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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1325 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Entrevista | Rafael Carvalho fala sobre a importância da Mostra Cinema Conquista: "Um festival é uma vitrine"

    Em entrevista ao Oxente Pipoca, o crítico de cinema e curador discutiu sobre o papel da Mostra no cenário Como você enxerga o papel do crítico no ecossistema de uma Mostra como a Cine Conquista? Rafael Carvalho: A nossa mostra tem um orçamento limitado para trazer críticos de fora, mas eu acho que era a coisa da “crise da crítica”. Acho que não se tem mais aquele “grande crítico” que todo mundo conhecia; você tem os nichos, um crítico

  • Crítica | Xógum: A Gloriosa Saga do Japão (1ª temporada)

    acima de tudo o personagem e sua inteligência, sua visão de enxergar além do básico, do que é esperado, mostra

  • Crítica | Entrevista com o Vampiro / O Vampiro Lestat (3ª temporada)

    Gabriella (Jennifer Ehle) ajuda a elucidar e destrinchar da figura complexa que é Lestat, e também mostra enquanto outros servem para apontar o futuro da série, como a inserção de Akasha (Sheila Atim, que se mostra

  • Crítica | The Witcher (3ª temporada, parte 1)

    Um começo morno para a despedida de Henry Cavill Foto: Divulgação A série baseada na saga literária do escritor Andrzej Sapkowski acaba de ganhar mais uma temporada na Netflix. O novo ano da produção marca a despedida de Henry Cavill no papel do bruxo Geralt de Rivia. Embora essa nova temporada tenha seus momentos empolgantes, também apresenta alguns pontos baixos, o que impede que a produção apresente todo o seu potencial. Uma das maiores conquistas da terceira temporada é a interação do trio de protagonistas, que é carismático e divertido de acompanhar, embora em alguns momentos tomem decisões que desconstroem as lições aprendidas nas temporadas passadas. O destaque maior, como nas duas outras temporadas, é Cavill no papel do bruxo, que continua a cativar o público com sua presença. Dessa vez, o personagem abraçou o lado paterno e mais humano, indo além de simples respostas. Sua jornada também é uma das mais interessantes de acompanhar, permitindo que os espectadores mergulhem em suas motivações e conheçam um pouco mais do passado do bruxo. Além do protagonista, outro personagem que parece ter evoluído é Yennefer (Anya Chalotra). Não só a atriz entrega uma melhor performance, como também o personagem começa a ser mais convincente. Já Ciri é um caso à parte no trio. Embora seja bastante divertido ver os três juntos como uma família, muitas decisões tomadas pelo personagem deram a impressão de que os acontecimentos das duas primeiras temporadas não ocorreram. Muitas vezes, Ciri volta a ser a princesa fugindo, como no início do primeiro ano da produção. Foto: Divulgação O ritmo da trama é equilibrado, com a produção finalmente acertando ao alternar entre a ação, intrigas políticas e o romance. Embora tenha despertado o incômodo de alguns fãs por se distanciar um pouco dos acontecimentos do livro, a série finalmente consegue expressar o tom melodramático presente na obra de Sapkowski. No entanto, a produção ainda falha em determinados momentos. Um exemplo disso é a terrível ameaça que Nilfgaard representa. Em certo momento, parece que os exércitos do imperador Emhyr estão prestes a afundar o mundo em uma guerra, mas nunca vemos essa ameaça se concretizar, pelo menos não nesses cinco episódios. Já por parte dos magos e dos reis, vemos uma busca infrutífera para capturar Ciri e seu poder ancestral, nunca ficando exatamente claro o que eles fariam com as habilidades únicas da garota. Diferente de Game of Thrones, onde as intrigas políticas tornam a série mais interessante, aqui vemos que a falta de clareza na exposição dos eventos torna esse recurso um pouco desinteressante. Porém, é nesse momento que o personagem Dijkstra (Graham McTavish) brilha. O espião da Redânia é um dos personagens mais perigosos do universo de The Witcher, lembrando muito Mindinho e Varys, com planos escusos e tendo chegado ao poder apenas com o uso de sua inteligência, pois, como o próprio afirma, tem uma origem humilde. Apesar do desenvolvimento emocional para os personagens e momentos de ação eletrizantes, é prejudicada essencialmente por algumas tramas desinteressantes que, se não fosse pela adição de certos personagens, seria totalmente desestimulante. No entanto, para os fãs leais da série e dos livros originais, essa temporada certamente irá proporcionar horas de entretenimento, mesmo com seus deslizes. a direção de arte consegue usar as paisagens naturais em conjunto com o CGI para tornar o mundo mais realista e proporcionar uma experiência visualmente gratificante para os fãs. Em resumo, a terceira temporada de The Witcher é uma montanha-russa de altos e baixos. Apesar do desenvolvimento emocional para os personagens e momentos de ação eletrizantes, é prejudicada essencialmente por algumas tramas desinteressantes que, se não fosse pela adição de certos personagens, seria totalmente desestimulante. No entanto, para os fãs leais da série e dos livros originais, essa temporada certamente irá proporcionar horas de entretenimento, mesmo com seus deslizes. Apesar do desenvolvimento emocional para os personagens e momentos de ação eletrizantes, é prejudicada essencialmente por algumas tramas desinteressantes que, se não fosse pela adição de certos personagens, seria totalmente desestimulante. Nota: 3/5

  • Crítica | Percy Jackson e os Olimpianos (1ª temporada)

    Infelizmente não fomos tão bem recebidos assim Foto: Divulgação/ Disney+ Quando eu soube lá em 2020 que Foi em 2013 quando tentaram mais uma adaptação nas telonas, com “O Mar de Monstros”, que eu parei de

  • Crítica | Vulcões - A Tragédia de Katia e Maurice Krafft

    Quando o cinema nos permite imergir nas possibilidades do amor (e da obsessão) Foto: Divulgação Toda vez que me ponho a pensar na vastidão do universo, sinto uma pontada de melancolia me dominar. Independentemente de sua fé ou crença (se é que tenha uma), há um certo peso esmagador quando nos enxergamos como o que realmente somos dentro da infinitude do cosmos — minúsculos e até insignificantes. Nem precisamos ir tão longe: basta olharmos para a Terra e a natureza, suas forças impiedosas e alheias a nós, humanos, conforme exercem seus poderes de destruição e criação. Poucas forças da natureza representam tanto essa capacidade e dualidade quanto vulcões, e é nessa convicção que Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft se sustenta, usando a história de vida (e morte) do casal de vulcanólogos franceses Katia e Maurice Krafft. Apesar do subtítulo em português enfocar a tragédia (o casal morreu durante a erupção do Monte Ouzen, no Japão, em 1991), o documentário é tudo, menos trágico. Sim, o poder destrutivo dos vulcões observados e visitados pelos Krafft está sempre presente, mas mais do que isso, o filme está interessado em nos mostrar o que os atraiu tanto nesses vulcões, de forma que nos sintamos atraídos também. Para isso, a diretora Sara Dosa se vale das próprias imagens de arquivo do casal, que gravavam ostensivamente suas expedições aos vulcões em erupção. Esses materiais, aliados aos diversos registros de entrevistas dadas por eles (em especial Maurice) durante os anos 1960 e 1990 e as leituras dos diários de Katia, permite que adentremos as vidas particulares e profissionais de ambos, como se eles mesmos fizessem esse convite do pós vida para os conhecermos melhor e entendermos (e vivenciarmos) a obsessão que os guiava. Foto: Divulgação As intenções de Dosa são claras: usar a história de amor dos Krafft para entrelaçá-la com o amor de ambos pelos vulcões. Mas sua abordagem passa longe de ser chapa-branca: uma vez que temos acesso direto ao que Katia e Maurice gravaram, é fácil entender o que os uniu em primeiro lugar e os manteve juntos mesmo com suas nítidas diferenças até o último dia de vida dos dois. É inevitável pensar em diversos momentos do documentário: “eles são loucos”, e ao mesmo tempo... é fácil entender porque eles foram atraídos por algo tão comum. Mesmo nos instantes mais trágicos — erupções no Congo, nos EUA, na Colômbia e a no Japão que ceifou suas vidas —, há uma beleza magnética e desafiadora em imagens de montanhas cuspindo fogo e gases, em rios de lava que trazem destruição e lava, nos atraindo na medida em que nos assombra. Se há um porém aqui, é na escolha da narração em off. Não só porque a maioria dos materiais de arquivo falam por si só (e em diversos momentos Dosa entende isso, dando voz a Katia e Maurice e a eles apenas), mas porque o tom monocórdico adotado por Miranda July, ao mesmo tempo em que consegue fugir dos chavões de documentários sobre natureza, também parece deslocado, incoerente com o tom que o próprio longa adota. Depois de um tempo é até possível se acostumar com esse modelo de narração, mas acaba sendo o calcanhar de Aquiles da obra. A despeito dessa estranha escolha, contudo, Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft consegue com maestria nos por na pele de Katia e Maurice, entender esse amor tão obsessivo por vulcões e partilhar desse amor por pouco mais de 1 hora e meia. Uma das mágicas do cinema é nos permitir empatizar e viver sentimentos e conexões que de forma alguma vivenciaríamos na vida real. Nesse aspecto, portanto, Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft é mais do que bem-sucedido, mesmo que jamais passemos perto de um vulcão.´ Nota: 4,5/5

  • Crítica | Todo Dia a Mesma Noite (Minissérie)

    Minissérie acerta no tom e faz justiça à luta das vítimas e familiares Divulgação É difícil que alguém que viveu o dia 27 de janeiro de 2013 não tenha nenhuma memória sobre o incêndio de grandes proporções na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul. Foi um fato noticiado desde as primeiras horas do dia em todas as maiores mídias televisivas e da internet. A partir daí, a Boate Kiss passava a ser conhecida internacionalmente como um dos maiores desastres do Brasil e até do mundo. É difícil não se lembrar e difícil esquecer a sensação horrível que ficava, de que aqueles jovens se pareciam conosco ou que pareciam com alguém que nós conhecemos. Com o passar das semanas, outras tragédias aconteciam, o assunto não parecia tão atual e a mídia deu vez a outras situações chocantes que aconteciam no Brasil. Mas, enquanto o resto da população parecia esquecer, um grande grupo de pessoas seguia acordando, dormindo e vivendo com a angústia do dia 27 de janeiro de 2013. Todos os dias. Aquela angústia não teve fim para os familiares das 242 vítimas e para os mais de 600 feridos. São essas pessoas que a minissérie Todo Dia a Mesma Noite, lançada nesta quarta-feira (25), traz em cena. Baseada no livro da jornalista documental Daniela Arbex, a obra da Netflix divide-se em 5 episódios de 40 minutos e conta de forma cronológica tudo que aconteceu, de forma ficcionalizada, do dia do incêndio até a vitória dos pais no Supremo Tribunal de Justiça para o julgamento dos acusados por dolo eventual em júri popular. Até aí, foram anos e anos de uma investigação dolorosa e demorada que continua sem sua devida conclusão. Divulgação: Netflix Devo dizer que passar dos dois primeiros episódios é uma tarefa bem difícil. Não que a série romantize o sofrimento ou use disso como artifício narrativo para chocar, longe disso. Todo Dia a Mesma Noite parece bem consciente de que essa é uma história palpável e recente para muita gente e que as cenas ali podem reviver memórias extremamente difíceis. Mas é necessário que seja mostrado para que o telespectador entenda o que aconteceu ali e porque o fato não deve ser lido como um simples acidente circunstancial. Roteirizada por Gustavo Lipsztein e dirigida por Júlia Rezende e Carol Minêm, a minissérie soube muito bem dosar esses momentos muito emocionantes sem apelar para um drama em excesso. A crueldade da história faz com que você rapidamente se apegue com os personagens introduzidos de uma forma bem simplória e entenda um pouco do que foi perdido naquela noite. É muito difícil assistir os fatídicos momentos em que tudo vai acontecendo sem que a emoção não tome conta, mas, vale ressaltar o incrível trabalho de produção e design de arte da série, que retratou o interior da boate de uma forma praticamente idêntica ao que era em 2013. Na sequência, o episódio dois, sem dúvidas, entrega a maior carga emocional da série. Ver os jovens já sem vida e a descoberta dos pais de que perderam os seus filhos é algo de cortar o coração. Ver os desdobramentos da tragédia, que mesmo já conhecido e explorado por jornais na época, nessa perspectiva mais íntima é realmente um soco no estômago, mas, um lembrete que o que aconteceu na Boate Kiss foi algo tão trágico e, principalmente, criminoso. Um dos bons destaques da série é a boa atuação do elenco jovem e adulto neste capítulo e da caracterização visual e de sotaque feita pelos preparadores do elenco. Divulgação: Netflix A partir do episódio três, temos uma mudança de narrativa e o que antes destrinchava os momentos terríveis do incêndio dão lugar ao luto dos pais atrelado a vontade por justiça, entram em cena aqui novos personagens como delegados, investigadores e promotores do Ministério Público que possuem um papel importante no caso. Os pais, como falado anteriormente, ganham o seu devido protagonismo e entregam ótimas atuações. Essa mudança narrativa pode ser sentida na fotografia da série também, que sai dos tons no estilo sépia e utiliza tons mais frios. São nesses três episódios, especialmente na reta final, que podemos perceber a verdadeira intenção da série. Todo Dia a Mesma Noite não quer ser minuciosa e trazer novos detalhes do momento da tragédia, a série quer mesmo que todo o público saiba todos os percalços da luta desses pais por justiça e de como o sistema judiciário brasileiro vem falhando constantemente com quem busca uma conclusão tantos anos depois. Sumiço de provas, impunidade, proteção a pessoas poderosas, julgamento adiado, feito e anulado, processo contra os pais das vítimas. Saber tudo isso, com mais detalhes, torna a dimensão da situação muito maior e deixa sua intenção bem clara: por memória, por justiça, para que não se repita. Nota: 4,5/5

  • Crítica | Decision to Leave (TIFF 22)

    Um filme de detetive ou uma história de amor? Courtesy of TIFF Seis anos após seu polêmico e erótico The Handmaiden, o diretor sul-coreano Park Chan-wook está de volta com um filme que não poderia ser mais diferente do seu antecessor: um neo-noir de toques hitchcockianos que é ao mesmo tempo um romance magnético e com toques de melodrama. Desta fusão inesperada emerge um dos melhores longas do ano. Decision to Leave se passa em Busan, onde o detetive Hae-jun (Park Hae-il) lida com casos pequenos, a energia nervosa do seu jovem parceiro Soo-wan (Go Kyung-pyo), a distância da sua esposa Jung-an (Lee Jung-hyun) e a constante insônia. Porém, tudo muda quando ele passa a investigar a misteriosa morte de um alpinista que caiu de um penhasco, e começa a suspeitar da esposa da vítima, Seo-rae (Tang Wei), uma imigrante chinesa e cuidadora de idosos que não parece muito abalada pela morte do marido. A suspeita de Hae-jun por Seo-rae se transforma em obsessão, e então em algo mais. É evidente que ele está se apaixonando por ela, mas a recíproca é verdadeira ou ela só o está usando? Courtesy of TIFF Onde diretores menores poderiam estender esse caso até os últimos limites, Chan-wook torna a trama cada vez mais labiríntica conforme Hae-jun e Seo-rae se aproximam e se afastam, ousando até mesmo inserir um salto temporal na metade do filme e reformular a dinâmica dos dois. Contudo, se em The Handmaiden ele não se fazia de rogado em trazer o sexo para o primeiro plano para construir a narrativa, aqui é capaz de criar uma atmosfera de paixão e sensualidade sem que seus protagonistas mal se toquem. É possível ver até aqui uma referência a In the Mood for Love, de Wong Kar-Wai, na forma em que os sentimentos proibidos entre o detetive e sua suspeita se desenvolvem e transformam através do não-dito e dos pequenos gestos, conforme são testados pelos seus limites éticos e as complicações do caso. O que é mais importante: a verdade sobre a morte do marido de Seo-rae ser revelada ou ela e Hae-jun ficarem juntos? Nesse sentido, Park Hae-il consegue construir perfeitamente o arquétipo do detetive noir em conflito com seus demônios internos; a montagem do filme parece até refletir a própria evolução do personagem, partindo de cortes frenéticos e confusos nos minutos iniciais para um ritmo mais contemplativo e relaxado conforme se aproxima de Seo-rae. Esta, nas mãos de Tang Wei, é o grande trunfo do filme: é nítido que ela é a femme fatale da história, mas Wei incorpora uma ambiguidade desarmante e desnuda as mais diversas camadas de uma personagem que é muito mais do que aparenta a princípio, tudo isso enquanto exibe um ar cauteloso e sedutor que atrai não só Hae-jun, mas também a nós espectadores. Courtesy of TIFF Para construir uma história de amor tão improvável e atraente, Chan-wook exibe um rigor técnico que poucos diretores da atualidade podem igualar. O voyeurismo hitchcockiano de filmes como Janela Indiscreta e Um Corpo que Cai é constantemente presente, especialmente nas cenas em que Hae-jun vigia Seo-rae ou até mesmo “se coloca” no lugar dela durante a investigação. Porém, ele também atualiza esse voyeurismo na forma como brilhantemente incorpora a tecnologia — que muitas vezes pode ser a maior inimiga dos filmes policiais por tirar a mágica do mistério — à trama, seja no uso das câmeras de vigilância (como nas delicadas e fascinantes cenas de interrogatório) ou no uso de smartphones e smartwatches, enriquecendo a narrativa ao invés de facilitá-la. A equipe técnica também é vital para elevar a história: a já referida montagem de Kim Sang-Bun nos imerge nas oscilações e diferentes fases da relação dos protagonistas através das duas metades do filme, enquanto a trilha sonora de Jo Yeong-wook reforça tanto os aspectos mais melodramáticos que envolvem este romance quanto a ambiguidade de Seo-Rae. Por fim, a fotografia de Kim Ji-yong é um espetáculo à parte, seja na câmera em primeira pessoa que expande o caráter voyeurístico da obra e nos aproxima ainda mais dos personagens, na construção ambiciosa de determinados planos (como uma perseguição em plano-sequência pelos telhados de Busan que vai se tornando mais e mais desafiadora), ou ao aproveitar os diferentes cenários — a cidade, as montanhas, a neve e o mar — para fundi-los aos sentimentos do casal, como atesta a devastadora e memorável cena final, daquelas que fica na sua cabeça mesmo depois de muito tempo. O cinema de Park Chan-wook é labiríntico e dele sempre pode se esperar o inesperado, mas, mesmo depois de duas décadas entregando algumas das obras mais memoráveis do cinema mundial, ele ainda consegue de alguma forma se superar ao construir um filme daqueles para guardar na memória, com um dos casais mais bem-construídos e potentes da história recente. Decision to Leave é partes noir, partes romance, igualmente antiquado e moderno, mas inteiramente envolvente. Nota: 5/5

  • Crítica | Um Minuto é Uma Eternidade Para Quem Está Sofrendo (Curta-se 24)

    leve a mal, não é que não haja bons filmes de pandemia; lembro do ótimo Seguindo Todos os Protocolos (2022 , claro, a própria essência de Jean-Claude Bernardet, nome ao qual o filme é dedicado, assim como o crítico

  • Crítica | El Fin de Las Primeras Veces / The Last First Time | 2025 SFFILM Festival

    O cineasta e roteirista Rafael Ruiz Espejo se mostra no controle total da técnica, mas se perde um pouco

  • Crítica | A Menina Silenciosa (An Cailín Ciúin)

    Em A Menina Silenciosa, filme indicado ao Oscar 2023 na categoria de Melhor Filme Internacional, percebemos

  • Crítica | Adulto/Homem (15º Olhar de Cinema)

    Pedro Diógenes dilata a potência da imagem e do som enquanto nos convida a refletir sobre o ofício da atuação. Imagem: Divulgação 20 atores esperam numa sala, prontos para serem chamados a fazerem o teste de elenco para o qual estão ali. Num único plano de quase 70 minutos, regido por um travelling lentíssimo que deixaria Andrei Tarkovski orgulhoso, a câmera passeia pelos seus rostos conforme eles esperam, e esperam, e esperam. Enquanto isso, numa outra dimensão – a sonora –, eles refletem sobre seus ofícios como atores, o que os levou a buscarem tal profissão e quais as maiores dificuldades da área, além de compartilharem anedotas, lerem textos ou ensaiarem as falas do filme para o qual estarão fazendo o teste. Gosto muito de filmes que oferecem metacomentários sobre a arte, especialmente porque, enquanto artista (mais especificamente escritor), me identifico muito na ideia de que nós podemos – e vamos – sofrer por essa arte, mas que outra opção temos se não nos agarrarmos a ela? Claro que os atores aqui divergem em suas percepções: alguns veem que a atuação foi algo nato em suas vidas, outros consideram “apenas” um trabalho, mas isso não elimina as experiências em comum, sejam as dores ou as delícias. Cada um dos atores merece palmas por imprimirem tamanha naturalidade e organicidade em seus rostos e corpos no ato de esperar, ainda que entendamos que há todo um processo de encenação por trás. Mas Pedro Diógenes não se contenta em “colar” seus rostos às vozes que ouvimos, pelo contrário: gradativamente ele vai descolando imagem do som, conforme o que parecia um roteiro bem estabelecido – um conjunto de respostas de cada ator às perguntas feitas por Diógenes e equipe – vai se convertendo em um produto mais “abstrato” e experimental até. Vozes são transferidas de um ator para o outro ou até mesmo se sobrepõem, outras formas de narração são empregadas (as diferentes vezes em que o texto de Adulto/Homem, o “filme dentro do filme”, é lido são um destaque à parte para ilustrar diferentes formas de entonação e atuação), e as reflexões e experiências que à primeira vista pareciam individuais se acumulam e se tornam coletivas. Assim, cada vez que parece que essa estrutura irá saturar, Diógenes e sua equipe – com especial destaque ao trabalho de fotografia de Ivo Lopes Araújo e o som de Tiago Campos e Breno Furtado – conseguem maneiras de se reinventar, seja apostando no inesperado, no humor ou na intersecção e oposição entre a imagem e o som. Tudo isso enquanto dá espaço para se pensar as múltiplas formas de se fazer atuação, ajudando a dar uma dimensão do processo por trás do ofício, ao qual o público dificilmente tem acesso. Como diz Pedro Guimarães, pesquisador de performances e jogos atorais, o rosto do ator é o lugar nobre dos sentimentos de veiculação dos afetos, sentimentos e emoções. Também é aqui o lugar nobre da espera intermitente: pelo próximo teste de elenco, pelo próximo trabalho, pelo próximo sonho a ser alcançado, e que não precisa ser grandioso. Uma das falas mais pungentes vêm de um dos entrevistados que, ao ser perguntado sobre qual seria o seu maior sonho, responde apenas que seria ter seu pai numa sala de cinema o assistindo atuar. Atores são humanos, afinal de contas. E Pedro Diógenes encontra nos caminhos incomuns da potência dilatada das dimensões imagética e sonora de Adulto/Homem o espaço perfeito para apresentar suas humanidades ao público. Nota: 4.5/5

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