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Entrevista | “O filme carrega estruturalmente uma ambiguidade, como se estivesse entrando e saindo de algumas camadas psíquicas”: Gregorio Gananian e Negro Leo falam sobre 'Aquele que Viu o Abismo'

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    Giulia Meneses
  • há 1 dia
  • 12 min de leitura

Diretores e protagonista do longa comentaram sobre a criação de um universo futurista com diferentes perspectivas de realidade.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Estreou nesta quinta-feira (30), Aquele que Viu o Abismo, com direção de Gregorio Gananian e do maranhense Negro Léo, que também assume o protagonismo do filme. A trama acompanha X (Leo), um homem que luta para sobreviver em um mundo distópico cheio de assassinatos e experiências alucinógenas, enquanto é perseguido pela Prolife, uma empresa que recruta civis com a promessa de garantir a vida eterna. 


Após vencer o prêmio de Melhor Filme na Mostra Olhos Livres da 27ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, o longa chega aos cinemas brasileiros trazendo uma narrativa frenética e intensa. Ainda com nomes como: Ava Rocha, Danielly OMM Kaufmann e Clara Choveaux, Aquele que Viu o Abismo testa os limites da capacidade humana e leva o espectador a duvidar de sua própria realidade. 


Em entrevista ao Oxente Pipoca, Gregorio Gananian e Negro Leo falaram sobre a construção da identidade visual do longa, os simbolismos que permeiam sua narrativa distópica, a mescla entre realidade e ilusão, a importância da produção cinematográfica no Nordeste e o reconhecimento na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Confira a entrevista completa abaixo: 


Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Gente, o filme apresenta um futuro distópico que, ao mesmo tempo, parece bem próximo da nossa realidade. Em que momento vocês perceberam que esse universo precisava ser construído dessa forma? Mais reconhecível do que futurista?

Gregorio Gananian: O nosso processo de filmagem não foi primeiro escrever o roteiro e depois filmar, primeiro sonhar uma imagem, para depois construí-la. Foi viver uma experiência e, a partir dessa experiência, a partir dessa imagem, chegar a ver o que a imagem ensinava para a gente.

 

Então, lógico, eu já tinha feito uma viagem para Xangai. Todo mundo sabe, hoje em dia, que a China tem um caráter futurista, aqueles prédios imensos, incríveis. Então, a gente mais ou menos imaginava alguns lugares que a gente passaria.

 

Mas todo esse aspecto do futuro é formidável, porque você vai para a China e eles estão um pouco no futuro. Então, deu um pouco essa sensação. Mas eu sinto, eu pressinto isso, que foi filmar, e aí, a partir da filmagem, sentir o que ela exalava, qual história ela contava para a gente, não história, mas qual melodia ela estava cantando para a gente.

 

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): A ProLife promete alguma coisa que acompanha a humanidade há séculos, que é a vida eterna. Então, o que essa empresa simboliza dentro da narrativa? Ela representa uma crítica ao capitalismo ou também dialoga com outras formas de poder?

 Negro Leo: Olha, Giulia, a ProLife, na verdade, ela representa, ela é um arquétipo, de certa forma, poderia colocar assim, ela é um arquétipo da exploração capitalista, do avanço da civilização ocidental sobre as outras culturas que não são as culturas que estão dentro do Ocidente. Entende? Então, a gente sabe que o capitalismo, na verdade, a todo momento está propondo novas experiências, experiências que são degradantes para a espécie humana, entendeu? E para a natureza, de forma geral. Então, esse nome é irônico, desse ponto de vista, para o espectador sacar, é uma ironia. Então, é mais ou menos por aí a ideia dessa empresa. Mas, de fato, é. Sim.

 

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): A identidade visual, ela parece desempenhar um papel importante na experiência do espectador. A maior parte do filme é cheia de movimentos, assim, e as cenas estáticas, as poucas que tem, parecem estar num movimento bem frenético. Como foi o trabalho para criar uma atmosfera que traduzisse esse estado constante de instabilidade vivido pelo protagonista?

 Gregorio Gananian: Aconteceu o seguinte, é muito interessante, o personagem, ele tem uma mão que tremula. Eu sentia que a câmera era como se a mão fosse um chocalho, assim, como se ela fosse um ritmo. No primeiro dia de filmagem na China, eu estava numa experiência muito próxima de um filme anterior, trabalhando com plano fixo, com tripé, só que, de repente, tiveram duas coisas que aconteceram simultaneamente.

 

A primeira é que eu tive um tombo no primeiro dia. Eu caí, machuquei minha costela e percebi que ia ser muito difícil carregar o tripé. E, ao mesmo tempo, esse é um personagem que caminha até ele trêmula. Ele anda, ele balança o corpo dele, tem um balanço. Então, acho que eu fui meio hipnotizado, eu digo, eu não, né? A câmera foi meio hipnotizada por essa vibração do personagem. Aí, eu lembro até que a gente voltou num dia, numa diária, estava eu, o Leo e a Ava. Eu lembro nesse momento, estávamos nós três, assim, olhando para as imagens.

 

Eu falei, e aí, gente? O que vocês acham disso? A Ava e o Leo, porra, Greg, tá demais. E aí, a gente se empolgou. Mas era, para a minha cabeça, às vezes, eu pensava... porque nós éramos uma equipe muito reduzida, em uma situação, não vou falar que é precária, mas não tinha monitor grande, coisas que você possa reconhecer com calma a imagem.

 

Então, um lugar dentro de mim falava assim, será que está fazendo certo? Não está desperdiçando? E, hoje, eu vejo o filme e agradeço. As coisas não acontecem à toa. Foi muito importante esse tombo, foi muito importante se aproximar da personagem. A mão dele, né? Porque é uma mão que toca, que vibra o tempo inteiro. A câmera tinha que estar junto. E isso vinha, também, de encontro, já, com algumas conversas que eu e o Léo tínhamos.

 

Há muito tempo que a gente trabalha junto e a gente sempre conversou sobre estética, sobre as questões. Tinha uma coisa de vibração, que eram as questões que a gente procurava na época. E tudo isso são portas abertas, cortinas abertas para poder embarcar nesse frenesi que o filme carrega.

 

Em relação às imagens fixas do filme, muitas delas são utilizadas de outra filmagem que tinha feito na China, que é o inaudito, que era tudo câmera com tripé. Então, era, mais ou menos, uma conta mental, assim, que a gente conversava na viagem. A gente falava sobre usar aquele plano geral. O Leo fez a trilha sonora do Inaudito, a gente reconhecia muitas imagens. Então, é mais ou menos isso, é uma equação. Uma equação eu-mística, louca, que deu certo, no final.

 

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Leo, além de interpretar o X, você também assina a direção deste longa. Como ator, o que foi mais desafiador em interpretar um protagonista que passa por estados emocionais e psicológicos tão extremos, assim?

 Negro Leo: Sem dúvida, interpretar esse personagem foi duro. Por outro lado, foi libertador, porque eu tinha vindo e ia para alguns filmes com uma interpretação mais realista, mais naturalista, entendeu? Mais, assim, uma coisa do cotidiano, do comezinho, da vida real. Não que a vida do X não seja real, pelo contrário, é muito mais real do que a vida desses personagens a quem eu dei vida.

 

Mas o X, cara, é o seguinte: vou te dar um exemplo. Minha mãe foi ao cinema numa sessão no Festival Ecrã assistir um filme. Ela saiu de lá comovida. Assim, quase chorando, sabe? Aquele limiar entre... Entre o choro, mas, assim, sentindo bastante. Outras pessoas vêm até mim e dizem isso também, que se promoveram, que sofreram junto com a personagem e tal.

 

Então, quer dizer, tem algum grau de verossimilhança naquela interpretação, que eu me orgulho muito disso. Agora, foi difícil fazer. Tem uma cena no final do filme que eu fico gritando, que tem umas luzes e tal, aquela coisa toda ali. Pô, aquilo ali foi foda. A gente fez aquilo ali em três minutos. Eles iam fechar o estúdio e a gente tinha três minutos ou alguma coisa assim, talvez até menos. E a gente falou, vamos agora e tal. E teve aquela descarga ali. Eu lembro que, quando terminou, eu estava exausto.

 

Gregorio Gananian: Foi forte. Se o Leo permite falar, você lembra uma no final, que a filha chorou, porque foi muito impactante. Era um estúdio que eles foram gravar uma entrevista para um programa da China, da internet. E a gente pirou quando vimos aquelas paredes de espelho. O cara falou, vocês têm três minutos, vocês podem usar quando acabar tudo. Então, acabou, a gente ligou a câmera. E o Leo interpretou.

 

E aí, a filha do Leo, no final ela estava comovida. Ela falou, eu amo o Sr. X, mas por que ele está passando por isso? Muito lindo, muito forte. Então, a arte dessas fronteiras no filme, tudo estava muito intenso. O X vive constantemente entre sobrevivência, alucinações e uma percepção implacável.

Imagem: Divulgação
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Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Como você construiu um personagem em que a percepção de realidade dele está sempre colocada em dúvida? O que é real, o que não é?

 Negro Leo: Na verdade, eu não sei nem se dúvida é a palavra certa, entendeu, Giulia? Mas nem colocando correção nas tuas palavras, não. É só dizendo assim, qual seria realmente o sentimento desse personagem no filme, ou a vivência dele. Eu acho que... Nem dúvidas, nem certezas. Sabe quando você é simplesmente levado? Porque quando começa o filme, a primeira coisa que ele diz é que eu me mandei, eu me voluntariei. Entende?

 

Então, quer dizer, tem um pouco de autodeterminação e voluntarismo, não é uma coisa que também foi acontecendo, sabe? Então tem um pouco disso. E quando você tem vontade e determinação, eu não sei se tem outro espaço para dúvida. E certeza também não, porque talvez seja aquilo que resta, entende o que eu estou querendo te dizer? E aí você se agarra naquilo.

 

Gregorio Gananian: Eu acho que nesse momento, acho que esse personagem se agarra em alguma coisa, entendeu? E eu acho que a partir daí a história começa. Eu acho que o personagem está no real, mas o mundo que circunda ele está muito na ambiguidade. Acho que a palavra talvez tenha uma certa ambiguidade. Não só do X, mas evidentemente de qual situação está acontecendo, ou aquilo é uma ilusão, uma imagem vendida, é pensado ou é o corpo ali vivendo.

 

Eu acho que o filme carrega estruturalmente essa ambiguidade, essa fronteira de camadas, como se a gente tivesse que ter entrando e saindo de algumas camadas psíquicas, não é nem psíquicas da personagem, da nossa realidade que a gente vive. O Leandro falou recentemente uma coisa, de repente a gente está com o celular na mão, a gente está num mundo diferente, troca de lado, é outro mundo.

 

E essa variação contínua de realidades misturada com o que a gente pensa e ao mesmo tempo o que uma pessoa falou com a gente naquele minuto. Existe uma simultaneidade, um prisma atualmente. Então eu vejo o filme muito nesse ponto, muito atual de todos nós. Talvez o X carregue uma tecnologia ancestral de... Ele já é com a forma que a gente vive. Eu acho que ele seja um real vivo, presente. Entendi.

 

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): O filme foi reconhecido pelo Júri Jovem na Mostra de Cinema de Tiradentes. Parabéns! Vocês sentem que esse ambiente permitiu que o filme fosse compreendido da maneira que vocês imaginavam? Totalmente. A gente ficou muito feliz.

 Gregorio Gananian: Um filme como o nosso, feito com sangue, com tanta dedicação. A gente chegou em Tiradentes com HD externo no dia da sessão. É o filme que atravessou o governo Bolsonaro, o coronavírus, dificuldades. É um filme que não teve nenhum edital. E aí você ter os jovens reconhecendo o filme e o texto que eles escreveram no prêmio, foi um orgulho pra gente. É um texto muito vívido.

 

A gente está na loucura, mas você também às vezes fica com receio de ser o louco da praça pública. Saber que tem outros semelhantes, que a gente tem uma conversa, que a coisa flui. Isso é uma maravilha. Isso deu muita força pra gente. Esse prêmio foi muito importante. Tanto em quesitos profissionais, porque dá uma validade para continuar trabalhando, como também alegria, festa. Eu acho que é uma coisa bonita desse filme. A gente não esconde a felicidade. Não tinha nada de blazer. A gente ficou muito feliz com o prêmio.

 

Negro Leo: E o júri é extremamente corajoso, porque se você for pegar os filmes que estavam concorrendo, o júri é extremamente corajoso. Então, estão de parabéns.

 

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Eu queria perguntar a vocês, e agora que o filme está no circuito comercial, o que vocês esperam que um público mais popular leve do filme de vocês?

 Negro Leo: Olha, é difícil falar em público nesses termos, porque você nunca sabe como a pessoa vai reagir. Eu não posso nem partir do princípio que eu vou subestimar ou superestimar qualquer tipo de pessoa que vá ao cinema assistir qualquer coisa. Outro dia, o Greg estava dando uma entrevista e colocou muito bem. Na história do cinema, o primeiro filme vinha um trem e o pessoal saia correndo da sala. Você entende? Então, quer dizer, eu não posso subestimar as pessoas. A pessoa que assiste, sei lá, Sessão da Tarde todo dia, ou assiste o filme comercial conforme você está dizendo, ela também tem a cabeça dela.

 

Claro que a pessoa tem uma formação. Esses filmes formam a pessoa e talvez a pessoa fique ali presa naquela maneira de fazer filme e não consiga se desvencilhar daquilo. Quando vai ver uma coisa diferente, ela tende a torcer o nariz e dizer, pô, isso não é legal. Pode acontecer, né? Mas eu acho que o público vai assistir aquilo informado das coisas que ele tem, que passaram pela vida dele...A gente não tem muito controle sobre isso. Então, não sei nem o que dizer.

 

Gregorio Gananian: Você sabe que eu garoto, eu era espectador médico. O que eu via? Via televisão e locadora. E é o chamado, né? Eu não acredito nesse conceito. E um dia do nada, meu avô tinha uma fita VHS de alguma coleção de locadora, não fazendo a comparação, mas era um filme do Godard. Eu botei para assistir esse filme. Eu moleque, 13 anos. E eu saí falando para o meu irmão, esse é o melhor filme que eu vi na minha vida. Isso é fantástico.

 

Então a gente nunca sabe de onde vai vir a pedra pelo caminho, né? É muito louco, assim. Todo mundo pode estar aberto. E às vezes a pedra do caminho é um filme do Bruce Willis, né? Eu acho que o nosso abismo ele conecta muito com a galera que passou por Sessões à Tarde, porque a gente passou muito por isso

 

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Leo, eu olhei em algum lugar que você nasceu no Maranhão. É verdade isso?

 Negro Leo: Com certeza. Absoluta.

 

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Nós do Oxente Pipoca falamos bastante sobre cinema regional. O quão familiarizado você está com esse cinema do Nordeste? Você pensa em fazer alguma produção por aqui? A gente pode esperar ver você em alguma produção regional.

 

Negro Leo: Pô, eu tomara, né? Tomara que me convidem tanto para atuar como me deem dinheiro para a gente poder dirigir algum filme do Nordeste. Isso é bom, né, Greg? Só que, assim, você tem que entender que a gente fez o Abismo por zero reais, com o amor de muitas pessoas envolvidas.

 

Então, assim...A expectativa, na verdade, se a gente cria muita expectativa... A vida não anda. Porque a gente vive no mundo das visualizações, entendeu? O pessoal visualiza. Hoje está em moda isso agora, de visualizar. Então, eu sou antigo, né? Eu tenho 43 anos. Não existe essa coisa de visualizar, entendeu? A gente vive. Agora, esse filme pode abrir portas para a gente.

 

Já está abrindo. O fato da gente ter ganhado um edital para distribuir o filme quer dizer isso. Ser premiado por um júri jovem corajoso e, de repente, outras coisas vão acontecendo. O Greg está filmando um longa novo agora, graças ao prêmio do filme. Graças ao prêmio do filme. E por aí vai, entende? Uma coisa vai levando à outra.

 

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): E, Gregório, quanto você está familiarizado com o cinema aqui do Nordeste? No sentido das produções feitas aqui até sobre cinema independente.

 Gregorio Gananian: Ah, eu estou familiarizado na turma que você conhece nos festivais de cinema. Então, de repente, você vai lá e conhece o Guto Parente, que estava lá na Mostra de Tiradentes. Eu adoro a galera do Ceará. Eu sou muito próximo da galera do Ceará. De Salvador. Recife. Virou um polo, né? É muito forte. E o cinema brasileiro, os grandes filmes são filmados no Nordeste, talvez seja o nosso espaço cinematográfico, o nosso céu, o grande céu de luz que carrega o cinema brasileiro.

 

Eu acho que o Nordeste inventa um pouco do cinema brasileiro. É muito interessante. Mas eu também não tenho uma capacidade muito historiográfica, sabe? Eu tenho uma relação com o cinema. Eu vou assistindo as coisas e vou formando mais constelações do que consigo colocar em linhas precisas.

 

Estamos muito animados porque a gente vai fazer agora uma pequena turnê de lançamento do filme no Nordeste, em algumas cidades do Nordeste, quer dizer. Então estamos empolgadíssimos. A gente vai para Recife, Salvador, Fortaleza. Vai ser um luxo poder estar nessas cidades.

 

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Gente, para finalizar, nós temos uma tradição. Sempre pedimos para os nossos entrevistados indicarem três produções brasileiras. Pode ser três séries, três filmes...

 Gregorio Gananian: Eu vou colocar então um pouco mais alguns filmes que formaram assim. Sem essa, Aranha, do Rogério Sganzela. Tem um filme que eu sinto que fica um pouco distante de novo das pessoas. Eu revi esses dias. Eu vou falar o filme mais conhecido, do Glauber, mas que está um pouco distante. Deus e o Diabo na Terra do Sol. Eu revi esse filme. Esses dias eu não acreditei no que eu vi. Há tanto filme, gente. Se eu me esquecer, tem as turmas que eu adoro. O João Dumas acabou de fazer um filme lindo. A Noite e os Dias de Miguel Burnier. Tenho um orgulho danado desse filme. Eu o vi agora num festival de Curitiba.

 

Negro Leo: Eu vou ficar nas referências do filme. Detour (Curva do Destino), do Edgar G. Ulmer. Do Carmelo Beni. Salomé. Salomé também foi um filme que ficou para a gente como referência de montagem, de velocidade, de troca de corte um do outro. E outro filme também que foi importante para a gente e, na verdade, não foi exatamente o filme, mas a gente poderia ter como filme, mas o livro, né? O Falcão Maltês, do... Dashiell Hammett. O filme é do John Huston.

 

A coisa da escrita telegráfica, isso o Greg me apresentou enquanto a gente estava no curso do roteiro e tal. Ele falou, Léo, tem isso aqui, isso aqui é ouro, cara. Então, essas são as referências.

 

 

 


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