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Crítica | Eu & Você na Toscana

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Filme não encontra novos caminhos para a comédia romântica, mas percorre os velhos com simpatia.

Imagem: Divulgação
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As comédias românticas vivem uma espécie de eterno retorno. Mesmo quando parecem seguir exatamente a mesma receita de sempre, há algo reconfortante em acompanhar duas pessoas destinadas a ficar juntas atravessando obstáculos que sabemos, desde os primeiros minutos, que serão superados. Eu e Você na Toscana, que estreia nos cinemas em 11 de junho, entende perfeitamente essa lógica e não tenta reinventá-la.


Dirigido por Kat Coiro e escrito por Kristin e Ryan Engle, o longa acompanha Anna (Halle Bailey), uma jovem que vê sua vida virar de cabeça para baixo ao perder o emprego e o apartamento no mesmo dia. Em uma decisão impulsiva, ela embarca para a Toscana para ocupar a casa de um homem que sequer conhece. O problema começa quando a mãe do proprietário aparece inesperadamente e Anna, tomada pelo pânico, inventa ser sua noiva. A situação se complica ainda mais com a chegada de Michael (Regé-Jean Page), primo do suposto noivo e, obviamente, alguém que desperta sentimentos que ela não estava esperando.


Se a premissa parece familiar, é porque realmente é. O filme lembra diversos romances contemporâneos que dominaram livrarias, plataformas de streaming e sessões da tarde nos últimos anos. Há a protagonista em crise existencial, a mudança repentina para um lugar paradisíaco, o interesse amoroso irresistível, o segredo que inevitavelmente será descoberto e a promessa de recomeço. Nada disso é novidade.


Mas talvez esse seja justamente o seu maior mérito.


Eu e Você na Toscana funciona porque abraça sem vergonha as convenções do gênero. Diferentemente de produções que tentam ironizar ou desconstruir a própria fórmula, o filme entende que parte do prazer de uma boa rom-com está justamente na previsibilidade. Sabemos para onde a história vai, mas seguimos acompanhando porque queremos ver como ela chegará lá.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Grande parte desse envolvimento passa pela química entre Halle Bailey e Regé-Jean Page. Os dois sustentam cenas simples com naturalidade suficiente para tornar crível uma relação construída em situações cada vez mais improváveis. Mesmo quando o roteiro exige alguns saltos de lógica difíceis de justificar, a interação dos protagonistas ajuda a manter a narrativa funcionando.


Bailey entrega uma protagonista carismática, vulnerável sem exageros, enquanto Page faz exatamente o que o gênero espera dele: ser encantador o suficiente para convencer o público de que vale a pena embarcar naquela história. O resultado é uma dinâmica leve, divertida e agradável de acompanhar.


Outro personagem importante é a própria Toscana. O filme transforma a região italiana em muito mais do que cenário. As paisagens ensolaradas, os pequenos vilarejos, os cafés e vinhedos ajudam a construir uma atmosfera acolhedora que reforça a sensação de escapismo. Durante pouco mais de cem minutos, o longa oferece uma viagem confortável para um lugar onde os problemas parecem menores e os romances parecem inevitáveis.


Isso não significa que o filme esteja livre de problemas. Em alguns momentos, a trama exige uma boa dose de suspensão da descrença. Há situações que parecem existir apenas para empurrar os protagonistas para mais perto um do outro, e certas conveniências narrativas soam artificiais. O roteiro também evita qualquer risco, permanecendo sempre dentro de uma zona segura.


Há filmes que marcam pela originalidade e outros que encontram valor justamente na familiaridade. Eu e Você na Toscana pertence claramente ao segundo grupo. Não reinventa a comédia romântica, não amplia os limites do gênero e tampouco apresenta grandes surpresas. Mas entrega exatamente aquilo que promete: uma história leve, divertida, visualmente encantadora e sustentada por protagonistas que funcionam juntos.


Em tempos em que muitas produções parecem determinadas a serem grandiosas, existe algo quase refrescante em um filme que apenas quer ser agradável. E, dentro do universo das rom-coms, isso às vezes é mais do que suficiente.


Nota: 3/5


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