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  • Foto do escritorÁvila Oliveira

Crítica | Spirited - Um Conto Natalino

Atualizado: 18 de nov. de 2022

O espirituoso musical funciona bem mesmo se repetindo

Divulgação: Apple TV+


Adaptando o cânone Um Conto de Natal, de Charles Dickens, para uma versão moderna de comédia musical, Spirited conta a história do Fantasma do Natal Presente (Will Ferrell) que todo a cada véspera de Natal escolhe uma alma ruim para receber a visita dos três fantasmas do Natal (passado, presente e futuro caso alguém nunca tenha se deparado com qualquer uma das infinitas adaptações do livro) para que essa alma possa se redimir e, como um milagre de Natal, se tornar uma pessoa melhor. Porém o alvo escolhido nesse ano foi o empresário egoísta e manipulador Clint Briggs (Ryan Reynolds) que não vai colaborar os processos de mudança e ainda fará com que o Fantasma do Presente se questione sobre todas as suas escolhas e motivações no plano em que atua.


O efusivo filme é dirigido por Sean Anders e conta com um roteiro de Anders e John Morris. A dupla já trabalhou junto em outras comédias como A Família do Bagulho e Quero Matar Meu Chefe 2, e aqui eles conseguem, com a enorme ajuda dos compositores Benj Pasek and Justin Paul – responsáveis pelas famosas músicas de La La Land e O Rei do Show – criar mais uma comédia cheia de bons momentos e sem qualquer compromisso em se manter pé no chão. Primeiro porque é uma fantasia, e esse é o terceiro filme esse ano que me lembro de tratar um “pós-vida” com uma abordagem corporativista (as animações Lucky e Wendell & Wild também fizeram algo do tipo). Então a comédia abusa dos elementos irreais para criar seus momentos chave, o que algumas vezes funciona muito bem como nos números musicais e em outras nem tanto por conta do uso excessivo de efeitos visuais questionáveis.

Divulgação: Apple TV+


Segundo porque tem Will Ferrell como protagonista. Quem conhece os filmes do ator sabe que ele parece não ter a menor vergonha ou pudor de se arriscar em fazer todo o tipo de bobagem em cena, a impressão que dá é que ele está sempre tentando se divertir ao máximo e isso reflete no resultado. E certamente quem acompanha os trabalhos dele sabe que ele por várias vezes inseriu músicas em seus filmes – as vezes sem o menor valor narrativo – apenas para mostrar seus talentos vocais. Quem quiser ver mais de Will Ferrell cantando assista seu último sucesso, o bagunçado Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars. Então já estava passando do tempo dele aparecer num filme musical, e ainda mais um musical de Natal que agora se soma a Um Duende em Nova York como dois de seus melhores no currículo.


Ryan Reynolds surpreende com seus dotes musicais. O seu personagem é basicamente o que ele faz de melhor: um canastrão, indiferente e irônico com tudo e com todos ao seu redor, só que aqui ele cabe tão bem que a gente finge que não é exatamente o que ele faz em qualquer outro filme em que esteja. Ambos os protagonistas entregam um show no melhor sentido da palavra, ele soltam a voz e arriscam passos de dança em números muito bem coreografados e executados com riqueza de detalhes.


O grande trunfo do filme não é o que está sendo contado, afinal é a mais uma adaptação da conhecida história de Charles Dickens, mas maneira como está sendo contado. Mesmo quando o filme faz piadas sobre si próprio, mostrando um tipo de insegurança sobre suas escolhas, e se repete em vários momentos o resultado é positivo e consegue analisar e dar sua própria luz sobre a grande lição de moral do Conto de Natal.


Nota: 3,5/5

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