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Crítica | Seus Amigos e Vizinhos (2ª temporada)

  • Foto do escritor: Filipe Chaves
    Filipe Chaves
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Madura e mais centrada, a série encontrou o tom certo no novo ano.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Na primeira temporada, Coop, o protagonista de Jon Hamm, começa a roubar dos seus vizinhos ricos para manter o seu padrão de vida e da família e esta é a premissa da série. No decorrer dos episódios, ele acaba se envolvendo com bandidos barra-pesada e é quase espancado até a morte, tem um mistério de assassinato pelo meio e tramas que pouco se conectam com a principal, com um foco excessivo na irmã dele e em seus problemas mentais. Ainda é uma boa temporada de estreia, mas a é afobada e parece uma salada de gêneros que nem sempre conversam e acabam destoando desse olhar mais cínico sobre a futilidade dos subúrbios dos Estados Unidos que a série abordava, mas ainda assim conseguiu estabelecer uma base decente.


Agora, senti que finalmente a série se encontrou. É natural que isso aconteça com diversas produções. A primeira temporada é boa, mas irregular, só que é possível enxergar o potencial da trama. O roteiro comandado por Jonathan Tropper está mais afiado e refinado na narrativa construída e nas consequências do ano anterior. A adição de James Marsden como o antagonista foi uma ótima sacada e na minha percepção, crimes do “colarinho branco” combinam muito mais com o tom de Seus Amigos e Vizinhos do que Coop se metendo com gangues perigosas. A chegada de Ash (Marsden) movimenta a vida do Westmont Village e consegue englobar vários personagens na trama central como Sam (Olivia Munn), Barney (Hoon Lee, com um baita timing cômico) e Nick (Mark Tallman), que poderiam correr o risco de ficarem alheios, mas ainda são desenvolvidos também individualmente. Obviamente, a família de Coop não fica de lado, e embora a rebeldia de Tori (Isabel Gravitt) não seja lá a parte mais interessante, como isso afeta Mel (Amanda Peet, excelente), que também lida como a menopausa, é que faz o arco crescer. A relação de Coop com Ally (Lena Hall) é melhor aprofundada também. No entanto, com tantas outras coisas acontecendo, Coop não consegue furtar frequentemente as mansões vizinhas, o que deixa a ótima Elena (Aimee Carrero) um pouco sem destaque, infelizmente, ainda que ela tenha um pequeno enredo próprio. 


Tentando ao máximo não dar spoilers sobre os contornos da trama, posso dizer que foi um deleite acompanhar semanalmente a vida destes ricos criminosos – nem todos, vale ressaltar – e seus eventos luxuosos. Embora nem todo episódio seja agitado ou cheio de acontecimentos, eu acho que é essencial que você goste de acompanhar e passar tempo com os personagens que você assiste para aproveitar verdadeiramente o que uma série tem a oferecer. Seus Amigos e Vizinhos é uma série madura e lida com as questões da meia idade muito bem, com belíssimos diálogos em tantas cenas. Por mais que mostre tanta futilidade e o castelo de vidro, jamais deixa de mostrar que são pessoas ali, pelo menos no elenco principal e é aí que eles brilham, mostrando suas emoções humanas, medos e aflições, enfrentando o luto, que é algo iminente e fazendo isso de uma maneira realmente especial em um dos melhores episódios do ano. Jon Hamm é absolutamente fantástico em tudo e ele passeia pelo drama e as tiradas cômicas facilmente, afinal os melhores dramas também são ótimas comédias e é nessa pegada que a série evolui em relação ao seu ano de estreia. Nos dois episódios finais da temporada, as coisas se agitam mais e a série perde um pouco da elegância que se fazia presente anteriormente, flertando mais com o perigo. No entanto, ainda assim me pareceu que combinou mais justamente por estabelecer uma base mais firme, ela agora sabe quem é e a história que quer contar. A 3ª temporada tem tudo para progredir ainda mais. Aguardo ansioso pelo ano que vem.


Nota: 4/5



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