Crítica | Eles Vão Te Matar (2026)
- Ávila Oliveira

- há 1 dia
- 2 min de leitura
Aventura, terror e comédia se misturam em filme divertido com referências claras e sem grandes pretensões.

Uma mulher responde a um anúncio enigmático para uma vaga de governanta em um luxuoso e sombrio arranha-céu em Nova York. Ao chegar, ela descobre que moradores desapareceram sem deixar rastros por décadas, alimentando boatos de um segredo maligno escondido nas sombras.
O longa Eles Vão Te Matar deixa evidente desde seus primeiros minutos que não pretende se esconder atrás de sutilezas. Sob a direção de Kirill Sokolov, a obra abraça um estilo exagerado e energético, assumindo suas inspirações sem receio. É a produção pós-Kill Bill que mais exalta a energia Kill Bill descaradamente. E isto se encontra não apenas na violência estilizada, mas também na cadência das cenas de ação e no gosto por composições visuais marcantes com forte influência do cinema oriental.
A cenografia é um dos trunfos da experiência, com ambientes que não apenas servem de pano de fundo, mas impulsionam a narrativa. O prédio ganha vida como um personagem próprio, repleto de detalhes e enquadramentos quase que teatrais, que enriquecem a sensação de mistério e perigo constante. Esse cuidado visual somado a um desenho de som límpido, que valoriza cada impacto, cada passo e cada momento de tensão, contribui para a imersão do espectador.
Outro destaque é o trabalho de câmera, ágil e preciso, que acompanha o ritmo frenético da trama sem perder clareza. Os movimentos ajudam a construir momentos chave com eficiência, especialmente nas sequências de ação, onde a coreografia violenta ganha ainda mais força. Há um senso de timing bem ajustado, que mantém o público envolvido mesmo quando a narrativa decide abraçar o caos.

Ainda assim, o filme claramente passa do ponto em alguns momentos, tanto nos efeitos visuais quanto nos efeitos práticos, o que não é exatamente um problema, mas também não ajuda na contenção dos limites imaginários na narrativa. O exagero é constante e por vezes quase caricatural, mas curiosamente isso se transforma em parte essencial do charme do longa. Em um cenário atual marcado por produções mais padronizadas, essa ousadia acaba funcionando como um diferencial e oferece algo que foge do previsível.
O elenco acompanha esse espírito com entusiasmo visível. Há um senso de diversão coletiva, como se todos estivessem plenamente conscientes da bagunça institucionalizada proposta pelo nem sempre tão forte roteiro. O texto tem sim seus cutucões sociais também escrachados, mas escolhe não se aprofundar tanto nesta abordagem. As atuações exigem entrega física e isso aparece em cena, aliás um trabalho espetacular da equipe de dublês, tornando as situações-absurdo mais memoráveis e mais impactantes. É um tipo de filme que não surge mais com frequência, quase artesanal em sua construção, mas que consegue imprimir personalidade e originalidade mesmo apoiado em referências tão explícitas.
Nota: 3,5/5



















