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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

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  • Crítica | Verity

    Adaptação do best-seller de Colleen Hoover encontra boas soluções para levar sua narrativa às telas, mas perde força na construção da tensão. Imagem: Divulgação Adaptar um livro tão verborrágico quanto Verity, de Colleen Hoover, nunca seria uma tarefa simples. Grande parte da história está justamente na experiência de acompanhar uma escritora em primeira pessoa enquanto ela lê o manuscrito de outra personagem, mergulhando cada vez mais em uma narrativa em que não sabe exatamente no que acreditar. O filme consegue encontrar soluções interessantes para transportar essa estrutura para as telas, mas tropeça justamente onde a obra literária mais prende: na construção da tensão. Lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 1º de outubro, o filme acompanha Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma escritora contratada para terminar a série de livros da famosa Verity Crawford (Anne Hathaway), que está impossibilitada de continuar escrevendo após um acidente. Hospedada na casa da autora, Lowen encontra um manuscrito que revela acontecimentos perturbadores sobre a família e passa a questionar o quanto daquilo é ficção. O filme se sai bem ao preservar a principal dúvida da história e deixar em aberto a disputa entre manuscrito e carta. Em vez de entregar uma resposta definitiva, a adaptação permite que o público escolha em que acreditar, mantendo uma das características mais interessantes do livro. As mudanças feitas para o cinema também funcionam, especialmente na tentativa de transformar uma narrativa essencialmente interna em algo visual. O problema é que essa mesma história perde parte do impacto quando chega às telas. A tensão que funciona tão bem nas páginas nem sempre encontra o mesmo espaço no filme. A direção até cria momentos de suspense, mas não consegue sustentar a atmosfera de inquietação durante toda a trama. A fotografia ajuda a construir o clima, mas também evidencia alguns dos problemas da condução do suspense. Imagem: Divulgação Ainda assim, existe algo quase camp em Verity que torna difícil simplesmente desviar o olhar. A história é exagerada, cheia de situações absurdas e personagens que parecem sempre estar escondendo alguma coisa, e o filme abraça boa parte desse exagero. É justamente aí que a adaptação funciona melhor: nem tudo precisa ser tão profundo, e Verity sabe muito bem disso. Os atores também ajudam bastante. Dakota Johnson, Josh Hartnett e Anne Hathaway são envolventes e conseguem sustentar personagens que nunca são apresentados como figuras completamente morais. Ninguém ali parece interessado em ocupar o papel de “pessoa boa” da história, e todos carregam falhas, segredos e até um certo toque vilanesco. É justamente essa falta de uma divisão tão simples entre vítimas e culpados que mantém a dinâmica entre eles interessante. Talvez seja difícil imaginar uma adaptação de Verity que agrade completamente aos fãs mais fervorosos do livro. Além das mudanças inevitáveis, existe uma questão estrutural: boa parte da força da obra de Colleen Hoover está na maneira como ela conduz o leitor pela cabeça de Lowen e pelo manuscrito de Verity. O filme encontra caminhos para reproduzir essa experiência, mas não consegue transformar toda aquela verborragia em uma tensão cinematográfica equivalente. Isso não significa, porém, que o filme deixe de funcionar. Verity tem problemas claros, mas também entende exatamente o tipo de entretenimento que quer oferecer. Há reviravoltas, personagens questionáveis, uma história deliberadamente exagerada e uma dúvida que permanece até o final. Não é preciso procurar muito além disso para se divertir. No fim, Verity talvez não consiga reproduzir nas telas toda a tensão que existe nas páginas, mas entrega uma adaptação suficientemente envolvente e, acima de tudo, divertida. Entre seus acertos e tropeços, o filme sabe que nem toda história precisa ser levada tão a sério. Nota: 3/5

  • Crítica | Dentro da Baleia

    Não estamos diante de uma produção que depende exclusivamente do espetáculo de monstros gigantes perseguindo O cachalote não age como um monstro que persegue deliberadamente o protagonista.

  • Crítica | Branca de Neve

    A aventura mágica remonta à história atemporal com os amados personagens Dengoso, Mestre, Dunga, Zangado

  • Crítica | Precisamos Falar

    Ao seu lado, Celso, personagem de Emílio de Mello, que apesar da candidatura política se mostra alguém Voltolini não suaviza o personagem, e é justamente por isso que ele assusta: Michel não é um monstro

  • Crítica | O Menu

    terror ácido com toques de comédia satírica Divulgação: Searchlight Pictures Lançado no último mês de 2022 isso de uma forma inteligente e visceral e a inserção da alta gastronomia como um componente dessas críticas

  • Crítica | Belas Promessas

    É o que mostra Belas Promessas, dirigido por Thomas Kruithof e estrelado por Isabelle Huppert e Reda de seu país (senão a melhor) está soberba como sempre, interpretando uma mulher que a princípio se mostra

  • Crítica | Clonaram Tyrone!

    Apesar da pouca experiência na direção de longas-metragens o diretor Juel Taylor mostra que tem boas Esse ano eu falei sobre afrosurrealismo na crítica da espetacular série Sou de Virgem, de Boots Riley

  • Crítica | TÁR

    encontram-se neste lugar: demonstram a decadência de um modelo de humanidade, e longe de fazê-lo sem críticas Esta crítica é proposital e provocativamente curta porque quero utilizar a imortalidade da internet como Sempre que alguém ler esta crítica, sinta-se compelido a ir imediatamente assistir ao filme e trilhar

  • Crítica | Aftersun

    que possa parecer fugir desse padrão, originalidade de Welles teve resultado positivo: ao longo de 2022

  • Crítica | Lispectorante

    O espírito da obra de Clarice Lispector serve de pano de fundo para a gentrificação de Recife e mais uma atuação fenomenal de Marcélia Cartaxo. Divulgação Em sua entrevista para o Oxente Pipoca (que pode ser conferida aqui), a diretora de Lispectorante, Renata Pinheiro, comentou sobre como se deu seu contato com a literatura de Clarice Lispector ainda durante a infância, quando começou a se entender artista. “A gente tem aquele vazio dentro da gente que só é preenchido em alguns momentos quando você encontra obras como a de Clarice. (...) Eu me lembro que li ela muito criança, depois na adolescência, e nem sei se eu entendia tudo, mas aquilo me deu um certo alívio dessa complexidade que é ser mulher, ser artista”, disse ela. Que apropriado e poético, portanto, que 40 anos após uma das obras seminais de Clarice (A Hora da Estrela) ter sido adaptada ao cinema e revelado ao mundo o talento de Marcélia Cartaxo, a atriz paraibana volte a atuar num projeto de alguma forma ligado à escritora. Embora Lispectorante não seja uma adaptação direta de um dos seus livros, pega o espírito da sua obra – aqui “personificado” na casa em que ela viveu no centro de Recife – para atrelá-lo à protagonista de Marcélia, Glória Hartman, uma mulher de meia-idade que retorna à cidade depois de anos. Vivenciando um sentimento de abandono após o término do seu casamento, Glória parece de alguma forma espelhar o próprio abandono pelo qual o centro de Recife está passando. A gentrificação é um dos tópicos mais importantes do filme, mas Renata opta por não abordá-lo de maneira direta e se limitar a um mero comentário social: prefere retratar esse centro como um espaço sim degradado e negligenciado pelo poder público, mas também cheio de vida, povoado por figuras quase fabulosas (como o par romântico de Glória vivido por Pedro Wagner ou até artistas da vida real em pontas, como Karina Buhr). Nesse sentido, a casa de Clarice Lispector emerge como uma representação desse universo, que abraça ares cada vez mais surrealistas à medida que imerge mais e mais na mente criativa, mas também conturbada, de Glória. Alguns dos melhores momentos do filme vêm com as inserções de sequências oníricas estreladas por ninguém menos que Grace Passô, que surge como uma representação do processo criativo que tantos artistas possuem. Mesmo que curtas dentro da metragem do filme, elas se destacam não só pelo prazer de se assistir Passô, mas por se integrarem à lógica interna da obra e aludirem ao fluxo característico das obras de Clarice. Divulgação É inegável, porém, que o filme acabe adotando um tom ligeiramente repetitivo a partir da sua segunda metade, ainda mais porque alguns dos conflitos inseridos no decorrer da trama (como aquele entre Glória e seu primo, vivido por Tavinho Teixeira) pouco se sustentam ou recebem algum desenvolvimento satisfatório. É como se o longa quisesse trabalhar Glória e aquele macrocosmo de diversas perspectivas, mas fosse mais bem-sucedido em algumas do que em outras. Apesar destes percalços, Lispectorante é eficaz no processo de integrar o caráter único da bibliografia de Clarice Lispector a um universo dotado de um sotaque (inclusive fílmico) deliciosamente próprio. Ajuda muito ter uma atriz do cacife de Marcélia Cartaxo, uma das maiores que já vimos neste país, adentrar de corpo e alma na obra para mostrar que sua relação com a autora não se encerrou lá em A Hora da Estrela, mas segue muito viva, 40 anos depois. Nota: 3.5/5

  • Crítica | Atena

    male gaze: a representação das violências sofridas pelas mulheres, com uma câmera que quer porque quer mostrá-las deveriam estar “apenas” no problema da violência de gênero, e não também no saldo final do filme que tenta criticá-la

  • Crítica | Hedda

    Tessa Thompson e Nina Hoss abrilhantam o jogo de seduções e aparências dirigido por Nia DaCosta. Imagem: Divulgação Há uma constante atmosfera de morte pairando sobre Hedda desde sua primeira cena, onde a personagem-título (Tessa Thompson) reage com certa indiferença ao fato de que uma pessoa foi baleada na festa realizada em sua casa. Mesmo quando voltamos aos eventos que culminaram nesse tiro, essa atmosfera permanece, seja na tentativa de suicídio implícita de Hedda (e que dialoga com sua cena final) ou na constante exibição de armas antes e durante a festa. Essa sensação de mau agouro ajuda a nos lembrar constantemente de que o que estamos vendo em tela é uma grande farsa, um jogo de aparências onde todos usam máscaras enquanto fazem de tudo para serem aceitos neste meio social. A começar pela própria Hedda, interpretada por Thompson como uma mulher disposta a tudo (tudo mesmo) pelo controle da própria vida. A fala mansa, o olhar sedutor, os gestos calculados, o meio-sorriso: Thompson faz uma performance tão dissimulada que é impossível não se deliciar com suas maquinações, bem como o descontrole que emerge a partir do momento em que vemos Eileen Lovborg (Nina Hoss) entrar em cena. Mesmo antes de Hoss aparecer em tela, a direção e o texto de Nia DaCosta não nos negam que essa mulher é o grande amor da vida de Hedda, ao invés do seu patético marido George (Tom Bateman) ou o cínico amante Brack (Nicholas Pinnock). A primeira cena de Hoss é filmada com tanto impacto – reduzindo os sons ambientes e a música quase ao silêncio – que é impossível dissociar nossa reação da de Hedda, como se ficássemos sem ar tanto quanto a personagem. Assim, a grande força de Hedda vem da oposição e da tensão entre as duas personagens, e é quando orbita entre elas e se centra nas performances de Thompson e Hoss que ele mais brilha. Não que o restante do elenco não seja competente, mas sabiamente DaCosta confere o maior foco da obra a elas. Imagem: Divulgação A diretora também se empenha em conferir o maior dinamismo possível ao filme, como se numa tentativa de afastá-la das suas raízes teatrais (trata-se de uma adaptação da peça homônima do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen). Assim, os movimentos de câmera, sempre acompanhando intensamente os personagens ou adotando uma câmera mais trêmula e instável, a trilha percussiva e jazzística de Hildur Guðnadóttir, ou as releituras em termos de questões de raça, gênero e sexualidade, são alguns dos meios pelos quais DaCosta cria uma obra ligeiramente anacrônica, interessada em oferecer uma nova visão sobre a peça de Ibsen. Tenho para mim, contudo, que na tentativa de se afastar da natureza teatral do texto, a diretora acaba por fazer um trabalho que está um tom acima do próprio filme. Como resultado, diversas cenas que pedem por maior silêncio e introspecção, ou que estão mais ancoradas no texto e na performance do elenco, acabam por ser sobrecarregadas pela câmera enérgica ou a trilha um tanto intrusiva de Guðnadóttir. A própria atmosfera agourenta do filme acaba sendo saturada pelo mergulho numa tensão que quase nunca se concretiza, até mesmo no clímax ou na sequência final. Apesar dessa discrepância tonal, Hedda é um interessante estudo sobre desejos, repressões e dissimulações, sobre até onde se é possível ir para se obter tudo que queremos ou achamos ter direito. É um desvio interessante por parte de DaCosta, que consegue imprimir uma visão aqui certamente mais autoral do que nos blockbusters recentes que dirigiu, e brilha sobretudo pela intensidade magnética de Thompson e Hoss, com duas das minhas performances favoritas do ano. Nota: 3.5/5

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