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Crítica | Slow Horses (6ª Temporada)

Foto do escritor: Filipe Chaves
Filipe Chaves
há 6 horas
3 min de leitura
A série mais uma vez prova o porquê de ser a melhor da atualidade, mas ainda deixa o gosto de quero mais.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Slow Horses continua todo ano entregando consistência. Parece até redundante falar isso, mas nos tempos de hoje, é algo para se louvar. Com mais seis episódios, a nova temporada coloca os pangarés na mira de dois - ou mais? - assassinos. Sejam novos ou antigos, todos estão em risco e é claro que há mais uma conspiração de Taverner (Kristin Scott Thomas) por trás, aparentemente. Slow Horses não é uma série pautada por suas reviravoltas, mas eu vou evitar spoilers ao máximo aqui. Dito isso, a trama central da temporada abre a brecha para que retornos aconteçam – e como a Apple não fez a mínima questão de esconder nos materiais promocionais, não vou fazer isso aqui também, mas vou deixar de fora motivações específicas –, como é o caso de Sid (Olivia Cooke) e Louisa (Rosalind Eleazar). 


Fugindo dos matadores, os grupos se separam, como é de praxe, porém isso não quer dizer que seja uma coisa ruim. Sid e River (Jack Lowden), ainda que em rota de fuga constante, têm tempo para reaver um pouco do tempo perdido e retomar a dinâmica - e a química - dos longínquos primeiros episódios, principalmente porque River lida com complicadas questões pessoais. Coe (Tom Brooke) também se junta a dupla, mas é Cooke parece que nunca deixou o papel e se encaixa como uma luva no tom da série e tem realmente uma importância maior para o núcleo central da temporada. Eu nunca achei que ela estivesse morta mesmo e que bom que essa volta aconteceu. “Sayonara”, o quinto episódio, centraliza bem não só a relação dela com River, mas novos desdobramentos para ela, o que rende um dos melhores episódios do ano na televisão. É, de longe, um dos mais emocionantes. 


De outro lado, temos Lamb (Gary Oldman), Standish (Saskia Reeves), Ho (Christopher Chung), Shirley (Aimee-Ffion Edwards), Louisa e eventualmente a agente Flyte (Ruth Bradley), tentando salvar quem podem, o que adiciona mais umas participações que agregam bem a dinâmica hilária do grupo. Mais tarde, Lamb acaba seguindo um rumo diferente no intuito de descobrir – e desfazer – o emaranhado da vez, espero que finalmente esteja assegurando o Emmy devido de Gary Oldman. As rusgas individuais permeiam por um bom tempo aqui, mas nunca soam cansativas ou deixam de ser engraçadas, como Shirley não aceitar o fato de Louisa estar vivendo uma vida melhor sem a Slough House, ou as constantes investidas de Ho em Flyte. E não posso deixar de citar o excelente Lenny Rush, que só eleva o nível do jogo.


Um dos pontos principais para se acompanhar uma série de televisão é gostar de passar tempo com os personagens. Por isso Slow Horses sai na frente da grande maioria. Não é só a narrativa que importa ou descobrir onde tudo aquilo vai nos levar. É gostoso estar ali, com aquelas pessoas, testemunhando suas perdas e derrotas, sofrendo com e por eles, do mesmo jeito que ficamos felizes. Eu sempre quero mais de Slow Horses e veria tranquilamente por 20 episódios os pangarés resolvendo casos do dia ou o que fosse. Mas os seis episódios são a medida ideal para uma trama tão enxuta que sabe exatamente o que quer contar. Ainda que desta vez, devo confessar, sinto que uns dois episódios a mais conseguiriam desenvolver algumas subtramas que não tiveram tanto espaço. Talvez o fato da temporada ter adaptado dois livros ao invés de um, como era costume, tenha contribuído para isso. 

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Nada que tire o impacto da produção, que se consolida como a melhor no ar hoje. O texto continua genial, os diálogos ágeis e sarcásticos, sempre equilibrando o humor e alta carga de tensão de uma maneira brilhante e mesmo que ainda tenha grandes momentos catárticos de fugas, tiroteios e grandiosos gestos, a sutileza se sobressai em tantos outros, emoções em pequenas doses muito bem distribuídas. Will Smith foi o showrunner das cinco temporadas anteriores e agora Gaby Chiappe assumiu o comando e eu digo que ela aprendeu bem do mestre. Adam Randall dirigiu os seis episódios e eu senti uma liberdade ainda maior para brincar com o estilo da série, uma elegância firme, seja em em cenas mais íntimas ou grandes sequências de ação, principalmente no espetacular último episódio, que deixou um baita gancho e algumas mortes pelo caminho. Slow Horses não tem medo de ousar e arriscar e é por isso que ela é gigantesca. 


Nota: 5/5


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