma forma que estimula a imaginação e incentiva a conexão com outras pessoas.

A parte emocional da série que acontece na tela também se desenrola nos bastidores: o Scott e eu nos reunindo novamente, nos conectando com nossa equipe, garantindo que haja amor em todos os lugares e que todos estejam fazendo isso pelos motivos certos.

E dá para sentir isso quando você assiste à série. Dá para perceber que não é algo feito apenas para ganhar dinheiro. É feito porque amamos o que fazemos e porque queremos nos conectar com as pessoas, no Brasil, no Japão ou no Reino Unido. A música, as cores e os personagens funcionam como uma ponte que nos une como seres humanos, através de nossos filhos.

Scott Schultz: Exatamente. Não estamos tentando prender a atenção das crianças a qualquer custo. Estamos focados em proporcionar a melhor experiência possível. Se você não estiver sentado olhando para a tela o tempo todo, mas estiver de pé dançando com seus pais, sua babá, com todos participando, esse é o objetivo.

Não se trata de visualizações ou de tempo de retenção. Trata-se da essência de estarmos juntos. Esta é uma série para crianças em idade pré-escolar, mas também para todos nós que já passamos dessa fase, para revisitarmos quem éramos naquela idade e participarmos. É música, é emoção. Esperamos que as pessoas sintam isso, porque nós sentimos.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Falando em música, as canções sempre foram uma parte importante da série, e esta temporada está muito especial nesse sentido. Tive a oportunidade de assistir aos episódios antes desta entrevista. Há algum estilo novo ou alguma colaboração pela qual vocês estejam particularmente animados?


Scott Schultz: Sim! Outros programas infantis podem repetir bandas ou gravar duas temporadas ao mesmo tempo, mas não nós. Aqui, a música é completamente nova: canções novas, bandas novas, tudo novo.

Eu ainda não consigo acreditar que tivemos Sharon Van Etten, Hemlocke Springs, Santigold. Eu tentava trazer a Santigold desde a primeira série, e finalmente conseguimos.

Christian Jacobs: A série está repleta de artistas incríveis. Temos Sleigh Bells, Chicano Batman, Silversun Pickups, aquela versão maravilhosa de “Party in My Tummy” produzida por Butch Vig, que produziu o “Nevermind”, do Nirvana, além do Flea.

Essa é a mágica do programa: você coloca as pessoas no set e coisas mágicas acontecem. Como no episódio da Hemlocke Springs, em que ela ensina a acender e apagar a luz com os dançarinos.

Scott Schultz: Acabei de me lembrar de uma história. O Billy Eichner participou de uma sessão de contação de histórias, e foi muito divertido. Em certo momento eu disse para ele: “Billy, você não está acostumado com crianças, né?”. As crianças são imprevisíveis, e nós deixamos que elas respondessem livremente. Ele adorou.


Imagem: Divulgação
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Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Para encerrar, a série valoriza muito a imaginação. O foco não está em números ou no aprendizado do alfabeto. Na opinião de vocês, como a imaginação ajuda as crianças a lidar com situações da vida real, como o medo, a amizade e as mudanças?


Scott Schultz: Vou dar aqui um “hot take”. Há um gesto da personagem Tootie que diz: “use sua imaginação”. E isso é algo bonito para crianças, adultos, para qualquer pessoa. A imaginação é a porta de entrada para sonhar que você pode ser mais. Se eu sonho que sou mais, eu me torno mais. Se sonho que sou menor, eu me torno menor.

As crianças sabem disso e usam a imaginação naturalmente. Nós apenas observamos essa experiência e a transformamos em um programa de TV.

Christian Jacobs: Sem querer soar esotérico, mas todos nós emitimos e recebemos frequências. E se você estiver cercado por música, energia positiva e imaginação positiva, o programa pode ser um espaço seguro para crianças que estejam passando por momentos difíceis.

Nos últimos anos, todos fomos bombardeados por frequências negativas, raiva, ódio, descontentamento. Mas, se conseguirmos preservar a imaginação e a fé no positivo, tudo bem. Vai ficar tudo bem. E, se há algo que podemos oferecer aos nossos filhos, é essa imaginação positiva para ajudá-los a atravessar o mundo. Porque vivemos em um mundo bonito, podemos ser amigos e amar uns aos outros.

Scott Schultz: É exatamente isso que queremos com a nossa série.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Muito obrigada pela conversa, pessoal!


Imagem: Divulgação
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A entrevista continua com a atriz e dançarina Kamryn Smith, a apresentadora da série, que fala sobre sua relação com a personagem Kammy Kam e a experiência nos bastidores.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Oi, Kamryn. Muito obrigada por conversar comigo hoje. Parabéns pela segunda temporada da série!


Kamryn Smith: Muito obrigada. Estou muito animada. Me sinto abençoada e muito feliz por todos poderem assistir à segunda temporada.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Para começar, como é voltar como Kammy Kam na segunda temporada? É diferente da primeira vez?


Kamryn Smith: Para ser honesta, acho que é igual e um pouco diferente ao mesmo tempo. Eu continuo sendo a mesma Kammy Kam, mas agora estamos vivendo aventuras diferentes e ensinando lições diferentes para as pessoas que estão assistindo.

Às vezes eu sinto que aprendo coisas novas, e às vezes sinto que eu e a Kammy Kam somos praticamente a mesma pessoa.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): A série é conhecida por ter muitos convidados incríveis. Se você pudesse escolher uma pessoa para dançar ou cantar com você e outra para atuar ao seu lado, quem escolheria?


Kamryn Smith: Nossa, qualquer pessoa? [risos]. Acho que alguém com quem eu adoraria dançar seria a Taylor Swift.

E, para atuar, tem tantos atores bons… talvez a Margot Robbie. Acho que seria um episódio incrível.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): A Kammy Kam é uma personagem bem alegre e divertida. Você sente que aprendeu algo com ela que conseguiu aplicar na sua vida real ou na sua dança?


Kamryn Smith: Eu realmente sinto que eu e a Kammy Kam somos praticamente a mesma pessoa. Então é difícil separar muito. Acho que aprendi muitas coisas ao longo do processo, mas às vezes nem sei se aprendi mais com a personagem, comigo mesma ou com a própria Kammy Kam. É tudo muito misturado.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Qual foi o momento mais engraçado que você viveu durante as filmagens desta temporada? Há algum episódio especial?


Kamryn Smith: Provavelmente foi durante a gravação do episódio final. Não posso contar muitos detalhes, mas foi muito divertido porque todo mundo estava lá.

Parecia uma grande festa. Havia muita energia naquele dia, era algo contagiante. Todo mundo estava sorrindo o tempo todo.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Muitas pessoas dizem que a série não é só para crianças. Você sente isso também?


Kamryn Smith: Sim, totalmente. Eu ouço muitos adultos dizendo: “Meu filho nem assiste, mas eu assisto”. Até o meu irmão mais velho, que já está na faculdade, adora.

Acho que é importante as pessoas saberem que é uma série para crianças e adultos. Você vive muitas aventuras e nunca sabe o que vai acontecer em seguida. Dá para aprender muitas coisas incríveis.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Como você descreveria o universo de “Yo Gabba Gabbalândia!” para alguém que ainda não conhece a série?


Kamryn Smith: Eu descreveria como um mundo imaginário, divertido e alegre. Muitas pessoas pensam que “Yo Gabba Gabba” é só para crianças, mas não é bem assim.

Eu mesma comecei a assistir por causa do meu irmão, quando era mais nova. E sinto que tudo aconteceu no momento perfeito da minha vida. Sou muito grata por isso e por tudo o que aconteceu, por ter conhecido o Christian e por essa oportunidade.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Para encerrar, que conselho você daria a crianças que sonham em cantar, dançar, atuar ou aparecer na televisão?


Kamryn Smith: Eu diria simplesmente: vá em frente. Aprendi que, se você realmente quer algo, não pode ter vergonha. Não dá para ficar esperando. Se não for agora, quando vai ser? Qualquer sonho que você tenha pode se tornar realidade. Eu sonhei com isso e aconteceu. Então é só seguir em frente.


Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Muito obrigada, Kamryn!


A primeira e a segunda temporada de “Yo Gabba Gabbalândia!” estão disponíveis para streaming mundialmente no Apple TV.




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