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Entrevista | “A ideia é que você esqueça que eles têm essa deficiência intelectual”: Marcelo Galvão, Luiza Godoi e Ariel Goldenberg falam sobre “Colegas e o Herdeiro”

  • Foto do escritor: Vinicius Oliveira
    Vinicius Oliveira
  • há 14 horas
  • 3 min de leitura

Sequência de “Colegas” expande o universo do primeiro filme, apostando na representação e inclusão de pessoas com síndrome de Down e TEA.


Divulgação


Estreia na próxima quinta-feira (13) o filme Colegas e o Herdeiro, dirigido por Marcelo Galvão e estrelado por Ariel Goldenberg, Rita Pokk, Luiza Godoi, João Vitor Paiva, dentre outros. O longa é uma continuação de Colegas (2013), também estrelado por Ariel Goldenberg e Rita Pokk e que se destacou à época por ser o primeiro filme brasileiro protagonizado por atores com síndrome de Down.


Em Colegas e o Herdeiro, Stalone (Goldenberg) e Aninha (Pokk), após se casarem ao final do filme anterior, agora vivem confortavelmente num hotel decadente no Uruguai. Stalone jura que o hotel é uma herança de sua mãe, mas em seu caminho está Magrelo (Henrique Fernandes), um jovem autista que foi adotado e criado como filho pelo proprietário falecido. Sem esperar pela leitura do testamento, Stallone decide reunir seus antigos amigos com síndrome de Down, do instituto onde viveram no Brasil, para passarem uma semana de férias no hotel, e alguns deles, como Letícia (Luiza Godoi) e Duda (João Vitor Paiva) embarcam em uma aventura pelo Uruguai até chegarem ao hotel.


O Oxente Pipoca teve a oportunidade de entrevistar Marcelo Galvão, Ariel Goldenberg e Luiza Godoi para falarem sobre o filme. Segundo Galvão, seu desejo em voltar ao universo de Colegas se deu pelo interesse em mostrar a potência dos atores e atriz com síndrome de Down, além das experiências que obteve ao viajar internacionalmente para promover o filme.


“Conheci muita gente que falava para mim: ‘Cara, eu amei teu filme, mas se você puder fazer um filme com um autista, eu vou adorar, porque meu filho é autista’. E eu não conhecia muito sobre o universo do autismo, né? Eu tinha uma experiência muito grande com a síndrome de Down, por ter criado sido criado junto com o tio com síndrome de Down”, disse ele, que passou a pesquisar, assistir filmes e se relacionar com pessoas autistas, mantendo amizades com várias delas até hoje.


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Galvão também destacou que, apesar dos desafios para se fazer um filme como Colegas e o Herdeiro, a ideia central foi incluir e dar espaço a mais jovens artistas com síndrome de Down, bem como fornecer a representação autista através da figura de Magrelo. “Tem mais de 70 garotos e garotas com deficiência intelectual no filme. Então, a vontade de fazer o Colegas e o Herdeiro foi mais para mostrar que existe muita gente talentosa, porque para mim me incomoda muito assistir um filme e aí você vê um cara que não tem nenhuma deficiência interpretando um personagem que seja PCD”, disse ele, que também enfatizou como o filme não busca girar em torno das deficiências dos personagens: “A ideia é que você esqueça que eles têm essa deficiência e embarque naquela aventura, torça por eles. Eu acho que a maior inclusão tá ali, a partir do momento em que você não fala sobre o assunto, mas se mostra que eles são capazes de fazerem você rir, chorar, se emocionar. Eu acho que esse é o grande diferencial”.


Para Luiza, que representa uma geração mais jovens de artistas com síndrome de Down (tendo inclusive codirigido e estrelado A Holandesinha, cuja crítica você pode ler aqui), é perceptível um mercado audiovisual mais aberto a estes artistas, inclusive com a possibilidade de encontrar mais filmes protagonizados por pessoas com síndrome de Down nos streamings. Já Ariel creditou ao sucesso de Colegas a possibilidade que tais filmes existam hoje em dia, bem como a inserção de pessoas com síndrome de Down no ramo artístico, mas no mercado de trabalho em geral.


Por fim, tanto Galvão quanto Godoi e Goldenberg enfatizaram a importância do público assistir ao filme na sua primeira semana de estreia nas salas de cinema, para que ele se mantenha por mais tempo e seja visto por um público cada vez maior.

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