Longa pernambucano "Segunda Pele" será lançado no Olhar de Cinema
- Vinicius Oliveira

- há 5 horas
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Obra de Dea Ferraz integra a mostra competitiva Novos Olhares do festival, realizado em Curitiba.

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O longa-metragem pernambucano Segunda Pele foi selecionado para o Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba, onde terá sua estreia oficial dentro da mostra competitiva Novos Olhares, dedicada a obras de linguagem inventiva e caráter experimental. Dirigido por Dea Ferraz e com produção executiva de Carol Vergolino e Hudson Wlamir, o filme terá sua exibição no dia 09 de junho (terça-feira), na Cinemateca de Curitiba, em uma sessão seguida de debate com a realizadora.
Produzido pela Alumia Filmes, Coletivo Lugar Comum e Parea Filmes, com apoio de editais do Funcultura, Segunda Pele propõe uma travessia sensorial e poética que parte do corpo marcado, vigiado e normatizado ao corpo livre, em mutação e simbiose. Em sua construção, a obra afirma-se como gesto de fabulação entre presente e futuro, ao mesmo tempo em que é um manifesto feminista pela libertação dos corpos e pela reinvenção dos modos de existir.
De acordo com Dea Ferraz, a ideia para a produção surgiu por meio de um processo de construção coletiva. "Segunda Pele é um presente que recebi do Coletivo Lugar Comum, esse grupo de artistas maravilhosas, que tanto me inspiram, e que um dia me convidaram para fazer o filme do espetáculo homônimo. Lembro que já na primeira reunião perguntei se tínhamos que transpor o espetáculo para o cinema ou se podíamos partir do mote para algo novo. Claro que a resposta foi unânime: podemos fazer o que quisermos. Depois de dois anos de imersões e encontros, nasce o filme", explica.

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O elenco reúne as artistas do Coletivo Lugar Comum: Liana Gesteira, Maria Agrelli, Maria Clara Camarotti, Renata Muniz, Sílvia Góes e Sophia William. Em cena, elas compartilham seus corpos, medos e desejos, partindo do pessoal para construir um pensamento em rede. A câmera de Dea Ferraz não observa à distância. Ela se move e dança junto, criando uma intimidade que transforma o olhar em presença.
"É de forma poética e livre, que o filme se apresenta como um mergulho nos corpos que carregamos. Segunda Pele é feito com e por mulheres, demarcando um cinema que quebra paradigmas hegemônicos e acredita na força da imagem como construção de imaginário simbólico. Um convite ao sentir, mais do que ao pensar, Segunda Pele é um filme que borra os limites do cinema narrativo tradicional, acionando outras formas expandidas de relação com a imagem", destaca Dea, que também atua como pesquisadora e artista visual, acumulando uma trajetória marcada por investigações sobre imagem e sensibilidade. Em Segunda Pele, essa busca ganha contornos ainda mais urgentes ao confrontar o excesso imagético do mundo contemporâneo.
"Vivemos cercados por uma infinidade de imagens. Mas que imagens são essas que nos invadem? É a imagem do espetáculo, da publicidade, do comércio. É a imagem que vira produto. Então, o que tento em meus trabalhos é reencontrar a imagem em sua potência poética. O que as imagens são capazes de produzir em nós que não seja o adoecimento dos nossos corpos? As redes sociais, por exemplo, nos causam adormecimento e apatia, as imagens ali nos descolam de nós. Meu desejo é investigar quais imagens nos devolvem ao corpo, à presença, ao sentir. Quero que o espectador se reconheça vivo, que se implique com as imagens que vê, que as complete. É uma tentativa de pensar o cinema operando como um antídoto para a nossa realidade", reflete a diretora.



















