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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

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  • Crítica | Blonde

    Um retrato de Marilyn Monroe sob a ótica da objetificação e da violência contra a mulher. Divulgação: Ana de Armas em Blonde (Netflix) Nesta quarta-feira, 28, a Netflix disponibilizou em seu streaming o filme Blonde, uma cinebiografia fictícia escrita e dirigida por Andrew Dominik e baseada no romance de 2000 de mesmo nome de Joyce Carol Oates. Desde o anúncio de Ana de Armas como a intérprete de Marilyn até as entrevistas mais recentes do elenco e da produção, o filme vem sendo cercado de polêmicas e causou grande expectativa do público em geral após ser aplaudido de pé por 14 minutos no Festival de Veneza. Com longas duas horas e quarenta e seis minutos, ‘Blonde’ começa mostrando a infância da atriz que veio a se tornar um ícone da cultura pop até os dias de hoje. É desde esse começo que vimos a visão do diretor em enfatizar os momentos mais trágicos da artista. Não que Norma Jeane (nome verdadeiro de Marilyn) não tenha sofrido traumas e tristezas em sua vida, ela sofreu e muito. Porém, fica claro que a intenção do diretor não foi salientar a grande força que era Marilyn nas telas e com o público e sim mostrar a sua trajetória como um grande circo de horrores. Divulgação: Ana de Armas em Blonde (Netflix) ‘Blonde’ usa do poder de ser uma cinebiografia fictícia para exagerar e dramatizar todas as situações vividas pela atriz que são de conhecimento público. Falta sensibilidade ao colocar tantas cenas grotescas em tela, cenas essas que desrespeitam não só a memória de Marilyn como também ofende as diversas mulheres que (provavelmente) assistiram o filme. Andrew Dominik (diretor conhecido por-pasmem-filmes de faroeste com bastante violência) não tem nenhuma cautela durante essas quase três horas de longa e esmaga o telespectador com cenas de estupro, agressões e nudez gratuita. Além disso, utiliza-se de uma ferramenta tosca que parece ter saído de um comercial político conservador ao mostrar para o telespectador um bebê (grande) no útero de uma Marilyn prestes a abortar e usa do fato de Marilyn não ter um pai para a demonstração de um feitiche doentio onde a personagem chama seus parceiros de ‘pai’. Em uma perspectiva maior, o filme tem os destaques positivos na atuação quase que impecável de Ana de Armas e na fotografia que mescla elementos em preto e branco com o colorido. Ana é realmente a única parte memorável de ‘Blonde’ e fica óbvio que ela sustenta com sua atuação a história fantasiosa e misógina de Dominik. Não existe nada que justifique a forma como a figura de Marilyn foi retratada pelo diretor. A desculpa de que o longa é uma ‘visão artística’ não é motivo para reduzir uma figura tão emblemática ao estereótipo da loira burra hipersexualizada e surtada que vive beirando o colapso. Divulgação: Ana de Armas em Blonde (Netflix) É deprimente para a sociedade feminina perceber que, 60 anos depois, a atriz continua sendo sexualizada e violentada de várias formas possíveis. Não importa a qualidade estética e técnica, ‘Blonde’ é mais um longa que demonstra as mulheres do pior jeito possível: através da perspectiva e das lentes de um homem hétero e branco. Nota: 1,5/5

  • Crítica | Aos Pedaços

    (1964) e Os Cafajestes (1962) retorna em mais um longa-metragem em preto-e-branco com Aos Pedaços (2020

  • Crítica | O Ritual

    Filme é consistente em seu estilo, sua narrativa e principalmente em suas falhas. Divulgação Baseado em uma história real, O Ritual é um terror envolvendo dois padres em um momento complicado de suas vidas: enquanto um duvida de sua fé, o outro precisa lidar com um passado conturbado. Quando uma jovem é possuída pelo demônio, eles terão que deixar suas diferenças e problemas de lado para gastar todo o tempo tentando salvar a garota. Contando com uma arriscada sequência de exorcismo, o tempo passa e a igreja precisa correr para expulsar o inimigo do lugar sagrado e trazer a menina de volta à vida real. O cineasta David Midell se apega, desde os letreiros iniciais até letreiros de encerramento, à uma tentativa quase que absurda de manter um tom documental científico com tema que é essencialmente sobrenatural. O longa-metragem busca construir um estilo de filmagem em que insere o espectador como um personagem-observador e ali ficamos inertes a tudo que acontece, de forma também inerte, no roteiro esforçado, mas já bastante conhecido. O texto busca dar relevância às questões de dúvidas no tocante à fé humana e os limites da crença, mas nada disso fica impresso na narrativa filmada, e morrem nas palavras proferidas pelos personagens. E nisso o longa se desenvolve, sempre opaco, sempre neutro, com um ritmo comprometido pela escolha de fugir, até onde possível, dos recursos básicos do terror; até onde possível porque na segunda metade o texto se entrega a uma proposta que assume postura divergente à que vinha pregando nos primeiros minutos. Divulgação Todo o restante faz o arroz com feijão de forma competente, mas inexpressiva. Al Pacino faz o velho místico, Dan Stevens o padre galã com questões metafísicas e tensão sexual com uma jovem freira, e Abigail Cowen a jovem possuída. É uma estrutura por si já cansada. E aí entro nos méritos de adaptação e fidelização ao material base. Por mais que seja inspirado numa história real e por mais que seja dito que é o caso de exorcismo melhor documentado nos EUA até hoje, talvez sejam necessárias mais alegorias visuais e narrativas para que o filme se imponha em meio a incontáveis outros também inspirados em história reais e que abrem e fecham a mesma forma. É um filme que acredita em si até o último instante, e que se apega às suas decisões, boas, como a boa dosagem de efeitos visuais e a objetividade na introdução, por exemplo, mas também nas ruins, como a falta de força nas cenas dos rituais, os mini sustos não intencionalmente engraçados, os efeitos sonoros caricatos e todo o resto. Nota: 2/5

  • Crítica | Timidez

    Teatro e cinema se cruzam (e se chocam) em narrativa que aposta na desestabilização psicológica. Imagem: Divulgação Desde os seus primórdios, o cinema sempre bebeu de outras artes, em especial o teatro, de onde incorporou ideias como a encenação ou as performances atorais. Mesmo eventualmente desenvolvendo sua própria linguagem, o intercâmbio entre as duas artes permaneceu firme e forte, como visto em obras cinematográficas que adaptam peças teatrais ambientadas em um único espaço. É o caso do longa-metragem baiano Timidez, codirigido por Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik. Adaptado da peça O Cego e o Louco, o filme acompanha Jonas (Dan Ferreira) um jovem artista negro que vive à sombra do irmão cego Nestor (Antônio Marcelo), uma presença sufocante com quem divide a casa. Mas quando Lúcia (Evana Jeyssan), a vizinha do andar de cima, aceita um convite para jantar, Jonas precisará enfrentar seus próprios fantasmas, e começa a duvidar de si mesmo. Sendo quase todo ambientado dentro do apartamento de Jonas e Nestor, Timidez ancora-se sobretudo num trabalho de direção de arte que representa a familiaridade do lugar para os irmãos, mas também a claustrofobia à medida que os conflitos entre eles crescem. Elementos como as luzes acesas e apagadas, os quadros tortos e tanto mais evocam aquela que pode ser entendida como a palavra-chave do filme: “desestabilização”. A direção de Rosa e Kalik aposta em planos-detalhes que, associados a este trabalho de direção de arte e também de som, evocam a dimensão psicológica dos personagens, sobretudo Jonas, e sua gradativa deterioração. São os tiques nervosos, o bater constante da bengala de Nestor, a câmera trêmula em determinados instantes ou até a lente desfocada nos planos gerais de Salvador e dos flashbacks, tudo isso corroborando para a compreensão de que há algo de errado com estes personagens e o ambiente que os cerca. Neste sentido, é fundamental para o filme ter êxito no seu par de atuações principais. Dan Ferreira tem certamente o papel mais difícil, já que fica evidente desde o começo que seu personagem tem questões mentais que só entenderemos mais ao fundo no final do filme. Entretanto, falta certa sutileza na composição deste personagem, o que acaba incorrendo em uma abordagem um tanto estereotipada do que é o “louco” no audiovisual. Antônio Marcelo se sobressai com uma atuação mais sutil e carismática (e que também demanda certa fisicalidade em razão da cegueira de Nestor), mas em alguns momentos é comprometido pela ênfase do filme em resguardar mais da linguagem teatral da peça original, que acaba sendo seu principal problema. Imagem: Divulgação São instantes em que os monólogos soam engessados, pouco orgânicos dentro da lógica que o filme impõe a si mesmo. Ainda que herde da peça a ideia de se passar majoritariamente em um único cenário, não deixa de ser um filme, e nisto reside toda a diferença: até a maneira pela qual encontra para nos revelar seu grande mistério (o qual, sinceramente, já podia ser antecipado lá pela metade da obra) só ganha força justamente por ancorar na estética e na linguagem cinematográfica, à medida que salta entre passado e presente para revelar a verdadeira natureza da relação de Jonas e Nestor. Há também um monólogo deste perto do final do filme que se sobressai muito a outros mais “teatrais”, quase como se a direção conseguisse capturar uma performance mais próxima do que se esperaria de um filme do que de uma peça. Justamente por operar nessa instabilidade entre o que advém do teatro e do cinema (uma instabilidade que não parece intencional), Timidez acaba minando certa parte do seu potencial. Os melhores momentos se dão na interação entre os irmãos e a dinâmica oscilante entre eles – não à toa o ponto alto do filme é a cena da dança ao som de A Gente Precisa Ver o Luar, de Gil. Se o filme consegue sustentar o interesse do público por suas 1h20 de duração, é muito pelos momentos em que sabe transcender as limitações que suas origens teatrais poderiam impor para abraçar a riqueza da linguagem cinematográfica para contar sua história. Nota: 3/5

  • Crítica | O Drama

    O poder do discurso entre os segredos que nos unem e os boatos que nos separam. Imagem: Divulgação Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) são um casal apaixonado que está se preparando para seu casamento quando uma brincadeira traz à tona uma revelação sobre o passado de Emma que faz Charlie se questionar o quanto ele realmente conhece a pessoa com quem vai se casar. Entre momentos felizes do relacionamento e tensões desencadeadas pelo segredo, o filme propõe a discussão sobre até onde as pessoas conhecem quem está ao seu lado e o que pode – ou não – ser superado. Conhecer um pouco dos trabalhos anteriores do cineasta norueguês Kristoffer Borgli serve como uma ambientação para o tipo de abordagem sarcástica, densa e ao mesmo tempo hilária que ele apresenta em suas comédias. Em O Drama somos apresentados ao simpático casal protagonista de uma forma leve e bem-humorada como a mais refinada das comédias românticas. E este tom permanece quase até o desfecho do filme. Mesmo na cena em que Emma revela seu segredo, e nos mais variados desdobramentos causados pela informação, Borgli escolhe manter a suavidade e a naturalidade das situações, afinal, ele quer tratar disso com o público, ele quer discutir como palavras de uma ação do passado que em nada interferem no presente podem desencadear as mais diversas reações na mente humana, quando o “real” se mantém o mesmo. Olhando por uma perspectiva foucaultiana, O Drama evidencia como o discurso não apenas relata a realidade, mas a produz. Ao verbalizar um episódio de seu passado, a protagonista deixa de ser vista apenas pelo que é no presente e passa a ser enquadrada dentro de uma nova rede de significados construída pelos outros personagens. O que antes era invisível ou irrelevante ganha força de verdade simplesmente por ter sido dito, reorganizando relações, instaurando desconfianças e redefinindo identidades. Borgli parece sugerir que o poder não está no fato em si, mas na circulação da narrativa sobre ele: uma vez enunciado, o discurso passa a operar como um mecanismo de controle, capaz de transformar percepções, legitimar julgamentos e, sobretudo, aprisionar o indivíduo a uma versão de si que talvez já nem exista mais. Nada no longa ultrapassa o limite do que o próprio roteiro se propõe a construir. Há um cuidado evidente em manter tudo dentro de um tom controlado, quase como se cada cena soubesse exatamente até onde pode ir sem romper o tom de descoberta constante. Nesse equilíbrio, as atuações de Zendaya e Robert Pattinson funcionam com precisão. Os dois encontram uma sintonia que evita excessos e não transforma o conflito em uma disputa de protagonismo. Pelo contrário, existe um respeito mútuo em cena que fortalece a dinâmica do casal e torna o trabalho orgânico, como se um completasse o ritmo do outro em vez de uma tentativa mútua de dominação de cenas. Imagem: Divulgação O filme transita com naturalidade entre a comédia e o drama, às vezes se fantasiando rapidamente de suspense, mas nunca de maneira deslocada. Essa mistura não soa confusa porque existe uma unidade temática muito bem amarrada que sustenta todas essas variações de tom. Em vez de parecer um amontoado de gêneros, o que se vê é um diálogo consoante entre eles, sempre orbitando a mesma questão central. Mesmo quando a tensão cresce ou a situação beira o absurdo, o filme não perde de vista sua essência, o que faz com que essas mudanças de atmosfera pareçam frescas e não artificiais. O roteiro aposta em um desconforto que vai se acumulando aos poucos, quase tangível, para impulsionar uma comédia de erros que abraça sem medo a farsa e a sátira. Há um prazer evidente em esticar situações até o limite do constrangimento, explorando reações exageradas sem nunca romper completamente com a veracidade interna da diegese. Ainda assim, fica a sensação de que um desfecho mais catártico e caótico poderia elevar ainda mais a experiência, tornando tudo mais impactante e inquietante. De toda forma, o resultado é um ensaio extremamente bem construído sobre o peso do que é dito e, talvez com ainda mais força, sobre tudo aquilo que racionalmente permanece não dito, para o bem ou para o mal. Nota: 4/5

  • Crítica | Nosso Segredo

    O luto como herança. Imagem: Divulgação Há algo de sufocante em Nosso Segredo. Não apenas porque o filme de Grace Passô acompanha uma família negra atravessada pelo luto, mas porque, desde os primeiros minutos, existe a sensação de que aquela casa está tomada por uma ausência. Uma ausência que ninguém consegue nomear completamente, mas que está presente em cada silêncio, em cada gesto e em cada relação. Escrito e dirigido por Grace Passô, Nosso Segredo marca a estreia da mineira na direção de um longa-metragem. O filme chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 27, depois de conquistar três Kikitos no Festival de Gramado: Melhor Filme, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. A história acompanha uma família negra que tenta retomar a rotina depois de uma perda. Enquanto cada integrante encontra sua própria maneira de lidar com o luto, o filho caçula guarda um segredo que pode fazer com que todos precisem encarar as raízes daquela dor. É uma premissa simples, mas que Grace Passô transforma em algo muito maior. O filme constrói um relato profundo sobre luto, racismo e memória, mostrando como determinadas experiências não terminam em uma única geração. Elas são herdadas, transformadas e, muitas vezes, silenciadas dentro das próprias famílias. Na primeira meia hora, Nosso Segredo faz uma escolha bastante interessante: não tem pressa para explicar o que aconteceu. Antes de entregar respostas, o filme quer que o espectador compreenda aquela família. Aos poucos, conhecemos a dinâmica entre os personagens, seus silêncios, suas tensões e a maneira particular como cada um reage à perda. O mais interessante é que o filme consegue fazer com que o espectador também se sinta oprimido pelo luto, mesmo sem conhecer completamente o personagem cuja ausência provocou toda aquela atmosfera. A casa se transforma em uma extensão desse sentimento. Os cômodos, os objetos e os próprios corpos dos personagens parecem carregar o peso daquilo que aconteceu. A direção de Passô demonstra bastante segurança ao trabalhar com esses elementos, especialmente na construção dos planos. É uma direção muito madura para uma estreia. Grace entende quando precisa deixar a câmera observar e quando pode transformá-la em parte da própria experiência dos personagens. A fotografia e a direção de arte ajudam ainda mais nessa construção, criando um ambiente que parece cada vez menor conforme o filme avança. Também é difícil assistir a Nosso Segredo sem pensar na trajetória de Grace Passô como atriz e nas experiências cinematográficas que ela acumulou ao longo dos anos. Existe algo de Temporada, No Coração do Mundo e O Dia que Te Conheci naquilo que aparece na tela. Os três filmes são produções da Filmes de Plástico e compartilham uma sensibilidade muito particular na maneira de observar personagens, espaços e relações. Isso não significa que Nosso Segredo seja uma extensão desses filmes. Grace Passô encontra uma voz própria como diretora. Ainda assim, principalmente em sua primeira metade, existe uma familiaridade estética que remete bastante ao cinema produzido pela Filmes de Plástico. O filme começa a caminhar por um registro mais próximo da ficção de suspense, construindo uma atmosfera sufocante em que existe constantemente a sensação de que alguma coisa está prestes a acontecer. É nesse momento que o surrealismo fantástico aparece de maneira mais evidente. A realidade da família começa a se misturar com uma dimensão mais estranha, quase como se o próprio luto alterasse a percepção daqueles personagens. Essa escolha funciona muito bem porque não transforma o fantástico em um elemento gratuito. Ele está diretamente relacionado aos sentimentos que o filme quer investigar. O grande mérito de Nosso Segredo, porém, está na maneira como ele conecta o luto às questões raciais. O racismo não aparece como um tema isolado ou como uma discussão inserida artificialmente na narrativa. Ele atravessa a história dos personagens e interfere na maneira como aquela família compreende suas próprias dores. O filme entende que o sofrimento também possui uma dimensão histórica. Algumas experiências não pertencem apenas a quem as viveu diretamente. Elas atravessam gerações, aparecem nos comportamentos, nos medos, nos silêncios e na forma como determinadas famílias aprendem a sobreviver. Imagem: Divulgação Por isso, o luto em Nosso Segredo nunca é apenas sobre uma morte. Ele também diz respeito a tudo aquilo que veio antes dela. Grace Passô encontra uma maneira bastante sensível de relacionar essas duas dimensões. A família precisa lidar com uma ausência concreta, mas também com dores muito mais antigas, que continuam presentes mesmo quando ninguém fala sobre elas. Outro grande destaque é o elenco. Os personagens parecem ter uma vida própria, como se suas relações existissem antes mesmo de a câmera começar a acompanhá-los. Essa naturalidade é fundamental para que o filme funcione. Grace não transforma seus personagens em instrumentos para apresentar uma tese sobre racismo ou luto. Eles são pessoas com contradições, afetos, ressentimentos e maneiras diferentes de lidar com aquilo que aconteceu. É justamente essa dimensão íntima que impede Nosso Segredo de se tornar excessivamente explicativo.O filme confia nas imagens, nos silêncios e nas relações para construir seus sentidos. Em alguns momentos, isso funciona melhor do que qualquer diálogo poderia funcionar. Se existe um problema, ele está principalmente na maneira como o filme transita entre seus diferentes registros. A primeira metade estabelece uma atmosfera muito particular, próxima do suspense e do fantástico, e nem sempre a narrativa consegue manter a mesma força quando começa a revelar suas cartas. Ainda assim, isso não diminui o impacto da estreia de Grace Passô como diretora de longa metragem. Nosso Segredo é um filme que demonstra consciência de imagem, espaço, ritmo e atmosfera. Mais do que isso, demonstra uma diretora interessada em entender como experiências individuais podem carregar histórias coletivas. É um filme sobre luto, mas também sobre aquilo que permanece depois dele. Sobre segredos que atravessam gerações. Sobre famílias que aprendem a conviver com aquilo que não conseguem dizer. E talvez essa seja a maior força de Nosso Segredo: entender que algumas dores não desaparecem quando deixam de ser mencionadas. Nota: 4.5/5

  • Crítica | Cloud – Nuvem de Vingança (Olhar de Cinema 2025)

    Curitiba, Cloud – Nuvem de Vingança foi uma das três produções dirigidas por Kiyoshi Kurosawa no ano 2024 No fim das contas, não temos monstros, espíritos ou demônios para assombrar Ryosuke (ou talvez tenhamos Que Kurosawa nos mostre isso através da tensão, da violência e até do riso é um dos melhores atestados

  • Crítica | Pressão

    Brendan Fraser, que recentemente conquistou o Oscar por A Baleia, mostra novamente a força dessa nova campos de batalha pela meteorologia, pelas decisões estratégicas e pela pressão dos bastidores, o filme mostra

  • Crítica | Mentirosos (Minissérie)

    Adaptação de livro sucesso no mundinho teen mostra como é possível reinventar bons clichês Imagem: Divulgação males do capitalismo e da riqueza em excesso mascarada como uma história adolescente com uma pitada de crítica

  • Crítica | Homens Brancos Não Sabem Enterrar (2023)

    Insira aqui seu trocadilho esportivo preferido sobre oportunidade perdida, lance errado, fora da cesta, etc. Foto: Divulgação Remake do marcante filme homônimo de 1992, a comédia apresenta Kamal Allen (Sinqua Walls), um ex-astro do basquete do ensino médio que estava escalado para jogar na NBA - até ser preso no último ano. Agora, quando não está trabalhando como entregador, ele joga basquete “extraoficialmente” por dinheiro. Jeremy (Jack Harlow) jogou basquete para a Gonzaga – e também era cotado pra NBA – quando rompeu os ligamentos dos dois joelhos e se viu viciado em analgésicos, vendendo bebidas desintoxicantes para ratos de academia e treinando aspirantes a astros do basquete. Quando os dois personagens se conhecem, eles percebem que poderão se aliar para conseguir dinheiro em apostas informais e competições. Eu não sou hater gratuito de remakes. Na verdade, sou bem positivista quanto a ideia de se adaptar e, algumas vezes, atualizar uma história que porventura tenha ficado datada, por exemplo. É também uma oportunidade de apresentar o produto original para toda uma geração que talvez não o conheça, ou de revisitar uma ideia, conceito ou mesmo história que mereça uma perspectiva diferente. O lado negativo é que sempre haverá a primeira versão (ou a versão anterior) para se comparar, além do apego emocional do público. Então foi com essa mente aberta que fui ver a nova versão da comédia clássica estrelada por Wesley Snipes e Woody Harrelson. E, de antemão, mesmo com alguns acertos, o filme falha em quase tudo que citei no parágrafo anterior. Primeiro porque faltou liga em cena entre Sinqua e Jack Harlow (que é rapper e está fazendo sua estreia em filmes), e parece que também faltou vontade. Woody e Wesley eram amigos antes de gravarem a primeira versão – inclusive Snipes lutou para seu amigo assumir o personagem que inicialmente seria de Keanu Reeves, os atores estrearam juntos no cinema no filme Uma Gatinha Boa de Bola (1986) e de lá pra cá estiveram em outros três filmes juntos. Foto: Divulgação Segundo, o filme insiste em embasar os protagonistas com detalhes que se mostram desinteressantes (e as vezes desnecessários) para a trama do filme e que algumas vezes estão ali só pra virar piadas curtas e efêmeras. O principal motivo para o personagem Kamal ter largado sua promissora carreira foi o fato dele ter sido preso. Mas isso é citado tão brevemente que quando uma fala no meio do filme lembra que ele foi preso você se pergunta se aquilo já foi mencionado antes. São tantos pormenores inflando um roteiro que deveria ser tão simples que saber se os homens brancos conseguem enterrar se torna só mais uma tiradinha sem a menor graça. Se esse fosse um material original o roteiro talvez imprimisse mais confiança do que demonstra, mas tendo como ponto de partida um dos mais simpáticos filmes de Hollywood, o resultado é tímido. Falta a malícia que o filme dos anos 90 tem, falta até um pouco da sensualidade. E eu não estou dizendo que o roteiro do primeiro é genial ou nada do tipo, ele mesmo tem suas falhas e seus “tapa buracos”, mas é tão fluido e tão azeitado que até os problemas ajudam a dar gracejo e identidade à comédia. Falta leveza e falta carisma. O filme acerta algumas piadas e tem boas sequências de basquete, mas isso não soma força o suficiente para dar corpo à produção. O remake tem energia, mas direciona essa energia para momentos errados deixando o filme tenso e travado sem a menor necessidade. Nota: 2/5

  • Crítica | Saltburn

    Foto: Divulgação Para quem odeia, acredito que a crítica se baseie principalmente no roteiro. caricatos e apenas medianamente convincentes, que dão vida a uma sátira que por vezes se perde na própria crítica

  • Crítica | O Dublê

    horas poderiam dar um entendimento maior da categoria para fora de cena e par além do que usualmente se mostra

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