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Crítica | undertone

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Com um design de som impecável, terror na HBO Max prova que o sobrenatural ainda pode assustar quando alguém resolve fazer o básico direito.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Nos últimos anos, o terror sobrenatural parece ter entrado em uma espiral criativa preocupante. Casas mal-assombradas, entidades demoníacas, protagonistas traumatizados e uma coleção interminável de sustos previsíveis transformaram um dos gêneros mais populares do cinema em um festival de filmes esquecíveis. Felizmente, de vez em quando aparece uma produção que lembra que não é preciso reinventar a roda para prender a atenção do público. Basta entender como o medo funciona. É exatamente isso que undertone, disponível na HBO Max e entre os filmes em alta da plataforma, faz.


A premissa é simples: uma podcaster passa a investigar um misterioso fenômeno sobrenatural por meio de gravações de áudio e, aos poucos, percebe que aquilo que parecia apenas mais um caso curioso pode estar muito mais próximo, e perigoso, do que imaginava.


O grande trunfo do filme está justamente em transformar o som no verdadeiro protagonista da experiência. Parece óbvio para um longa que gira em torno de podcasts, mas nem sempre o cinema sabe explorar esse recurso com inteligência. Aqui, cada ruído, cada silêncio e cada distorção servem para criar uma sensação constante de desconforto. É um daqueles raros casos em que fechar os olhos durante uma cena talvez seja até pior do que continuar olhando para a tela. O design e o desenho de som são, sem exagero, os grandes responsáveis por fazer undertone funcionar.


A direção também entende que o medo nem sempre depende de monstros ou efeitos visuais. Restrito praticamente a uma única locação, o filme utiliza enquadramentos sufocantes, movimentos de câmera discretos e a limitação do espaço para fazer o espectador se sentir preso junto com a protagonista. É um exercício de atmosfera que muitos filmes com orçamentos muito maiores simplesmente esquecem de fazer.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Nem tudo funciona tão bem. A protagonista cai naquele arquétipo já desgastado do cético que insiste em encontrar explicações racionais para acontecimentos que claramente já passaram desse ponto. Em alguns momentos, sua postura deixa de construir tensão e passa a gerar impaciência. Ainda assim, a personagem cumpre um papel importante na estrutura narrativa, funcionando como contraponto para que o horror cresça gradualmente.


Quem procura uma revolução dentro do terror sobrenatural talvez saia frustrado. undertone não apresenta grandes reviravoltas, não quebra paradigmas e nem pretende mudar os rumos do gênero. Mas talvez esse seja justamente seu maior acerto. Em vez de desperdiçar tempo tentando parecer inovador a qualquer custo, o filme prefere executar muito bem aquilo que tantos outros vêm fazendo de forma automática.


No fim, undertone é uma prova de que o terror sobrenatural ainda tem muito a oferecer quando existe uma direção que entende o poder da atmosfera e, principalmente, do silêncio. Em uma época em que tantos filmes confundem volume com tensão e jumpscares com medo, encontrar uma produção que sabe construir desconforto antes de provocar o susto acaba sendo quase um alívio. Não é revolucionário, mas é competente o suficiente para lembrar que o gênero ainda consegue surpreender quando alguém resolve fazer o básico bem feito.


Nota: 4/5


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