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  • Foto do escritorÁvila Oliveira

Crítica | A Sociedade da Neve

Ninguém filma uma desgraça com mais textura e essência do que J. A. Bayona

Foto: Divulgação


Baseado numa chocante história real, o filme conta como dezesseis sobreviventes conseguiram ser resgatados depois de lutarem por 72 dias contra o gélido clima da Cordilheira dos Andes. Em outubro de 1972, um avião fretado da Força Aérea do Uruguai que rumava para o Chile se choca contra uma montanha nos Andes. Das 45 pessoas a bordo - a maioria fazia parte de um time de rúgbi amador -, 29 sobrevivem ao impacto, mas apenas 16 foram resgatadas. Sem qualquer preparo – sobrevivendo em meio a gelo e pedras, sob uma temperatura que chegou a atingir -30º C – eles usaram a fuselagem do avião como abrigo e precisaram tomar decisões que, em outros contextos, seriam fortes estigmas sociais, morais e humanos afim de esperar algum tipo de ajuda pelo maior tempo que conseguissem.


O filme Vivos (1993) foi um dos grandes sucessos das locadoras de VHS na minha casa, então mesmo com seu texto limitado que algumas vezes não sabe ocupar bem suas 2h de duração, a versão de Frank Marshall é um dos meus filmes preferidos dos anos 90 e tentei deixar esse apego de lado para contemplar a nova versão. Mas essas divisões não acontecem no nosso cérebro como a gente gostaria e as comparações inevitavelmente acontecem. O cineasta espanhol Juan Antonio provou em O Impossível, e endossou agora, que sabe trabalhar com escala macro de grandes desgraças para dimensionar a pequenez humana. Bayona tira o tom aventuresco que Marshall usou na primeira versão e foca na personalidade dos personagens contrastando com a grandeza e a clareza das montanhas de neve; a tabula rasa indiferente e assustadora que a natureza impõe mediante toda e qualquer pessoa.

Foto: Divulgação


Como as particularidades e as subjetividades dos personagens ganham mais destaque nesta adaptação, o diretor escolhe iniciar com flashbacks de antes do acidente para mostrar a dinâmica desses personagens e para dar o tom das personalidades, e como essas relações vão interferir no pós queda e também como elas mudarão após o acontecido. O elenco é formado por atores latinos que transbordam paixão e talento, nomes de certa novos quando comparados a figurões no âmbito internacional, mas que não deixam em nada a desejar a tantos outros que já bem consolidados.


Eu gosto de histórias de sobrevivência filmadas para ver como a produção se sai no desenvolvimento de ambientação que é um limitante, às vezes, na narrativa. Lembro que fui sedento assistir ao brilhante 127 Horas (2010), de Danny Boyle, pra saber como o diretor havia transformado as ditas 127 horas de um homem preso a uma pedra num filme de 90 minutos, como o cenário seria importante para contar aquela história e adicionar tensão a ela. E aqui não é o constante jogo entre o claro da neve com o escuro do avião que deixa a sistemática do enredo operando em equilíbrio e contradição ao mesmo tempo. O claro e amplo espaço por vezes assusta mais do que o apertado e escuro avião, por exemplo.


É uma história que por mais que seja bastante conhecida não deixa de ser emocionante, afinal ela joga com os todas as hierarquias das necessidades humanas da pirâmide de Maslow e dá bastante tempo e espaço para o espectador criar afinidade com aquelas pessoas, com aquela situação e com sobrevivência humana em seus instintos mais básicos.


Nota: 4,5/5

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