Crítica | Pressão
- Gabriella Ferreira

- há 1 dia
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Entre mapas, previsões e decisões que poderiam mudar o rumo da guerra, filme transforma os bastidores do Dia D em campo de batalha.

Pressão chega aos cinemas em 3 de setembro e revisita um dos momentos mais decisivos da Segunda Guerra Mundial a partir de um ponto de vista pouco explorado pelo cinema. Baseado em fatos reais e adaptado da peça de David Haig, o filme acompanha as 72 horas que antecederam o Dia D, quando o general Dwight D. Eisenhower (Brendan Fraser) e o capitão James Stagg (Andrew Scott) precisam decidir se é seguro autorizar a maior invasão marítima da história ou adiar a operação e colocar em risco o rumo da guerra.
É justamente nessa perspectiva que o filme encontra seu maior diferencial. Apesar da quantidade quase inesgotável de produções sobre a Segunda Guerra Mundial, poucas se dedicam a mostrar o quanto a previsão do tempo poderia ser determinante em uma operação militar. Em Pressão, os meteorologistas deixam de ser personagens periféricos e passam a ocupar o centro de uma decisão capaz de definir o sucesso ou o fracasso do Dia D.
A escolha também permite que o longa construa sua tensão de maneira bastante particular. Curiosamente, suas melhores batalhas não acontecem no campo de guerra, mas nos bastidores. São os diálogos, as discussões e a sensação constante de que qualquer movimento em falso pode colocar milhares de vidas em risco que sustentam boa parte da narrativa. O filme transforma uma sala de reuniões em um verdadeiro campo de batalha.
Essa característica também evidencia o quanto o material original da peça continua presente na adaptação. O trabalho cuidadoso com os diálogos e a concentração de boa parte da história em poucos ambientes dão ao longa uma atmosfera deliberadamente teatral. Quando funciona, isso contribui para a sensação sufocante da espera e da responsabilidade. Quando não funciona, porém, torna algumas passagens repetitivas e excessivamente dependentes das conversas entre os personagens.
O elenco é um dos grandes responsáveis por manter o interesse. Brendan Fraser, que recentemente conquistou o Oscar por A Baleia, mostra novamente a força dessa nova fase de sua carreira e entrega um Eisenhower seguro e contido. Andrew Scott, por sua vez, está excelente como James Stagg, especialmente nos momentos em que o personagem precisa lidar com a pressão de saber que uma previsão equivocada pode ter consequências irreversíveis. A dupla funciona muito bem e dá peso às discussões que conduzem o filme.

É nas cenas de guerra, justamente, que Pressão encontra seu elo mais fraco. As sequências externas não possuem a mesma força das cenas construídas a partir dos diálogos e acabam quebrando um pouco o clima de tensão que o filme consegue estabelecer. É uma fragilidade compreensível, já que o conflito militar propriamente dito nunca foi o foco principal da produção, mas a diferença de qualidade entre esses dois momentos é perceptível.
Ainda assim, Pressão encontra uma maneira interessante de revisitar um episódio amplamente conhecido da história. Ao trocar os campos de batalha pela meteorologia, pelas decisões estratégicas e pela pressão dos bastidores, o filme mostra que algumas das batalhas mais importantes da guerra também aconteceram longe das armas.
Nota: 3.5/5



















