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928 resultados encontrados para "Mostra SP 2026"

  • Crítica | A Terra do Meu Pai (Mostra de SP 2026)

    Paweł Pawlikowski conclui sua trilogia de dramas históricos num entrelaçamento entre a vida da família Mann e a Alemanha fraturada do pós-guerra. Imagem: Divulgação Há uma certa duplicidade de sentido em Ojczyzna, título original em polonês de A Terra do Meu Pai, que acaba sendo perdida na tradução. Afinal, ojczyzna (e sua tradução em inglês, fatherland) significa “pátria”, e num filme cujos protagonistas – Thomas Mann (Hanns Zischler), o maior escritor alemão do século passado, e sua filha Erika (Sandra Hüller) –, retornam a sua pátria 16 anos após fugirem do regime nazista e a encontram dividida entre dois modelos de regime socioeconômicos, a pergunta que fica é: para o que eles estão voltando? Na visão de Paweł Pawlikowski, a resposta está longe de ser simples. Conhecido pela visão crítica que traçou ao regime comunista na Polônia em seus aclamados longas anteriores, Ida e Guerra Fria, ele agora direciona seu olhar para a Alemanha, formando uma trilogia temática e estética. Sua parceria com o diretor de fotografia Łukasz Żal já é uma das grandes do cinema neste século, e ver A Terra do Meu Pai é ter a garantia de um espetáculo plástico, onde enquadramentos, trabalhos de blocagem e o uso do preto-e-branco já o consolidam como um dos longas mais bonitos do ano. Mas é claro que só esse cuidado com a imagem por si só não basta, e felizmente Pawlikowski entende isso. O texto acaba soltando um ou outro diálogo didático que nos contextualiza nestas referências do período pós-guerra, como a ligação de Richard Wagner com o nazismo (ainda que renda uma das cenas mais espirituosas e hilárias do filme) ou a conexão do ex-marido de Erika, Gustaf Gründgens (Joachim Meyerhoff), com o romance Mefisto, escrito por seu irmão Klaus (August Diehl). Mas esse pano de fundo histórico é apenas um veículo pelo qual o diretor trabalha o cerne da obra, que é a relação de pai e filha e as fraturas não só em suas identidades nacionais, como também no seio familiar. Imagem: Divulgação Talvez a abordagem mais fria de Pawlikowski possa afastar uma parcela do público, mas aqui ela serve justamente para evidenciar as trajetórias dos personagens principais, que, em meio a uma vida dividida entre tantos lugares, lutam para se reencontrar e se reorientar após uma trágica perda familiar, e precisam fazê-lo justamente em sua terra natal. O trabalho de Hüller pode ser o mais expressivo à primeira vista, já que a personagem é quem maior sente o impacto desta perda, mas foi a performance de Zischler quem ficou comigo ao término do filme. Seu Thomas Mann, como muitos dos maiores homens de seu respectivo tempo, tem consciência disso, e, em meio à relutância de aceitar que é um joguete tanto nas mãos de estadunidenses quanto soviéticos, vai tentando ocultar a dor e o luto até que eles enfim emergem numa belíssima sequência final ao som de Bach. A Terra do Meu Pai pode não alcançar o mesmo nível de Guerra Fria, mas é um retorno mais do que bem-vindo de Pawlikowski à cadeira de direção após 8 anos. Pode soar familiar em alguns pontos, mas isso é mais mérito da identidade temática e estética que o diretor configurou nessa trilogia iniciada em Ida e encerrada aqui. E, uma vez que possa ser superada sua flagrante frieza, tem-se um mergulho no âmago de um pai e filha enlutados cujo resultado final é mais do que satisfatório. Nota: 4/5

  • Crítica | A Violência de Ninguém (Mostra de SP 2026)

    Abordagem experimental e irregular minam a potência da premissa e a natureza existencialista do longa. Imagem: Divulgação Em A Violência de Ninguém, somos apresentados a Mira (Larissa Corriveau), uma mulher que vaga pela porção francófona do Canadá realizando um serviço tão inusitado quanto mórbido: ela ajuda pessoas a porem fim à sua própria vida. A morte aqui não é tratada como um fim, mas sim como uma libertação para essas pessoas, muitas já lidando com doenças degenerativas ou terminais. Ainda assim, o peso dessas ações exige um custo de Mira, que, por baixa da sua fachada gélida e impassível, busca conexões humanas, por mais fugazes que sejam. Em seus melhores momentos – concentrados sobretudo no primeiro ato –, o filme adota uma estrutura de breves vinhetas dos “serviços” de Mira, intercalados com os instantes em que ela busca formas de escape, o principal deles sendo o seu envolvimento com o jovem Pierric (Xavier Bergeron). São instantes em que o longa assume uma natureza contemplativa e existencialista, à medida que vemos a fachada da protagonista se desfazer aos poucos. Por que ela realiza tal tipo de trabalho nunca fica claro, mas o mistério confere um ar deveras intrigante e envolvente, mesmo que esses “clientes” entrem e saiam de sua vida sem termos tempo de nos envolvermos com eles. Imagem: Divulgação Em meio a isso, a direção de Denis Côté segue uma abordagem experimental que ora casa, ora distrai da premissa adotada pelo filme. A imagem assume um caráter tátil, que conversa em momentos um tanto oníricos ou lembranças dos personagens, além de inicialmente enquadrar Mira com um certo distanciamento que aos poucos vai sendo quebrados conforme entendemos melhor essa protagonista. No entanto, em muitos momentos essa abordagem faz com que o filme assuma uma estética hiperestilizada que parece um tom acima do que a sua narrativa contemplativa pede. Isso fica ainda mais evidente quando, em seu segundo ato, o filme muda radicalmente de tom ao reinserir Mira no universo dos seus empregadores, liderados pelo misterioso Ludo (Philippe Rebbot). O tom inicial de estranhamento se amplifica, mas essa atmosfera vaga se choca com a guinada narrativa. Se antes os poucos diálogos e a natureza nada direta deles até combinavam com o mistério em torno das ações e motivações de Mira, nesse bloco eles só se tornam mais e mais frustrantes, já que o filme parece desejoso de oferecer respostas e ao mesmo tempo quer continuar a retê-las do público. Há uma recuperação de vigor no ato final quando a protagonista realiza um serviço que a põe em choque com sua própria identidade e sensibilidade, mas não é o bastante para tirar o filme dessa confusão tonal na qual se meteu na segunda metade. Inegável que A Violência de Ninguém tem seus méritos, mas é o tipo de filme onde sua premissa e construção narrativa estão em desacordo com sua própria forma. Assim, uma ideia que abre margem para várias possibilidades se esgota rápido, ao ponto de ter momentos em que você só desejaria pedir aquele copo d’água a Mira para ver o filme terminar o mais rápido possível. Nota: 2.5/5

  • Crítica | Tigre de Papel (Mostra de SP 2026)

    fizesse o espectador tomar consciência dela, por mais bem elaborada que fosse – Gray filma planos como um mestre

  • Análise | Primavera nos Dentes: A História do Secos & Molhados (Mostra de SP 2025)

    Série documental tenta fazer o que pode a partir dos litígios impostos a ela Foto: Reprodução Ontem (29), o Oxente Pipoca teve a oportunidade de assistir em cabine a dois dos quatro episódios de Primavera nos Dentes: A História do Secos & Molhados, série documental dirigida e roteirizada por Miguel de Almeida a partir do seu próprio livro homônimo. Contando com as participações de Ney Matogrosso, Gerson Conrad e outros músicos envolvidos com o Secos & Molhados, além de convidados externos que expressam sua admiração pela banda e sua relevância para o cenário musical brasileiro. Desde o primeiro episódio, fica evidente uma falta significativa em decorrência da ausência de João Ricardo, terceiro membro da banda. Não apenas isso, como ele, que é detentor dos direitos da maioria das músicas, proibiu a produção de utilizá-las na série, o que acaba gerando uma lacuna enorme. Ainda que músicos Emílio Carrera (piano) e Willy Verdaguer (baixo), que tocaram nos álbuns originais, se esmerem em construir uma trilha sonora original que relembre canções icônicas como Sangue Latino, O Vira, Mulher Barriguda ou Flores Astrais – e que eventualmente contam com as participações de Conrad e Matogrosso –, fica a sensação de se estar ouvindo um pastiche, especialmente com a ênfase que a série dá à gravação dessas novas músicas, quase como se ela no fim das contas fosse um veículo para a divulgação desta nova “velha” formação do Secos & Molhados. Se a ausência de João Ricardo e o litígio promovido por ele prejudicam muito a absorção da série a partir das músicas da banda, também permitem que ela aborde temas mais espinhosos que outras produções documentais muitas vezes têm receio em tocar. Não há nenhuma tentativa de esconder uma visão mais parcial (e menos generosa) sobre o papel de Ricardo e seu pai, João Apolinário, na dissolução da banda, com os diversos entrevistados não fazendo poucas palavras para descrever as complicadas personalidades de ambos e as tensões internas. A própria decisão de resumir o Secos & Molhados aos dois álbuns com Matogrosso e Conrad – mesmo que Ricardo tenha utilizado o nome em outras formações e outros álbuns – é em si um gesto que demarca muito bem a intenção da série e dos envolvidos. Foto: Reprodução Mesmo contando com gorduras e repetições (as imagens da peça O Rei da Vela, o uso de imagens reversas dos militares para falar do contexto sociopolítico da época), além de investir em alguns entrevistados que não tem muito a agregar, a série se beneficia justamente do espaço que Matogrosso, Conrad e outros músicos da banda têm para revisitar as memórias. Matogrosso, como sempre, não tem papas na língua, ao passo que Conrad nutre mais carinho por esse passado. Nota-se até uma certa tensão quando os dois estão juntos em cena, embora isso possa advir mais das diferenças de personalidades do que necessariamente por mágoas e questões não resolvidas. Certamente o rancor contra João Ricardo os une, assim como os une aos outros entrevistados. Primavera nos Dentes: A História do Secos & Molhados acaba não escapando de uma abordagem um bocado protocolar, sofrendo ao tentar preencher como pode as lacunas decorrente do litígio imposto a ela. É difícil dizer com metade dos episódios se ela pode dar conta de representar o suficiente do legado que Secos & Molhados deixou na música e na cultura brasileira, mas pelas falas apaixonadas e saudosas dos entrevistados, não há dúvidas de que, em meio às disputas e tensões, eles reconhecem a grandiosidade do que criaram, mesmo que não soubessem à época.

  • Entrevista | “Nos concentramos nos efeitos desse drama sobre as crianças”: Mees Peijnenburg fala sobre “Uma Família” (Mostra de SP 2026)

    Diretor esteve na Mostra de SP para apresentar o filme, que aborda o processo de um divórcio através Dirigido por Mees Peijnenburg, o drama Uma Família é um dos longas a concorrerem na Mostra Perspectiva Internacional, da 50ª edição da Mostra de SP. Mees Peijnenburg esteve presente durante a Mostra para apresentar o filme, e o Oxente Pipoca pôde entrevistá-lo logo em seguida, você já sente falta daquele que acabou de deixar, despertando o desejo de voltar — mostra

  • Crítica | A História Mais Triste do Mundo (Mostra de SP 2026)

    Em “A História Mais Triste do Mundo”, exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, encontramos

  • Crítica | Ana, En Passant (Mostra de SP 2026)

    Memória, espaço e afeto se entrecruzam em animação de traços híbridos. Divulgação Em Ana, En Passant, a diretora Fernanda Salgado busca de alguma forma materializar o conceito da “cartografia afetiva”, ou seja, a representação do espaço geográfico a partir da subjetividade, das memórias e das emoções da pessoa que o vivencia. Isso é evidente quando já nos primeiros minutos, entre uma profusão de técnicas de animação e imagens de arquivo, uma mãe ensina a filha a mapear o tempo e o espaço com o próprio corpo através da dança. Essa ênfase na fisicalidade e no movimento, junto com a relação afetiva com o mar, são alguns dos motes que norteiam a obra. No filme, Ana (Jéssica Pierina) é uma jovem parisiense descendente de brasileiros, que foi criada pela avó Alice (Zezé Motta) até a morte desta. Seguindo os seus passos, Ana retorna a Belo Horizonte na tentativa de buscar respostas sobre o passado da família, mas se depara com Alice (Jéssica Pierina), residente do apartamento em que os avós moravam. Apesar do estranhamento inicial entre as duas, potencializado pela semelhança física (e o trabalho de voz de ambas feito pela mesma atriz) ou o fato de Alice ter o nome da avó de Ana, as duas mulheres não tardam a se conectar. O laço entre as duas personagens nunca é devidamente rotulado – talvez seja filial, amoroso, mera amizade ou uma seja o duplo da outra, duas partes de um mesmo ser –, mas é justamente nessa falta de rótulos que Fernanda Salgado encontra a grande força do filme, construindo um vínculo e afeto entre ambas que lhes dá forças para cada uma lidar com suas questões: Ana às voltas com o passado de sua família e Alice com uma gravidez inesperada que lhe roubou momentaneamente sua maior paixão, a dança. A câmera de Salgado enfatiza planos longos centrados nas trocas e interações entre as duas, ao passo que mergulha (literal e figurativamente) em suas subjetividades. Divulgação Nesse sentido, o grande mérito do filme está justamente em como esse mergulho se dá através de um variado leque de técnicas de animação. A principal delas é a rotoscopia – o ato de filmar com atores em carne e osso e depois “cobri-los” com animação, como visto em filmes como Waking Life e O Homem Duplo, de Richard Linklater. A técnica pode ter suas limitações do ponto de vista da expressividade dos atores, mas aqui serve bem para adicionar uma camada lúdica e até meio mágica, especialmente, quando combinada a outras técnicas (como as colagens, pinturas e desenhos), faz com que BH seja “descortinada” aos olhos de Ana conforme esta passeia pela cidade, ao ponto de eventualmente até justificar a escolha por uma capital sem rios e praias para explorar o vínculo afetivo entre as personagens e o mar. Talvez onde o filme se revele menos bem-resolvido seja nessa procura de Ana por pistas e respostas acerca dos familiares, mesmo que essas partes justifiquem a presença em cena de figuras tão emblemáticas do nosso cinema como Zezé Motta e Carlos Francisco, que sempre trazem frescor, calor e sabedoria ancestral consigo quando aparecem em tela. Há uma aparente construção de algum mistério ou segredo a ser desenterrado, mas o filme nunca parece tão interessado nisso como está na construção do laço de Ana e Alice – como evidenciado até na sua resolução um tanto conveniente. Se este bloco possui alguma força e sentido dentro do filme, é justamente quando serve para o fortalecimento dos laços entre as duas protagonistas. Esse aparente desinteresse, porém, não mitiga a sensibilidade com a qual Ana, En Passant conduz esses entrecruzamentos entre as memórias e o espaço geográfico a partir destas cartografias afetivas. Onde muitas vezes o texto pode parecer um tanto insuficiente para trabalhar as subjetividades das suas protagonistas, o emprego de múltiplos recursos e técnicas de animação possibilita construir a conexão com estas subjetividades e acompanharmos a trajetória dessa(s) mulher(es) em meio às suas redescobertas e afetos. Nota: 3.5/5

  • Lista | Os melhores filmes vistos na 49ª Mostra de SP

    Foto: Reprodução Depois de duas semanas intensas, a 49ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São “Cyclone é sobre uma mulher impossível de ser presa pelas correntes do seu tempo - seja em 1919 ou 2025

  • Em coletiva de 'O Agente Secreto', Kleber Mendonça Filho reflete sobre o “sotaque fílmico” no cinema brasileiro (Mostra de SP 2025)

    Diretor esteve presente junto com a equipe e elenco para divulgar o filme durante a 59º Mostra de SP O filme agora vem sendo exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que contou com a

  • Lista | Os melhores filmes vistos na 50ª Mostra de SP

    Divulgação A 50ª edição da Mostra de SP chegou ao fim. fizesse o espectador tomar consciência dela, por mais bem elaborada que fosse – Gray filma planos como um mestre Visto “Emergindo como uma obra surpresa neste ano e rapidamente se tornando um dos marcos culturais de 2026

  • Entrevista | “O cinema pode ser uma ferramenta catártica”: Akinola Davies Jr. fala sobre “A Sombra do Meu Pai” (Mostra de SP 2025)

    Cannes, o filme nigeriano A Sombra do Meu Pai estreou na última segunda-feira (20) na 49ª edição da Mostra oportunidade de entrevistar Akinola Davies Jr. durante sua estadia em São Paulo para divulgar o filme na Mostra É um filme que foi feito, eu diria, entre 2020 e 2021, é um lindo filme sobre pessoas tentando deixar

  • Entrevista | “Pode se encontrar a resposta nos outros”: Valter Hugo Mãe e Miguel Gonçalves Mendes falam sobre “De Lugar Nenhum” (Mostra de SP 2025)

    Paulo Foto: Mariane Morisawa Poucas figuras podem se gabar de cultivar uma relação tão próxima com a Mostra O escritor e artista português, além de responsável pela arte que estampa a 49ª edição da Mostra, também Oxente Pipoca teve a oportunidade de entrevistar Valter Hugo Mãe e Miguel Gonçalves Mendes durante a Mostra É um processo do filme do Miguel, ele mostra isso, como as coisas são um pouco à deriva e elas acontecem Como está sendo ter o lançamento do filme aqui na Mostra de SP, especialmente para você, Valter, que

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