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  • Foto do escritorÁvila Oliveira

Crítica | Guerra Civil

Imagina querer fazer um filme de guerra neutro?

Foto: Divulgação


Guerra Civil é uma jornada através de um futuro distópico nos Estados Unidos, acompanhando uma equipe de jornalistas militares enquanto eles correm contra o tempo para chegar a Washington DC e conseguir exclusiva com o presidente antes que facções rebeldes cheguem à Casa Branca.


Esse é sem sombra de dúvidas um dos filmes mais em cima do muro que já vi. Em parte – e essa é a parte até compreensível – isso se dá pelos protagonistas serem fotojornalistas que passam por cima de suas morais, crenças e éticas para conseguirem os melhores cliques. É uma tentativa de querer pregar o utópico “jornalismo imparcial” e sem consequências, e acredite quem quiser. Quando o roteiro tenta (e infelizmente consegue) ser neutro em relação à política é que a coisa desanda.


Em momento nenhum do argumento fica claro precisamente o quê está acontecendo nos EUA, o que se sabe é que o país está em conflito interno por visões políticas e sociais diferente e que um desses grupos está querendo chegar na Casa Branca para matar o presidente. O texto de Garland evita a qualquer custo tomar uma posição sobre o evento. É uma guerra-analogia para uma nação dividida que não consegue se justificar (e vamos combinar que sutilezas e analogias não são o forte do diretor/roteirista). E o pior de tudo a falta de vontade de se justificar, é querer dizer que toda guerra é ruim e ponto, o espectador que lide com essa máxima e com o vago campo de interpretações e suposições que isso implica. Já pensou se existissem guerra de verdade no mundo (ainda mais com os EUA envolvidos) para ter que ensinar o quão prejudicial essas batalhas são? Não que eu esteja pedindo um documentário estilo Cidade Alerta como 20 Dias em Mariupol, era apenas um embasamento entre seus longos minutos de duração para tornar tudo mais palpável e menos vitrine.

Foto: Divulgação


O esforçado elenco tenta a todo custo dar alguma alma, alguma verdade ao enredo, mas está além da capacidade de Kirsten Dunst, Wagner Moura e companhia tornar todo o barulho e quebradeira importante. Os personagens também não apresentam estímulos ou objetivos, as falas e até mesmo os flashbacks se encontram numa zona cinzenta de emoções limitadas que não define nenhum traço marcante para eles.


Na ação pela ação o filme se sal muito bem. As sequências de combate são de grande escala e muito bem coordenadas. O design de som é refinadíssimo e impulsiona tanto as cenas mais intensas quanto as mais introspectivas. Visualmente Garland sempre se resolve muito bem e mais uma vez ele monta belas imagens com a ajuda da fotografia limpa de Rob Hardy.


Apesar dos bons momentos de tensão o longa não consegue impressionar com a narrativa neutra. Talvez Garland quisesse passar a impressão do vazio que se instaurou no país no cenário pintado por ele, vazio nas pessoas, nos lugares, nas atitudes. Talvez quisesse fazer um alerta para os estadunidenses sobre os perigos de um futuro iminente. Talvez quisesse mesmo só focar nos jornalistas e na sua missão questionável de cobrir a morte alheia. Talvez. Muitos talvez. Nenhuma certeza, e pior, nenhuma questão também. Só vazio. Um vazio covarde e apolítico.


Nota: 2,5/5

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