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Crítica | The Comeback (3ª Temporada)

  • Foto do escritor: Filipe Chaves
    Filipe Chaves
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Em seu terceiro retorno e consequente despedida, Valerie Cherish não poderia ser mais pontual.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Criada por Lisa Kudrow e Michael Patrick King, a série estreou lá em 2005 abordando os bastidores de uma sitcom através da febre da época: reality shows. Foi cancelada após uma temporada de 13 episódios e foi a melhor coisa que aconteceu, digo sem medo. Em 2014, Kudrow e King receberam uma nova chance da HBO e nasceu a espetacular 2ª temporada, desta vez levando Valerie Cherish à chamada prestige TV, que lhe rendeu um Emmy naquele belíssimo final. Agora, 12 anos depois, com a chegada da inteligência artificial e todo o debate acerca da arte humana, Valerie se envolve com a primeira série escrita por IA e é o cenário ideal para que Lisa Kudrow brilhe mais uma vez mostrando os bastidores de Hollywood e as mudanças dos assustadores tempos atuais. Valerie já teve que lidar com roteiristas difíceis ao longo do tempo, mas quando não há nenhum no comando a coisa piora.


Valerie Cherish é uma das melhores personagens da história da televisão e eu digo isso com a mais absoluta tranquilidade. Com o passar dos anos, inevitavelmente, ela fica mais madura, mas nunca fugindo da veia tragicômica da produção. Ela jamais deixa de ser hilária, mas ao mesmo tempo é desconfortante vê-la passar por tantas humilhações. Val já está mais calejada, mas não perdeu seu jeitinho “avoado” e característico de Lisa Kudrow, que é a cereja do bolo. Ela tem vários trejeitos habituais, mas é a humanidade que o grau de complexidade que diferenciam a personagem da Phoebe de Friends, por exemplo. Kudrow é um espetáculo passeando pelos diversos conflitos internos de sua protagonista, e pelo fato dela co-escrever com King, realmente deixa a impressão de algo mais intimista e pessoal. 


Falando no texto, que era um dos maiores trunfos da série, senti que houve um didatismo maior no tratamento da IA e da dominância do streaming no mercado televisivo. Algumas situações e diálogos me soaram pouco orgânicos em determinados episódios, o que compromete um pouco a fluidez da trama na minha visão. Entendo que a intenção era deixar o ponto da história mais acessível, mas a dupla já tinha provado anteriormente sua capacidade de fazer isso com mais nuance e eu senti falta disso. Não é algo que atrapalhe a temporada no geral, porque os pontos positivos continuam muito mais fortes, porém, como a régua é lá em cima quando se trata de The Comeback, quando há um desvio na estrada, ele fica mais evidente, digamos assim. Estes “desvios” são sanados no espetacular final, do qual eu vou falar mais daqui a pouco.

Imagem: Divulgação
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Agora é hora de destacar o excelente elenco coadjuvante, enquanto temos alguns retornos e novos rostos. Laura Silverman sempre ótima como Jane, filmando Val em seu novo documentário na produção de How’s That, sua nova série. Damien Young como Mark, o marido de Val, mas desta vez sem os problemas conjugais da temporada anterior e o casamento está em um lugar mais de apoio, o que é bom e demonstra maturidade de ambos. Enquanto Billy, papel de Dan Bucanasty, está mais excêntrico e engraçado do que nunca. Porém, uma ausência é indiscutível. Robert Michael Morris, o Mickey, infelizmente morreu na vida real. Era um dos melhores personagens, sem dúvida alguma e a escolha da série dele também ter morrido na ficção foi a mais acertada, porque Mickey jamais deixaria Val em qualquer hipótese que não fosse a morte. Há uma bela homenagem a ele e é impossível segurar as lágrimas. Dos novatos, temos Andrew Scott como o chefão da NuNet, o serviço de streaming que produz How’s That e John Early como o suposto showrunner da série, em um papel totalmente diferente do que ele fez em Search Party, mas não menos engraçado. Não vou citar todo o elenco recorrente para não alongar ainda mais a crítica – apenas os maiores destaques – ou as participações especiais, excelentes em sua maioria sejam de veteranos ou não, para evitar spoilers. 


Depois que tudo é feito e dito, The Comeback se despede pela terceira vez de maneira grandiosa. A temporada como um todo mostrou pontos a favor e contra a inteligência artificial, mas no fim, não resta dúvidas: o humano é imprescindível para se contar uma história, seja ela boa ou ruim, ou até uma série de algoritmo que as pessoas não se importam muito e deixam como som de fundo enquanto realizam outra atividade, como o personagem de Andrew Scott se refere à How’s That. Entre erros e acertos, arte só é arte porque ela é essencialmente humana, por isso o trabalho dos roteiristas se mostra indispensável e mais do que nunca foi necessário que Lisa Kudrow voltasse mais uma vez para comprovar isso com sua incrível Valerie Cherish, que nomeia o series finale. Uma IA, por mais avançada que fosse, jamais poderia escrever aquela cena final, que honra esta personagem tão engraçada, tão trágica de uma maneira genuinamente perfeita. Valerie nos fez rir muito durante este ano – aquela piada com The Traitors me fez gargalhar alto –, mas nos deixa incrivelmente comovidos com seu brilhante ato final. Espero te ver em 10 anos, Valerie Cherish e que a humanidade prevaleça até lá.


Nota: 4,5/5






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