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  • Foto do escritorÁvila Oliveira

Crítica | Bob Marley: One Love

História inspiradora e músicas famosas sozinhas não fazem um bom filme

Foto: Divulgação


A cinebiografia que tem Kingsley Ben-Adir no papel principal mostra pedaços de um dos cantores mais distintos que já se viu e procura explicar como ele se tornou o nome de referência para o reggae e para a cultura jamaicana, influenciando até mesmo na conturbada história política do país.


Confesso que vai ser ainda mais difícil de enxergar uma cinebiografia com os mesmos olhos depois do brilhante Segredos de um Escândalo. Mas ainda assim fui de cheio de boas intenções assistir ao filme que tenta estar a de uma das figuras mais emblemáticas da história da música. E me deparei com um longa também cheio de boas intenções, mas que cedo entrega que não vai muito além das expectativas.


São muitos os problemas que fazem de Bob Marley: One Love uma produção fraca, tanto de texto quanto de visual. O filme abre com uma cena do cantor ainda criança que dura poucos segundos, e é seguida de um letreiro apresentando o cantor e tentando contextualizar de onde o enredo de fato irá começar, e essa é uma das primeiras provas de que a direção parece não saber o que fazer com a narrativa, nem mesmo como introduzir. O diretor Reinaldo Marcus Green é o responsável por outra recente cinebiografia pra lá de açucarada, King Richard - Criando Campeãs (2021), e aqui mais uma vez provou que prefere se manter na zona de conforto do artificial do que ousar em propostas diferentes.

Foto: Divulgação


Com 15 minutos de cena já temos umas 3 músicas cantadas ou citadas sem adicionarem qualquer camada ou informação ao texto. E entre músicas, flashbacks da infância e contexto político o roteiro tenta abraçar o mundo com as pernas e esquece de criar introspecção e desenvolver a intimidade do personagem, e quando resolve fazer é nos minutos finais. O ator Kingsley Ben-Adir faz caras, bocas e gestos que tentam bastante se assemelhar a Marley, mas infelizmente poucas vezes consegue, na maior parte do tempo não tem como não pensar que é um cover ou uma paródia ruim. Ele convenceu com muito mais facilidade e menos esforço no papel de Malcolm X em Uma Noite em Miami (2020).


O melhor do roteiro é sem dúvidas a relação entre Bob Marley e Rita Marley, interpretada pela brilhante Lashana Lynch. Rita é amiga de infância, confidente, esposa e mãe de alguns dos filhos do cantor, backing vocal, e é também a pessoa de confiança, quase como uma voz externa de sua consciência. A dinâmica do “casal” é o que se tem mais orgânico, a constante busca dele por um sucesso que deve se limitar a mensagem e a arte e esbarra nos luxos e excessos faz com que ele sempre recorra a Rita para ser sua âncora da realidade.


Infelizmente o filme desperdiça a oportunidade de abordar um dos maiores representantes da cultura rastafári com audácia e resolve não ousar em qualquer aspecto estético, tudo é muito “no lugar” e nada parece natural e sim claramente encenado ou montado para funcionar naquele momento apenas. Fica uma recomendação, assistam ao documentário Marley (2012), de Kevin Macdonald, para uma experiência audiovisual que faça mais jus ao grandioso artista.


Nota: 2,5/5

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