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  • Foto do escritorGustavo Henrique

Crítica | One Piece (Temporada 1)

A adaptação do pirata que estica surpreende, apesar do receio dos fãs

Foto: Divulgação


A série do famoso pirata que se estica finalmente está entre nós, e como fã de longa data do anime, fico feliz em dizer que a produção da Netflix conseguiu superar as minhas expectativas, que estavam um pouco baixas considerando o histórico que temos de péssimas adaptações de anime, estabelecendo um novo padrão nesse tipo de adaptação.


Primeiramente, falando sobre o elenco, todos os cinco protagonistas mantêm a essência dos personagens originais. Iñaki Godoy traz de maneira natural aquele jeito bobão e desleixado do Luffy, mas nos momentos de seriedade consegue transmitir a raiva e tensão do personagem de forma convincente. Já Mackenyu Arata é o retrato perfeito de Zoro, e mesmo que raramente o vejamos usar o famoso santoryu (Estilo Três Espadas), quando o faz, torna-se algo tão memorável que até esquecemos quão ineficaz é usar uma espada na boca na vida real.


O Sanji de Taz Skylar não fica para trás. Apesar do arco do Baratie ser um pouco reduzido na adaptação, ainda é deixado claro as motivações do personagem e o seu passado terrível. Além disso, o jeito paquerador do personagem parece mais natural no live-action. Temos também Ussop, interpretado por Jacob Gibson, que consegue ser o personagem mais fiel à obra original, tanto em seu visual quanto em sua personalidade. Por fim, Emily Rudd como Nami foi, sem dúvida, o grande destaque da temporada. Tanto pelo fato do grande conflito da série girar em torno do seu arco, como pela atuação de Emily, que entrega o charme e a perspicácia da personagem de forma brilhante.


O maior problema quando se trata de adaptar animes são os seus visuais únicos, que, apesar de serem épicos nas animações, também podem gerar uma certa estranheza quando são passados para um live action. E logo que a adaptação de One Piece foi anunciada, o meu maior medo era que eles não conseguissem recriar o mundo louco e único criado por Eiichiro Oda. Porém, logo no primeiro episódio, vemos esse universo fantástico ganhar vida; a série consegue recriar o clima do anime ao mesmo tempo em que gera aquela atmosfera que vemos em filmes de piratas tradicionais.


O visual da série também é algo positivo; como mencionado anteriormente, ele consegue ser uma amálgama, trazendo o colorido do anime com um toque de seriedade das produções sobre piratas. Vemos personagens como Buggy, que é um exemplo perfeito disso. Apesar de manter o figurino e a maquiagem originais, ele possui um aspecto mais assustador, lembrando um pouco os palhaços de filmes de terror. E, por outro lado, temos o Mihawk que parece ter saudado diretamente do mangá para a tela.


Foto: Divulgação


Outro aspecto que se destaca em One Piece é a maneira como os cenários e os efeitos especiais conseguem capturar a magia do mundo de piratas de Oda, criando um ambiente rico em detalhes e repleto de cores vibrantes. No entanto, apesar de serem realistas, a produção opta muitas vezes por deixar as cenas de luta no escuro, um recurso utilizado para disfarçar os problemas com o CGI. Embora seja comum, isso acaba cansando um pouco devido ao número de vezes que é utilizado.


Para os mais saudosistas, algumas mudanças feitas pela produção podem ser um problema. Por exemplo, na série da Netflix, vemos um destaque maior para Garp e Coby, que aparecem bastante na série e têm um arco bem diferente do que conhecemos. O herói da marinha se recusa a aceitar a vida de pirataria que seu neto decidiu seguir e tenta intervir a todo custo, enquanto Coby enfrenta a corrupção da Marinha de frente e não passa pelo mesmo arco de treinamento visto no mangá. Mesmo assim, vale ressaltar que embora ocorram algumas mudanças nos acontecimentos, isso não é necessariamente um ponto negativo, pois são mídias diferentes e, além disso, a produção está limitada pelo orçamento e pelo tempo.


Em resumo, a adaptação de One Piece é uma verdadeira homenagem ao material de origem. Ela respeita a visão de Eiichiro Oda, que estava diretamente envolvido na produção, e consegue transmitir a emoção e a aventura que tornaram o anime tão único. Para os fãs de longa data e para aqueles que estão embarcando nessa jornada agora, esta série é uma jornada emocionante que vale a pena conferir.


Nota: 4/5

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