Crítica | A Diplomata (4ª Temporada)

há 3 horas
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Se já tem Keri Russell, Rufus Sewell, Bradley Whitford e Allison Janney contracenando, nem precisava ser tão boa, mas felizmente é.

Depois de uma excelente 3ª temporada, a série conseguiu manter a qualidade, mesmo que não tenha superado o ano anterior. Lidando com as consequências das ações de Hal (Rufus Sewell) e Grace (Allison Janney) – o vice e a presidenta dos Estados Unidos –, que roubaram uma “arma de proporções catastróficas” de um submarino russo, Kate (Keri Russell) tenta amenizar as coisas com o Reino Unido através de Callum (Aidan Turner), pelo menos de início, porque as peças estão sempre se movimentando, com uma virada em cima da outra e talvez este seja um pequeno problema do porquê esta temporada não conseguiu ser melhor que a terceira.
A Diplomata sempre foi uma série ágil, seja no ritmo dos acontecimentos ou nos diálogos – herança de The West Wing da showrunner Deborah Cahn –, e eu realmente gosto disso. Os textos longos, principalmente nas discussões acaloradas de Kate e Hal, são excelentes. A relação complexa dos dois é um dos pontos mais altos da produção e é algo que realmente traz um diferencial. Eles tentam se acertar aqui, mas há tão mais em jogo. Se no ano anterior, Hal ganhou mais profundidade individualmente, agora o casamento ganha de novo o foco, mas sem deixar Kate de lado, obviamente a protagonista. Kate tem tanto para fazer o tempo inteiro e os meios que ela usa para atingir seus fins são definitivamente questionáveis, mesmo que eficazes, seja na política ou na vida pessoal. E ainda bem, porque acrescenta mais nuance a personagem, já que suas motivações muitas vezes são altruístas, mas nem sempre. Talvez Kate seja o espelho dos Estados Unidos, ache que sempre esteja fazendo o bem, mas na maior parte age em interesses próprios. Metáforas à parte, essas camadas e um certo grau de imprevisibilidade enriquecem a protagonista tão expressiva de Keri Russell, que trabalha um turbilhão de emoções a todo instante aqui. E é bom que ela tenha um parceiro de cena à altura como Rufus Sewell porque não é fácil acompanhar o talento dela, pois nem todo mundo é Matthew Rhys, rs.
Outros dois casais ganham foco, e um deles é, naturalmente, Grace e Todd Penn (Bradley Whitford), a presidenta e seu primeiro cavalheiro. É sempre um deleite ver Janney e Whitford repetirem a parceria que tiveram por sete anos em The West Wing, ainda que lá não tivessem uma relação amorosa. Whitford agora faz parte do elenco fixo e Todd ganha mais destaque, ressaltando suas inseguranças e a fragilidade do ego masculino. Não é fácil ser casado com a mulher mais poderosa do mundo, risos. E o jeito dela de lidar com isso, não é a forma mais adequada, já que Grace é extremamente teimosa e só tende a concordar com quem concorde com ela. Eidra (Ali Ahn) e Stuart (Ato Essandoh), que agora decidiram morar juntos, também são afetados pelo furacão Penn, e obviamente Kate, que passeia por todos os núcleos e não está em uma boa posição com a presidenta, o que deixa as cenas entre as duas sempre com uma tensão latente, afinal o destino do mundo está em questão e o peso disso é sentido nas decisões.

Eu cito os casais porque a política e o lado pessoal estão intrinsecamente conectados aqui, uma vez que o estado emocional de um líder afeta milhares. Então, quando a série faz uso do seu elenco estelar, por exemplo, em uma mesa de jantar, ela brilha. Russell, Janney, Sewell e Whitford são veteranos experientes e deitam e rolam em uma cena onde discutem política global e há tanta bagagem por trás justamente pelo fato dos personagens e suas conexões serem tão bem construídas pelo roteiro cíclico e é aqui que A Diplomata mostra o porquê de ser uma das melhores produções em andamento da Netflix, e não à toa, figurinha carimbada nas premiações. Lá na primeira temporada, eu percebia que a série tinha um certo problema de equilíbrio com seu lado cômico beirando o pastelão, mas é bom notar como isso foi revertido em estilo e identidade própria, como vimos em uma ótima sequência envolvendo o personagem de Rory Kinnear no quinto episódio, por exemplo.
É normal que séries queiram se superar, e após um terceiro ano tão bem sucedido, senti que nesta quarta temporada houve uma necessidade aumentar as viradas na trama, o que causa a impressão de atropelo e era preciso um respiro em determinados momentos, embora o capricho visual com os cenários externos, design de produção e figurinos nunca deixem de exaltar o seu valor. É uma sensação que me ocorreu no decorrer dos episódios, mas a construção de tudo que nos levou a mais um belo último episódio é extremamente válida e impactante, não só por colocar em voga a lealdade Hal à Kate, como nos deixar extremamente curiosos pelo que vem a seguir, o que tem tudo para ser um explosivo capítulo final para esta história, ainda que não haja confirmação nenhuma da Netflix.
Nota: 4/5



















