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  • Crítica | Premonição 6: Laços de Sangue

    Retorno à franquia é escandaloso, animado e autoconsciente o suficiente para rir de si mesmo. Divulgação Atormentada por um pesadelo violento e recorrente, uma estudante universitária volta para casa em busca da única pessoa que pode ser capaz de quebrar o ciclo de morte e salvar sua família do terrível destino que inevitavelmente os aguarda. Quando uma franquia chega ao seu sexto filme, tendo passado por duas décadas de existência, não espera-se que ela venha para propor uma leitura revolucionária. Pelo menos eu não esperava. Quem conhece os filmes da saga Premonição sabe que todos seguem uma fórmula padrão = sequência de abertura de ritmo frenético, apresentação dos personagens que vão preencher o tempo de filme com mortes comicamente criativas, uma resolução do problema que nunca se resolve plenamente e um desfecho que brinca com ideia de um final feliz. E é precisamente isso que Premonição 6: Laços de Sangue (2025) traz pro jogo, pro bem e pro mal. A cena de abertura é uma delícia. Brincando com um retrofuturismo no visual e sem se importar nem um pouco em seguir alguma lógica, ela resgata o que melhor, por assim dizer, marcou os filmes dos anos 2000: músicas irônicas prevendo as desventuras vindouras, muita explosão e elementos que serão usados como pontos-chave no decorrer da história para fingir que existe algum sentido em toda aquela matança descabida. E claro, tudo sendo apenas uma premonição do que provavelmente será evitado e desencadeará um grande efeito borboleta com a Morte. É de verdade uma grande cena espalhafatosa de cinema comercial como apenas Hollywood consegue entregar. Divulgação Dessa vez o texto volta no tempo para tentar explicar de uma cajadada só todo o contexto dos filmes daquele universo, como e porquê os personagens do avião, do trânsito, do parque de diversões, da ponte, etc precisaram morrer para cumprir tabela com a escolha de uma pessoa que um dia teve uma visão do futuro e resolveu fazer uma boa ação. É ainda uma bobagem, parece ser desenvolto ou espertalhão, mas é ainda a mesma bobagem, e funciona. Ainda é divertido, ainda é criativo (nos seus parâmetros), ainda tem um sadismo lúdico e consegue rir de si mesmo sem questionar seu valor ou sem tentar dar voltas e voltas na forma buscando uma complexidade desnecessária para acabar caindo no mesmo lugar, como aconteceu com o chatíssimo O Macaco (2025). Nada comunica mais o cinema estadunidense do que requentar uma franquia com as justificativas mais rasas como “apresentar para uma nova geração” o que uma geração anterior espremeu até a última gota. Também, nada comunica mais cinema estadunidense do que sangue, desastres e fazer o espectador torcer e vibrar pela morte de uma criança. E infelizmente eles fazem isso muito bem. Talvez o efeito nostalgia de reviver momentos da adolescência alugando o mesmo DVD várias vezes até decorar as falas tenha feito mais uma vítima, ou talvez minhas expectativas estavam mais baixas do que o normal, mas eu me diverti bastante com este. Nota: 3,5/5

  • Análise | The Last of Us 2x04 (“Day One”): A conexão nas interseções do fim do mundo

    O episódio abre espaço para o afeto, mas a série ainda evita colocar Ellie no centro de sua própria vingança. Divulgação (CONTÉM SPOILERS DO EPISÓDIO) No último domingo (4), The Last of Us apresentou o quarto episódio da segunda temporada, intitulado “Day One”. Desde o impactante segundo capítulo — marcado pela invasão de Jackson pelos infectados e pela morte brutal de Joel (Pedro Pascal) —, a série tem expandido seu foco, explorando novos núcleos de personagens e aprofundando a trajetória de Ellie (Bella Ramsey) diante do trauma e da relação crescente com Dina (Isabela Merced). Logo nas primeiras cenas, o episódio traz um flashback protagonizado por Isaac Dixon (Jeffrey Wright), ex-sargento da FEDRA que, por divergências ideológicas, abandona a organização e se junta à WLF. Vale pontuar, no entanto, que sua insatisfação com a FEDRA não o isenta de atos de violência contra outros grupos rivais, como evidencia a cena de tortura brutal a um jovem serafita. Essa é — e precisa ser — uma das marcas mais fortes de The Last of Us: não traçar narrativas maniqueístas entre bem e mal, mas sim, representar os limites da humanidade em um mundo sem salvação. Outro ponto forte é que as cenas que marcam o conflito entre Serafitas e Lobos nos lembram de que existe um mundo fora dos muros de Jackson, que inevitavelmente colidirá com os interesses de uma garota de 19 anos. As guerras do mundo seguem em curso, mesmo quando a sua mal começou. Esse desenvolvimento de núcleos paralelos já é explorado desde a primeira temporada e faz parte da construção desse universo narrativo. É importante perceber que os infectados representam apenas uma parte do problema — as verdadeiras ameaças vêm da política do olho por olho, das diferenças e da crueldade humana. Muitas obras que retratam períodos apocalípticos têm essa consciência, mas nem sempre conseguem administrar bem diferentes personagens e motivações. A série, felizmente, vem acertando nisso. Agora em Seattle, Ellie e Dina exploram a cidade, encontram refúgio e se preparam para invadir o prédio da WLF durante a noite. É nesse intervalo que The Last of Us entrega um dos momentos mais sensíveis da temporada até agora: Ellie encontra um violão e dedilha a música “Take On Me”. A cena é contida, triste, mas também muito bonita. Os acordes ensinados por Joel e a atenção plena de Dina transmitem uma conexão profunda entre as duas. Este episódio representa um divisor de águas na relação do casal, e a química entre as atrizes é evidente — fortalecendo ainda mais o impacto da cena como uma das mais memoráveis até aqui. Com a chegada da noite em Seattle, é preciso dar a César o que é de César: reconhecer o valor de uma boa cena de ação. Agora, Ellie e Dina não estão mais fora do radar dos Lobos e percebem, mais do que nunca, que estão adentrando um território hostil. A sequência dos enforcados, seguida da perseguição pelos soldados da WLF e da horda de infectados nos túneis, traz a tensão que nos mantém vidrados na televisão. Outro momento importante da narrativa também é adaptado neste episódio: a descoberta da imunidade de Ellie por Dina. Quem jogou The Last of Us Parte II sabe que esse acontecimento ocorre de forma diferente nas duas mídias, e com razão. Na série, os esporos não fazem parte da história, então o momento da máscara de ar não se aplica ao contexto do Cordyceps apresentado até agora. Dito isso, a mordida no braço de Ellie gera um choque ainda mais imediato em Dina, o que considero um acerto da adaptação para a linguagem da TV. No entanto, o desenrolar dessa revelação não me agradou por completo. O impacto em Dina é palpável e sua reação, justificável. Aliás, bela performance da atriz Isabela Merced. Ellie tenta explicar sua condição enquanto sua melhor amiga, e até então amor platônico, aponta uma arma para ela. Até esse ponto, tudo me agrada. Mas quando Dina, ainda abalada, revela sua própria bomba emocional — uma gravidez inesperada —, o roteiro parece optar por um atalho. O resultado é uma explosão de sentimentos que culmina na cena de sexo entre as duas, extremamente simbólica para a construção desse relacionamento. Porém, sinto que a narrativa adotou a estratégia de "estamos muito à flor da pele, vamos colocar tudo para fora de uma vez”, o que soa como uma maneira prática, e rasa, de avançar a trama. Afinal, o que a gravidez de Dina representa para os planos de vingança de Ellie? Há uma breve relutância no final do episódio, mas que se resolve facilmente com um "estamos juntas nisso", o que soou meio frustrante. São questões complexas tratadas de forma simplificada — a descoberta da gravidez com testes achados durante a missão, e a revelação a Ellie seguida de um tão aguardado beijo apaixonado. Tudo se resolve rápido demais. Divulgação Outra camada que ainda me soa incoerente, e que espero ver melhor desenvolvida nos próximos episódios, é o sentimento de vingança que deveria mover a jornada de Ellie. Não se trata de comparar com o material original (até porque mídias diferentes pedem decisões diferentes), mas mesmo considerando apenas a série, há uma sensação de que Ellie está racionalizando a morte de Joel de forma surpreendentemente controlada. E isso me impede de comprar totalmente sua motivação. Para tomar esse risco, seria preciso transmitir um sentimento mais implacável de dor, fúria e perda. Algo que, por vezes, parece ausente. Sabemos que o luto é complexo, com muitas facetas. No entanto, algumas decisões da série diluem a intensidade emocional que deveria estar presente quando Ellie decide colocar não só a si mesma, mas também Dina, em uma situação quase suicida. Sinto falta de um roteiro que exija uma postura mais madura da protagonista ao reconhecer o peso do que está fazendo: tentar matar a integrante de uma milícia armada e treinada. Na série, sinto que essa carga vingativa é subtraída e ainda dividida por dois, já que desde o primeiro episódio, vemos que Dina tinha uma forte conexão com Joel — até mais do que nos jogos. Isso acaba dividindo o foco emocional, o que pode funcionar, mas também enfraquece a singularidade da dor de Ellie. Não acho que seja uma falha de interpretação de Bella Ramsey, até porque sabemos do seu potencial dramático, mas sim, da escrita da série. No mais, “Day One” marca o início de uma nova fase para Ellie e Dina e também reforça que existe um mundo alheio às motivações do nosso casal. Um mundo que inevitavelmente cobrará seu preço por adentrarem nessa guerra. Esperamos que a série continue a entregar bons momentos de ação, melhore a construção de informações impactantes e, ainda, mantenha o belo afeto que floresce nas interseções do apocalipse.

  • Conheça "Do Sul, a Vingança", primeiro filme de ficção inteiramente produzido no Mato Grosso do Sul

    Longa, que já foi selecionado para festivais internacionais em Los Angeles e Cannes, chega aos cinemas brasileiros em 15 de maio. Divulgação Estreia no dia 15 de maio o filme Do Sul, a Vingança, dirigido por Fábio Flecha, produzido pela Render Brasil e distribuído pela Kolbe Arte. Ambientado na fronteira trinacional entre Brasil, Paraguai e Bolívia, o longa se distingue por ser a primeira obra de ficção produzida inteiramente no estado do Mato Grosso do Sul. Na trama, o escritor Lauriano parte para a conturbada fronteira entre Mato Grosso do Sul, Paraguai e Bolívia, onde o crime organizado dita suas próprias leis, em busca de um “Jacaré” como material para seu próximo livro. O que começa como uma simples investigação se transforma em uma jornada inesperada, repleta de ação, conflitos e personagens excêntricos. Em meio ao caos de uma vastidão silenciosa e cheia de contrastes, Lauriano mergulha em uma trama tão perigosa quanto cômica — onde sobreviver é o seu maior desafio. Divulgação Com um modesto orçamento de apenas R$ 397 mil, a produção é finalista no Los Angeles Film Awards 2025 e no World Film Festival, em Cannes, um dos mais prestigiados eventos do cinema independente. De acordo com Flecha, o longa "mistura ação e comédia em uma aventura no Velho Oeste brasileiro, com suas próprias lendas e costumes”. Você pode conferir o trailer aqui:

  • Crítica | That Summer in Paris | 2025 SFFILM Festival

    Protagonista simpática carrega o filme com leveza e bom humor espontâneo. Divulgação Paris, Jogos Olímpicos de 2024. Blandine (Blandine Bolbec), 30 anos, viaja da Normandia para assistir às competições de natação. Atormentada pelo caos da cidade e por uma onda de infortúnios, ela percorre as ruas movimentadas da capital francesa e inesperadamente retoma os laços com sua meia-irmã e sobrinha, de quem estava distante. No início deste ano assisti ao gracioso curta-metragem Susane (2025), de Gerardo Coello Escalante e Amandine Thomas, no Festival de Sundance. Ele conta a história de uma turista estadunidense de meia idade que viajou sozinha ao México e se esforça para aproveitar ao máximo suas férias mesmo sem companhia e com bastante vontade de socializar. That Summer in Paris parte de uma premissa semelhante, só que dessa vez conta a história de uma mulher “perdida” e sozinha em seu próprio país, mesmo inserida num acontecimento de porte mundial como os Jogos Olímpicos. Inclusive, excelente a sacada de rodar um filme durante o evento de 2024, aproveitando toda a estrutura e movimento de pessoas, em vez de tentarem reproduzir aquele zeitgeist que nunca chega a se concretizar da mesma forma por mais que a equipe de direção de arte se esforce, afinal, vai além da cenografia e da imagem, é uma “atmosfera” no sentido mais saturado da palavra. A protagonista Blandine Bolbec dá um banho de carisma e simpatia. A encantadora atriz consegue, com poucas palavras, equilibrar sinceridade, medo, dúvida e simpatia num papel que exige autocontrole para não fugir das delimitações da personalidade. A cena em que a irmã da protagonista Blandine entrega a ela uma pulseira com uma pedra granada e diz que a rocha tem tudo a ver com Blandine porque é transparente e opaca ao mesmo tempo, resume bem a persona que Bolbec desenvolveu com primor. O pouco que sabemos da personagem é através das poucas interações que ela tem com os poucos coadjuvantes. Divulgação As Olimpíadas servem como catalisador das motivações dos personagens, tanto de Blandine como dos personagens secundários. É por causa de “Paris 2024” que Blandine resolve ir à capital francesa na tentativa de se reconectar com a família, que a meia-irmã resolve conhecer pessoas novas, e que o ex-marido da meia irmã protesta contra as estruturas sociais. É a chance que todos têm de quebrar a rotina e colocar para fora realizações pessoais e anseios e reprimidos. O pequeno arco do ex-marido da meia-irmã, diga-se de passagem, serve para cutucar o contraste entre as Olimpíadas idílicas e turísticas em oposição à realidade política e social que se tenta esconder para a realização dos Jogos. É um filme engraçado de forma orgânica, sem precisar desenhar situações absurdas e confusões generalizadas. Mas é também um drama maduro que aborda a solidão de forma consciente e bem pensada, bem refletida, como uma escolha lúcida de encarar a vida com seus altos e seus baixos. E isso é filmado com cores vibrantes do verão francês nas roupas e nos objetos, em pontos focais da cenografia. É um longa sobre desencontros de jornadas, que sabe valorizar os encontros e que mostra que a volta é parte importante de uma viagem. Nota: 3,5/5

  • Análise | Succession 4x03 ("O Casamento de Connor")

    Um marco histórico da televisão - AVISO: CONTÉM SPOILER DO EPISÓDIO Foto: Divulgação “Everyone’s Waiting”, de A Sete Palmos (Six Feet Under). “Made in America”, de Família Soprano (The Sopranos). “The Suitcase”, de Mad Men. “Ozymandias”, de Breaking Bad. O que esses episódios têm em comum? Todos são, ao seu modo, alguns dos mais marcantes da história da TV, daqueles que vão ser presença carimbada nas listas dos melhores já feitos. Ontem, à noite, Succession garantiu seu lugar nesse panteão com “O Casamento de Connor”, um daqueles episódios tão memoráveis que o mero fato de assisti-lo em tempo real foi como ver história sendo feita ao vivo. Para falar dele, é preciso lidar com o elefante na sala, o acontecimento que o tornou tão memorável. Sim, Logan Roy (Brian Cox) está morto. Mas não é apenas a morte dele que nos choca — afinal de contas a esperamos desde que o personagem sofreu um derrame no primeiro episódio (e o nome da série já é outro indicativo) —, e sim o fato dela acontecer sem nenhum aviso e tão cedo na temporada, onde outras séries a deixariam apenas para os últimos episódios. É uma prova da ousadia de Jesse Armstrong e muda completamente o jogo para a reta final da temporada. A presença de Armstrong como roteirista desse episódio (junto à Mark Mylod na direção) já deveria ser um indicativo de que algo grande estava vindo; e se baseássemos o episódio com base em seus primeiros 15 minutos, ele já seria excelente, alternando entre as negociações de Logan com a GoJo e o referido casamento do título. E então o tapete o puxado, mas Armstrong e Mylod não se contentam em nos anunciar que Logan morreu: eles nos lançam em um estado de paranoia e incerteza junto aos personagens, seja os que estão no avião com o patriarca dos Roy quanto seus filhos que estão em terra firme, atordoados e perplexos pelo desenrolar dos eventos. Aliás, se já havia alguma dúvida de que Succession varreria as categorias de atuação (e as demais), ela é completamente destruída após as entregas de Jeremy Strong, Sarah Snook e Kieran Culkin como o trio de irmãos protagonistas. Não que eles sejam os únicos a brilhar — é um atestado do altíssimo nível do episódio e da série o fato de que todo mundo, até mesmo um motorista coadjuvante, se destaca de alguma forma aqui —, mas o texto de Armstrong e a direção claustrofóbica de Mylod nos lançam junto aos três numa verdadeira montanha-russa de emoções que vai do choque a um calculismo quase perverso (poucas vezes uma frase sintetizou tão bem uma série inteira quanto “podemos segurar essa informação até o mercado fechar?”). Se eu pudesse escolher apenas um nome para destacar do episódio inteiro, seria o de Culkin, que consegue transmitir todo o inferno pessoal que seu Roman vive, desde as amargas e confusas últimas palavras dita ao pai por telefone (e que jamais serão ouvidas), passando por sua completa negação à notícia e culminando na sua solitária decisão de ver o corpo de Logan. Snook vem logo atrás, sedimentando sua futura indicação (e merecida vitória, caso haja) à Melhor Atriz ou Atriz Coadjuvante com uma única cena: aquela em que Shiv, completamente quebrada e desesperada, é posta ao telefone para tentar dizer algo ao pai enquanto este é reanimado pela equipe do avião. E Strong, cujo Kendall vinha relativamente mais apagado em relação às temporadas anteriores, nos lembra mais uma vez porque é um dos melhores atores da atualidade, goste você ou não do seu Método de Atuação. O plano final do episódio, com Kendall contraposto ao crepúsculo com lágrimas silenciosas nos olhos enquanto vê o corpo do pai sendo levado, é um dos momentos mais devastadores que a TV já conheceu. Logan Roy está morto, no melhor jeito Succession de ser: sem cerimônias, sem últimas palavras bonitinhas ou clichês, devastando a tudo e a todos antes que a necessidade de uma abordagem fria, impessoal e profissional seja adotada para conduzir as coisas. É tudo tão inesperado e seco que seria absolutamente frustrante se assim fosse feito em uma série de menor qualidade, mas aqui faz todo o sentido, já que a morte (sempre um tema tão recorrente na série) não costuma esperar. Em mãos menos hábeis, matar seu protagonista tão cedo numa última temporada poderia acarretar a morte da própria série, mas aqui é um atestado da segurança de Jesse Armstrong e cia. em conduzir essa história. “O Casamento de Connor” é um episódio que já nasceu memorável, e a única chance de ele não figurar como o melhor episódio do ano ou um dos melhores de todos os tempos é se for superado pelos próximos sete que estão por vir. E sinceramente? Se tem uma coisa que Succession demonstrou muito bem até aqui é que ela é perfeitamente capaz de fazer isso.

  • Crítica | Manas | 2025 SFFILM Festival

    Retrato áspero de realidade brasileira filmado com delicadeza e precisão. Divulgação Marcielle/Tielle (Jamilli Correa), de 13 anos, vive em uma comunidade ribeirinha na Ilha do Marajó com o pai, a mãe e três irmãos. Instigada pelas falas da mãe, ela cultua a imagem de Claudinha, sua irmã mais velha, que teria partido para longe após "arrumar um homem bom" nas balsas que passam pela região. Conforme amadurece, Tielle vê suas idealizações ruírem e fica presa entre ambientes abusivos. Ciente de que o futuro não lhe reserva muitas opções, ela decide confrontar a engrenagem violenta que rege sua comunidade. A cineasta Marianna Brennand estreia na direção de longas-metragens com um trabalho sensível, forte e transparente. Tratar dos cruéis abusos sofridos por menores de idade na região norte do país com sutileza e autoridade é uma missão difícil que em mãos menos habilidosas correria o grande risco de sair de um tom respeitoso e partir para uma abordagem sensacionalista, apelativa e de mau gosto. Acho importante não limitar a arte a grupos e não desenvolver ideias em cima de “e se”, mas acho mais importante ainda reconhecer que existem sim contextos culturais e sociais que tornam grupos mais aptos que outros a contar algumas histórias. Muitíssimo provavelmente esta narrativa não teria a mesma abordagem se fosse rodado por um homem, por mais sensível que ele seja. Manas tem um enredo cruel de amadurecimento, mas em qualquer momento Brennand se interessa em explorar, no sentido menos científico e mais negativo da palavra, essa crueldade. O roteiro não está preocupado no melodrama e no sofrimento de Marcielle, ele foca em como aquela menina lida com tantas descobertas dolorosas e o que ela resolve fazer dentro de suas limitações para encontrar uma saída para aquele ciclo de desventuras. O texto também aborda o micropoder da condescendência religiosa, a relação harmônica com a natureza quase como uma válvula de escape da realidade, e a ajuda paliativa e limitada que poderes externos tentam aplacar naquele ecossistema viciado e hermeticamente fechado numa espiral de silêncio e falso-moralismo. Divulgação A fotografia trabalha bem o desenho da imagem em baixo brilho e baixa saturação endossando a proposta de atmosfera pesada daquele ambiente mesmo com planos abertos e várias locações externas. O desenho de som também é um elemento importante na elaboração de momentos-chave e traduz com objetividade tudo que não é visto. A atriz Jamilli Correa vai revelando seu talento e seu potencial gradativamente e consegue entregar uma atuação imponente, mesmo construída em cima de silêncios. Todo o elenco trabalha em consonância e mostra que ficou claro o objetivo do roteiro e da direção em dar destaque à personagem em vez das situações de abuso. Manas é bem resolvido em não tentar ser um documentário, e também em não romantizar suas verdades com adornos e analogias que destoassem do seu cerne. O resultado é conciso, coerente e lindo, até onde pode ser dada sua conjuntura. Nota: 4/5

  • Crítica | Os Hiperbóreos (2024) | 2025 SFFILM Festival

    Apelo plástico embasado no viés artesanal fazem de filme chileno uma surpresa cheia de potencial. Divulgação A narrativa e as ilusões de uma atriz e psicóloga dão vida à figura polêmica de Miguel Serrano, um escritor chileno que propagou filosofias neonazistas esotéricas, provocando uma reflexão sobre seu lugar na história. Sou fascinado por filmes que desafiam, ou provocam, a forma e os gêneros, e Os Hiperbóreos resolve desafiar as duas coisas. Num misto de documentário-ficção montado num misto de teatro com animação, a direção de arte é de longe o ponto mais atrativo do filme, criando um diorama gigante num mesmo estúdio e explorando diversas possibilidades criativas de forma artesanal e minimamente digital, apresentando um resultado visual sempre instigante e inesperado. Tirando os fatos sobre a controversa persona de Miguel Serrano, nunca sabemos exatamente o que é “verdade” e o que é criado no argumento para os desdobramentos do roteiro. E de forma bem lúdica, misturando ironia, metapiadas e suspense psicológico, o roteiro luta para convencer o espectador de suas motivações, e cedo resolve se entregar aos escapismos das analogias, reforçadas com destrezas pelos recursos visuais, para concluir sua missão. Deixando claro que muitos pressupostos em cena requerem uma visão para além da imaginação e da lógica, para melhor digerir sua diegese. Divulgação No entanto, mesmo a forma sendo o principal e ponto focal, por vezes não se sustenta por si, e o texto não consegue construir base para estar à altura dos apelos plásticos, mesmo se esforçando muito e acreditando muito nas suas fábulas. O chamariz visual, no entanto, talvez não tivesse o mesmo impacto sem a presença da atriz Antonia Giesen, responsável por dar vida e veracidade ao projeto. Os Hiperbóreos nunca deixa de ser interessante, sempre há algum elemento enquadrado que faz valer a atenção e ajudam a imergir o público naquele conteúdo mesmo sem estar completamente a par de tudo que está sendo retratado. É sem dúvidas uma pesquisa de erros e acertos onde nenhum resultado é negativo. Nota: 3,5/5

  • Crítica | El Fin de Las Primeras Veces / The Last First Time | 2025 SFFILM Festival

    Crônica compila dramas e incertezas de um amadurecimento gay latino. Divulgação Eduardo (Alejandro Quintana), um jovem de 18 anos de uma pequena vila em Jalisco, viaja para Guadalajara para prestar vestibular. Nesta cidade grande e estranha, longe dos olhos dos pais, ele vivencia seus primeiros encontros e desencontros amorosos e sexuais. Este é um filme complacente com a trajetória curta e intensa de seu protagonista. Ele se importa em centrar a condução da narrativa nas vivências do personagem, sabe aproveitar cada situação desenhada no roteiro para o seu desenvolvimento, e mira nos coadjuvantes apenas de relance quando necessário, sem esbanjar seu curto tempo em arcos paralelos. Logo nos primeiros minutos o longa deixa claro o foco que a narrativa terá nas experiências sexuais do protagonista. E é esse fio condutor que vai se ramificar para a construção do personagem e abrir o leque de emoções e sentimentos que ele viverá. Mario é o personagem que apresenta a Eduardo tudo que este vem desejando e reprimindo viver enquanto adolescente em fase de descobertas, sexo, drogas, bebida, afeto e identificação. Os personagens se conhecem ao acaso num banheiro e o espírito agregador de Mario faz com que Eduardo se aproxime dele, conheça sua casa, sua família e se abra com ele quase que como um impulso, uma aventura, uma sequência de atitudes espontâneas travadas em sua rotina fechada e sistemática. Divulgação Tal qual uma lição de moral dos pais mais tradicionais e responsáveis, o filme joga com as causas e consequências de não falar com estranhos, de não beber nada que desconhecidos oferecem, de que os seus únicos amigos são seus pais. Mas em nenhum momento tenta ditar como verdades absolutas ou reprovar quaisquer dessas lições. O texto não se coloca em posição de julgamento sobre certos e errados, mas expõe com responsabilidade (também desnecessária se pararmos para pensar) os causos do jovem Eduardo e como ele lida com suas escolhas. A câmera sempre precisa sabe como imprimir as nuances necessárias para cada tipo de nova sensação experimentada pelo protagonista. O elenco de jovens atores trabalha com propriedade e acompanha essas nuances sem deixar os tons de seus respectivos personagens de lado. O cineasta e roteirista Rafael Ruiz Espejo se mostra no controle total da técnica, mas se perde um pouco em sua diegese, uma vez que a narrativa nem sempre evolua com a destreza que poderia e que deveria, por se ater a detalhes mencionados e mostrados que não chegam a ser desenvolvidos. Nota: 3/5

  • O FUNERAL: Carolina Markowicz prepara sátira sobre elite paulista — Mercado de Cannes

    Projeto da diretora de 'Carvão' e 'Pedágio' reforça presença do cinema brasileiro no circuito global e está em busca de financiamento e coprodução Divulgação Após os bem-recebidos Carvão e Pedágio, a premiada cineasta Carolina Markowicz retorna com um novo projeto: O Funeral, atualmente em destaque no Marché du Film 2025 — o mercado de cinema do Festival de Cannes, que neste ano homenageia o Brasil como país de honra. Misturando drama e sátira, o filme acompanha o impacto da chegada de uma filha ilegítima à tradicional família Hersz, logo após a morte repentina de seu patriarca, obrigando todos a lidar com as inesperadas oportunidades que essa estranha traz. Em declaração ao TorinoFilmLab, Markowicz revela que a proposta de O Funeral é “trazer uma crueza à 'nobreza' de São Paulo. Agora que os movimentos sociais se tornaram mais fortes e barulhentos, essa elite e as corporações estão perdidas sobre como se posicionar. Curiosamente, parece ser menos sobre mudar o status quo e mais sobre manter uma imagem imaculada para proteger os negócios.” A diretora complementa, falando sobre a história do projeto: “O que esperar quando uma estranha aparece, não apenas reivindicando, mas com pleno direito a uma parte do patrimônio? E quando a herança não é apenas financeira, mas também emocional? Essa família representa essa contradição. Pessoal para eles, mas metafórica para o nosso tempo. A tristeza é o sentimento lógico com a morte de Samuel. Mas a raiva e a sensação de perda tomam conta como uma tempestade. Somos seres complicados, tragicomicamente engraçados.” Ada Solomon, produtora romena que serviu como consultora da brasileira no 2024 Pop Up Residency, descreve o longa como “uma versão brasileira de Succession”, destacando seu potencial universal e o mergulho em uma elite inacessível ao grande público. A produção é da Biônica Filmes, com coprodução da portuguesa O Som e a Fúria. O projeto já passou por laboratórios como Pop Up Residency, Torino Film Lab e Berlinale Coproduction Market — e foi premiado com o White Mirror Award no ScriptLab 2025. Reforçamos que O Funeral ainda está em busca de financiamento, coprodução e agente de vendas. Para Markowicz, esse momento é crucial: “A fase de desenvolvimento é o ideal para entender o que o filme está te dizendo... Às vezes, ele pede coisas que você ainda não havia pensado.” 🎧 Entrevistamos Carolina Markowicz e Maeve Jinkings para a 3ª temporada do nosso podcast Pipoca de Ouro. Ouça agora: *Esta matéria faz parte de uma série especial que o Oxente Pipoca preparou sobre os filmes brasileiros em destaque no Marché du Film 2025, o mercado de cinema do Festival de Cannes. Com o Brasil como país de honra este ano, acompanharemos de perto os projetos que estão sendo apresentados, explorando as tramas, as equipes envolvidas e as oportunidades que surgem para o cinema nacional no cenário internacional.

  • Brasil é país de honra no mercado de negócios do Festival de Cannes e marca presença com delegação recorde do cinema nacional

    Com mais de 100 empresas, Brasil se destaca no maior mercado audiovisual do mundo, leva filmes às principais mostras de Cannes e reforça sua força criativa global Divulgação De 13 a 21 de maio de 2025, o Brasil será o grande destaque da 78ª edição do Festival de Cannes e do Marché du Film, consolidando sua posição como referência global em criação audiovisual. Em um momento histórico para o setor, o programa Cinema do Brasil lidera a maior participação já registrada pelo país no evento, com mais de 100 empresas integrando a delegação oficial, incluindo produtoras, distribuidoras, agentes de vendas, festivais, film commissions e prestadoras de serviço. Este protagonismo se dá no ano em que o Brasil é celebrado como País de Honra no Marché du Film — o mais importante mercado de negócios da indústria cinematográfica internacional — em comemoração aos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e França. A presença robusta do Brasil em Cannes é resultado de uma articulação coordenada pelo Cinema do Brasil, programa de internacionalização criado em 2006 pelo SIAESP (Sindicato da Indústria Audiovisual de São Paulo), em parceria com a ApexBrasil (Agência brasileira de promoções de exportações e investimentos). Para esta edição histórica, o programa firmou alianças com instituições culturais de grande relevância em todas as esferas de governo. No âmbito federal, conta com o apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria do Audiovisual; em nível estadual, com a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo; e no âmbito municipal, com a Spcine e a RioFilme. Essas parcerias são fundamentais para viabilizar a ampla agenda de ações em Cannes e reafirmam o compromisso coletivo com a projeção internacional do audiovisual brasileiro, reconhecendo seu valor cultural, econômico e estratégico no cenário global. “É uma oportunidade incrível termos o Brasil como país homenageado durante o Festival de Cannes, no mesmo ano em que o país ganhou seu primeiro Oscar de Filme Internacional. O estande do Cinema do Brasil funcionará como uma embaixada do país, unindo no mesmo espaço representantes do Governo Federal, estados de SP e Rio e ainda a Prefeitura de SP. Mostrará a união de esforços dos produtores e dos governos em fortalecer cada vez mais a presença internacional do Brasil”, afirma André Sturm, presidente do Cinema do Brasil e SIAESP. Um palco global para o audiovisual brasileiro O Marché du Film é reconhecido como a mais ampla plataforma de negócios do setor cinematográfico, reunindo mais de 14 mil profissionais de 120 países, entre produtores, investidores, distribuidores, agentes de vendas, plataformas de streaming e programadores de festivais. Durante os nove dias do evento, o estande brasileiro no Palais des Festivals será o epicentro das atividades de promoção institucional, encontros de negócios, distribuição de materiais promocionais, sessões de mercado e eventos de relacionamento. A delegação brasileira terá ainda presença em rodadas de coprodução, showcases de projetos em desenvolvimento, painéis temáticos e apresentações estratégicas, com destaque para os encontros promovidos com fundos internacionais, programadores de festivais e potenciais parceiros de coprodução de diferentes países. Essas atividades integram uma agenda construída em colaboração com instituições parceiras, com o objetivo de impulsionar a circulação das obras brasileiras, ampliar o acesso a mercados estratégicos e fomentar alianças duradouras para o fortalecimento da presença do Brasil no circuito audiovisual internacional. Em 2024, o Cinema do Brasil levou 68 empresas ao Marché du Film. Na ocasião, foram contabilizadas mais de 1.000 reuniões de negócios, com USD 11,5 milhões em contratos firmados e expectativa de USD 61,9 milhões em transações nos 12 meses subsequentes. Para 2025, a meta é superar esses indicadores, aproveitando o inédito status de País de Honra. Presença brasileira nas telas de Cannes: saiba as principais seções Além da forte atuação no mercado, o Brasil marca presença em todas as seções principais da programação oficial e paralela do Festival de Cannes. Da Competição Oficial à ACID, passando pela Un Certain Regard, Cannes Classics e a Quinzena de Cineastas, a produção brasileira se destaca por sua diversidade estética, potências narrativas e abordagens contemporâneas. COMPETIÇÃO OFICIAL • O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho UN CERTAIN REGARD • I Only Rest in the Storm / O Riso e a Faca, de Pedro Pinho CANNES CLASSICS • To Vigo I Go, de Karen Harley e Lírio Ferreira ACID – Association for the Distribution of Independent Cinema • The Black Snake / Culebra Negra, de Aurélien Vernhes-Lermusiaux Quinzaine des cinéastes – curtas coproduzidos com o Brasil Quatro curtas-metragens com participação brasileira integram a tradicional Quinzena de Cineastas: • Ponto Cego, de Luciana Vieira (Brasil) e Marcel Beltrán (Cuba) • A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, de Stella Carneiro (Brasil) e Ary Zara (Portugal) • Como Ler o Vento, de Bernardo Ale Abinader (Brasil) e Sharon Hakim (França) • A Besta do Mangue, de Wara (Brasil) e Sivan Noam Shimon (Israel) COURTS MÉTRAGES – SELEÇÃO OFICIAL DE CURTAS • Samba Infinito, de Leonardo Martinelli FANTASTIC CUTS – WORK IN PROGRESS SHOWCASE (MARCHÉ DU FILM) Três projetos brasileiros foram selecionados para o showcase de filmes de gênero em finalização: • The World I Know There No Longer Exists, de Thiago Luciano • The Saint, Her Mother, Their Manor and a Dove, de Cíntia Domit Bittar • Love Free Love, de Flavio Frederico e Mariana Pamplona Nas redes sociais do Oxente Pipoca, iremos destacar os filmes brasileiros que estão na Marché du Film 2025, o mercado audiovisual que faz parte da programação oficial do Festival de Cannes. Em cada publicação, você vai encontrar detalhes como: sinopse, equipe envolvida, diretores, produtoras e muito mais que tivermos acesso.

  • Análise | The Last of Us 2x05 (“Feel Her Love”): Quem decide o que merecemos?

    A vingança de Ellie enfim começa a se cruzar com os conflitos em Seattle. Divulgação Com a introdução definitiva do núcleo de Seattle no episódio passado, o arco geral desta temporada (e certamente da próxima) enfim toma forma e avança. Vimos que a busca por vingança de Ellie (Bella Ramsey) parece quase ínfima perante o que está se desenrolando na cidade, com o conflito entre Lobos e Serafitas tomando proporções cada vez maiores, mas da mesma forma que as ações de Abby (Kaitlyn Dever) contra Joel (Pedro Pascal) impactaram profundamente Jackson, aqui as ações da protagonista contra os aliados de sua nêmesis certamente terão um efeito devastador sobre a cidade. Assim como no episódio anterior, temos vislumbres do lado dos Lobos, na cena inicial entre Hanrahan (Alanna Ubach) e Elise (Hettiene Park) que nos introduz ao conceito dos esporos e torna a ameaça do Cordyceps ainda mais aterradora. Gosto desses momentos em que a série se desvincula do jogo para ampliar o escopo desse mundo e mostrar que há muito mais acontecendo além da jornada de Ellie, mas ainda considero bem pouco, com a narrativa ainda muito presa ao material original, mesmo já tendo até aqui mudanças que considero positivas, como a batalha de Jackson no segundo episódio e o maior papel de Dina (Isabella Merced) na trama. Curiosamente, vi alguns comentários sobre como o episódio foi arrastado, pois minha impressão foi o oposto: após um começo mais reflexivo que explora um pouco mais do luto de Ellie por Joel, o episódio se põe em movimento com a sequência dela e Dina no armazém e não para mais. Há um bocado de conveniência na maneira como ambas são encontradas por Jesse (Young Manzino) e a revelação de que este e Tommy se integrarão à trama – novamente, falta mais coragem por parte da série de ir além de certas decisões offscreen em nome da fidelidade, mesmo que o fator surpresa certamente cause impacto para quem não jogou os jogos. Mas felizmente somos recompensados com a visceralidade da sequência no armazém e o pavor absoluto que toma conta na cena envolvendo os Serafitas na floresta, um dos pontos altos da temporada até agora e que nos mostra que a introdução desse núcleo lá no terceiro episódio foi pura enganação. A seu modo ou até mais, eles são muito piores que os Lobos, especialmente por conta do elemento do fanatismo religioso evidenciado no próprio título do episódio, e estou ansioso para ver mais deles na trama geral da série. Divulgação Claro que a cena que renderá a maior repercussão é o embate entre Ellie e Nora (Tati Gabrielle), que marca o primeiro passo na concretização da vingança da personagem. Vemos Nora dizer que Joel “teve o que mereceu”, enquanto antes ouvimos de Dina que, independentemente das coisas que ele fez, não merecia o fim que teve. Quem está certa? Evidentemente que Ellie tem sua resposta, e é interessante notar o espelhamento desta cena com a de Abby matando Joel, ainda que a luz vermelha confira um aspecto muito mais sombrio à protagonista, o que combinado à ótima atuação de Ramsey torna toda a sequência ainda mais visceral e brutal. O corte abrupto para um passado (aparentemente) idealizado de Ellie e Joel já dá a tônica de que o próximo episódio representará uma quebra na trama geral para investigar os motivos da cisão dos dois. Pode ser uma quebra precoce numa temporada que passou rápido demais e tem sido alvo de mais críticas que a primeira – algumas merecidas, outras incabíveis, a meu ver. Seja o que for, Feel Her Love é um passo além na desconstrução e descida ao abismo de Ellie, e se aqui ela deu seu primeiro passo para satisfazer sua vingança, é difícil vislumbrar qual será o último. E ai de Seattle por estar no caminho dela.

  • TRABALHO FANTASMA: Fábio Baldo aposta em sci-fi agro sobre desaparecimento e IA — Mercado de Cannes

    O projeto atualmente em desenvolvimento pela Plano B Filmes e Druzina Content Divulgação Com o Brasil homenageado como país de honra no Festival de Cannes 2025, Trabalho Fantasma, de Fábio Baldo, se destaca no Marché du Film 2025 — o mercado de cinema Festival de Cannes, onde busca de financiamento, coprodução, distribuição internacional e agente de vendas. Sendo descrito como uma mistura de gêneros: ficção científica, romance e agro, a história se passa no interior de São Paulo e acompanha Alda, que trabalha como tratorista em uma usina de cana-de-açúcar que está passando por uma transformação tecnológica para substituir a mão de obra humana. A rotina muda drasticamente quando seu namorado, Marco, desaparece após utilizar um aplicativo de treinamento com inteligência artificial. A partir daí, Alda começa a ser assombrada por um estranho espectro luminoso, o que a faz questionar se seu trabalho continua seguro. Baldo, que também é roteirista do projeto em parceria com Leonardo da Rosa, trabalha há anos na construção do longa, que já passou por importantes laboratórios e fóruns de desenvolvimento nacionais e internacionais, como o Ibermedia Program, FRAPA, Europe–Latin America Co-Production Forum (San Sebastián), MIA Market (Roma), CENA 15 (Porto Iracema das Artes), New Stories Lab (SESC SP/SENAC) e o pitching do Festival de Brasília. A produção é da Plano B Filmes e da Druzina Content, com coprodução da Lazuli Filmes e Filmes da Gruta. A distribuição no Brasil será feita pela Vitrine Filmes. *Esta matéria faz parte de uma série especial que o Oxente Pipoca preparou sobre os filmes brasileiros em destaque no Marché du Film 2025, o mercado de cinema do Festival de Cannes. Com o Brasil como país de honra este ano, acompanharemos de perto os projetos que estão sendo apresentados, explorando as tramas, as equipes envolvidas e as oportunidades que surgem para o cinema nacional no cenário internacional.

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