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- Crítica | Depois da Caçada (Festival do Rio 2025)
Em 2024, foram dois filmes em sequência, o elogiado Rivais e Queer — que, diferente do primeiro, acabou Com lançamento agendado para outubro nos cinemas brasileiros, ele chega ao Festival do Rio de 2025 como
- Crítica | Apolo (Festival do Rio 2025)
O retrato de uma gestação trans que é resistência e afeto em cena Foto: Reprodução Em um mundo tão polarizado como o de hoje, existir e ser uma pessoa trans já é um sinônimo de resistência. E para uma sociedade preconceituosa como a nossa, ver o gestar transcentrado parece algo absurdo. É nesse contexto que nasce também o documentário Apolo, dirigido por Tainá Müller e Isis Broken, contando a trajetória de Isis e Lourenzo Duvale, que em meio à pandemia da Covid-19, enfrentam os desafios impostos pela transfobia institucional e pelo preconceito social ao vivenciar a experiência da gestação de Lourenzo — homem trans que carrega o filho do casal, o pequeno Apolo. Exibido no 27º Festival do Rio, Apolo é uma obra que transcende o relato íntimo de uma gestação para se tornar um potente manifesto sobre identidade, afeto e resistência. O ponto de partida do documentário é um episódio de violência institucional: Lourenzo é impedido de realizar uma consulta pré-natal na rede pública de saúde de Aracaju por ser um homem grávido, expondo não só a precariedade do sistema como sua profunda inadequação diante das demandas de pessoas trans. Isis, que vem fazendo parte de trabalhos recentes na TV, pode estar sendo conhecida pelo público nacional agora, mas já era um nome potente na cena musical em Aracaju desde 2019. A violência sofrida pelo seu parceiro mostrou a necessidade da mudança para a capital paulista, tudo mostrado no documentário com muita sensibilidade. Seja para quem já conhecia o casal através das redes sociais ou para quem vai conhecê-los através do documentário. Foto: Reprodução Apolo constrói uma narrativa tocante e política a partir do cotidiano do casal, entrelaçando as dores e alegrias de uma gestação com as violências e invisibilidades enfrentadas por corpos dissidentes. O longa não se furta de mostrar as dificuldades financeiras, os medos, os preconceitos e os afetos, apostando numa estética da intimidade que humaniza seus personagens e convida o público a repensar noções normativas de família, gênero e amor. A narração, que faz com que o documentário seja quase como uma carta para Apolo no futuro, torna tudo mais bonito e também torna-se um registro muito verdadeiro e honesto para uma criança que, em breve, irá entender como a sua existência também é uma forma de resistência. Cinematograficamente, o documentário se destaca pela delicadeza da estreia na direção de Tainá, que sabe onde parar e onde insistir, construindo um retrato que não é apenas sobre Lourenzo, Isis e Apolo, mas sobre todas as pessoas trans que lutam diariamente pelo direito de existir com dignidade. Não é nada revolucionário no modo de contar a história, mas é extremamente competente em como essa trama chega em quem o assiste. Ao fazer da vida um gesto político, Apolo se afirma como um documentário que deverá ressoar muito além da Première Brasil, tornando-se muito além de um registro para o futuro de Apolo. Um filme que toca, provoca e permanece. Nota: 4/5
- Crítica | Dreams (Sex Love)
esse emaranhado que trata Dreams, filme norueguês vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2025 , terceiro capítulo da trilogia de Dag Johan Haugerud, iniciada com Sex e Love (todos de 2024). Depois de contemplar sobre a importância do sigilo do texto, ela decide mostrá-lo à avó, uma escritora Em verdade, o recurso se mostra interessante no início, porém não demora até se tornar repetitivo e cansativo
- Crítica | A Roda do Tempo (3ª temporada)
Série surpreende com sua melhor e mais sólida temporada até o momento e se mostra a mais interessante Divulgação Quando lançada em 2021, A Roda do Tempo correu o risco de ser eclipsada pelo potencial de Essa confiança se mostra válida, pois, embora a segunda temporada tenha passado longe de ser brilhante desenvolvimento dos personagens e também das performances do núcleo mais jovem, sempre um ponto focal das minhas críticas necessárias e bem-vindas; afinal de contas, não é exagero dizer que à esta altura do campeonato a série se mostra
- Crítica | Diane in the Loop (Festival de Veneza 2026)
Filme belga-francês aborda a armadilha e o peso do trauma Divulgação “Diane in the Loop”, longa dirigido por Ann Sirot e Raphaël Balboni, traz uma perspectiva diferente sobre o que se espera de uma relação entre mãe e filha e, além disso, como traumas podem ser projetados. O filme busca estabelecer dois lados dessa conexão maternal, de forma crua e honesta. Na trama, acompanhamos Diane (Ninon Borsei), que navega seus anos de jovem adulta e sua relação com sua mãe. Tudo muda quando Diane descobre que sua mãe foi violentada, despertando uma fúria e vontade de vingança. Ao mesmo tempo, sua mãe tenta reconstruir a sua vida, tentando se tornar a pessoa que sempre quis. Apesar de objetivos tão diferentes, a forma como as duas lidam com suas questões definem o rumo do longa. O impacto da revelação do trauma da mãe impulsiona Diane em uma busca conturbada por reparação. A narrativa avança quase que como uma fábula, onde uma coisa vai abrindo outra e se torna maior que a anterior. Aqui, destaco a forma como o texto e atuação traz uma certa leveza ao espectador, apesar de tocar em assuntos tão sérios e traumáticos sem hesitações. E é muito interessante como a relação de mãe e filha é explorada aqui. É possível entender o quanto a mãe de Diane se vê na filha, ao mesmo tempo que a repreende por fazer coisas que não conseguiu. E não é por inveja ou desdém, mas para protegê-la do que aconteceu com ela. Por outro lado, a jornada da Mãe de desabrochar e ir em busca de si mesma é algo bonito de se assistir. Algo que se torna controverso é a forma como algumas atitudes de Diane são justificadas por tomar para si as dores de sua Mãe. Muitas vezes, apesar de mesmo ser algo não proposital, ela acaba “forçando” a Mãe a lidar com o seu trauma. Essa imposição, ainda que mascarada de proteção, reproduz uma forma de violência ao privar a vítima do controle sobre a própria história. O loop que é mencionado no título está diretamente conectado com isso, com a forma dessa perpetuação de traumas. A narrativa acerta ao discutir a necessidade de interromper esse fluxo, mas acaba perdendo um pouco à mensagem quando normaliza alguns comportamentos da protagonista. “Diane in the Loop” é um filme bom, apesar de certas ressalvas e faz com que o espectador tire suas próprias conclusões, gerando um bom debate pós-filme. Nota: 3/5
- Crítica | House Of The Wind (Festival de Veneza 2026)
Diretor Auguste Bernard Kouemo Yanghu apresenta um balanço perfeito entre formas de abandono e a necessidade de pertencer Divulgação O que acontece quando a casa, que deveria representar pertencimento, passa a ser construída para convencer quem foi embora a voltar? Esse é o dilema principal da protagonista de House Of The Wind, Josette, uma camaronesa que persiste em seu país natal enquanto seus filhos estão espalhados pelo mundo. Por meio de uma vídeo chamada, existe uma distância que nenhuma conexão de internet consegue diminuir. É desse espaço entre quem parte e quem permanece que Kouemo Yanghu constrói em House of the Wind. Em Camarões, Josette é uma mulher idosa que vive sozinha enquanto os filhos estão espalhados por diferentes partes do mundo. Na tentativa de reuni-los novamente, ela decide construir uma casa que possa servir como ponto de retorno para um dos filhos. É durante esse processo que conhece Sarah, uma jovem que também enfrenta o afastamento de seus familiares e está prestes a se casar com um estrangeiro. De um acordo marcado por interesses particulares, nasce uma relação inesperada entre duas mulheres de gerações distintas, unidas por diferentes formas de solidão, desejo de pertencimento e busca por autonomia. O próprio espaço se torna personagem nessa história. A partir de uma fotografia banhada por tons quentes e de uma ambientação que preserva as particularidades de Camarões, Kouemo Yanghu constrói um olhar atento para as contradições do país. A desigualdade não aparece apenas como pano de fundo, mas atravessa a própria composição do filme, seja nas marcas estruturais da precariedade, seja na distância que separa Josette dos filhos, cuja partida também remete à chamada fuga de cérebros. Sem transformar essas questões em discurso expositivo, o diretor permite que elas surjam naturalmente do cotidiano da protagonista. É justamente nessa contenção que o diretor faz um ótimo trabalho ao construir um retrato ao mesmo tempo íntimo e sociopolítico, de uma forma sutil e impactante. Sarah está longe de ser uma personagem secundária, ainda que, à primeira vista, possa ocupar esse lugar dentro da narrativa. Assim como Josette, ela carrega as marcas do afastamento familiar, mas sua trajetória aponta para uma direção diferente. Como os filhos da protagonista, Sarah experimentou a vida fora do país e foi assim que conheceu o estrangeiro que a pediu em casamento. De maneira mais silenciosa e de forma um pouco ilegal, ela constrói seu próprio caminho para seguir em frente sem os pais, ao mesmo tempo em que estreita os laços com alguém que, em movimento contrário ao seu, faz de tudo para trazer os filhos de volta à sua realidade. É justamente nesse contraste que a personagem ganha força: enquanto Josette tenta reconstruir os vínculos com quem foi embora, Sarah parece aceitar que, para construir o próprio futuro, talvez seja necessário aprender a viver com a ausência. Divulgação Além do simbolismo familiar, mesmo que complexo, algumas passagens do longa acabam se tornando monótonas e repetitivas. Ainda assim, a fotografia calorosa mantém seu poder mesmo nesses momentos, fazendo com que os espectadores raramente sintam que a narrativa parece se prolongar. Em determinadas cenas, também não é tão evidente qual sentimento o filme pretende gerar: seria apenas a saudade da família ou a melancolia por aquilo que um dia foi sonhado e nunca chegou a se concretizar? Essa certa indefinição, talvez possa afastar o espectador em alguns momentos, mas em parte é compensada pela força das atuações. Há uma verdade e uma intensidade tão presentes no trabalho das atrizes que muitas dessas oscilações acabam sendo absorvidas pela própria experiência emocional do filme. Por fim, o questionamento: O que acontece quando a casa, que deveria representar pertencimento, passa a ser construída para convencer quem foi embora a voltar?, é respondido por um final um pouco confuso, e definitivamente triste. É uma pergunta que o filme deixa suspensa. O próprio vento que atravessa as casas, levando aqueles que decidiram sair, mas também revelando quem escolheu permanecer. Os últimos momentos não trazem exatamente as respostas que procuramos durante o filme, especialmente na relação entre Josette e Sarah, mas a narrativa não falha ao homenagear as mães que fazem de tudo para que seus filhos criem asas ao mesmo tempo em que sentem falta de suas presenças. Nota: 4/5
- Entrevista | “O cinema pode ser uma ferramenta catártica”: Akinola Davies Jr. fala sobre “A Sombra do Meu Pai” (Mostra de SP 2025)
Cannes, o filme nigeriano A Sombra do Meu Pai estreou na última segunda-feira (20) na 49ª edição da Mostra Você pode conferir a crítica do filme aqui. oportunidade de entrevistar Akinola Davies Jr. durante sua estadia em São Paulo para divulgar o filme na Mostra É um filme que foi feito, eu diria, entre 2020 e 2021, é um lindo filme sobre pessoas tentando deixar
- Crítica | Os Banshees de Inisherin
Um passaporte direto para Inisherin Divulgação: Searchlight Pictures Qual seria sua reação se um de seus amigos mais próximos deixasse de gostar de você do dia para a noite, e, sem sequer dar uma explicação? Esse é o dilema que Pádraic (Colin Farrell) passa quando Colm (Brendan Gleeson) decide que seu antigo amigo não faz parte da nova etapa de sua vida. Martin McDonagh (Três Anúncios Para Um Crime) consegue achar o tom perfeito em ‘Os Banshees de Inisherin’, que enquanto traz algumas das situações mais inusitadas, consegue as transformar em ótimos momentos dramáticos. Um dos muitos acertos do longa é o seu elenco, que muitas vezes nem precisa falar para nos levar a uma cidade do interior da Irlanda, neste caso a ilha fictícia de Inisherin. Farrell e Gleeson entregam uma dinâmica tão boa enquanto “brigados” que até me faz querer um prequel só para ver a antiga relação deles. O filme também conta com Kerry Condon interpretando Siobhán, irmã de Pádraic e Barry Keoghan interpretando Dominic, o filho do policial da ilha, que é considerado por muitos como o mais burro do local, ambos conseguem ter ótimos momentos em tela, e além de ajudar a principal dinâmica do filme, também mostram desenvolvimento de seus personagens. Ao pensar nas lindas locações que o filme se passa, não surpreende que o diretor de fotografia, Ben Davis, entrega visuais deslumbrantes, que até poderiam servir como uma propaganda para o turismo local. Além de conseguir perfeitamente capturar incríveis visuais naturais, os elementos adicionados à tela, no contexto da história, muitas vezes conseguem elevar as imagens criadas que deixam o público de boca aberta. Divulgação: Searchlight Pictures Se tem uma coisa que o espectador vai lembrar após sair da sala do cinema, é a única e incrivelmente criativa história de McDonagh. A incrível conexão que o espectador pode ter com pelo menos um dos personagens apresentados, cria um ambiente de autorreflexão, onde os temas mostrados brilham ao deixar quem o assiste pensando. Outro enorme elemento usado pelo diretor é a comédia, que eleva a história surrealista para um lugar onde todos os elementos exagerados funcionam. ‘Os Banshees de Inisherin’ é uma das melhores comédias do ano, e, ao passo que consegue trazer temas atemporais. O filme traz grandes atuações de Colin Farrell e Brendan Gleeson com uma dinâmica fantástica, além da incrível participação de Kerry Condon e Barry Keoghan. Apesar de ser uma história incrivelmente criativa, o filme pode acabar caindo no mesmo lugar do último longa do diretor, que apesar de ter chegado na temporada de premiações, caiu no esquecimento da maior parte dos espectadores. Nota: 4,5/5 *assistido em Toronto, Canadá
- Crítica | Velhos Bandidos
Quando o plano é previsível, mas o elenco rouba a cena com charme e precisão cômica. Imagem: Divulgação O que faz uma comédia funcionar de verdade? Timing, texto, absurdo. Tudo isso conta. Mas, no fim das contas, é o carisma que sustenta o riso. É a presença dos atores que transforma uma piada comum em algo memorável. E é justamente nisso que Velhos Bandidos encontra sua maior força. Com estreia marcada para a próxima quinta-feira, dia 26, nos cinemas brasileiros, o filme aposta alto no seu elenco e acerta. A trama acompanha o casal de aposentados Marta e Rodolfo, vividos por Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, que decidem planejar o crime perfeito, um grande assalto a banco. Para isso, contam com a ajuda de uma dupla mais jovem, Nancy e Sid, interpretados por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta. No encalço deles está o determinado investigador Oswaldo, papel de Lázaro Ramos. O grande trunfo do filme está na química entre esse quarteto improvável. Montenegro e Fontoura são gigantes por si só, mas juntos elevam o filme a outro nível. Existe ali uma cumplicidade que transborda a tela, uma sensação de intimidade que não se ensaia. Mais do que personagens, os dois carregam consigo uma bagagem afetiva que o público reconhece quase instantaneamente. E é justamente aí que Velhos Bandidos se diferencia. Ainda que siga uma estrutura bastante conhecida de filmes de assalto, o longa parece menos interessado na mecânica do golpe e mais interessado em observar essas figuras em cena. Existe um prazer evidente em simplesmente acompanhar esses atores ocupando o espaço, conduzindo o ritmo das cenas com naturalidade, como se o filme respirasse no tempo deles. Marquezine e Brichta entram como um contraponto energético, trazendo frescor e irreverência à narrativa. A dupla jovem não apenas acompanha o ritmo, como ajuda a criar um jogo geracional interessante, onde experiência e impulsividade se chocam e se complementam. Já Lázaro Ramos encontra um tom preciso para seu investigador, equilibrando seriedade e humor sem nunca destoar do conjunto. Imagem: Divulgação O elenco de apoio também merece destaque, com participações de nomes como Tony Tornado, Vera Fischer, Reginaldo Faria, Nathália Timberg e Teca Pereira. São aparições pontuais, mas carregadas de presença, que reforçam essa sensação de que o filme é, acima de tudo, um encontro de trajetórias. Muito desse conforto vem da direção de Cláudio Torres, que demonstra domínio do gênero ao não tentar sofisticar demais o que já funciona. Ele abraça o absurdo da premissa, utiliza cortes ágeis, zooms pontuais e uma trilha sonora que ajuda a sustentar o ritmo, mas nunca deixa que a forma se sobreponha aos atores. A encenação parece sempre construída para servir às performances. Narrativamente, o filme não esconde sua previsibilidade. Algumas soluções são antecipadas e certos caminhos já foram explorados inúmeras vezes pelo cinema. Ainda assim, isso não chega a comprometer a experiência. Pelo contrário, há quase um conforto nessa familiaridade, como se o roteiro fosse apenas um pretexto para manter esses personagens em movimento. No fim, Velhos Bandidos funciona porque entende exatamente o que quer ser. Não é uma comédia que busca reinventar o gênero, nem surpreender pela trama. Seu maior interesse está na convivência entre seus personagens, no choque de gerações e, principalmente, na força de um elenco que transforma o simples em algo envolvente. Pode não ser inovador, mas é eficiente, carismático e, acima de tudo, muito prazeroso de assistir. E, às vezes, é justamente isso que faz um filme valer a pena. Nota: 3,5/5
- Crítica | Maxita (15º Olhar de Cinema)
retrocesso, em que as pessoas se sentem mais e mais confortáveis para desumanizar certos grupos, Maxita se mostre
- Crítica | Os Fabelmans (TIFF 22)
Desde o primeiro momento do filme, Spielberg mostra que esta história não é só sobre ele, e sim seu amor Rogen mostra um novo lado dele, e mesmo tendo momentos cômicos, consegue entregar uma performance que
- Crítica | Coyote vs. Acme
É uma crítica ao capitalismo corporativo que não pesa a mão, mas está presente o suficiente para dar












