Crítica | Diane in the Loop (Festival de Veneza 2026)

há 1 hora
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Filme belga-francês aborda a armadilha e o peso do trauma

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“Diane in the Loop”, longa dirigido por Ann Sirot e Raphaël Balboni, traz uma perspectiva diferente sobre o que se espera de uma relação entre mãe e filha e, além disso, como traumas podem ser projetados. O filme busca estabelecer dois lados dessa conexão maternal, de forma crua e honesta.
Na trama, acompanhamos Diane (Ninon Borsei), que navega seus anos de jovem adulta e sua relação com sua mãe. Tudo muda quando Diane descobre que sua mãe foi violentada, despertando uma fúria e vontade de vingança. Ao mesmo tempo, sua mãe tenta reconstruir a sua vida, tentando se tornar a pessoa que sempre quis. Apesar de objetivos tão diferentes, a forma como as duas lidam com suas questões definem o rumo do longa.
O impacto da revelação do trauma da mãe impulsiona Diane em uma busca conturbada por reparação. A narrativa avança quase que como uma fábula, onde uma coisa vai abrindo outra e se torna maior que a anterior. Aqui, destaco a forma como o texto e atuação traz uma certa leveza ao espectador, apesar de tocar em assuntos tão sérios e traumáticos sem hesitações.
E é muito interessante como a relação de mãe e filha é explorada aqui. É possível entender o quanto a mãe de Diane se vê na filha, ao mesmo tempo que a repreende por fazer coisas que não conseguiu. E não é por inveja ou desdém, mas para protegê-la do que aconteceu com ela. Por outro lado, a jornada da Mãe de desabrochar e ir em busca de si mesma é algo bonito de se assistir.
Algo que se torna controverso é a forma como algumas atitudes de Diane são justificadas por tomar para si as dores de sua Mãe. Muitas vezes, apesar de mesmo ser algo não proposital, ela acaba “forçando” a Mãe a lidar com o seu trauma. Essa imposição, ainda que mascarada de proteção, reproduz uma forma de violência ao privar a vítima do controle sobre a própria história.
O loop que é mencionado no título está diretamente conectado com isso, com a forma dessa perpetuação de traumas. A narrativa acerta ao discutir a necessidade de interromper esse fluxo, mas acaba perdendo um pouco à mensagem quando normaliza alguns comportamentos da protagonista. “Diane in the Loop” é um filme bom, apesar de certas ressalvas e faz com que o espectador tire suas próprias conclusões, gerando um bom debate pós-filme.
Nota: 3/5



















