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Entrevista | Travis Knight, diretor de Mestres do Universo: “Fico muito feliz que o Brasil tenha uma história com o He-Man.”

  • Foto do escritor: Aianne Amado
    Aianne Amado
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Em visita ao Brasil, o diretor fala sobre a responsabilidade de adaptar um ícone dos anos 1980 e a paixão dos fãs brasileiros por Eternia.


Divulgação


Não existe criança brasileira dos anos 80 e 90 que não gritou “pelos poderes de Grayskull, eu tenho a força!”. Mestres do Universo conquistou no Brasil uma posição de fenômeno cultural cimentado na nossa memória afetiva, atravessando gerações graças à constante exibição do desenho animado e pela popularidade dos brinquedos da Mattel. Agora, essa relação ganha um novo capítulo com a chegada da aguardada adaptação cinematográfica dirigida por Travis Knight.


Como não poderia deixar de ser, elenco e equipe vieram ao país para apresentar o longa ao público brasileiro. No dia 24 de maio, desembarcaram em São Paulo para um evento especial realizado no Cine Marquise, na Avenida Paulista. Entre os presentes estavam o protagonista Nicholas Galitzine, Camila Mendes e o próprio Knight, responsável por conduzir às telas a história de origem do Príncipe Adam, que descobre seu destino ao empunhar a lendária Espada do Poder e enfrentar a ameaça do vilão Esqueleto. 


Antes do evento, porém, Travis tirou um tempinho para conversar com o Oxente Pipoca sobre sua primeira visita ao Brasil, o desafio de adaptar um dos personagens mais icônicos da cultura pop e a influência que o pequeno fã de He-Man que ele foi um dia exerceu sobre suas decisões criativas no projeto. Confira a entrevista abaixo:


Aianne Amado (Oxente Pipoca): Como o Brasil está te tratando até agora?


Travis Knight: Muito bem até agora. É minha primeira vez no Brasil e estou aqui há menos de 24 horas, mas já estou tendo uma estadia maravilhosa e as pessoas são extraordinárias.


Aianne Amado: Somos conhecidos por sermos fãs muito intensos, muito apaixonados. Você já viu a reação dos brasileiros ao filme até agora?


Travis Knight: Bom, é engraçado porque, sabe, eu cresci nos Estados Unidos. Sou um filho dos anos 80 e, portanto, Mestres do Universo é uma parte enorme da minha vida, uma parte enorme da minha infância. Mas à medida que começo a apresentar esse filme ao mundo, percebo que existem certas partes do mundo que nunca ouviram falar de He-Man – então, para essas pessoas, o filme é uma introdução ao personagem. E ainda assim, existem partes do mundo, como o Brasil, que têm toda uma história cultural com esses personagens e esse universo. E ser recebido com esse tipo de entusiasmo, esse tipo de carinho, esse tipo de amor que brota de uma história compartilhada com esses personagens… tem sido realmente maravilhoso para mim. Fico muito feliz que o Brasil tenha uma história com o He-Man.


Aianne Amado: Sim, nós temos uma grande história com He-man e seu universo. Você considera que foi intimidador trabalhar com um personagem tão icônico?


Travis Knight: Sim, quer dizer, He-Man existe há mais de 40 anos e há muitas pessoas que foram criadas com isso, que amam isso, que têm expectativas sobre o que querem ver. Em certo nível, você simplesmente tem que colocar isso de lado, porque poderia ficar paralisado tentando agradar a todos. Cada um tem expectativas diferentes, cada um tem coisas que importam mais pra ele. Então, para mim, como eu amava esse universo quando era criança, sempre voltava à pergunta: como posso deixar aquela versão de mim aos 8 anos feliz? Que filme ele amaria? O que em Mestres do Universo significava algo para ele? Era assim que eu continuava enxergando esse mundo. E se eu conseguisse fazer aquele garoto feliz, achei que talvez pudesse fazer outras crianças felizes, e também outros homens adultos como eu que cresceram com isso e amam isso. Estou muito contente com o equilíbrio que alcançamos, porque não fui só eu. Tantas pessoas que trabalharam nesse filme, como fui descobrindo durante as filmagens, eram pessoas que amavam He-Man quando crianças. Não é algo que se fala em todos os círculos sociais, mas muitos dos atores e da equipe que fizeram o filme amavam sinceramente esses personagens e esse universo. E honestamente, acho que dá pra sentir a alegria que tivemos ao fazer o filme!


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Aianne Amado: Podemos falar mais sobre esse Travis de 8 anos? Qual era a sua relação pessoal com He-Man e a franquia?


Travis Knight: Bem, He-Man surgiu numa época em que não havia nada parecido. Era uma espécie de Conan, o Bárbaro encontrando Flash Gordon, uma combinação bem inusitada de elementos. Os designs eram estranhos, coloridos e ousados. E os brinquedos em si... nunca tinha visto brinquedos assim. Cada um deles era grandioso, musculoso, com peitorais à mostra e abdômen definido. Eles dariam um banho nos meus bonecos de Star Wars. Eram todos absurdamente musculosos. Então, eles pareciam interessantes, estranhos e diferentes – e eu amei isso imediatamente. Era uma parte fundamental do universo. Isso o diferenciava de qualquer outra franquia de brinquedos, de qualquer outro tipo de ficção científica, fantasia ou super-heróis que existia. Sempre foi uma das características únicas do He-Man e algo que eu queria garantir que acertaríamos nesse filme.


Aianne Amado: O que você acha que mais vai surpreender os fãs nesse filme?


Travis Knight: Hmm, surpreender mais... Acho que uma das coisas que se espera é que, quando as pessoas que amam algo veem uma adaptação, elas sintam o mesmo carinho, que percebam que os realizadores do filme conhecem e amam o material tanto quanto elas. E nesse caso, eu acredito que é exatamente isso. As pessoas que fizeram esse filme realmente amam esse universo. O filme é feito com sinceridade. É muito lúdico, muito divertido, muito espirituoso, mas no fundo é algo que vem de um amor e carinho genuínos por esses personagens e por esse mundo. Tomamos algumas liberdades – não é uma cópia fiel do desenho animado, dos quadrinhos ou de qualquer versão anterior. Então, acho que ao longo do caminho há algumas reviravoltas e surpresas em relação ao rumo que damos a esses personagens. Mas além disso, espero apenas que as pessoas reconheçam que esse é um filme feito com alegria, feito com amor, e que é isso que vão sentir quando o experimentarem no cinema.


Com estreia marcada para 4 de junho nos cinemas brasileiros, o filme reúne um elenco de peso, incluindo Jared Leto, Morena Baccarin, Idris Elba e Alison Brie. 


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