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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1329 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Gatos no Museu

    Animação russa foca na simplicidade com história baseada em fatos Foto: Divulgação Com estreia prevista para o dia 10 de agosto nos cinemas do Brasil, o longa infantil Gatos no Museu se baseia em uma história real de gatinhos que moram nas dependências do Museu Hermitage, na Rússia, e foram responsáveis por salvar obras de arte caçando roedores que viviam nas dependências do prédio. O filme é dirigido por Vasiliy Rovenskiy, que também assina o roteiro ao lado de Elvira Bushtets e Fyodor Derevyanskiy. Na história, um jovem gato chamado Vincent, na companhia do rato Maurice, escapa de uma enchente e é recolhido por marinheiros. Enviados a São Petersburgo, Vincent e Maurice vão para o Museu Hermitage e conhecem um esquadrão felino de elite, que protege as obras de arte de ratos e outras pragas há séculos. Vincent, que sonha em encontrar uma família felina, se vê na missão de proteger Maurice, que salvou a sua vida. Porém, Maurice adora roer obras-primas da pintura e a situação se complica ainda mais quando uma das maiores pinturas da humanidade, a Mona Lisa, chega ao Museu, e é o sonho de todos os ratos roê-la. Mas nem Vincent, nem Maurice, nem os gatos do Museu Hermitage suspeitam que a pintura será roubada. Foto: Divulgação Com uma história simples, Gatos no Museu possui uma trama de fácil entendimento com alto foco no público infantil. O roteiro, muito similar ao de séries do Discovery Kids, é uma boa opção de distração para os mais jovens e também deve agradar pais que buscam um entretenimento de classificação livre para os pequenos. O interessante de Gatos no Museu é, sem dúvidas, seu contexto histórico que se baseia em fatos reais. Além disso, o longa também se preocupa em apresentar grandes obras conhecidas mundialmente para o público, tornando-se bastante diferente da maioria de filmes e séries infantis, que não se preocupam com uma fidelidade realística para o período que representa. A animação do filme é bem simples, similar a de desenhos do Youtube e não possui nada de muito novo, porém, explora bem as cores e a versatilidade dos felinos para chamar atenção dos telespectadores. Gatos no Museu é uma boa distração e um bom longa para levar as crianças pequenas apaixonadas por gatos e interessadas por artes e histórias de aventuras. 2,5/5

  • Crítica | Resgate 2

    Apesar do enredo pouco inovador, a sequência investe na ação e garante o entretenimento. Foto: Divulgação Depois de, aparentemente, morrer no final do filme anterior, Tyler Rake (Chris Hemsworth) é salvo do rio onde caiu, e enquanto se recupera em uma cabana isolada, um misterioso homem, interpretado por Idris Elba – uma mini reunião de Asgard – tem uma nova missão para oferecer ao mercenário: resgatar uma família de um criminoso de uma prisão. Treinando pesado para voltar à antiga forma, Tyler sabe que não será fácil, mas não esperava reencontrar fantasmas do passado pelo caminho. Apesar da trama ser mais do mesmo do que vemos em filmes do gênero, o que vale mesmo é o baita entretenimento com a ação constante e o ritmo frenético. Se no longa anterior tivemos aquela sequência de 11 minutos, Sam Hargrave nos brinda com 21 minutos desta vez. O modo como ele filma parece ser um longo plano-sequência, e mesmo que não seja, o que vale é a sensação que causa. Tudo acontecendo ao mesmo tempo com lutas muito bem coreografadas, que não dá tempo nem pra respirar, graças a agilidade que testemunhamos na tela. Foto: Divulgação É notório também que há mais destaque para outros personagens, como Nik (Golshifteh Farahani), parceira de Rake, que parte para a ação com ele. Farahani é bem competente e é bom vê-la nos holofotes, até porque além de muito carisma, a relação dela com o mercenário é a melhor construída pelo roteiro. Há uma questão de respeito, admiração e amizade envolvidas. No entanto, não há muito em se exaltar no resto. Há um tentativa de formação de uma equipe, mas sem o devido desenvolvimento, tornam-se personagens descartáveis. Assim como os tais “fantasmas do passado” que são clichês já muito utilizados e aqui não acrescentam em basicamente nada. Mas tudo bem, eu, particularmente, não esperava uma história cheia de nuances e complexidade com personagens profundos, então o resultado é que o filme é um entretenimento muito válido pra quem é fã do gênero. Ação não falta, tiros, explosões, lutas corpo a corpo e tudo isso em um ritmo alucinante. Hargrave merece muitos elogios por dirigir assim e fazer um ótimo uso de efeitos práticos que fazem a diferença pra quem assiste ao trazerem mais verossimilhança para as cenas. Então se a trama em si não é lá essas coisas, a ação é bastante recompensadora. O terceiro longa já foi anunciado, e com o gancho deixado pelo final, não poderia ser diferente. Nota: 3/5

  • Crítica | Homens de Barro

    Releitura LGBTQIA+ de Romeu e Julieta apresenta ótimas ideias, mas peca por uma apática execução Divulgação Não é nenhum exagero dizer que Romeu e Julieta é a história de amor mais famosa de todos os tempos — mesmo que seja também uma história permeada pela tragédia, a qual acompanha as várias narrativas que beberam da sua fonte, como Amor, Sublime Amor. Em seus primeiros minutos, Homens de Barro já nos revela que terminará em tragédia, abrindo in medias res com os corpos sem vida de dois dos seus protagonistas, antes de voltar no tempo para mostrar como tais mortes foram a culminação de anos de disputa entre duas famílias rivais nessa pequena cidade sem nome no Rio Grande do Sul — e como um romance proibido emergiu em meio a essa disputa. Longa de estreia de Angelisa Stein (que co-dirige com o argentino Fernando Musa), Homens de Barro usa a base clássica de Romeu e Julieta — aqui enquadrada sob um prisma LGBTQIA+ — para discutir a natureza tóxica e destrutiva da masculinidade. O que começa com uma rivalidade entre Oscar Tamai (Cassiano Ranzolin) e Élvio Miranda (Rafael Guerra) é passado como uma doença infecciosa para seus filhos Pássaro e Marciano, cuja amizade pura e inocente da infância é dissolvida pelo ódio mútuo entre esses dois homens e suas consequências trágicas. Diria que esse prólogo é uma das melhores partes do filme, justamente porque ali naqueles 15-20 minutos iniciais são apresentados quase todos os fundamentos que vão nos ajudar a entender a dinâmica desses personagens em suas versões adultas, conforme são moldados pelos pais a serem um determinado tipo de homem naquele ambiente patriarcal e retrógrado. Entretanto, é justamente quando avança para o presente que os principais problemas do filme aparecem. A aparente rivalidade das duas famílias, que haveria de ser expressa na relação de Pássaro e Marciano (Gui Mallmann e Alexandre Borin em suas versões adultas) é praticamente deixada de lado até retornarmos à cena que abre o filme. Na verdade, o personagem de Borin é praticamente deixado de lado até os 20 minutos finais do filme, conforme o filme prefere focar na relação romântica que emerge entre seu irmão caçula Ângelo (João Prates) e Pássaro. Contudo, considerando que praticamente nada vemos de Ângelo no prólogo do longa, esse desvio de foco narrativo de um irmão para o outro é tratado de uma forma abrupta, assim como a própria aproximação do casal principal. Mesmo a utilização da narração em off de Ângelo acaba sendo um equívoco, visto que sua redundância é nítida a cada vez que é usada (soando mais como uma espécie de atalho para dar conta da enxuta duração de 72 minutos do filme), além do fato de que o próprio personagem recebe pouco desenvolvimento, soando mais como uma ideia do que como uma pessoa de fato dentro da trama. Divulgação O filme consegue pincelar momentos que exploram bem esses efeitos nocivos da masculinidade tóxica e frágil que permeia esses homens — como os comentários sexistas do amigo de Pássaro, Nando (Bruno Fernandes III), ou a falha tentativa de reaproximação de Marciano com Ângelo que apenas revela as fissuras deixadas pela criação machista do pai — mas são momentos isolados que perdem sua força no contexto geral da obra. Por outro lado, se o contato inicial de Pássaro e Ângelo não convence, o desenrolar da sua relação romântica e sexual é um dos maiores acertos do longa, com a câmera de Stein sabendo explorar e filmar seus corpos com uma tocante sensibilidade e sensualidade que, também através da fotografia de Bruno Polidoro, formam um nítido contraste ao ambiente tão embrutecido em que esses personagens vivem. Apesar desses destaques, porém, o saldo final de Homens de Barro acaba sendo de uma obra que, mesmo com uma premissa rica e repleta de possibilidades, acaba caindo numa execução burocrática e um tanto apática, como evidente na encenação da cena climática. Não sei o quanto isso pode ser creditado à sua curta duração, mas fica evidente que diversos pontos da obra poderiam ter recebido um melhor desenvolvimento, restando ao final a sensação de ser um filme inseguro em abraçar mais desse contraste entre a prisão da masculinidade tóxica e a libertação oferecida através do romance entre seus personagens. Nota: 2.5/5

  • Crítica | M3GAN 2.0

    Mesmo divertido, longa se estrutura em cima de um roteiro pró-IA indefensável e caótico. Divulgação Dois anos após M3GAN, uma maravilha da inteligência artificial, se tornar desonesta e embarcar em uma fúria assassina (impecavelmente coreografada) que provocou a sua destruição, a criadora de M3GAN, Gemma (Allison Williams), tornou-se uma autora de grande prestígio e defensora da supervisão governamental da IA. Mas a sobrinha de Gemma, Cady (Violet McGraw), agora uma adolescente de 14 anos, rebelou-se contra as regras superprotetoras de Gemma. Chega a ser vexatório ver que a mesma Hollywood (ou boa parte dela) que passou meses em greve brigando pelos direitos dos artistas e profissionais que estavam perdendo espaço para trabalhos porcos de IA agora apresente tanto filme tentando empurrar inteligência artificial goela à baixo. Se um dia a romantização de uma forma de mente pensante inorgânica era motivo de filmes encantadores e reflexivos sobre as possibilidades de um futuro distante e cheio de oportunidades impensáveis para novas formas do homem viver sua vida com qualidade, hoje, com a realidade bizarra de desdobrando perante nossos olhos, o tema parece não ter força nem espaço para idealizações poéticas. A trama aqui gira em torno do conflito hipotético e infantilizado entre uma IA do bem e uma IA do mal. E em meio a uma confusão de personagens desinteressantes, sequências de luta, suspense sofrido e argumentos rasos para defender essa briga, o filme se sai bem em um ou dois momentos de humor que quebram o emaranhado de abordagens ruins sobre a pauta, em especial o vergonhoso discurso final que prega uma coexistência harmônica entre humanos e robôs. Mas até mesmo os momentos engraçados esquecem a hora de parar e se prolongam por segundos preciosos desgastados que fazem a piada perder a graça, como uma cena específica que toca uma canção da Kate Bush. Divulgação M3GAN 2.0 é em tudo mais exagerado do que o primeiro, e muitas das escolhas narrativas repetidas ficam pelo meio do caminho, como uma nova versão da cena de dança, por exemplo, que nessa segunda vez já não tem graça nem impacto. O terceiro ato quase todo busca se sustentar em cima de reviravoltas que não impressionam por terem sido apresentadas quando o filme já expôs quase todos os recursos alegóricos e textuais possíveis para os gêneros trabalhados. É uma bagunça que diverte sim em alguns momentos, mas que passa o tempo todo mediando situações antagônicas sem tomar partido, e quando resolve se posicionar joga contra tudo que serviu de motivação para o argumento, de forma covarde e sem qualquer personalidade, afinal, a tecnologia sempre vence, sempre muda, sempre evolui e merece todo perdão dos humanos malvados que não ensinaram direito as IAs direito como a vida funciona. Cafona. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Disclaimer* (Minissérie)

    Apesar de quase se perder no meio, se encontra no fim e se mostra digna de reflexões Foto: Divulgação crime, mas perante a sociedade, parece ser o pior pecado que uma mulher pode cometer e isto a produção mostra

  • Crítica | Apenas Coisas Boas (Olhar de Cinema 2025)

    Imagem: Divulgação Se eu ganhasse um real para cada vez que tivemos em 2025 um filme produzido em Goiás

  • Crítica | Natal Amargo

    O humor ácido ainda existe, assim como a crítica mordaz às relações humanas, porém ambos surgem desgastados

  • Crítica | Nas Terras Perdidas

    Só que ninguém está, nem os personagens ao que tudo mostra. interessante no enredo que mistura ficção científica com fantasias míticas e tenta inserir diversas críticas de Dave Bautista já é uma de longe uma das piores performances que um ator fez no cinema mundial em 2025

  • Crítica | A Cronologia da Água

    Poots não suaviza a dor de Lidia, ela a deixa à mostra.

  • Crítica | Procura-se

    Comédia romântica brasileira é uma boa adaptação do livro e deverá agradar os fãs do gênero Divulgação: HBO Max Depois do lançamento de “No Mundo da Luna”, a HBO Max inseriu em seu catálogo mais uma obra audiovisual inspirada nos livros de Carina Rissi. Dessa vez, o livro “Procura-se um Marido” foi moldado para o formato de filme e recebeu o título de (apenas) “Procura-se” e chegou à plataforma na última sexta-feira, 25. Na história, Alicia é uma mulher que gosta de curtir a vida, viajar, ir para festas e baladas e ter uma vida boa, tudo é graças ao dinheiro do avô - que ela ama. Mas Alicia vê sua vida desmoronar quando o avô morre e sua herança é lida para sua família e ela se vê sem nada no testamento, já que o avô alega que a neta não tem maturidade nem para cuidar da empresa, nem da mansão e nem do dinheiro que a jovem deveria herdar. Isso, é claro, só poderá ser desviado caso ela esteja casada e permaneça com o parceiro por mais de um ano. A jovem, para burlar a retrógrada ideia do avô, resolve se envolver em um casamento fake com Max, um dos funcionários da empresa do avô. No elenco, destacam-se o casal principal interpretado por Camila Queiroz e Kleber Toledo que também são um par romântico na vida real. A química em cena também já foi vista na novela “Êta Mundo Bom” da Rede Globo e em “Procura-se” os dois repetem a dose e criam um Max e uma Alicia bem convincentes e próximos aos descritos nas páginas de Carina Rissi. Mari, melhor amiga de Alicia, é interpretada pela carismática Noemia Oliveira que traz em todas as suas cenas uma leveza, acertando bastante nos principais momentos cômicos da trama e tendo uma ótima química em cena com Camila. Divulgação: HBO Max Roteirizado por Guilherme Ruiz, Carolina Minardi, Alessandra Ruiz e Angélica Lopes e dirigido por Marcelo Antunez, “Procura-se” tem o cuidado de revitalizar alguns aspectos do livro, escrito em 2012, para o momento atual em que vivemos e faz algumas mudanças bem-vindas na obra. Óbvio que por ser uma adaptação, a profundidade do livro se perde tentando condensar quase 600 páginas em apenas 1h30 de longa e a impressão que fica é que tudo acontece rápido demais. Outro problema do filme é a resolução final da história que tenta evitar a vilanização dos personagens, entregando um fechamento simplista e um pouco questionável. Porém, “Procura-se” tem, em sua essência, tudo que o livro de Carina Rissi propõe para os fãs de romances clichês e se torna uma excelente opção para quem busca isso em uma história nacional. Com outra adaptação confirmada e um possível gancho para, quem sabe, um novo filme no mesmo universo de “Procura-se”, Carina Rissi pode se tornar a Thalita Rebouças das adaptações literárias para jovens adultos. Um bom material original ela tem, só precisa de alguém que consiga adaptá-los da melhor forma. “Procura-se” quase chegou lá. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Assalto à Brasileira

    Filme transforma episódio inusitado da história do país em comédia divertida Imagem: Divulgação Um dos episódios mais inusitados da história brasileira ganha as telas em Assalto à Brasileira, novo filme de José Eduardo Belmonte. Com estreia nos cinemas nesta quinta-feira (5), o longa aposta na comédia para revisitar um assalto a banco ocorrido em Londrina, no Paraná, em 1987, e encontra no absurdo dos acontecimentos reais seu principal trunfo. Na trama, um jornalista se vê envolvido em um dos maiores roubos da história do Brasil: um assalto à mão armada na maior agência bancária de Londrina. Em meio a uma grave crise econômica, o episódio ganha contornos ainda mais curiosos quando parte da população passa a simpatizar com os criminosos e a torcer pelo sucesso do roubo. É justamente nesse cenário de contradições que o filme constrói sua narrativa. O que torna Assalto à Brasileira particularmente divertido é perceber como a realidade consegue ser mais inacreditável do que a ficção. A produção explora as situações insólitas do episódio sem perder de vista o contexto social e econômico que as tornou possíveis. Mais do que simplesmente reproduzir um acontecimento histórico, o filme encontra no humor uma maneira de evidenciar as contradições de um país atravessado por crises e desigualdades. A direção de José Eduardo Belmonte demonstra familiaridade com narrativas que transitam entre a tensão e o entretenimento. Aqui, o cineasta opta por uma abordagem bem-humorada, conduzindo os acontecimentos com ritmo e explorando o potencial cômico de uma situação que, por si só, já parece saída de uma ficção. A escolha funciona especialmente porque o humor não depende apenas de piadas, mas também do próprio comportamento dos personagens e das reações da população diante do assalto. O elenco é outro ponto positivo. Murilo Benício conduz o filme com muita segurança, em uma atuação marcada por um excelente timing cômico. O ator encontra o equilíbrio necessário para transitar pelas situações mais absurdas sem perder a naturalidade. Christian Malheiros também se destaca, entregando uma ótima atuação e contribuindo para a dinâmica da narrativa. Imagem: Divulgação Mesmo retratando um acontecimento de quase quatro décadas atrás, o filme apresenta discussões que continuam encontrando eco no Brasil de hoje. O contexto de crise econômica, a identificação popular com os criminosos e as contradições sociais que atravessam a história ajudam a estabelecer uma conexão entre o episódio de 1987 e a realidade contemporânea. É interessante perceber como a produção utiliza um acontecimento tão particular para provocar reflexões sobre questões que ainda fazem parte do nosso cotidiano. Assalto à Brasileira está longe de ser um filme perfeito. Algumas escolhas poderiam ser mais bem desenvolvidas, mas a produção tem mais méritos do que defeitos. Ao utilizar a comédia como ferramenta para contar uma história real do país, José Eduardo Belmonte entrega um longa divertido, que surpreende justamente por aquilo que não precisou inventar. Afinal, quando a história é tão absurda quanto essa, a realidade já faz boa parte do trabalho. Nota: 3/5

  • Crítica | Os Farofeiros 3

    Talvez a fórmula do sucesso não funcione uma terceira vez Imagem: Divulgação Para muitos brasileiros, ninguém faz comédia como a gente. As receitas do humor nacional parecem insuperáveis, e duvidar disso soa quase como heresia. Farofeiros 3, porém, não ajuda a sustentar essa tese. O longa que estreia dia 5 de novembro nos cinemas brasileiros apresenta, desta vez, o grupo de amigos já conhecido do público embarca para a ilha caribenha de San Martinez, onde será celebrado o casamento de Anita, filha de Rocha, interpretado por Charles Paraventi. Contada pela perspectiva dos filhos, a nova aventura mantém o espírito dos filmes anteriores, com situações cotidianas das relações brasileiras que prometem pegar o espectador de surpresa. O problema está na execução: a tentativa de quebrar expectativas soa forçada, e o humor resulta frágil e, na maior parte do tempo, constrangedor. Já na chegada, Rocha repete a mentira sobre as acomodações das férias, e as barreiras linguísticas e os estereótipos exagerados completam um conjunto cansado, que não oferece ao público nenhum motivo para se envolver com aquele lugar. O elenco, familiar ao público, é um dos pontos fortes. Maurício Manfrini, Cacau Protássio, Danielle Winits, Antônio Fragoso, Charles Paraventi, Elisa Pinheiro e Nilton Bicudo formam um grupo competente, mas que acaba diluído diante de um roteiro simples e de poucas ambições. Embora o filme respire brasilidade, boa parte das cenas segue um padrão de humor estadunidense, que destoa do que há de melhor no nosso jeito de fazer rir. Lima e Jussara perdidos em "alto-mar" e Vanete incorporando uma mistura de Dona Hermínia e Tony Montana são exemplos de cenas que desperdiçam a competência já comprovada desses atores. A estrutura também pesa. As sequências são longas e pouco conectadas, e o filme ainda investe em uma trama dispensável, como a possível paternidade de Diguinho e o envolvimento com uma ex-namorada, que traz Aline Campos em uma personagem de caricatura e exagero em dose dupla. Falta química entre os casais principais, que parecem cansados de sustentar a história. Lima e Jussara continuam sendo, de longe, o casal mais coeso, mas a alternância constante entre narrações e pontos de vista fragmenta o filme e dá a impressão de uma colcha de retalhos de comédias inferiores, na qual o cansaço acaba vencendo. O elenco infantil, por sua vez, é doce e engraçado, e reflete com mais naturalidade aquilo que os pais tentam representar. Já as participações especiais e as reviravoltas finais pouco acrescentam e empobrecem o enredo. Os risos genuínos são raros em meio a tantas situações repetitivas e caricatas. Há ainda atuações exageradas sem motivo aparente, como a de Danielle Winits, que levam o espectador a questionar essas escolhas, dada a tradição e a confiança que esses nomes já construíram no audiovisual brasileiro. Em resumo, Farofeiros 3 tenta ser tudo o que um dia já foi. Com direção e montagem semelhantes às dos dois antecessores, o terceiro filme prova que manter todos os elementos nem sempre basta para conquistar o carinho do público, sobretudo num momento em que a comédia brasileira ganha novos rumos e formatos. As imagens são vibrantes, mas a montagem padronizada e caricata, somada à falta de piadas criativas e a uma comicidade escassa, exige do espectador boa vontade para aproveitar um filme que já nasce ultrapassado. Nota: 2/5

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